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Adoradores ou Expectadores



O culto correu de forma normal, sem nada de especial ou marcante. Os cânticos e hinos eram conhecidos, a mensagem musical foi bem apresentada, mas sem brilhantismo, as orações foram honestas, e a pregação foi bíblica sem ser arrebatadora. E logo que o culto termina o pastor é abordado pelos crentes: “pastor que culto abençoado, que mensagem maravilhosa, vou para casa tão cheia que até dá vontade de saltar de alegria” diz uma irmã. “Pastor obrigado pela palavra” diz outro irmão, “apesar de que notei dois erros de concordância que depois transmitirei ao irmão” diz outro membro com ar sério. O pastor agradece a ajuda construtiva, mas é logo atropelado por outra pessoa: “pastor, isso é inaceitável, a irmã fulana passou o culto mandando mensagens no telefone…” reclama uma irmã visivelmente indignada. “O Pastor tem que fazer alguma coisa em relação à filha do irmão Sicrano. Aquele vestido não é roupa que se traga para a igreja!” E é claro, muitos passam sem cumprimentar com semblante mais ou menos apressado. Dá vontade de perguntar: será que estiveram todos no mesmo culto?

Esta não é uma cena própria do culto da igreja A ou B. Creio que é universal. Todos os líderes sabem que é assim e mesmo os membros de igreja terão que aceitar que é o que acontece após um culto. Provavelmente está ligada a questão fundamental. Quando vamos ao culto somos realmente adoradores ou apenas expectadores? E nossa cultura actual facilita muito a segunda posição. Vivemos num mundo de espectáculo. Seja a TV, o cinema e agora a Internet, nossa função é assistir. E passamos horas por dia a ver actuações de outras pessoas. Ganhamos o hábito de ser expectadores e de mudar de canal ou de programação conforme nossa preferência. E acabamos por levar para a igreja o mesmo sentimento e a mesma atitude. Daí que no fim de um culto haja tantas reclamações. A apresentação não foi o que eu esperava.

Entendo que podemos dividir os expectadores/consumidores em 3 grupos simples: admiradores, avaliadores e críticos. Os admiradores são aqueles que gostam muito de sua igreja, de sua equipe de louvor e sobretudo do seu pastor. Defendem sua igreja contra tudo e todos. Ir ao culto é como assistir a um programa favorito. A predisposição é enorme e a atitude positiva leva a que o admirador veja tudo com bons olhos. É provável que esteja na igreja X por causa do pastor Y porque é só ele que gosta de ouvir. Parece que só consegue entender a palavra se for ele a pregar. E há um lado bem positivo disso porque devemos procurar mesmo um líder que o Senhor use para nos falar e a quem atribuímos autoridade espiritual de vida e palavra para transmitir o recado de Deus. Mas há também um lado menos bom porque o admirador não tem sentido critico, não faz avaliação e corre o risco de ser levado por líderes menos escrupulosos. 

O avaliador não corre esse risco. Ele assiste o culto sempre com um olhar perscrutador a procura de algo que não está bem. Uma palavra mal colocada, um cântico mal interpretado, uma vestimenta menos feliz, uma gravata mais berrante. Para ele há que avaliar, porque os bereanos o fizeram… mas esquece que os bereanos avaliavam conteúdo e pela Palavra. O avaliador assiste o culto, mas recebe pouco. No meio de sua atitude de avaliação sobra pouco espaço para o Espírito de Deus falar. E ele está pronto para mudar de igreja quando as “coisas” não estiverem “bem”. E com isso não falamos de erro doutrinário ou ético, mas simples gosto pessoal. Se as coisas não forem de seu agrado ele pode simplesmente mudar como se muda de programa. Afinal estou “pagando “meu dízimo para ser bem servido… e essa atitude certamente não vai ajudar em qualquer tipo de crescimento espiritual.

O crítico será aquele que provavelmente nem fala com o pastor. A verdade é que nem se percebe bem porque está naquela igreja. Talvez hábito, ou teimosia, ou simples vontade de ser do contra. Para o crítico há sempre algo profundamente errado em cada culto e ele sempre encontra o que não podia ser assim de modo algum. Parece que seu prazer é terminar o culto indignado. Alimenta-se de sua indignação e se alegra no confronto com os que, segundo ele, estão em falta para com a igreja e Deus (leia-se, ele mesmo). 

Infelizmente o expectador crítico também pouco ou nada leva do culto. Só um milagre fará com que uma mensagem ou música entre em seu coração e desperte nele algo mais que mera crítica que será sempre descrita como construtiva.

O contraste com tudo isso será o adorador. Aquele que vai ao culto em primeiro lugar não para receber mas para dar. Aquele que tem vida com Deus e exactamente por isso tem o que dizer ao Senhor. Depois de uma semana de experiência com seu Senhor, o adorador está ansioso para se juntar com outros que colo ele, conhecem e vivem a vida com Deus. Ele quer dizer ao Senhor de sua gratidão, alegria e consolo, ou até expressar sua preocupação e ansiedade, mas quer fazê-lo com seus irmãos em espírito genuíno de louvor e contrição. E então, porque seu coração está aberto ao Senhor e vai ao culto para dar sua adoração, o adorador recebe a bênção. Porque quando abrimos o coração para dar é então que recebemos. E o adorador é capaz de tirar bênção de um prelúdio, de uma oração de gratidão, da letra de um hino e da mensagem pregada. Tudo lhe fala de um Deus vivo que ele conhece e serve e a quem foi prestar sua homenagem num dia separado para o servir desse modo.

Creio que todos nós já fomos a cultos como expectadores/consumidores. Provavelmente já fomos admiradores, mas também já caímos na atitude de ser apenas avaliadores e até mesmo meramente críticos. Quem mais perdeu fomos nós e somos nós quando nossa atitude não é a que agrada ao Senhor. Devemos parar para deixar que o Espírito sonde nossas mentes e corações e nos ajude a ver onde erramos. O Senhor deseja nossa adoração. Fomos criados para adorar. Temos igrejas e templos para o fazer em comunidade. Que nada nos desvie desse alvo supremo da vida. Viver e louvar como verdadeiros adoradores. 


Natal – Adoração Genuína

Uma das figuras mais comuns no Natal é a dos anjos. Vemos anjos nas árvores, nos presépios, nos papéis de embrulho e cartões de boas festas. Os anjos verdadeiramente tiveram um papel importante no primeiro natal como mensageiros de Deus a Zacarias, Maria e José mas lembramos em especial do coro angelical que proclamou o nascimento aos pastores de Belém. Quando pensamos em anjos cantando pensamos em adoração pura. Quando dizemos de alguém que “cantou como um anjo” é um elogio enorme. Significa beleza e pureza de adoração. Eles representação a adoração genuína que o Senhor merece. Mas pensando nessa adoração sou levado a meditar em outras experiências de adoração do povo de Israel que se provaram erradas e nas lições que isso nos traz.

A primeira dessas experiências aparece em Êxodo 32 e é a do bezerro de ouro. Um povo liberto e que vira maravilhas não suportou nem 40 dias sem a liderança de Moisés e já estavam prontos a adorar imagens. Precisavam de algo visível. Depois de 400 anos vendo a idolatria egípcia diária foram tentados a ter eles também imagens. Acabam por optar por um boi ou bezerro, um dos símbolos do Osíris egípcio. É difícil crer que viam nesse bezerro em Deus. O que eles queriam era um culto à sua medida, do seu jeito. Arão, que segundo a tradição assistira ao apedrejamento de Hur por tentar impedir a idolatria, cede ao povo e decreta uma festa ao Senhor (32:5). “Transformaram a Glória de Deus na figura de um boi que come erva” Salmo 106:20. Chamam a sua bacanal de celebração ao Senhor. Adoração totalmente equivocada.

Esse episódio é símbolo máximo do culto humano, um culto feito para agradar o homem, voltado para os sentidos, para emoções fortes. Surge da falta de um líder verdadeiro e da direção fraca que vai onde o povo quiser ir. Um culto assim pode até agradar a multidão mas fica longe de louvar a Deus e é para Ele abominação que exige punição.

Pouco tempo depois vemos o povo murmurar novamente e ser punido com uma praga de serpentes mortíferas (Números 21). O Senhor providencia a cura por meio da fé que exigia a visualização de uma serpente de bronze que Moisés ergue no centro do acampamento. Muitos sãos salvos pela fé ao avista-la. Era um símbolo da graça e do perdão de Deus. Mas o povo facilmente cria superstições e passados séculos encontramos Israel adorando a serpente (II Reis 18:4) e o rei Ezequias em seu zelo destrói Neustã, o pedaço de bronze.

Este episódio nos ensina o risco de tomar algo bom de Deus e idolatrá-lo. Pode ser um programa, uma organização, um método, um templo, um local de culto. Algo que o Senhor inspira e abençoa mas que com o tempo é elevado a uma posição errada e ocupa o lugar que só o Senhor pode ter. Este é um erro comum no meio evangélico. Infelizmente tiramos os olhos de Deus muito facilmente e logo nos fixamos em coisas, em pedaços de bronze. Passamos a adorar os métodos, as formulas, os locais e as organizações e deixamos de servir ao Senhor. Nesses casos vai haver necessidade de alguém com zelo de Deus chamar o povo a verdade e mostrar que barro é barro, bronze é bronze e só o Senhor é Deus!

Já depois da entrada na terra prometida temos mais dois momentos de adoração equivocada. Um aparece após as vitórias de Gideão (Juízes 8). O servo de Deus tem uma vitória retumbante e histórica sobre os midianitas. Apazigua os efraimitas e recusa ser rei. Até aí tudo certo, tudo bem. Mas então pede ouro e faz um éfode sacerdotal que coloca em sua própria cidade de Ofra e isso foi por tropeço para Israel e para a casa de Gideão (8: 27). Gideão estivera tão bem mas falha exatamente no que viera combater. Toma uma posição que não é sua (ele é de manasses e não levita), faz uma vestimenta que não lhe cabia (ele é homem do campo e chefe militar e não sacerdote), cria um local de culto em sua cidade desviando o culto de seu lugar certo que seria em Siló (talvez porque na verdade não se entendera com os de Efraim em cujo território ficava Siló) e provavelmente usa esse éfode como oráculo quando o Senhor estabelecera Urim e Tumim como oráculos Divinos.

Aqui a adoração equívoca advém de um líder que perde a noção de seu lugar, usurpa um ministério que não é seu e estabelece uma primazia em sua cidade que não tem lugar.  Um líder equivocado pode facilmente levar a uma adoração espúria. Grande é a responsabilidade daqueles que o Senhor chama.

Por fim temos o estranho episódio de Mica, seus ídolos e seu levita em Juízes 17 e 18. Mica cria seu próprio santuário (capela privativa), constrói seus próprios deuses e consagra seus próprios sacerdotes, primeiro, seu filho e depois, um levita errante. O levita, foge da terra que lhe fora designada a procura de uma situação mais favorável. Primeiramente aceita ser sacerdote de Mica quando não podia ocupar tal posição e depois vai se vender aos Danitas por um salário melhor (18:19 e 20). Essa história é um exemplo refinado de culto conveniente.

Ministérios mercenários são hoje comuns. Não há paciência e nem perseverança na obra. Quando as coisas ficam difíceis e principalmente quando há uma melhor oferta algures o “servo” de Deus logo entende que “seu tempo naquele trabalho terminou”. Facilmente muda de visão e de função. Tudo que vá ao encontro de sua comodidade e sucesso. “É melhor ser sacerdote de uma tribo do que de um só homem e família...” E devemos notar que a história não acaba necessariamente mal para Jônatas, filho de Gérson. Ele e seus descendentes vão manter o cargo (18:30). Mas a custo de que? Que satisfação o Senhor teria com essa situação?

Neste Natal lembremos a adoração dos anjos. Feita na hora certa, do modo certo, sob a ordem específica de Deus, aqueles a quem Deus envia, com o intuito de proclamar a boa nova. Nós provavelmente preferiríamos usar um coro de anjos no palácio real ou na praça central de Jerusalém. Mas o Senhor os mandou aos pastores em Belém e lhes deu um repertório específico.
Adoração genuína terá que ser sempre feita para o
louvor da Glória Divina e dentro da sua vontade e da
sua revelação.

Cristianismo sem Cicatrizes


Quando a segunda guerra mundial se aproximava do fim e as bombas aliadas castigavam as cidades alemãs, Stuttgart foi uma das mais danificadas. Era ali que vivia e ministrava Helmut Thielicke. E foi aí, no meio dos destroços do templo de sua congregação que ele liderou os crentes em adoração e pregou uma dês suas mais famosas series de sermões. Aquele era uma igreja que conhecia a realidade de louvar nas ruínas. Um conceito desconhecido da igreja ocidental moderna.
 O evangelicalismo atual cedeu à tentação da promoção rápida e do marketing feroz com sua promessa de crescimento imediato. É comum ouvirmos hoje os pregadores da palavra usarem a linguagem da propaganda de modo descarado anunciando o evangelho como se fosse mais um produto e o cristianismo como outra tendência de mercado. Há uma valorização máxima do desconforto e da insatisfação para então se anunciar a cura rápida, a prosperidade instantânea e a salvação barata de um evangelho que perdeu acutilância e verdade. Talvez o maior problema da propaganda nem seja tanto que cria necessidades artificiais mas que atua nos desejos naturais dos seres humanos explorando essas carências e levando a expectativas imediatistas e exageradas.

E logo temos um cristianismo sem medula, sem fibra. Crentes que desconhecem a Bíblia ou qualquer ideia de disciplina espiritual mas que estão prontos a citar textos desconexos e fora de contexto para justificar suas expectativas exageradas. São crentes que reclamam da qualidade do serviço divino quando qualquer dificuldade surge e voltam as costas à Igreja assim que seus desejos deixam de ser cumpridos.

Um Cristo sem cruz, uma salvação sem expiação, uma fé sem prova, uma vida sem teste, para um mundo sem pecado pode nos dar uma filosofia de auto-ajuda mas não Cristianismo. Esse cristianismo sem cicatrizes não conhece a angústia de Job, o silêncio expectante de Abraão, as lamentações de Jeremias e as marcas no corpo de Paulo. Desconhece que “no mundo tereis aflições” (João 16:33) e que “todos quantos querem viver piedosamente sem Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:2).

Os propagandistas da fé "marketeira" são rápidos em nos lembrar que somos filhos do rei, mas esquecem de acrescentar que o reino não é deste mundo (João 18:36). Eles gostam de citar as promessas divinas mas esquecem de dizer que a maioria delas é condicional. Citam repetidas vezes que Jesus tomou nossas dores e enfermidades mas ainda assim morremos de câncer. Simplesmente não há como evitar todo o dano colateral do pecado neste mundo.

O mundo no qual vivemos jaz no maligno. É um mundo caído no pecado cujo salário é a morte. A criação geme sob esse peso e a sua libertação é algo futuro. Não podemos fugir dos efeitos do pecado particular e nem do pecado geral da nossa raça. Prometer o contrário é falácia. A salvação que nos liberta da condenação não nos transporta instantaneamente para o paraíso. Ainda temos que guerrear com o inimigo, o mundo e a carne.

A intimidade com Deus que se anuncia em cânticos espirituais que tomaram nossas igrejas falam de tocar no Senhor e sentir a sua presença, mas temos que lembrar que esse relacionamento é único e diferente de tudo que temos neste mundo. A verdade é que nem sempre “sentimos” o Senhor, que não podemos tocar em suas vestes, e que na maioria das vezes que oramos a sensação clara é de que se trata de um monólogo. Isso não é desvalorizar todas as maravilhosas respostas de oração que temos mas tirar o crente das expectativas que prometem faze-lo andar nas nuvens com o Pai quando isso não vai acontecer.

 A transcendência de Deus é bíblica e parte importante da sã doutrina. Ele não é nosso coleguinha e não está a espera de que peçamos algo para sair correndo a cumprir nossos desejos. Lidamos com um Deus Santo, Poderoso, Transcendente e Majestoso a quem devemos honra e reverencia, temor e tremor. Os servos do Senhor que tiveram um vislumbre de sua Glória, não correram para abraça-lo, antes caíram com o rosto em terra como mortos. O Temor do Senhor ainda é hoje o princípio da sabedoria.

 Não queremos com isso tirar a alegria da fé cristã mas torná-la realista. Não desprezamos a intimidade, mas apelamos à sua verdadeira expressão. Não retiramos da vida em Cristo sua excelência antes recordamos que traz também suas cicatrizes, dores e lutas. Negá-las ou deixar de as entender é fugir da essência da fé. O Cristão verdadeiro não é o que se vangloria da prosperidade mas o que pode dizer como Paulo que sabia viver em qualquer circunstância porque era capacitado por Deus. O verdadeiro crente não é o que sempre obtém o que quer mas aquele que pode afirmar como Habacuque que “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide... todavia eu me alegrarei no Senhor e exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17 e 18).

Por que dou o dízimo?

"Dar o dízimo é coisa do Antigo Testamento" diz um irmão com o rosto vermelho de convicção. "Dar o dízimo é a maneira certa de garantir a prosperidade" diz outro pregador prometendo o céu na terra. "Deixar de dar o dízimo é roubar a Deus" assevera um terceiro. "O que os pastores querem é o nosso dinheiro" reclama ainda outro cheio de indignação. Parece que este assunto é "quente" no meio evangélico atual.

Na verdade, as várias posições sobre o dízimo são todas passiveis de defesa com a Bíblia na mão. Tanto o que prega o dízimo como o que o combate pode usar base bíblica. Mas as mais diversas heresias têm feito o mesmo, sem surpresa, porque as interpretações variam e o uso indiscriminado da Palavra é antigo. Afinal, em que ficamos? Damos ou não o dízimo? E se o damos, porque o fazemos? Pretendo deixar aqui as minhas razões para dar o dízimo, mas antes vamos esclarecer algumas questões.

O dízimo não é instituição cristã. Sua primeira utilização bíblica é tão antiga quanto Abraão que deu o dízimo a Melquisedeque (Gênesis 14:20). Abraão era um forasteiro da Mesopotâmia dando a décima parte de seus ganhos a um rei-sacerdote cananeu de quem sabemos pouquíssimo. Pelo menos desde então e em meios que não eram nem cristãos, nem judeus, já se usava essa prática.

A prática tornou-se tradição entre o povo de Israel de tal modo que o Senhor considerava roubo a não aplicação do dízimo nas palavras bem conhecidas do profeta Malaquias (3:8 e 9). No tempo de Jesus o dízimo era comum e certamente tanto ele como seus discípulos acatavam esse principio. A única referência de Jesus ao dízimo não foi a condená-lo, mas a repreender a forma como os fariseus o praticavam (Mateus 23:23). Ora Jesus condenou os fariseus por sua forma de orar e de jejuar e ninguém entende disso que o cristão deva abster-se de orar e jejuar. Porque então interpretam erradamente a menção ao dízimo? Jesus não o aboliu, antes corrigiu a maneira de ser aplicado.

No restante do NT não há menção ao dízimo. Muitos tomam isso como uma desculpa para o abandonarem. Afinal não há menção clara do uso dele na igreja primitiva. Podemos então riscá-lo? A esses eu sugeriria então que praticassem o que o texto deixa claro sobre as ofertas na igreja primitiva em Atos 2:45 e 4:32. Ao que parece em Jerusalém não se usava o dízimo. Ninguém dava 10%, davam 100%, davam tudo. Vamos aplicar isso a nossas igrejas hoje?

Permitam-me então enumerar as razões pelas quais dou o meu dízimo:

1) Dou o dízimo porque é parte do meu louvor e da minha gratidão a Deus pela saúde, pelo trabalho e sustento. Creio que tudo vem de Deus e não fazemos mais que devolver a ELE em gratidão e em atitude de louvor a décima parte.

2) Dou o dízimo porque é meu modo de trabalhar para o suprimento da obra de Deus. A Igreja de Jesus não é uma organização com fins lucrativos, não é um clube com cotas e nem uma empresa com fonte de rendimento seguro. Seu trabalho, no entanto exige recursos e creio que somos nós os salvos que temos o privilégio de sustentar essa obra.

3) Dou o dízimo porque é uma forma equitativa de contribuição. Na igreja de Jesus que utiliza esta forma de contribuição ninguém pode levantar e dar ordens aos demais baseado na quantia que oferta. Os ricos não têm direito de mandar porque tem mais. Todos dão igualmente 10% do que recebem, logo, todos dão de modo equitativa e todos tem igual direito.

4) Dou o dízimo porque por meio dele me junto a meus irmãos e posso abençoar outros de um modo que sozinho não poderia. Só, meus recursos são escassos, Juntos sustentamos missões, ajudamos os carentes, construímos templos etc.

5) Dou o dízimo porque ao fazê-lo estou investindo da melhor maneira possível. Todo investimento se mede pelos lucros e pela durabilidade. O investimento na obra de Deus é eterno. Invisto no céu e esse investimento dá dividendos que não acabam. Poderia haver melhor modo de empregar meus recursos?

6) Dou o dízimo porque isso fortalece a minha fé. A vida é difícil para todos e não tenho necessariamente muito mais que outros. Quando faço as contas vejo que provavelmente teria onde gastar os 100% do que ganho. Ao limitar meu orçamento a 90% confio que o Senhor vai prover e nada faltará. É incrível ver como Deus faz com 90% mais do eu faria com 100% e assim cresço na confiança na provisão Divina.

7) Dou o dízimo porque isso desenvolve a arte de dar e quebra a minha dependência das coisas materiais. Poucas ilusões são tão passageiras quanto à provocada pelas coisas que adquirimos. Num momento parecem excelentes e resolver nossas vidas e no outro já nem lembramos porque as compramos. Dizimar é um modo de ir me disciplinando contra essa dependência.

8) Dou o dízimo porque a Palavra de Deus é clara quanto ao modo como o Senhor nos abençoa. Há promessas bíblicas que são condicionais e uma delas esta ligada ao dízimo como vemos em Malaquias 3:10. Quero estar habilitado a fazer prova de Deus. Quero estar habilitado a ver os céus se abrirem sobre minha vida, então procuro cumprir a condição que o Senhor estabeleceu.

Quero terminar deixando claro que o dízimo não é tudo o que o crente deve dar à causa do Mestre, é o mínimo. O dízimo para mim é dívida. O mais devo dar conforme minhas possibilidades e em alegria.
Afinal há muitas razões para contribuir.

ADORAÇÃO IDÓLATRA?

" Quando as pessoas vêm as gesticulações lascivas dos cantores, os tremores e alterações adúlteras das vozes dos que cantam, não conseguem deixar de rir e pensamos que não vieram propriamente para orar, mas para um espectáculo, não para ouvir uma mensagem, mas para o teatro. Não há qualquer temor da majestade tremenda em cuja presença estão"

Estas duras palavras foram escritas por um conceituado líder religioso diante do panorama da adoração em seu tempo. Sua reflexão nos leva a meditar novamente sobre a razão de ser do louvor e a maneira como ele acontece em nossas comunidades. O interessante será saber que o excerto que colocamos acima não foi redigido por um pastor contemporâneo, mas foi escrito por um monge chamado Aelrod, no século XII. Parece que as questões ligadas à adoração são antigas...


Já na fase patrística da Igreja, Clemente de Alexandria (c. 150- c.215) era contrário ao uso de qualquer tipo de música e palmas nos cultos porque assemelhavam os encontros cristãos aos pagãos. Na época da Reforma protestante sabemos que Lutero concordava com o uso de hinos e até compôs vários, mas Zwinglio, seu contemporâneo e grande reformador do norte da Suíça era contrário ao uso de música. No período dos grandes avivamentos na América a música era muito usada, mas o pastor da Primeira Igreja Batista de Boston, Charles Chauncy (pastor nessa igreja entre 1735-43) batalhou contra o emocionalismo exagerado que essas músicas traziam aos cultos. O debate é antigo e não tem conclusão à vista.

A questão da adoração que encontramos no Antigo Testamento era ligada à idolatria. O Senhor corrigia seu povo sempre que se dedicava a adoração de falsos deuses. Mas adoração idólatra é tanto aquela que adora um falso deus quanto a que tenta adorar o verdadeiro Deus falsamente e contra isso o Senhor também falou, basta lembrarmos de Isaías 1: 11 a 20 ou 58: 1 a 14. Hoje, a Igreja corre o risco de cair em ambas as formas de idolatria: adorar líderes-carismáticos, estrelas da musica evangélica, bandas e canções de sucesso e/ou adorar por todas as razões que não a única válida, o louvor do Senhor. Recordemos alguns pontos chaves da verdadeira adoração.

1) A ADORAÇÃO TEM O FOCO NO SENHOR
Parece que cada vez mais o foco do louvor é o bem-estar do adorador. Musicas e estilos que agradem o ouvido e emocionem a plateia. Certamente vai haver emoção, mas nenhuma adoração. A pergunta certa para o louvor não é que tipo de louvor queremos, que tipo de louvor agrada o visitante, que tipo de louvor esta no top das rádios evangélicas. Isso é levar a adoração para o reino da carne e só resultará em idolatria. A pergunta certa é: Que Louvor agrada o Senhor? A Adoração é para ELE, logo é ELE que tem que ser agradado e não nós.

Por outro lado, se o foco é o Senhor, então é ELE que deve ser lembrado após o louvor. Uma adoração em que sobressai um cantor, uma banda, um líder ou mesmo uma canção rouba a honra que é devida só a Deus. Já o salmista clamava "não a nós Senhor, mas ao teu nome dá Glória". Essa prática atual de entronizar artistas e líderes de adoração é a antítese do louvor que a Bíblia advoga.

2) ADORAÇÃO É FRUTO DE EXPERIÊNCIA
Adorar (falar bem, exaltar, elogiar) é algo natural ao ser humano. Diariamente o fazemos. Quando comemos algo saboroso logo exaltamos a cozinheira. Quando vemos algo bonito logo soltamos expressões de admiração. Quando lemos um livro bom e electrizante logo recomendamos o escritor. Quando ouvimos uma música cativante logo cantarolamos o refrão. Quando vemos um atleta fazer algo extraordinário (um gol bonito, uma cesta difícil, etc.) logo louvamos seu gesto por vezes com exuberância (se for da nossa equipe). O Louvor é natural ao ser humano.

Adoração verdadeira nasce de experiência com Deus. Se lermos seu livro, se saborearmos suas bênçãos, se virmos sua glória, se percebermos sua actuação não há como não louvar. Nosso problema é passar uma semana inteira sem tomar conhecimento dele e depois irmos a um local de culto para o adorar. Não admira que nessas circunstâncias precisamos que o grupo de louvor desperte em nós algo. E esse algo dificilmente será louvor sincero. Vai ficar bem mais perto de idolatria.

Um ato de adoração experimental, comum no Antigo Testamento e muito útil para compreender o louvor, era a prática de dar nomes a Deus. Se notarmos no AT os nomes de Deus são muitas vezes compostos. Eram Jeová-Shaddai por exemplo. Esses nomes surgem de experiências práticas com o Senhor que levavam a uma nova compreensão do Senhor. Por exemplo: Jeová-Nissi, o Senhor é a nossa bandeira, depois de uma vitória militar em que a bandeira permaneceu inabalável. Nosso louvor deveria ser assim, natural, fruto de experiência e acrescentando conhecimento e compreensão do Senhor.

3) ADORAÇÃO, SEGUNDO JESUS, É VIDA!
Jesus deixou claro que tipo de adoração Deus desejava em João 4: 23 e 24. No encontro com a samaritana o Mestre explicou de modo específico que Louvor Deus deseja e procura: Em Espírito e em Verdade. Em Espírito ao contrário de em superfície, em carne. Os samaritanos, assim como nós, estavam demasiado presos às formas. Queriam saber onde adorar, com que liturgia, com que liderança, com que grupo de louvor. Jesus disse que isso não era minimamente importante. Louvor que depende de formas é proveniente da carne. Satisfaz as emoções, mas fica-se pela epiderme. É como receitar uma pomada para quem precisa de um injectável. É somente uma solução paliativa e certamente não vai curar.

Adorar em Espírito é adorar para além das emoções e do raciocínio. É adorar naquele nível que só se atinge quando nascemos de novo. Só o Espírito renascido pode ter comunhão com Deus. A Bíblia fala de paz que excede o entendimento (Filipenses 4:7) ora essa paz acontece no Espírito. O verdadeiro louvor é desse nível. É também adoração que surge na direção do Espírito Santo, e essa certamente será do agrado de Deus.

Adoração em Espírito tem, evidentemente, a ver com a Verdade. Verdade da Vida do adorador, das palavras, dos atos de louvor. Um adorador como Deus procura é alguém que vive uma vida com ELE. Conhece-o bem e por isso mesmo não pode deixar de o adorar. E quando abre a boca, seja em palavras, em cânticos ou discursos, o que sai é pura verdade, reflete experiência, mostra intimidade. Podemos tão facilmente perceber se o louvor que nos dão é genuíno ou não, porque então não somos capazes de entender o louvor que DEUS merece? Sabemos quando alguém nos quer apenas bajular e isso é, em ultima análise, ofensivo. Porque entendemos que para o Senhor não será?

4) O LOUVOR AUTÊNTICO DEMANDA EXCELÊNCIA
Uma adoração genuína e que agrade a Deus exige de nós excelência moral e artística. Excelência moral. Vidas que caminham no rumo da santificação e que por isso podem levantar mãos santas. Vidas que não fazem do louvor um comércio, mas uma forma de ser e estar no mundo. Vidas que brilham com a glória do Senhor em vista. Mas também excelência artística. Excelência da música, da letra, da apresentação. Musica para Deus tem que ser a melhor. As letras têm que ter conteúdo e valor e não apenas refrões chamativos. A apresentação tem que ser honesta, digna e não apelativa ou apeladora. Louvor ao Senhor tem que ser o melhor de tudo.

5) ADORAÇÃO É ATITUDE
As principais palavras no Antigo e Novo Testamento para adoração são Schachah e Proskunai respectivamente e são traduzidas por prostração. Proskunai é por exemplo a palavra usada em João 4 para falar de adoração. Parece que adorar tem a ver com prostrar-se. Adorador é o que reconhece a superioridade do Senhor e cai de joelhos com o rosto em terra diante da sua presença. Essa onda moderna de querer mostrar intimidade com Deus falando com ELE com palavras de gíria urbana pouco têm a ver com adoração bíblica. O Senhor é Pai mas é também o Todo-Poderoso, Senhor do Universo, Criador e sustentador de toda Vida. Como nos lembra Aelrod no texto inicial, há que mostrar temor de Deus na adoração. Intimidade não se pode inventar e não tem a ver com algo que se mostra apenas em público. Cansamos de cantar que nos rendemos, nos prostramos, entregamos a vida e depois saímos do culto e dirigimos nossas vidas em ter a menor preocupação com o que a Palavra diz ou o Espírito orienta e ainda respondemos: é a vida!

Uma adoração superficial agradará a carne e pode satisfazer a alma momentaneamente. Exatamente como um concerto de uma boa banda de pop ou a apresentação de uma orquestra conceituada. Mas isso passa rápidamente. Logo é preciso um novo concerto, um novo show para manter o nível da adrenalina. Uma adoração epidérmica deixa de ter efeito minutos após o culto, por vezes ainda no estacionamento da igreja quando alguém fecha nossa saída.

Meditemos nisso. Precisamos de aprender a adorar. Chorar nosso pecado, nossa idolatria e clamar por sabedoria e autenticidade no louvor. Há urgência de experiência genuína com Deus que resulte em adoração em Espírito e em Verdade.

Ó Pai, faz de nós verdadeiros adoradores!

É a noiva que eu não suporto!

Provavelmente, você até já passou por essa experiência. Um amigo, parente, talvez seu primo, ou mesmo seu filho, um dia, trás à casa sua noiva para apresentar aos seus. Você fica confuso. O sujeito é simpático, até bonito e charmoso. Tem excelente formação, bom emprego, ótimo salário. Poderia "conseguir" qualquer moça. O que foi que ele viu nessa? Ela parece não encaixar, não combinar com ele. Na verdade, ela chega a embaraçá-lo, se não mesmo envergonhá-lo. Parece que só ele não vê! Você vaticina um casamento frustrado, senão mesmo fadado ao fracasso. No fim do encontro você comenta com um conhecido: "Eu gosto dele, a noiva é que eu não suporto".

Não se assuste se eu lhe disser que é isso que a Igreja tem enfrentado em nosso tempo. A Bíblia diz claramente que o Senhor Jesus vê a Igreja como sua noiva (Apocalipse 21:9) pela qual Ele se deu sacrificialmente (Efésios 5:25 a 27). Se avaliarmos as estatísticas e as pesquisas descobriremos que de modo geral o mundo admira Jesus e seus ensinos. Mas, quando falamos de Igreja a reação muda de figura. As pessoas podem ter uma ideia errada de Jesus, mas a verdade é que Ele não parece ser o problema. Elas até gostam do noivo, a noiva é que eles não suportam!

Por que essa atitude? Por que o mesmo mundo que parece ser até simpático a Jesus não tolera sua Igreja? Se as pessoas são capazes de aceitar o valor de Jesus e chegam a admirá-lo por que não apoiam ou pelo menos se aproximam de sua noiva? Pensemos um pouco nisso enquanto reflectimos na busca de soluções para a situação da Igreja em nosso mundo.

1) Duplicidade
Provavelmente, a principal razão pela qual as pessoas rejeitam a igreja seja a discrepância entre os ensinos de Jesus e a vida dos seus seguidores. As pessoas ouvem o que Jesus dizia e ensinava e depois olham para a Igreja e não conseguem reconhecer "cristãos" naqueles que sentam em seus bancos. A hipocrisia de proclamar algo e viver exatamente como todo mundo vive, tem afastado mais gente da igreja do que qualquer argumento ateísta. A suposta superioridade dos crentes que se esvai quando avaliamos as vidas marca pontos contra a Igreja.

Sabemos que a Igreja não é feita de gente perfeita e que essa desculpa pode ser apenas isso, uma desculpa. Mas não podemos deixar de pensar como seria a reação do mundo se nossas vidas refletissem mais os ensinos do Mestre. Jesus viveu e ensinou uma vida de amor ao próximo, de serviço a comunidade, de investimento nas pessoas sofridas da sociedade, os rejeitados e abandonados. A Igreja como instituição se fecha a essas pessoas e muitos seguidores de Jesus se julgam bons demais para estar próximos delas. Em vez de incorporar o bom samaritano engolimos o sacerdote...

Escândalos de vários tipos que têm assolado as várias vertentes do Cristianismo apenas acrescentam razão a quem já vê na duplicidade de vida dos Cristãos uma forte razão para dizer que até respeitam Jesus, mas não suportam sua noiva.

2) Institucionalização
Jesus não deixou uma instituição. Ele não fundou uma denominação nem mesmo uma religião. Ele deixou uma família. Um grupo de discípulos que deveriam perpetuar seu discipulado. Juntos esses homens e mulheres tinham descoberto o modo de voltar a comunhão com Deus e aprendido a apoiarem-se mutuamente nessa caminhada imitando a vida de Cristo no poder do Espírito.

Com o tempo a força desse movimento decaiu e o Cristianismo foi se tornando, para muitos, apenas mais uma religião com seus rituais, liturgias e profissionais religiosos. A Instituição tomou o lugar do Espírito e hoje não conseguimos pensar em Igreja sem ela. Mas é essa mesma instituição que desperta a suspeita do mundo. Principalmente em nossos tempos pós-modernos, as instituições estão sob suspeita e crítica. Muita gente não quer nem se aproximar daquilo que vê como mais uma organização que visa seu dinheiro. Não admira que o formato de igreja que se apresenta ao mundo de hoje desperte tão pouco interesse e provoque tanta rejeição.

Houve um tempo em que a igreja como instituição até representava uma boa alternativa a outras instituições. Hoje, o homem pós-moderno desconfia de todas as instituições e prefere muito mais se ligar a grupos de interesse. Enquanto a igreja mantiver sua estrutura pesada e seu ar institucional continuaremos vendo gente que até respeita Jesus, mas não tolera sua noiva.

3) Marginalidade
A Igreja aceitou a imposição mundana da divisão entre sagrado e secular. Essa divisão não é Bíblica e nem nasceu na igreja. Veio de fora. A famosa directriz de separação entre igreja e estado é apenas uma das vertentes de algo que se tornou marcante na sociedade e facilitou a duplicidade de vida de muitos cristãos. Agora temos uma divisão clara: A vida diária, secular, colectiva, de senso comum, regida por leis e ciência e os dias religiosos (domingo e alguma festa), sagrados, pessoais e regidos por ideias e filosofias subjectivas de um mundo de fé totalmente individualizado.

Um exemplo físico desta marginalidade é a capela de um hospital. Sabe onde fica a capela do hospital mais próximo? Não interessa. É algo pequeno, acanhado, normalmente num lugar bem escondido, por regra vazia e sem interesse. O quotidiano se passa no hospital onde ocorre vida e morte, onde a ciência manda, onde todos circulam. A capela é marginal, procurada muito esporadicamente por aqueles com "fé", algo subjectivo e que não faz muita diferença para a maioria.

A Igreja aceitou essa dicotomia e por conseguinte a marginalização. Acomodou-se a ocupar só os dias sagrados, só os espaços litúrgicos. Recolheu-se em si mesma abrindo mão do diário, da palavra activa, da importância vital. Sendo assim não admira que a maioria considere a Igreja sem interesse e sem valor.

4) Separatismo
Consequência lógica da duplicidade hipócrita de muitos crentes e da marginalização da Igreja é o separatismo que se vê na maioria das congregações. Nossos discursos enfatizam o mal do "mundo". Falamos em "nós" (os que fazemos parte da elite salva e santificada) e "eles" (os mundanos, perdidos e sob a dominação do maligno). Pior ainda é que em muitas congregações fazemos com que o visitante sinta essa divisão de modo claro e desagradável.

Nesse tipo de contexto os cristãos vêm a igreja como um refúgio, quase uma catacumba onde se podem esconder do mal e respirar o "bom ar" do evangelho. Qualquer um que venha comprometer essa tranquilidade é mal recebido. A evangelização é nula, ou então toma o aspecto da imposição de ideias, costumes e tradições que passam até pelo modo de falar e vestir. Se quer ser um de nós então tem que ser exatamente como nós.

Essa visão pode parecer caricata mas infelizmente não é. Representa ainda uma boa parte do Cristianismo e tem contribuído bastante para que a noiva seja rejeitada e mesmo odiada.

5) Divisão Interna
Uma última característica da igreja que trabalha contra sua posição neste mundo é a profunda e variada divisão interna da Igreja que se diz Cristã. É comum ouvimos as pessoas falarem: "Há tantos grupos e denominações, mas qual é a verdadeira?" E nossa resposta, em vez de apontar para Cristo, é gastar um precioso tempo explicando porque nosso grupo é o "dono" da verdade. Diante de tantas opções as pessoas perdem de vista o principal, JESUS.

Não fazemos apologia de uma unidade a qualquer preço, mas que as divisões destroem a igreja não é novidade. Se coisas tão peque nas são capazes de nos trazer tanta divisão como esperar que as pessoas vençam as barreiras? Se nós não somos capazes de valorizar as coisas boas de nossos irmãos como esperar que outros o façam? Não admira que respeitem o noivo, mas fujam da noiva.

Reagindo
Nenhuma solução fácil será honesta ou relevante. O inimigo nos tem muitas vezes exatamente onde quer, mas há passos específicos que podem ser dados para vencer. Na próxima semana reflectiremos mais sobre eles.

CERVEJA RASTRUM OU VINHO MALMSEY?


Essa poderia ser a questão no bar mais próximo. Qual é melhor? A cerveja Rastrum ou o vinho Malmsey? E o caro leitor dirá que não faz a menor idéia, até porque nem bebe cerveja ou vinho ou nunca ouviu falar dessas duas marcas. Mas, na verdade não estamos falando de discussão de bêbados, mas de teologia.
Foi Martinho Lutero que colocou essa questão. Ele falava sobre a má utilização das escrituras. Falava sobre aqueles que tiravam a palavra de seu contexto e a usavam de acordo com seus interesses. Lutero sugeriu que pela simples junção de textos desconexos da Bíblia poderia se provar qualquer coisa, até que a cerveja Rastrum era melhor que o vinho Malmsey.

Essa é uma questão muito actual. Vivemos dia de tão grande diversidade no meio evangélico que temos dificuldade em nos identificar como tais. Hoje evangélico pode ser praticamente qualquer coisa. Muito disso se deve á visão individualista que o evangelicalismo trouxe à salvação. Hoje as pessoas querem uma igreja à sua medida. Que lhes agrade 100%.  Se não gostar, mudo de igreja.  Se não achar uma que me satisfaça fico sozinho, eu e minha Bíblia. Se me der na cabeça, abro uma igreja nova e arranjo um nome bem chamativo. E assim vamos retalhando o cristianismo.

Há hoje muita gente que pensa que um indivíduo sozinho, com a sua Bíblia é o coração da vida cristã. Essa visão individualista do evangelicalismo foi sua força, na medida em que fomentou a relação pessoal com Deus, mas mostrou-se também a sua fraqueza, porque tem levado à perda da noção de reino. A visão individualista da religião leva a um egoísmo onde Deus serve o crente e este apenas usufrui do que recebe, sem nada contribuir.

O membro é corpo, mas não é e não pode ser a totalidade do corpo ou a realidade final dele. Fora do conjunto, o membro se torna uma apresentação grotesca do corpo, uma aberração. Imagine se a mão resolver que é corpo, ou que o nariz decida que é corpo. Por ver ou conhecer a mão ou o nariz fico entendendo como é o corpo? Certamente que não. Confundir a mão ou o nariz com o corpo é um erro grosseiro. Essa visão distorcida tem prejudicado imensamente a igreja.

O individualismo tem levado a interpretações erradas e mesmo aberrantes das escrituras, a um arrefecimento na fé. O crente isolado vai sofrendo uma crescente influência do mundo, da mídia, dos amigos e nem percebe. Perde todo o apoio, consolo e edificação que só pode existir na igreja como um todo, um corpo reunido e unido.

É claro que a desculpa mais comum (e muitas vezes única) daqueles que se afastam é que há muito erros na igreja, muitos pecadores. É mais ou menos como o doente que reclama que há muitos doentes no hospital onde foi internado... Ora, a igreja é de origem Divina, mas de composição humana e sabemos que daí advém suas fraquezas, ambiguidades e limitações. Mas é também aí que se manifesta a graça, a unção do Espírito Santo e os dons. Fomos salvos tanto de como para. Salvos da perdição, do pecado, do inimigo, para a graça, para as boas obras, para a vida de edificação em comunhão com os outros crentes.

A noção hoje comum de "Cristo Sim, Igreja Não" é anti-bíblica e vem de origem maligna e os maiores prejudicados são exactamente aqueles que acreditam nessa mentira. Necessitamos da Igreja Para:

1) Uma Interpretação Bíblica Sadia
Ninguém sozinho pode ter o monopólio da verdade interpretativa. è na comunhão da igreja, no debate sadio de ideias, na união daqueles que são ungidos com o Espírito, que aprendemos a compreender a Palavra de modo prático e relevante para nós e o mundo de hoje.

2) Uma Edificação Mútua
Os dons foram dados para edificação comum. O meu dom abençoa meu irmão, o dom dele me abençoa. Como temos perdido ao deixar de partilhar na igreja. Uma das maiores tragédias da igreja moderna é exatamente a falta de conhecimento e exercício dos dons espirituais. É nessa interdependência que crescemos mais e a igreja mostra a sua força.

3) Uma Maturidade Sólida
A maturidade vem da convivência, da tolerância, do convívio. Ser santo no isolamento talvez nem seja tão difícil. Mas o Senhor não nos convida a sair do mundo, mas a ser luz em meio a trevas. É no meio do povo de Deus que crescemos. É necessário nos adaptarmos, aceitarmos e sermos aceitos, compreendermos e sermos compreendidos, isto nos faz crescer e desenvolver. Como o Provérbio já dizia, é "o homem que afia o homem!"

4) Uma Base para a Vida
A solidez dos relacionamentos e da comunhão que adquirimos na Igreja nos dá uma base para a vida que não existe fora da Igreja. O Senhor deixou a Igreja por isso também. ELE sabia o quanto precisamos uns dos outros e o quanto essa relação pode ser bênção entre aqueles que provaram a graça e o Espírito Santo. Privar-nos disso é tolice pura, é desperdício fatal.

Conclusão:
Fora da Igreja têm surgido todas as heresias. Aqueles que dispensam a comunhão, a exortação, mas também a edificação da Igreja como corpo de Cristo privam-se de muitas bênçãos e se colocam em posição muito arriscada para os ataques do maligno. As escrituras não nos foram dadas para as usarmos a nosso bel prazer. Devemos buscar uma igreja onde a doutrina seja sã e onde nos sintamos edificados. Aí devemos permanecer, dando bom testemunho, servindo de bênção aos demais. Quando surgirem os erros e as dificuldades devemos lidar com eles em amor e não sair logo falando mal da congregação. Respeitemos o corpo de Cristo e seremos muito abençoados.

CULTO A GOSTO DO CLIENTE?


O culto foi maravilhoso e ele saiu revigorado!
A experiência de cultuar em si mesmo fora extraordinária!
Ele se sentira tão bem! As palavras reafirmadoras dos dirigentes, as garantias de benção e prosperidade eram um bálsamo em meio às dificuldades.  A música e o louvor estiveram perfeitos, enlevando os sentidos e dando aquele sentimento de praticamente tocar o sobrenatural.  As coreografias das jovens no louvor tinham ajudado nessa sensação de êxtase espiritual e mesmo físico. Ele podia dizer com segurança que sentira deus, sua fé saíra reforçada e estava mais forte para enfrentar a vida.
Que culto abençoado!

A descrição anterior talvez o anime. Você quer saber onde fica essa igreja com cultos tão bons. Mas talvez já não se entusiasme tanto se lhe revelar que a declaração acima é do sentimento partilhado por um adorador de Baal na saída de seu templo... isso mesmo, o culto descrito foi tremendo... mas foi a Baal.

Baal era uma divindade de origem mesopotâmia que veio a se tornar um dos principais deuses da mitologia Cananéia.  Nessa mitologia, El era o deus supremo, mas no tempo de Israel se tornara um deus distante e pouco importante.  Baal com sua estória de morte e ressurreição representava o renascer da natureza.
Era o deus da fertilidade, da chuva, do trovão e relâmpago.
 Era ele quem fertilizava os campos e numa cultura essencialmente agrícola, tornou-se o deus preferido.

O culto a Baal constava de várias atividades. Sua adoração ocorria no alto de montes e morros mas também em templos elaborados. O adorador passava por um ritual de purificação que constava de lavagem em tanques sagrados à entrada do templo. No culto em si havia oferta de incenso e orações pedindo bênçãos materiais e sacrifícios animais e por vezes humanos para a fertilidade da terra. Os sacerdotes dirigiam as orações, faziam os sacrifícios e profetizavam prosperidade sobre os adoradores, em geral na medida exata do tamanho de sua oferenda. Havia cantos e danças rituais protagonizados por dançarinas e sacerdotisas e tudo em geral acabava com prostituição sagrada, pois a união sexual do adorador com uma das sacerdotisas simulava a fertilidade procurada no culto.

O sucesso desse culto entre o povo de Israel foi tão grande que a certa altura Elias se julgou o último adorador de Jeová restante (I Reis 19: 10). O povo do Deus verdadeiro desde o deserto do Sinai revelara uma forte tendência para cultos voltados para o adorador e não para Deus. Quando o Senhor desejou falar diretamente a seu povo este preferiu ficar com um intermediário (Êxodo 20:19). Quando o intermediário se demorou no monte logo prepararam um bezerro de ouro e um culto à sua medida (Êxodo 32). Um culto ao gosto do homem era o caso do culto a baal onde tudo era centrado na pessoa do crente. Tudo era feito para agradá-lo física e espiritualmente.

Analisando na Bíblia, verificamos que o culto ao Deus verdadeiro era bem diferente na medida em que se concentrava em Deus. No Antigo Testamento o culto constava de sacrifícios, ações de graças e festas. Os sacrifícios serviam para expiar os pecados e restabelecer a comunhão com Deus, as ofertas de ações de graças eram atos de louvor e gratidão ao Senhor que reforçavam a fé, e as festas eram momentos para recordar bênçãos do passado e louvar a Deus aumentando a confiança num Protetor que agia em prol de seu povo.



Com a destruição do templo de Salomão e a dispersão do povo surgiu um novo tipo de culto, agora nas sinagogas. Novamente o culto era concentrado em Deus. Constava de orações, leituras bíblicas e explanação das escrituras. Era um culto voltado para a recordação da pessoa de Deus e seu louvor. Visava levar o povo a um maior conhecimento da vontade de Deus expressa nas escrituras de modo a que não voltassem a cair em pecado como o que os levara ao exílio.

O cristianismo primitivo herdou tanto do templo quanto da sinagoga. Pelos escritos neotestamentários entendemos que o culto tinha alguns cânticos voltados à adoração e louvor, oração, profecia e por vezes línguas espirituais e explanação da palavra que ocupava o lugar central como Paulo frisava em sua primeira carta aos Corintios (I Corintios 14). Os crentes primitivos costumavam celebrar a ceia do Senhor em recordação da morte de Cristo e também fazer uma refeição em comum para fortalecer a comunhão (I Corintios 11:17 a 34).

Já no AT (Isaías 58:3 a 14) o Senhor enfatizava que o culto por Ele apreciado tinha a ver com uma vida consagrada. Deus não precisava de sacrifícios ou de oferendas. Queria vida consagrada! Era essa vida que cultuava mais que momentos isolados de adoração. Davi, considerado o grande salmista, um especialista em louvor, dava pouca importância aos sacrifícios. Ele os oferecia, evidentemente, como parte do culto estabelecido, mas nos seus 73 salmos só menciona sacrifícios (o culto formal) cinco vezes, sendo que quatro delas exatamente para dizer que o sacrifício verdadeiro para Deus não é o de animais no altar (Sal. 4:5; 40:6; 51:16 e 17; 141:2).

O culto moderno que vem tomando conta de nossas igrejas tem se afastado de forma clara da ênfase bíblica para se tornar cada vez mais um culto como o de baal. Pensemos um pouco nas razões para isso. O mundo moderno é marcado pelo individualismo ao contrário do coletivismo próprio do culto. A ênfase moderna é na satisfação pessoal mais que no contributo para a sociedade. Há um aumento crescente na oferta variada pois o homem moderno que escolher e mudar de idéia se assim quiser. Tudo isso leva a competição desenfreada que se nota em nossa sociedade.

Se notarmos com atenção, veremos que o culto moderno absorveu essa mentalidade. A preocupação parece ser no individuo. Gostou? Sentiu-se bem? Há dirigentes de louvor que fazem à congregação a pergunta famosa dos concertos de rock :_ estão se divertindo? O culto hoje é centrado no homem. Numa musica que agrade e enleve os sentidos até a ponto do hipnotismo e histeria de grupo. É preciso curtir o louvor, sentir-se bem. A busca de alternativas leva à competição entre músicos, grupos e bandas e até pregadores. Os "adoradores" vão onde se sentem melhor. Correm na busca de cantores e bandas famosos e do pregador da hora. Passamos a cultuar celebridades em nosso meio. Até as famosas dançarinas cultuais, tão próprias do paganismo, importamos para nossos templos, sem notarmos quanta sensualidade está envolvida nessa atuação.

A Igreja moderna tem se prestado a um culto que é mais próximo do de baal que o do Deus verdadeiro. O Senhor Jesus ensinou à beira de um poço de Samaria que a verdadeira adoração provêm do espírito (João 4: 23 e 24). A preocupação com sentir vem toldando nosso entendimento. A adoração requer entendimento e vida. Requer comunhão e espírito.

Basta olharmos para os coros que hoje cantamos e podemos ver claramente a mudança no modo de adoração moderno. Os hinos antigos tinham conteúdo. As letras eram ricas e inteligentes, verdadeiros sermões cantados. Ainda hoje temos poetas e músicos de Deus em nosso meio que compõem musicas que são de fato uma adoração inteligente. Mas o que faz sucesso nas igrejas são cânticos repetitivos, com letras vazias de sentido, escritas por famosos cujas vidas nem sempre servem de exemplo à igreja.

O tipo de culto adotado por boa parte da igreja de Jesus de hoje leva os crentes a uma dependência emocional e psicológica da injeção de ânimo semanal. É um culto que perpetua a anemia espiritual que domina nossos arraiais e que está voltado para a auto-ajuda e não para o Senhor do Universo.

Você tem saído animado do culto, mas percebe que essa animação acaba na segunda feira?


Fica tão cansado no fim do período de louvor que já não consegue se concentrar direito na palavra?


Precisa de um louvor especial para "sentir" a presença de Deus?


Fica aborrecido quando a equipe de louvor não toca seus cânticos preferidos?

Se respondeu positivamente a uma ou mais dessas perguntas é sinal que pode estar sofrendo dessa doença do culto feito ao gosto do cliente.

Pensemos nas características de um culto centrado em Deus e que seja digno da adoração ao Senhor de toda Terra.

1)Experiência:


Adoração tem a ver com elogio, falar bem, louvar, bendizer. Não se pode elogiar o que não se conhece. É hipocrisia falar bem de algo que não experimentamos. Se uma dona de casa faz sua especialidade para você e você não come, não vale a pena elogiar a comida. Ela não vai aceitar o elogio porque você não experimentou. Já, se comer e repetir 3 vezes, é natural que a cozinheira aceite qualquer elogio, porque você não só provou mas experimentou de verdade.

O culto de domingo começa na segunda feira. Passa por cada dia da semana, por cada experiência em que escolhemos viver com Deus ou sem Ele. Se vivermos com Deus durante a semana é natural que o queiramos adorar no domingo e é natural que Ele aceite essa adoração. Quando isso acontece nosso culto é voltado para Deus e não para nós. Nem ligamos muito para a ordem do culto ou a escolha das musicas. Quando tenho uma vivência real com o Senhor a adoração flui com naturalidade e não necessita de músicas especiais ou momentos de enlevo emocional para fluir. Não vou ao culto propriamente para ser abençoado, mas porque fui abençoado. A benção não se limita ao templo e às palavras do pastor. É algo real, cotidiano em nossas vidas. O culto é o lugar onde posso agradecer de modo especial, louvar e testemunhar das bênçãos já recebidas.

2- Comunhão:


O Senhor nos criou para vivermos com Ele mas também em comunhão com outros.   A Igreja deveria ser o lugar em que a humanidade volta a ser o que poderia ser sem o pecado. Na igreja, o egoísmo próprio da vida pecaminosa dá lugar ao amor fraternal e a um verdadeiro interesse nos irmãos.
Quando isso sucede o louvor é diferente.
Não vamos ao culto apenas para nos sentirmos bem ou para sermos abençoados, mas para compartilharmos as bênçãos e sermos benção. Quando aprendemos a viver como o Senhor deseja, entendemos que nossas vidas são para o louvor de sua glória e a benção de outros ao nosso redor. Logo, o culto se torna lugar de benção, de sensibilidade às necessidades alheias, de ajuda espiritual, de consolo e fortalecimento dos irmãos. Num ambiente assim a adoração é verdadeira e se torna benção muito maior que o simples sentir-se bem.

3- Palavra:


No culto bíblico a palavra sempre teve lugar preponderante. Quando vemos o suposto "louvor" tomando o lugar da palavra entendemos que as emoções dominam e os propósitos de Deus vão desaparecendo. O culto é lugar privilegiado para ouvirmos a voz de Deus. Isso acontece nas orações, nos cânticos, na comunhão e partilha com os irmãos, mas de forma muito particular e especial na pregação da palavra. A profecia tem que manter sua centralidade num culto verdadeiro. Afinal o culto é ao Senhor. O que haveria de mais importante que ouvir sua palavra? Como viveremos sua vontade de outro modo? Como saberemos sua orientação de outra forma? O servo de Deus que usa da palavra tem a responsabilidade de falar pelo Senhor. De transmitir o que o Senhor deseja para a sua igreja. É absurdo o que hoje se verifica em tantas igrejas onde após o "louvor" muitos deixam o salão de cultos. Dizem que vão adorar a Deus e justamente na hora em que ELE vai falar saem. Isso em termos humanos seria considerado comportamento vergonhoso e ofensivo. Certamente também é num culto sério e genuíno.

4- Objetivo:

O culto deveria ter o objetivo de nos mostrar a orientação de Deus. Se andarmos com Ele durante a semana, o culto é como um encontro de amigos ou uma reunião de trabalho em que o Senhor mostra aos seus servos os planos para a continuação da obra. Entrar e sair do culto sem entender o que Deus queria nos dizer é perder a noção do objetivo do culto. A adoração verdadeira está unida ao propósito. Entender a soberania do Senhor do Universo que merece adoração implica na busca de sua vontade, na procura de seus caminhos. O culto verdadeiro não visa me fazer sentir bem, mas conhecer melhor meu Deus e servi-lo de modo mais pleno no conhecimento de sua vontade. Um culto assim é um culto com propósito, com objetivo. Não voltado nas minhas necessidades, mas na vontade de Deus. Não centrado na minha prosperidade, mas no estabelecimento do reino de Deus na terra.

O culto que descrevemos certamente será um culto abençoado.   Um tempo onde louvo ao Senhor com quem vivi a semana toda, onde fortaleço minha comunhão sendo benção para meus irmãos, onde ouço a voz de Deus e ganho mais entendimento de seu propósito para minha vida, é um culto rico e que enche nossas vidas de sentido e alegria.   É um culto centrado no louvor do Senhor e como essa é a razão da nossa existência será um culto verdadeiro.

Pr. Joed Venturini de Souza
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