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Não tenho Vontade de Ler a Bíblia?

Ciganos brasileiros vão ler a Bíblia em sua própria língua

A mãe estava irritada com as notas baixas do filho. O garoto passava a maior parte do tempo vendo televisão ou jogando no computador. A mãe tentara várias estratégias para o motivar mas, aparentemente, nada resultava. Tentara oferecer prémios, tentara ameaçar com represálias. O menino reagia impávido e sereno e quando a mãe perguntava: Filho não vai estudar? A resposta era invariavelmente a mesma: estou esperando que me dê vontade…

Há coisas que fazemos com vontade como comer um gelado, passear na praia, ir a uma exposição de arte de um pintor que admiramos ou a um concerto de uma banda favorita. Há coisas que fazemos por necessidade, como tomar os remédios diários, ir ao trabalho ou fazer exercício. Se esperarmos que nos dê vontade de tomar a medicação, provavelmente, nunca o faremos. Mas, há momentos na vida em que descobrimos que é necessário e precisamos dela, sabemos que sem ela a nossa tensão dispara ou as dores voltam com força.
 Na vida espiritual esta regra também se aplica. Há quem nunca ore porque simplesmente não sente vontade de orar. Vai orar só na hora da urgência, da crise, da fatalidade apenas para descobrir que não sabe orar e que não tem intimidade com Deus. Há quem espere para ler a Bíblia só quando vontade e por isso nunca o faz. Enfim chega o dia em que precisa de direcção do Senhor e então corre para as escrituras mas descobre que as páginas parecem em branco e não fazem sentido. Há quem deixe para vir a igreja só quando bate o desejo e então nunca vem. E quando num dia especial o faz é para perceber que não conhece quase ninguém, não entende bem o funcionamento do culto e não se sente bem como achava que deveria.
Assim como há muitas coisas na vida que devemos fazer independente do nosso desejo, também na vida espiritual precisamos aprender o sentido da disciplina. Oro diariamente, leio a Bíblia e medito todos os dias, participo dos cultos e actividades da igreja porque aprendi que são vida para minha alma e força para meu espirito. É assim que Deus preparou as coisas para acontecerem e é assim que caminho com Ele de modo a enfrentar as lutas e ter vitórias nas adversidades. Não espere pela vontade, meu irmão. Pratique, participe e verá a bênção descendo sobre sua vida.

Vencendo a Depressão


Grandes heróis da fé também sentiram depressão. Como reagir diante da depressão? Um crente pode viver deprimido?

Mensagem: Vencendo a Depressão 

Compromisso! Porque?


Ele levanta-se bem cedo durante 6 dias na semana, come um pequeno-almoço rico em proteínas e vai treinar cerca de 4 horas. São exercícios de aquecimento que levam quase 40 minutos, depois se submete a esforço contínuo na prática de sua especialidade. O almoço, e cada refeição, serão supervisionados por um nutricionista especializado em alta competição. Ele não pode simplesmente comer o que lhe apetece. Tem que manter o peso e a massa muscular. A tarde terá nova sessão de treinos com mais 4 horas de prática, exercícios, ginásio e musculação. Terá que ir dormir cedo para não prejudicar seu descanso. Tudo isso para uma prova que vai durar alguns segundos e uma fama que se vier durará apenas alguns anos. Todo seu esforço dificilmente o manterá no topo, se conseguir lá chegar, por mais de 10 anos.
 
A isso se chama compromisso! Os atletas de alta competição têm que dedicar suas vidas e fazer decisões difíceis. Irão abrir mão de muitas coisas, de vontades, de desejos, de passeios e lazeres, de comida e férias, fins-de-semana e companhias agradáveis. Acham que vale a pena pelo gozo de estar na frente e ganhar medalhas e reconhecimento. Na verdade, de milhares que treinam e lutam apenas uns poucos ficam realmente famosos como Ussain Bolt.
Somos chamados a um compromisso radical por Jesus. Em Mateus 16: 24 e 25 fica claro isso. “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida perdê-la-á, e a quem perder a sua vida por amor de mim, salvá-la-á”. Parece muito radical não? Nem deve nos admirar que muitos ao ouvir isso tenham deixado Jesus. Mas valerá a pena esse sacrifício? O que ganhamos com nosso compromisso com o Senhor? Porque deveríamos faze-lo?
Porque Jesus assumiu um compromisso radical para nos salvar
Uma das mais fortes razões para nos comprometermos com Jesus é que Ele se comprometeu conosco. E seu compromisso foi radical ao ponto da morte. Jesus não apenas nos deu parte de seu tempo, um pouco de seu conhecimento, ou um esforço ocasional. Ele nos deu sua vida! A salvação que o Senhor nos ganhou exigiu todo o seu envolvimento. Ele teve que abrir mão do céu. Teve que se limitar a uma vida na terra. Teve que deixar de lado de modo temporário sua Glória e muito de seu poder.  Teve que aceitar a falta de gratidão e desprezo, a humilhação e a traição, a vergonha e a morte. Tudo isso sofreu para que nós pudéssemos ser salvos. Não chama isso a nosso senso de gratidão e dever? Não apela isso ao mais íntimo de nosso coração? Não pede esse compromisso um compromisso igual? E notemos bem, Ele não nos pede para morrer. Teria esse direito. Pede que vivamos. Pede que vivamos vidas cheias e abundantes, mas que a vivamos com Ele, sob sua maravilhosa direcção.
Porque nos é oferecido muito nesse compromisso
Mas além de tudo que já recebemos do Senhor Ele não nos chama para um compromisso apenas pelo infinito que já recebemos mas pelo infinito que esta diante de nós. Não é que a salvação seja pouco porque sabemos que é graça pura e inexplicável. Mas o mais incrível é que além disso Ele ainda nos garante uma graça futura que nos chama a esse compromisso com mais entusiasmo ainda. Não é apenas na gratidão que baseamos nosso compromisso mas na expectativa maravilhosa do que virá e em tudo o que Jesus nos garantiu e sua palavra nos promete de modo infalível. Lembremos que o Senhor nos disse que tínhamos que ser como meninos na aceitação do Reino? Como é que as crianças fazem ao receber uma prenda? Ficam gratos. E depois? Tentam retribuir? Não. A Criança se deleita no que recebe e passa a ter uma afeição especial na expectativa de mais. Não é que nos tornemos egoístas mas tentar retribuir a salvação é tolice. Só a gratidão não chega. Amamos o Pai pelo que fez mas sabemos que mais virá e isso nos impulsiona ao compromisso. Notemos apenas algumas dessas promessas que enchem nossa Bíblia e nos garantem o futuro:
Presença e bênção
O Senhor garantiu que estaria presente em nossas vidas quer por meio do ES quer por outros meios e instrumentos. Ele nos chamou a lançar sobre Ele toda a ansiedade porque Ele cuidaria de nós. O Apóstolo Paulo argumentou que tendo Deus nos dado Jesus, não poderia nos negar outras coisas, já que nos dera  o de mais alto valor. Somos chamados ao compromisso com um Deus que está sempre conosco, que nos acompanha a qualquer lugar em qualquer actividade e que deseja ser parte ativa de nossas decisões e vidas
Propósito a Razão de ser
Fomos criados com propósito. Tudo que trazemos para essa vida em corpo, alma e espírito nos capacita a cumprir esse propósito a ter uma direcção na vida a perceber o cumprimento do plano maior de Deus para a humanidade. Nosso compromisso com Deus tem a ver com abrirmos mão de tentar encontrar uma razão de viver sozinhos e deixarmos o Senhor encher nossa vida de propósito e direcção. Isso não quer dizer que vamos todos ser pastores e missionários, mas que seremos muitas coisas diferentes mas na noção clara de estar na vontade e direcção de Deus.
Galardão
Como se não fosse pouco a salvação e o céu, ainda temos a promessa de galardão. Nosso compromisso é avaliado por um justo juiz que nos promete valorizar cada esforço e cada sacrifício e recompensar tanto aqui quanto na eternidade. Isso é impressionante! Que Deus o nosso! Já deu a vida pela nossa salvação, já garantiu uma presença constante a abençoadora, já encheu nossa vida de direcção e propósito e ainda nos promete galardoar o compromisso que já era mais do que obrigatório. Isso também é graça pura! Mais um motivo maravilhoso e entusiasmante para o compromisso com o Senhor!

Esperança


Jurgen era um jovem cheio de vida e planos como seria de esperar que qualquer jovem aos 18 anos. Inclinava-se para o estudo da matemática e idolatrava Einstein. Ia fazer seus exames de admissão a faculdade quando foi admitido... ao exército. O ano era 1944 e Jurgen era um alemão de Hamburgo no fragor da segunda grande guerra. Foi incorporado ao exército alemão e colocado no front já na floresta alemã onde se rendeu a tropas britânicas.

Jurgen foi enviado como prisioneiro de guerra para um campo na Bélgica onde a verdade sobre a guerra foi vomitada sobre os soldados alemães e fotos dos campos de concentração de Auchwitz e Buchenwald eram colocadas em suas barracas para que sentissem o peso do mal feito pelos nazis. O jovem que fora criado sem qualquer principio cristão e cujo avô era um conhecido maçon afundou-se no desespero e no remorso. Depois de um tempo foi levado para um outro campo na Escócia. A boa receção dos locais o surpreendeu e um NT dado pelo capelão americano o despertou para a fé. Por fim, seu último campo na Inglaterra o colocou em contato com jovens cristãos e Jurgen encontrou a fé voltando a casa no firme propósito de estudar teologia. Seu contributo para a área teológica não poderia estar mais distante de seu inicio na fé. É conhecido por sua obra que tem como título, Teologia da Esperança. Estou falando de Jurgen Moltman.

O dicionário nos diz que Esperança é uma disposição de espirito que nos leva a esperar algo que se vai realizar. Esperança tem como sinónimos expectativa e confiança. Trata-se de uma das mais básicas disposições humanas e quando falta leva a desespero e muitas vezes suicídio ou atos de loucura. Como é possível que em meio ao horror de uma guerra e as angústias de uma prisão um jovem venha a desenvolver justamente essa disposição de espirito e não outra? Como pode alguém suportar situações como privação e crise mantendo a cabeça levantada e confiante? Provavelmente esperança é a resposta. Algumas pessoas tem expectativa  e confiança que as coisas irão de certo modo , outras não. A esperança é fundamental para a sanidade neste e em qualquer tempo.

O Cristão tem sua esperança em Deus. Confia na sua soberania, em sua justiça e amor e que no futuro (mesmo que desconhecido) o Senhor vai fazer tudo certo? Mas haverá base para essa esperança? Onde se baseia a esperança? Como podemos saber se é válida ou não? Olhando para as evidências, para a história. Um dos episódios da vida de um dos maiores profetas ajuda-nos a entender melhor isso.

Elias tinha sido usado poderosamente por Deus para desafiar um rei e uma rainha maus e perversos, do tipo que parecem saídos de um conto de fadas. Acabe e Jezabel entram na história como símbolos de maldade e governo despótico. Elias é um homem simples e aparentemente rude mas cheio da presença de Deus que os desafia e por fim obtém uma vitória retumbante contra os falsos profetas de Baal no monte Carmelo. A vitória descrita em I Reis 18 é uma das mais extraordinárias da Bíblia. E o que sucede então? Como reage o homem de Deus? Entra em profunda depressão quando percebe que sua vitória não levou a queda de Jezabel, não mudou o coração do povo e sua própria vida está em risco máximo. A crise desta vez é forte demais e ele foge e pede para morrer (I Reis 19:4). O Tratamento inicial do Senhor é descanso e sossego. Resolver questões a quente não funciona. Mas depois de dar a Elias 40 dias de repouso e solidão o Senhor vai tratar de o reanimar e reacender a esperança que se fora. E como foi que o Senhor fez isso? Como é que deu a Elias um retorno a forças para continuar? Vejamos o texto e aprendamos com o Criador que melhor conhece o funcionamento do coração humano (I Reis 19: 8 a 21).

Ele está Presente

A primeira coisa que o Senhor faz Elias perceber é sua presença. No entanto este texto é tão extraordinário porque nos mostra que essa presença nem sempre acontece do modo como pensaríamos de Deus. Temos a tendência de só entender a presença do Senhor nos grandes acontecimentos. Quando o mar se abre, quando o milagre acontece, então entendemos que o Senhor está presente, mas quando não há barulho... tendemos a achar que Ele se ausentou. Mas nesta passagem não aparece o Senhor no vento ciclópico, nem no terremoto tremendo, nem no fogo consumidor, mas numa brisa suave e delicada. Que extraordinário! Que mensagem confortante. Ele está presente na brisa que nos afaga mesmo quando não o vemos.

Avalia tua Situação

O Senhor chama Elias a uma autoavaliação. Há razões reais para esse desespero? Há razão para tanta angústia e duvida? Várias vezes na Bíblia o Senhor faz isso. Principiando no Eden quando pergunta a Adão: Onde estás? O Senhor nos chama a parar de vez em quando para olhar nossas vidas e perceber se há realmente motivos para nos afundarmos em autocomiseração. A autopiedade é um inimigo terrível. Leva-nos a pensar que somos as criaturas mais miseráveis do planeta. Isso não só é falso como é uma posição que não nos permite a reação. No caso de Elias (como na maioria) a simples avaliação não chegou a ajudar. Ele reiterou o que já dissera antes.

Volta pelo teu Caminho

O Senhor parte então para o restaurar da esperança e da vida em Elias. Volta pelo teu caminho, é a ordem. E porque? Duas razões principais. O voltar pelo mesmo caminho era uma forma de ajudar Elias a recordar. O caminho que ele percorrera era cheio de memórias da peregrinação do povo de Israel antes de entrar em Canaã. Ao regressar por esse caminho Elias iria recordar como o Senhor agira na história de seu povo suportando, abençoando, dando vitória e por fim uma nova terra. Volta para recordar como Deus agiu no passado e abençoou o povo.

Mas volta pelo teu caminho era também uma forma de mostrar que Deus agira na vida dele, Elias. Ao passar novamente pelos mesmos lugares ele lembraria da oração para que não chovesse, dos confrontos com o rei, do suprimento de alimento pelos corvos, da farinha da viúva, da ressurreição do filho da viúva, da vitória no Carmelo. O regresso pelo mesmo caminho seria uma forma de levar Elias e ver como Deus já agira de modo tão maravilhoso em sua vida e continuaria a fazê-lo. A base da esperança está exatamente no que o Senhor já fez e que nos leva a confiar em suas promessas para o futuro.
Tens ainda o que Fazer

O Senhor mostra então a Elias que ele ainda tinha o que fazer nesta vida. O Senhor tem propósitos para nós, planos para nós. Há coisas que Deus deseja fazer que só nós podemos fazer. Ele decidiu que assim seria. Se nós não fizermos talvez Ele chame outras pessoas, mas é também possível que ninguém o faça. Que responsabilidade, mas também que privilégio. Que riqueza. Pensar que o Senhor criador do céu e terra tem planos para mim, deseja-me para suas obras. Saber isso também me ajuda a crescer na esperança. O que o Senhor tem para minha vida afeta a de outros e vice-versa. Que riqueza para mim e para os outros. Que alegria para minha expectativa de vida.

Não estás Só

Se há uma coisa que nos deixa sem força é a sensação de estarmos sós. Elias se sentia só e sem qualquer apoio. Ele julgava que só ele sobrara de todos os que adoravam a Deus. Só ele era justo. Só ele sofria daquele modo. O Senhor o ajuda a perceber que não está sozinho. Há muitos outros que partilham a fé, a luta, a dor, o sofrimento mas também a esperança. Uma esperança já é algo bom, uma esperança partilhada é algo contagioso e que pode mudar a realidade a nossa volta.
No meio da guerra e da miséria Moltman entendeu a esperança que temos no Senhor. A história do seu povo, a história em geral, a história de pessoas a nossa volta, a história da igreja e a nossa própria história servem para lembrar a base dessa esperança. Minha esperança está no Senhor que fez o Céu e a Terra e que tem se provado vez após vez presente, atuante e benevolente. Volta pelo teu caminho, descobre o que ainda tens a fazer, não estás só, o Senhor e uma multidão de fiéis te acompanha. Louvado seja o Senhor!
 

A Batalha pela nossa mente


João é um homem gentil e de fala mansa. Toda sua vida, ele foi subserviente. Qualquer situação nova o deixa em grande ansiedade. Qualquer desafio é encarado com as mesmas palavras de sempre – “isso não vai dar certo”. João está derrotado antes de começar. As poucas oportunidades que apareceram em sua vida foram perdidas por causa dessa atitude. Ele simplesmente não consegue... a mulher o despreza por isso e vive comentando os sucessos de seus amigos e colegas. Os filhos não ligam ao que ele diz. João encolhe os ombros. Desde menino foi-lhe dito que era fraco, tolo, incapaz e outras coisas bem piores. Em sua mente ele criou tais barreiras que sua vida é uma enorme sucessão de situações impossíveis...
Ana sofreu muito em casa. O pai lhe batia, e batia na mãe. O irmão mais velho, primeiro se mostrara condoído, mas depois passou a agir como o pai e explorar o trabalho dela. O primeiro namorado não foi coisa melhor... Ana se viu grávida e sem condições de sustentar a criança. Teve que tolerar as violências do pai mais um tempo. Quando finalmente casou foi para fugir de casa. Mas o casamento é um desastre. Em sua mente Ana vê todos os homens como maus, violentos, insensíveis, exploradores... sua vida é dor e repressão. Ela não sabe ser feliz!
Estas histórias fictícias apenas falam de casos que se multiplicam na população. Milhões de pessoas vivem suas vidas repletas de pensamentos negativos durante o dia e pesadelos de noite. Não conseguem se libertar de um ciclo maligno de derrotas e expectativas falhadas até chegarem ao ponto de deixarem de acreditar. Estão sendo derrotadas na maior batalha que enfrentamos em nossas vidas.
Tudo começou com os nossos primeiros pais. Criados em perfeição pelo Senhor Deus Criador, viviam em plena comunhão. Até que um dia a serpente veio brincar com suas mentes. Sugerir pensamentos diferentes, levantar dúvidas, despertar ansiedades e propor hipóteses que a mulher e depois o homem aceitaram. Com sua desobediência veio o pecado e a separação de Deus. Daí por diante vivemos num mundo em conflito. O bem e o mal lutam pelas vidas humanas e o campo principal de batalha é a nossa mente.
1.     Somos frutos de nossos pensamentos
Todos nós vivemos de acordo com os nossos padrões de pensamento. Paulo falava disso aos Romanos: “ Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espírito deseja.” Romanos 8:5. E sabemos isso por natureza e experiência. Conforme pensamos assim agimos. Jesus dizia que os atos malignos vem de dentro, das mentes, dos pensamentos, dos esquemas mentais que cada um de nós cria. Conforme os pensamentos que nos dominam assim será nossa atitude e nossa atitude determina a forma de encarar as situações, resolver os problemas, tratar nossos relacionamentos. Tudo começa na forma de pensar.
2.     Somos chamados a moldar nossas mentes pelo Senhor
Reconhecendo que o mundo força nossas mentes a certos moldes, Paulo instava os crentes de Roma a não aceitarem esses moldes mas transformarem seus pensamentos pelo Senhor: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” Romanos 12:2. A sequência é essa. Queremos experimentar a vontade de Deus? Então não devemos aceitar os moldes do mundo mas renovar nossa mente. Esse é o desafio do crente. Não é só ser salvo e sentar-se a espera do céu. Viver na vontade de Deus. Crescer no domínio dos pensamentos. E aí vem a luta.
3.     Nossa batalha maior é pelos pensamentos
A luta maior acontece em nossas mentes. O inimigo leva tempo para criar moldes, padrões de pensamentos que se tornam verdadeiras fortalezas em nós: “Não consigo isso”; “Ninguém me respeita, ninguém me ama”; “Só mais essa vez...”; “isto não fará mal a ninguém”; “é mais forte do que eu”...
A luta que se passa na mente é vivida a nível de nossos pensamentos. Mas recebemos capacitação do Senhor pelo ES para a vencer: “As armas com as quais lutamos não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para destruir fortalezas. Destruímos argumentos e toda pretensão que se levanta contra o conhecimento de Deus e levamos cativo todo pensamento para torná-lo obediente a Cristo.” II Coríntios 10:4 e 5.
4.     Essa luta se passa no mundo espiritual não é com pessoas
Achamos que o mais difícil são as pessoas, mas a Bíblia nos diz que a luta é muito superior. Ela é espiritual: “Porque a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.” Efésios 6:12. Não estamos lutando com pessoas más e com gente que nos tenta prejudicar. Nossa luta é contra as forças espirituais da maldade e por isso é tão difícil.
5.     Nosso adversário trabalha por meio da mentira
Jesus deixou bem claro que nosso inimigo é mentiroso o tempo todo: “Quando o diabo mente, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira.” João 8:44. Sua estratégia não mudou desde o princípio. Ele enfeita a mentira, dá-lhe cores maravilhosas, mas continua sendo mentira. Ele finge que é para nosso bem quando sabe perfeitamente que deseja nossa desgraça e perdição. Ele trabalha com paciência e perseverança para nos amarrar em suas garras de tal modo que nos pareça impossível sair.
6.     A Vitória virá pelo conhecimento e aplicação da Verdade
Se a derrota vem pela aceitação das mentiras, a vitória vem pela aplicação das verdades de Deus. Jesus disse claramente: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” João 8:31 e 32. Daí a importância de trabalhar a Palavra de Deus e a conhecer. Jesus venceu as tentações não pela força, não pela argumentação, não pelo debate. Ele simplesmente usou a verdade da Palavra e respondeu as mentiras do inimigo a sua mente com as verdades do Pai.
7.     A Vitória é Nossa em Cristo
O inimigo sabe que a vitória esta ao nosso alcance. Ele luta para nos manter fechados em seus padrões de pensamentos malignos de tal modo que não vejamos que em Deus temos a saída. Mas a palavra afirma categoricamente: “Não veio sobre vós tentação que não fosse comum aos homens. E Deus é Fiel; Ele não permitirá que sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, Ele mesmo vos providenciará um escape, para que o possam suportar.” I Coríntios 10:13. Logo, o vencer já nos foi dado. Ser vitorioso é agora uma decisão nossa. O que vai preferir? Acreditar as mentiras do mal ou viver pelas verdades que nos libertam.
Na próxima semana continuaremos avançando nas respostas bíblicas sobre este assunto tão importante.

Confortavelmente Inúteis

Uma das maiores conquistas do homem moderno é o conforto. Passou a ser um princípio motivador e orientador de toda uma indústria, movimentando bilhões de dólares por ano. Queremos maior conforto em casa, no quarto, nos carros, nos transportes, nos serviços, no acesso a informação, no trabalho e por conseguinte nos relacionamentos e tudo mais. O homem moderno move montanhas para obter um pouco mais de conforto e gasta milhões em medicação que alivie qualquer pequeno desconforto.

O triste é pensarmos um pouco nisso e chegarmos a conclusão que o conforto, não sendo um mal em si, nos leva a inutilidade. A busca aguerrida pelo conforto e a teimosia em não deixa-lo uma vez encontrado, deixa o homem simplesmente inoperante, incapaz e porque não dizer, na maioria das vezes imbecil. Não se irrite e pense um pouco comigo.

O conforto é egoísta, auto-centrado. É ajustável exatamente a minhas necessidades e desejos particulares. Meu nível de conforto é só meu, logo, a sua busca se concentra unicamente em mim e no que eu quero. Por exemplo, a posição de uma poltrona que é confortável para mim pode não ser para outra pessoa. Quero serviço personalizado. A busca do conforto aliena ainda mais o homem do próximo e torna toda a vida um grande jogo de ver quem consegue encontrar mais coisas ajustáveis a seus desejos.

Quando lembramos que é essa visão egoísta que tem levado ao número absurdo de divórcios, ao crescimento dos abusos e violência, ao maltratar de crianças pelos próprios pais, a um isolamento do homem de tudo que é decente e bom, vemos o quanto o conforto pode ser prejudicial. Ao nos levar a ficar mais auto centrados a busca do conforto nos leva a ficar mais distantes dos outros e de Deus.

O conforto é essencialmente consumidor. Toda a indústria de marketing trabalha com base nesse conceito e sua provisão. Somos levados a trocar de carro, telefone, TV, máquina de café, fogão, etc. Com base apenas no facto de que o novo modelo é mais confortável de usar e traz umas novas aplicações muito especiais. E nós corremos a substituir nosso "velho" aparelho como se já soubéssemos usar todas as aplicações que ele oferecia, o que na verdade não sabemos porque nunca tiramos tempo para ler o manual. O homem que tem o conforto como bem supremo aceita essa mensagem, compra, endivida-se, engana-se. Se olharmos bem para as coisas que trocamos e que ainda tinham muitos anos de uso, validade e benefício ficaríamos assustados, mas o conforto é assim, consome o tempo todo.

O conforto é entorpecente. Quem se rende a ele para no tempo em termos de desenvolvimento pessoal, deixa de aprender, deixa de crescer, deixa de se desenvolver. A ironia é grande porque os próprios indivíduos que nos fornecem novos brinquedos para aumentar nosso conforto não se renderam a ele e a prova disso é que trabalham até produzir e nos convencer a comprar um novo produto.

Na verdade, admiramos e fazemos filmes sobre pessoas que não ficaram dependentes do conforto, que enfrentaram lugares e situações de carência e grande stresse. Se quisermos estudar a ponto de nos tornarmos alguém de valor em nossas áreas, teremos que ir além do conforto. Se quisermos nos tornar atletas de valor em qualquer esporte teremos que ir além do conforto. Se quisermos nos tornar melhores pessoas em nossos relacionamentos em geral teremos que ir além do conforto. Se quisermos nos tornar verdadeiros discípulos de Jesus teremos que ir além do conforto. Foi ELE que disse que seria preciso "tomar a cruz a cada dia e segui-lo..." Parece-lhe confortável? Não! Mas é a única vida que merece ser vivida. Jesus avisou "quem quiser salvar a sua vida (viver muito confortavelmente) perdê-la-á..."

Pensemos nisso. O conforto em si não é mau. Uma cadeira confortável, ou um trajecto seguro na estrada são coisas boas em si. A busca do conforto como bem supremo não. Não deixemos que o conforto nos vença. Não permitamos chegar ao ponto de ficarmos confortavelmente inúteis.

Os 10 Mandamentos do Diabo! Para Crentes e Com Base Bíblica

1- Não leias a Bíblia, pode fazer-te mal aos olhos e ao cérebro porque "as muitas letras te fazem delirar" Atos 26:24

2- Não ores muito, afinal "vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de lhe pedirdes" Mateus 6:8

3- Não vás à Igreja, podes perfeitamente adorar em tua casa porque Deus é omnipresente "está à minha volta por todos os lados" Salmo 139:5

4- Não dês o dízimo, o Senhor não precisa dele, pois é muito rico, Ele mesmo diz que "minha é a prata e meu é o ouro" Ageu 2:8

5- Não aceites ministérios na Igreja, os outros podem fazê-lo melhor que você, pois afinal, devemos "considerar os outros superiores a nós mesmos" Filipenses 2:3

6- Não digas sempre a verdade, há que ser prudente "Não sejas sábio aos teus próprios olhos" Provérbios 3:7

7- Não te preocupes com os teus familiares ou amigos a ponto de evangelizá-los, "Deus é Amor" I João 4:8, e "deseja que todos os homens sejam salvos" I Timóteo 2:4, logo, arranjará um meio de salvá-los

8- Não percas tempo pensando ou preparando-te para a segunda vinda de Jesus, afinal, não podes saber "nem o dia nem a hora" Mateus 24:36

9- Não te esforces demasiado para viver como Cristo, lembra-te que as "tuas justiças são como trapo de imundícia" Isaías 64:6

10- Crê em Deus como quiseres, mas vive à tua maneira, pois afinal, "vaidade de vaidades, é tudo vaidade" Eclesiastes 1:2

Estas idéias foram adaptadas de um texto no boletim de minha igreja. Acrescentei os textos bíblicos para lembrar-nos que o inimigo conhece muito bem a Bíblia. A má interpretação da Palavra tem sido a mãe de todas as heresias. Os maiores hereges sempre citaram a Bíblia. Se satanás teve a ousadia de usar a palavra para tentar Jesus quanto mais para nos fazer cair. Logo, a primeira mensagem é clara: estude a Palavra, medite nela e avalie bem suas bases para não ser encontrado interpretando como o maligno.

A segunda mensagem deste texto é um chamado para avaliarmos nossas vidas. A tão propagandeada liberdade é bastante ilusória. Na verdade seguimos algum tipo de lei, de mandamento ou de orientação. A lei de Deus foi criada para nosso bem, para nos levar à vida. A rebeldia contra ela coloca-nos no caminho das leis do inimigo, cujo fim é a morte. Disfarçadas de liberdade elas nos escravizam ao pecado e nos deixam sem comunhão. Que o Senhor nos dê discernimento para não sermos apanhados obedecendo os 10 mandamentos do mal.

Orações Inúteis

Parecerá estranho um pastor falar de orações sem valor. Afinal, esperamos que um líder espiritual incentive a oração, conclame o povo de Deus a gastar mais tempo de joelhos. Mas a experiência nos diz que muitas vezes nossas orações parecem não ser respondidas. Muitas vezes o céu fica mudo. E muitas vezes temos a sensação de que orar é inútil. E é verdade; há realmente orações que são inúteis. Vejamos algumas para ver se não estamos entrando nessa estrada.

Orando contra a Palavra
"A confiança que temos em Deus consiste nisso: se lhe pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele atende-nos." I João 5:14. O texto é bem claro. Ore segundo a vontade de Deus e será atendido. Logo, orar contra a vontade do Pai é inútil. E como conhecemos a vontade dEle? Por meio de sua Palavra! O Senhor se deu ao trabalho de nos deixar uma palavra escrita exatamente para que a pudéssemos ler, reler, meditar, estudar, conhecer. Nela Ele expressa bem sua vontade, seus princípios. Oremos segundo eles e estaremos bem. Oremos contra e será inútil

Por exemplo, a palavra nos diz que Deus odeia a mentira, portanto orar para que minha mentira não seja descoberta é inútil. Orar para que o teste onde copiei do amigo tenha boa nota é errado. Pedir bênção num negócio onde fraudei os impostos é tolice. O Senhor nos mostra na sua palavra que não há comunhão entre luz e trevas, logo entrar num casamento ou numa sociedade, com alguém que não é salvo é incorrer em grande risco. Orar a seguir para que seja abençoado será inútil. A palavra diz que todo pecado traz consequências, logo chorar para que Deus não permita a colheita da semente que semeamos é inútil. Ele nos perdoa, minora os estragos, mas há sempre consequências. Precisamos gastar mais tempo com a palavra para podermos orar melhor. Lembremos, orar contrariamente ao que ela diz é perda de tempo. O Senhor não se contradiz.

Orando sem perdoar
"Se não perdoarem aos outros as suas ofensas o vosso Pai também vos não perdoará" Mateus 6:15. "Quando fores ao templo levar oferta a Deus e ali te lembrares que o teu semelhante tem alguma razão de queixa contra ti, deixa a oferta diante do altar e vai primeiro fazer as pazes..." Mateus 5: 23 e 24. Não podia ser mais claro. Jesus ensinou claramente que o perdão precede o perdão. Quando entendemos a graça que nos alcançou não podemos viver em amargura, em ressentimento, guardando mágoa e recusando perdoar. Essa atitude azeda nosso coração e retira a paz de Deus e a alegria do perdão. Como na parábola que Jesus contou, é recusar perdoar uma dívida de centavos quando tivemos o perdão de bilhões.

Sabemos isso e no entanto mantemos muitas vezes o coração fechado. Temos ressentimento contra pessoas e não largamos mão disso. Por vezes estamos zangados com alguém e até vamos ao culto com essa pessoa. Entramos de cara amarrada e sentamos de espírito escurecido e ainda estranhamos que o louvor não soou bem e nossas orações pareceram vazias. Orar assim... é inútil.

Orando por coisas tolas
"Pedem e não recebem porque pedem mal, pedindo coisas que só servem os vossos prazeres" Tiago 4:3. O falso evangelho da prosperidade fez de Deus um senhor menor que existe para satisfazer seus filhos. Aceitando a filosofia moderna da busca pelo prazer e pela felicidade a todo custo, falsos pregadores anunciam resposta a todos os pedidos. Peça uma casa de 1 milhão no bairro mais caro e uma Ferrari na garagem e o Senhor vai lhe dar, se tiver fé e contribuir generosamente para a instituição. Oração inútil...

O principal alvo de nossa vida não é a felicidade ou o prazer. A vida não consiste em vestir roupas de marca, comer em restaurantes caros e passear em Paris. Fomos criados para MUITO mais que isso e o Criador sabe. Quando nossas orações se resumem a listas de compras com pedidos extravagantes e sem sentido a resposta será negativa. Poucos crentes estão preparados para lidar com a prosperidade sem se afastar de Deus e confiar nas riquezas. Se nossas orações são apenas para pedir de acordo com nossos interesses então não se admire se forem inúteis.

Orando depois de maltratar a esposa
"... Respeitem vossas mulheres pois tem parte convosco no privilégio da vida eterna; procedam assim, para nada perturbar as vossas orações" I Pedro 3:7. Eis uma razão bem específica, mas infelizmente comum, para orações inúteis. Um marido crente que não sabe respeitar e cuidar de sua esposa, que não a ama como a palavra orienta de modo direto, é candidato forte a orar inutilmente.

A relação conjugal foi criada por Deus para ser uma bênção única. Nesse relacionamento o homem e a mulher encontram em Cristo a unidade e comunhão mais estreita possível entre seres humanos. No entanto, o Novo Testamento insiste na ordem de que os maridos devem amar suas mulheres. Interessante que não diz o mesmo às mulheres. Parece que é mais natural a mulher amar e mais difícil ao homem aprender, praticar e perseverar no amor. Mas atenção! Falhe nisso e pode bem acontecer que se encontre orando sem resposta. Não pense que pode tratar a esposa como quiser e que depois vai orar e receber o que pede. Será uma oração inútil.

Orando sem buscar a santidade
"Se eu tivesse feito algum mal, o Senhor não ouviria a minha voz" Salmo 66:18. "Bem-aventurados os puros porque eles verão a Deus" Mateus 5:8. "Procurem viver em santidade porque sem ela ninguém verá a Deus" Hebreus 12: 14. O pecado é claramente o responsável número um pelas orações inúteis. Não que possamos ser totalmente santos nesta mundo, mas o crente verdadeiro aspira a isso. De que serviria uma ordem de Deus que não pudéssemos cumprir? Ele que é sempre coerente nos daria uma orientação sem sentido? Pediria de nós algo para o que não nos capacitasse? Qual o sentido de dizer-se servo de Deus e discípulo de Jesus se não envidarmos todos os esforços para viver como ele viveu e quer que vivamos?

Se queremos ver a Deus em nossas vidas e ter nossas orações respondidas devemos buscar conscientemente a santidade e lutar contra o pecado. Por meio das disciplinas espirituais e na graça do Espírito teremos vitória e estaremos capacitados a orar de tal modo que o Senhor alegremente nos responda.

Solução
Diante de tantas possibilidades para orações inúteis qual deve ser nossa resposta? Deixar de orar? Certamente não! Se soubesse que uma árvore caiu nos fios de eletricidade e cortou a luz de minha casa a solução não seria ficar no escuro e comprar umas velas. Teria que tratar de tirar o obstáculo e repor a corrente para desfrutar das vantagens da eletricidade em casa. Se sei pela palavra o que pode tornar minha oração inútil, então tratarei com a graça de Deus de retirar os empecilhos.

Estudarei a palavra para orar de acordo com a vontade do Pai, perdoarei meus semelhantes e me livrarei da amargura, aprenderei a pedir pelas necessidades deixando de lado as extravagâncias, viverei em paz no casamento investindo numa relação baseada no amor de Deus, lutarei contra o pecado dedicando-me as disciplinas que me podem ajudar a crescer na comunhão com o Senhor.
Oração SIM! Empecilhos NÃO! Chega de orações inúteis!

A VIRTUDE ESQUECIDA!

Gabrielle Andersen
Nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, a suíça Gabrielle Andersen, desidratada, desorientada e com uma cãibra na perna esquerda, caminhou os últimos 200 metros da maratona levando 10 minutos para completá-los.

 Ao cruzar a linha de chegada, Gabrielle caiu desacordada nos braços dos médicos. Após a prova, a atleta disse que queria terminar o percurso, pois aquela talvez fosse sua única oportunidade de participar dos jogos devido a sua idade.

 Ela chegou apenas na 37ª posição entre 44 corredoras, e fez o tempo de 2h48min42s, mas foi mais aplaudida que a medalhista de ouro, a norte-americana Joan Benoit. O fato é considerado um dos maiores exemplos de perseverança, garra e espírito olímpico. Porém  poucos têm a virtude de continuar e esperar pelos resultados.

Hoje queremos tudo "fast" desde nossa comida, nossos computadores, nossos telefones e, é claro, no nosso tratamento médico queremos que o remédio faça efeito imediato. É verdade que admiramos quem consegue fazer coisas que exigem tempo e admiramos a garra de uma corredora que quer chegar ao fim da corrida, mesmo que não seja a primeira. Mas a verdade permanece, a virtude hoje esquecida é certamente a Perseverança.

Apesar da pressa que caracteriza a vida moderna continua presente a necessidade da perseverança. Há tanta coisa neste mundo que não se pode fazer sem perseverar que já era para o homem ter aprendido a lição. As colheitas não se fazem de um dia para outro, os relacionamentos não se firmam de uma semana para outra, hábitos só se formam com o tempo e muda-los exige também paciência e continuidade. Vejamos algumas das áreas em que palavra nos manda perseverar:

1) Na Salvação (Mateus 24:13 e Marcos 13:13)
A Palavra é clara, há que perseverar para se alcançar a salvação. Isso não retira em nada o mérito de Jesus mas descarta a graça facilitada e a salvação sem mudança de vida que hoje se verifica. Aquele que perseverar até o fim será salvo, é uma advertência bem clara e fácil de entender. A nova vida em Cristo exige luta, continuidade, persistência.

2) Na Oração (Lucas 18:1)
Orações tipo fast-prayer não existem. Há ocasiões raras em que o Senhor responde de imediato, mas há muito mais situações em que somos chamados a lutar e perseverar em oração. Jesus disse que era nosso dever. Se vale a pena incomodar o Senhor com isso então vale a pena insistir, continuar, levar anos com essa questão até vê-la atendida. Precisamos de intercessores que não desistam ao fim da primeira semana. Já ouvi testemunhos de irmãos que oraram décadas por uma conversão. É desse tipo de crente que a Igreja tem falta hoje.

3) Na Obra de Deus (I Coríntios 15:58)
Texto conhecido e muito usado que nos lembra que é preciso ser perseverantes na obra. As coisas de Deus não se fazem da noite para o dia. Qualquer obreiro experiente sabe isso. Por isso Jesus disse que o que pega o arado e olha para trás não é digno dEle. Estamos hoje com uma vaga de missionários que não quer ficar mais de uns meses ou no máximo 2 anos no campo. Pastores que trocam de igreja a cada 2 ou 3 anos. Deixamos de ter a perseverança necessária para ver a obra se desenvolver como é preciso.

4) Para Reinar (II Timóteo 2:12)
Certamente queremos reinar com Cristo. Os evangelhos fáceis de hoje o prometem com muita rapidez. Mas o texto bíblico é claro. Para chegar a reinar é preciso perseverar. Sem firmeza seremos encontrados em falta e ficaremos de fora.

5) Na Fé (Tiago 1:5 a 8)
A fé precisa ser perseverante. Tiago alude aos crentes onda do mar que vivem num ciclo de maré alta, maré baixa. Crer e duvidar constante. É evidente que há um questionar próprio da vida mas para o crente a fé é essencial. Crer sem duvidar, crer de modo perseverante. Somos chamados a deixar a instabilidade.

6) Para Cumprir a Vontade de Deus (Hebreus 10:36)
Se desejamos ver a vontade do Senhor manifesta em nossas vidas então precisamos aprender a perseverança, a continuidade, a constância. Sem ela dificilmente veremos as coisas do Senhor acontecendo em nossas vidas.

Conclusão:
Muitos outros textos poderiam ser citados. Fica a mensagem clara. Perseverança é uma virtude essencial a vida cristã. Entendemos que é preciso perseverar numa dieta para se perder peso, num tratamento para ficar com saúde, num instrumento para se tocar bem, numa relação para se ter confiança... porque seria diferente na vida cristã? Certamente não. Trata-se de uma virtude esquecida em nosso mundo de coisas rápidas. Não deixemos porém de lembrá-la. Dela dependemos.

COMO CRIANÇAS, MAS NÃO COMO CRIANÇAS ( Integral)

Em meio a um debate sobre a importância de cada discípulo o Mestre pegou uma criança e colocou-a no centro das atenções. Então, com seu jeito único, atordoante e profundo disse: “... Se não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus...” (Mateus 18:3). Algumas décadas mais tarde, o Apostolo Paulo repreendeu os crentes de Corinto por serem crianças dizendo: “... Não vos pude falar como a espirituais e sim como a carnais, como a crianças em Cristo...” (I Coríntios 3.1) e mais perto do fim da carta salienta que quando amadureceu na fé “deixou as coisas próprias de meninos” (I Coríntios 13:11). Afinal, em que ficamos? Devemos ser ou não como crianças?

Evidentemente que a dificuldade só existe numa primeira abordagem do tema e um olhar mais profundo mostra que Jesus e Paulo não estão se contradizendo mas se complementando. Queremos avaliar as duas afirmações em sequência. Pensemos primeiro nas palavras de Jesus. No que devemos ser como crianças?

1-SIMPLICIDADE
As crianças são simples e diretas, sem subterfúgios, sem fingimentos, sem máscaras. Ser como crianças nesse sentido é deixar de lado a hipocrisia e a representação que aprendemos da vida social a medida que crescemos. Ser criança é ser puro, sem malícia, sem segundas intenções, dizer o que realmente sente e expressar de modo franco a mente. Não precisando ser rude para isso, mas sem a maquilhagem que os anos trazem.

2- CONFIANÇA
As crianças têm uma incrível capacidade para crer. Como a conhecida história da igreja que em meio a uma terrível seca se reuniu para orar. Todos vieram mas uma menininha sobressaía do grupo porque trazia um guarda-chuva. Quando lhe tentaram mostrar o ridículo de sua situação carregando um guarda-chuva num tempo de secura total ela devolveu o ridículo: “não vamos orar por chuva? Então, vamos precisar de guarda-chuva”. O episódio termina com a menina triunfante regressando a casa protegida no meio de um verdadeiro temporal. Ser criança é acreditar.

3- DESPREOCUPAÇÃO
As crianças têm um grau mínimo de preocupação. Não gastam tempo pensando se vão ter o que comer ou casa para morar. Não se preocupam com o que os outros vão pensar de suas roupas ou modos. Simplesmente descansam que vai haver comida na mesa, cama no quarto e que todos irão entender seu jeito. A ansiedade não é natural numa criança. Ela simplesmente não se preocupa anão ser quando os adultos começam a instilar dúvidas em seus corações.

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Como Crianças, mas não como Crianças (Parte 2)

Na última postagem pensamos nas palavras de Jesus em Mateus 18:3 de como devemos ser como crianças e notamos as características infantis que devemos ter. Temos, no entanto, em I Coríntios 3:1 uma advertência de Paulo para que não sejamos crianças. Nessa mesma carta ele diz que ao amadurecer em Cristo “deixou as coisas de menino” I Coríntios 13:11. Já meditamos em como devemos ser crianças. Pensemos agora em que devemos evitar ser como crianças.

As crianças pequenas não desenvolveram ainda aquilo que a psicologia chama de “permanência do objeto”, ou seja, a capacidade de entender a presença de algo que não se vê. Uma criança pequena brinca com algo e se diverte, mas se essa coisa, por exemplo, uma bola, sair de seu campo de visão, ela imediatamente se esquece dela. Para a criança a bola deixou de existir. Ela ainda não desenvolveu a capacidade de saber que está lá, talvez debaixo de um móvel, mesmo que ela não a esteja vendo.

Há crentes assim. Como Tomé só aceitam o que vêm, não conseguem crescer na fé já que essa é a “certeza das coisas que não se vêm” (Hebreus 11:1). Ora sem fé é impossível agradar a Deus e impossível viver e crescer no caminho de Jesus. Somos chamados a deixar de ser crianças e viver da fé, não da vista.

Relacionada com essa característica está a aprendizagem da ausência. A razão porque as crianças choram tanto nos primeiros dias de escola é que não conseguem entender que a mãe vai voltar no fim do dia. Para elas, ao serem deixadas pela mãe e ao deixarem de vê-la foram abandonadas. Serão precisos muitos dias de aula para que a criança perceba que a mãe voltará, mesmo que não pareça. Que apesar do interminável dia, a hora vai chegar em que verá aquele sorriso conhecido e receberá aquele abraço desejado.

Muitos crentes vivem dependentes da ação visível de Deus. Quando há atuação direta, quando há resposta rápida a oração, quando há milagres acontecendo, então são felizes. Mas basta o silêncio do céu durar mais de umas semanas e estão em depressão. Ainda não venceram a fase infantil da fé. Não conseguem entender a presença de Deus sem ver milagres. Não percebem que o Senhor está presente a não ser nas vitórias. Têm muito que crescer ainda.

Uma terceira característica das crianças pequenas é a necessidade de gratificação imediata. A criança tem que comer, beber, mudar de posição, trocar de fralda, ter sua chupeta em base instantânea. Como não pode fazer isso sozinha e depende de outros, sua única reação é chorar e usa essa estratégia de modo insistente e ensurdecedor até ser atendida. E infelizmente temos irmãos e irmãs que parecem bebés chorões. Sempre reclamando de algo que não aconteceu, de uma bênção que não chegou, de um pedido que não foi atendido, de uma pessoa que passou a sua frente. Sem gratificação imediata acham que o mundo vai acabar. Esse tipo de vivência cristã demonstra imaturidade. A esses, Paulo dizia, cresçam e deixem de ser como crianças.

Por último, lembramos do egocentrismo próprio da criança pequena. Ela se julga o centro do universo. Só existe o que lhe diz respeito e tudo o que existe é de algum modo para servi-la em suas necessidades. Entre as primeiras coisas que a criança aprende a dizer está o pronome possessivo “meu”. “É meu” sai depressa de seus lábios. Partilha é algo que levará anos a aprender. Serviço então nem se fala, terá que ser imposto de um modo ou outro pois a criança naturalmente não servirá.

Jesus insistiu que a vida cristã é centrada em Deus e no serviço ao próximo. Crentes egocêntricos, que acham que Jesus veio apenas para salva-los e o Pai existe apenas para responder suas orações, são os que dão mais trabalho. Para eles, a igreja, os irmãos e o pastor, estão lá para tratar de suas necessidades. A esses, Paulo diria: cresçam, deixem de ser como meninos, amadureçam e coloquem de lado as coisas de criança.

A vida cristã é cheia de paradoxos. Somos chamados a ser como crianças na simplicidade, confiança plena, apetência para o ensino, humildade no clamor, alegria grata, mas a deixar de lado a incapacidade de lidar com a aparente ausência do Pai e o egocentrismo que exige gratificação imediata. Sejamos pois como crianças...porém não como crianças.

Primeiro...

"E o vencedor é...". Esta frase tornada famosa pela entrega dos Óscares da academia de cinema norte-americana fala da extrema competitividade de nossa cultura moderna. Parece que os concursos enchem a ordem do dia. Ser o primeiro tornou-se uma verdadeira paranóia mundial. Desde as provas desportivas aos reality shows mais diversos a competição é encorajada. Há inclusive um crescente número de suicídios ligados a isso. São jovens e adolescentes que se matam (sobretudo no Japão) porque não conseguiram ser os primeiros.

Todos sabemos que na vida há que definir as prioridades. Colocar o primeiro no primeiro lugar é importante. Muito do que sai errado em nosso viver se deve a troca dessas prioridades e a delegação dos primeiros para lugares secundários. Mas o que a palavra considera primeiro?

Em Êxodo 25 Deus começa a mostrar a Moisés as orientações detalhadas sobre a construção do Tabernáculo. O próprio Deus diz como quer que seja o lugar onde vai ser adorado. Trata-se de algo único e especial. E por onde começa o Senhor? Qual o primeiro cuidado que tem? Qual a primeira parte a ser construída? Segundo Êxodo 25:10, a arca do concerto!

É muito relevante o fato de Deus ordenar primeiramente a construção de um objeto que nem sequer ficaria à vista do povo. A arca seria encerrada no Santo dos Santos, um lugar reservado a dias especias e a homens separados. Não era algo visível e de fácil acesso. Era o mais interior. Era também o mais importante pois representava o coração de tudo, o lugar onde o Senhor faria sentir sua presença de modo especial era escondido, interior, E era por aí que o tabernáculo deveria começar.

Confirma-se nesse acto que, para o Senhor, primeiro vem o coração, o interior. Já desde Caim e Abel fora assim. A oferta de Caim foi rejeitada mais por conta da atitude do que com o que foi entregue. Mais tarde, no sistema sacrificial se estabelece a entrega das primícias, exatamente a oferta que Caim oferecera, mas com o coração errado. Deus rejeitou o que viu no interior de Caim. O Senhor reitera essa ordem de coisas em várias ocasiões como por exemplo com Samuel. O profeta em I Samuel 16:6 e 7, é exortado por ter olhado primeiro para o porte físico de Eliabe, quando o Senhor o tinha rejeitado por causa de seu coração e escolhido David pelo mesmo motivo.

Jesus ensinou que devemos "buscar primeiro o reino de Deus" (Mateus 6:33). Ele explicou a Nicodemos que primeiro tinha que nascer de novo (João 3:3). Disse ao jovem rico preocupado com o cumprimento exterior da lei que primeiro tinha que acertar as prioridades de seu coração (Lucas 18:22). As parábolas do reino nos mostram que quando alguém encontra o reino isso tem que ser colocado em primeiro lugar acima de tudo mais (Mateus 13:44 a 46).

O mundo em que vivemos dá ênfase enorme ao exterior. As pessoas se preocupam com o visual, o cabelo, a pele, a roupa, o carro, a casa. Vivem na busca de melhorar esse exterior enquanto o interior vai murchando. A busca por coisas acontece na percepção de que trarão felicidade, status e segurança. Mas as pessoas descobrem que podem até melhorar o exterior mas continuam solitárias, deprimidas, sem motivação, inseguras e tristes. O Senhor criou o homem para dar o primeiro lugar ao coração e a comunhão com ELE.

Voltamos então ao princípio. O que deve vir primeiro? O coração, o íntimo, a alma e o espírito em comunhão com Deus. Como se obtêm isso? Pela priorização de coisas como tempo de oração, de silêncio e de meditação. Disciplinas espirituais que todas as formas de espiritualidade fomentam, mas que no Cristianismo tem uma clara tendência pró-ativa. Não é a meditação para esvaziar a mente, mas para enche-la com a Palavra e a presença de Deus.

O homem ocidental, no meio da vida ocidental, passa o tempo correndo de um lado para outro e reclama que não tem tempo. Mas, o homem secular arranja tempo para fazer ginástica, dar caminhadas ou fazer musculação se entender que isso ajuda sua saúde ou melhora seu físico. Porque será que o homem espiritual não tem a mesma capacidade de arranjar tempo para algo tão mais importante quando a saúde interior?

Primeiro vem o coração. Guarde-o porque "dele procedem as fontes da vida" (Provérbios 4:23). O tempo está em suas mãos. Use-o bem. Determine separar tempo para orar a sós com Deus diariamente. Separe tempo para meditar na Palavra. Faça inicialmente nem que sejam 15 minutos e logo verá que não pode passar sem eles e irão naturalmente aumentando. Talvez possa até unir a saúde física à espiritual. Lê a Palavra antes de caminhar e aproveita para meditar e falar com o Pai enquanto caminha, de preferência num lugar que o ajude a louvar pela criação.

Priorizar a relação com o nosso Deus é mais importante decisão que podemos fazer. Sem isso tudo o mais (inclusive o trabalho para ELE) perdem o sentido. Passe tempo com o Pai, acerte seu coração pelo dEle e verá que o mais acontece de modo muito mais natural do que antes. Lembre-se, em primeiro lugar, o coração.

Precisamos Comer Mais... Precisamos Comer menos...

Afinal em que ficamos? É para comer mais ou menos? Na verdade creio que como igreja precisamos das duas coisas. Comer é muito mais que um ato de sobrevivência. Desde sempre que comer é um modo de confirmar amizade, de selar pactos, de mostrar intimidade. Convidamos para comer em nossa casa apenas quem faz parte de certo círculo de amizade. Biblicamente o comer sempre foi parte dos rituais de adoração, já que o ofertante e o sacerdote comiam parte do sacrifício.

Precisamos comer mais
A Igreja nasceu em Atos com um cariz doméstico. O número de convertidos tornou-se logo tão grande que era impossível junta-los num só lugar. As reuniões aconteciam nas casas, possivelmente usando as casas maiores e/ou os que tinham dom de hospitalidade e incluíam uma refeição conjunta (Atos 2:46). Essa refeição veio a ter o nome de ágape, que é a palavra grega para amor, porque representava uma das bases para o amor comunitário na igreja primitiva.

Sabemos o quanto uma refeição conjunta pode ajudar na formação de laços de amizade e comunhão. Nossas igrejas promovem almoços comunitários exatamente por isso. Vemos claramente que durante a refeição conversamos mais, nos abrimos, falamos de coisas corriqueiras, contamos histórias familiares, compartilhamos casos e acontecimentos de nossas vidas. Quando o fazemos ficamos conhecendo melhor uns aos outros e o conhecimento é o primeiro passo para a comunhão que precisamos ter.

No entanto, apesar de sabermos isso, a verdade é que os almoços de igreja são cada vez mais raros. Acontecem uma vez por ano, se tanto, ou em festas como aniversário da igreja, quando a refeição não é de garfo e faca, mas de bolo rápido num canto do salão. As desculpas são muitas. O tempo é curto, a logística é complicada etc. Na realidade até em casa parece que juntar a família para comer é algo que vai ficando raro. Cada um come no seu horário, ou então adotamos o hábito funesto para a família, de comer em frente à TV. Matamos a comunhão!

Precisamos comer mais em família. A refeição familiar deveria ser sempre algo especial, local de falarmos das nossas coisas, de ouvirmos as questões de cada um, de darmos oportunidade para um tempo de louvor como família. Precisamos comer mais com os irmãos da igreja, convidar mais para nossas casas, fazer piqueniques, passeios, encontros onde podemos com calma falar de nossas vidas, compartilhar bênçãos e problemas. Precisamos comer mais como igreja, vencendo as dificuldades logísticas e partilhando mais refeições como comunidade. Não é a única maneira de crescermos em comunhão, mas é provavelmente a mais saborosa...

Precisamos comer Menos
Por outro lado, setores importantes da igreja moderna têm negligenciado uma arma espiritual poderosa e importante: O Jejum.
Em certos meios, a mera menção do jejum já desperta olhares atravessados. Parece que essa prática ficou conotada com extremistas radicais perigosos que devem ser evitados a todo custo. No entanto, a igreja primitiva praticava o jejum de modo prático. O Senhor Jesus ensinou claramente sobre o jejum (Mateus 6: 16 a 18) e falando de jejum deixou claro que seria algo que seus seguidores fariam (Mateus 9: 15).

O grande movimento missionário encetado pela igreja de Antioquia surgiu na sequência de um tempo de jejum (Atos 13:1 a 3).

O jejum não é algo mágico, nem é fanatismo. Trata-se de uma disciplina espiritual. Nele mostramos a importância de negar ao nosso corpo o controle da vida. Vivemos num mundo em que a carne manda, os desejos reinam, mas aprendemos na Palavra que o Espírito domina a carne e controla seus instintos, mesmo os mais naturais. No jejum desenvolvemos a arte de negar os desejos e isso nos faz amadurecer. Ao fortalecermos o Espírito aprendemos a dar a vida o foco bíblico que o Senhor deseja.

No jejum consagramos tempo para o Senhor em oração específica. Demonstramos a importância dos assuntos levados em oração na medida em que até a atividade básica de comer deixamos de lado para nos dedicarmos a oração. É um ato de sacrifício vivo que pode agradar a Deus quando feito no intuito e no espírito certos. Lembremos que os muçulmanos conhecem e praticam um jejum rigoroso durante um mês a cada ano e quem já viveu ou vive entre eles sabe o que isso representa a nível espiritual.

O jejum pode levar a orgulho espiritual talvez mais facilmente do que outras disciplinas. Era o caso dos fariseus, duramente criticados por Jesus. Mas não deveria ser isso a nos dissuadir de o praticar. Antes, cientes dessa possibilidade, blindamos nossos corações e almas e deixamos que o Espírito faça a obra em nós. Até do ponto de vista físico essa pratica será bênção, pois a medicina sabe que um período regular de jejum  liberta-nos de várias toxinas.

Podemos praticar o jejum de várias formas: deixando de comer e beber por 12 horas,  24 horas ou nos abstendo de comidas sólidas por 1 ou mais dias. O importante é separar o tempo que seria dedicado as refeições para orar e buscar a face do Senhor e não nos vangloriarmos disso para não cairmos no erro condenado por Jesus. O certo é que essa prática é cristã e faz falta na igreja de hoje.

Precisamos comer menos...

Aplicação: Se foi tocado por esta reflexão então tome medidas práticas para vivencia-las. Estabeleça como meta ter pelo menos uma refeição diária em família, onde poderá melhorar a comunhão interna, decida convidar alguém da igreja para comer com você e sua família uma vez por mês. Se tem possibilidade de influenciar sua  igreja, então motive sua comunidade a fazer refeições em comum. Quem sabe algo do tipo amigo secreto, almoço mensal ou outro método que melhor se adapte à sua igreja. Lembre-se: Precisamos comer mais!

Se entende que o jejum é algo que deve passar a fazer parte da sua armadura espiritual então marque um dia por mês para fazê-lo. Comece suavemente. No dia anterior jante normalmente e no dia estabelecido não tome nada de manhã e não almoce. Beba água ou um sumo de frutas se ficar com baixa de açúcar. Separe tempo para orar e escolha um tema especial, algo importante para interceder. Quebre o jejum no jantar consagrando a Deus esse dia diferente. Mas comece logo! E lembre-se: precisamos comer menos.
Que o Senhor nos abençoe.

CERVEJA RASTRUM OU VINHO MALMSEY?


Essa poderia ser a questão no bar mais próximo. Qual é melhor? A cerveja Rastrum ou o vinho Malmsey? E o caro leitor dirá que não faz a menor idéia, até porque nem bebe cerveja ou vinho ou nunca ouviu falar dessas duas marcas. Mas, na verdade não estamos falando de discussão de bêbados, mas de teologia.
Foi Martinho Lutero que colocou essa questão. Ele falava sobre a má utilização das escrituras. Falava sobre aqueles que tiravam a palavra de seu contexto e a usavam de acordo com seus interesses. Lutero sugeriu que pela simples junção de textos desconexos da Bíblia poderia se provar qualquer coisa, até que a cerveja Rastrum era melhor que o vinho Malmsey.

Essa é uma questão muito actual. Vivemos dia de tão grande diversidade no meio evangélico que temos dificuldade em nos identificar como tais. Hoje evangélico pode ser praticamente qualquer coisa. Muito disso se deve á visão individualista que o evangelicalismo trouxe à salvação. Hoje as pessoas querem uma igreja à sua medida. Que lhes agrade 100%.  Se não gostar, mudo de igreja.  Se não achar uma que me satisfaça fico sozinho, eu e minha Bíblia. Se me der na cabeça, abro uma igreja nova e arranjo um nome bem chamativo. E assim vamos retalhando o cristianismo.

Há hoje muita gente que pensa que um indivíduo sozinho, com a sua Bíblia é o coração da vida cristã. Essa visão individualista do evangelicalismo foi sua força, na medida em que fomentou a relação pessoal com Deus, mas mostrou-se também a sua fraqueza, porque tem levado à perda da noção de reino. A visão individualista da religião leva a um egoísmo onde Deus serve o crente e este apenas usufrui do que recebe, sem nada contribuir.

O membro é corpo, mas não é e não pode ser a totalidade do corpo ou a realidade final dele. Fora do conjunto, o membro se torna uma apresentação grotesca do corpo, uma aberração. Imagine se a mão resolver que é corpo, ou que o nariz decida que é corpo. Por ver ou conhecer a mão ou o nariz fico entendendo como é o corpo? Certamente que não. Confundir a mão ou o nariz com o corpo é um erro grosseiro. Essa visão distorcida tem prejudicado imensamente a igreja.

O individualismo tem levado a interpretações erradas e mesmo aberrantes das escrituras, a um arrefecimento na fé. O crente isolado vai sofrendo uma crescente influência do mundo, da mídia, dos amigos e nem percebe. Perde todo o apoio, consolo e edificação que só pode existir na igreja como um todo, um corpo reunido e unido.

É claro que a desculpa mais comum (e muitas vezes única) daqueles que se afastam é que há muito erros na igreja, muitos pecadores. É mais ou menos como o doente que reclama que há muitos doentes no hospital onde foi internado... Ora, a igreja é de origem Divina, mas de composição humana e sabemos que daí advém suas fraquezas, ambiguidades e limitações. Mas é também aí que se manifesta a graça, a unção do Espírito Santo e os dons. Fomos salvos tanto de como para. Salvos da perdição, do pecado, do inimigo, para a graça, para as boas obras, para a vida de edificação em comunhão com os outros crentes.

A noção hoje comum de "Cristo Sim, Igreja Não" é anti-bíblica e vem de origem maligna e os maiores prejudicados são exactamente aqueles que acreditam nessa mentira. Necessitamos da Igreja Para:

1) Uma Interpretação Bíblica Sadia
Ninguém sozinho pode ter o monopólio da verdade interpretativa. è na comunhão da igreja, no debate sadio de ideias, na união daqueles que são ungidos com o Espírito, que aprendemos a compreender a Palavra de modo prático e relevante para nós e o mundo de hoje.

2) Uma Edificação Mútua
Os dons foram dados para edificação comum. O meu dom abençoa meu irmão, o dom dele me abençoa. Como temos perdido ao deixar de partilhar na igreja. Uma das maiores tragédias da igreja moderna é exatamente a falta de conhecimento e exercício dos dons espirituais. É nessa interdependência que crescemos mais e a igreja mostra a sua força.

3) Uma Maturidade Sólida
A maturidade vem da convivência, da tolerância, do convívio. Ser santo no isolamento talvez nem seja tão difícil. Mas o Senhor não nos convida a sair do mundo, mas a ser luz em meio a trevas. É no meio do povo de Deus que crescemos. É necessário nos adaptarmos, aceitarmos e sermos aceitos, compreendermos e sermos compreendidos, isto nos faz crescer e desenvolver. Como o Provérbio já dizia, é "o homem que afia o homem!"

4) Uma Base para a Vida
A solidez dos relacionamentos e da comunhão que adquirimos na Igreja nos dá uma base para a vida que não existe fora da Igreja. O Senhor deixou a Igreja por isso também. ELE sabia o quanto precisamos uns dos outros e o quanto essa relação pode ser bênção entre aqueles que provaram a graça e o Espírito Santo. Privar-nos disso é tolice pura, é desperdício fatal.

Conclusão:
Fora da Igreja têm surgido todas as heresias. Aqueles que dispensam a comunhão, a exortação, mas também a edificação da Igreja como corpo de Cristo privam-se de muitas bênçãos e se colocam em posição muito arriscada para os ataques do maligno. As escrituras não nos foram dadas para as usarmos a nosso bel prazer. Devemos buscar uma igreja onde a doutrina seja sã e onde nos sintamos edificados. Aí devemos permanecer, dando bom testemunho, servindo de bênção aos demais. Quando surgirem os erros e as dificuldades devemos lidar com eles em amor e não sair logo falando mal da congregação. Respeitemos o corpo de Cristo e seremos muito abençoados.

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