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O Silêncio do Céu

Hoje temos muita dificuldade em viver com o silêncio. A maioria de nós já esqueceu o que isso significa. Estamos constantemente rodeados de barulho. Barulho de carros, de pessoas, de obras, de trabalho, de crianças, de animais… dos meios de comunicação, etc. É um mundo barulhento o nosso. Mas a verdade é que quando o silêncio porventura chega nós estranhamos.
Se uma pessoa fica calada e não nos fala ficamos preocupados ou irritados. SE a TV deixa de fazer barulho concluímos que ou alguém apertou o botão MUTE ou então está estragada. Resposta é essencial, barulho é vida… E quando o Céu se cala então é ainda pior… Somos incentivados a orar. Ouvimos que a oração tem poder. Cremos e oramos e… nada acontece. As doenças continuam, o desemprego se arrasta mais uma semana, a pessoa má que nos persegue parece ter ficado ainda pior, aquele problema lá em casa não se resolveu e ainda apareceram dificuldades novas que eu nem tinha percebido. Conclusão: Não vale apena orar! O Céu é mudo! A oração é inútil.
Todo crente sincero já passou por isso. Mesmo os chamados gigantes da fé, os santos do passado, já viveram essa sensação. Foi um monge dedicado ao extremo que cunhou o termo “noite escura da alma”. São João da Cruz referia exactamente ao período de silêncio do céu em que tudo parece escuro em solução. Desde o livro de Jó, provavelmente a estória mais antiga da Bíblia, passando pelos Salmos e chegando a Paulo que ouvimos e mesmo eco. O homem gemendo diante do aparente silêncio do céu que parece deixa-lo sem resposta. Afinal porque isso acontece? Temos respostas bíblicas para esse silêncio? Porque nossas orações não são, por vezes, respondidas? Quais os maiores empecilhos à oração?
Empecilho 1: Não orar
Em João 16:24 Jesus lembrava aos discípulos “Até agora nada pedistes em meu nome…” e Tiago parece fazer eco dessas palavras mais tarde quando diz: “nada tendes porque nada pedis” Tiago 4:2b A verdade maior é que falamos muito de oração, concordamos sobre a oração, discutimos sobre oração, mas oramos pouco. Passamos dias e semanas sem nos lembrarmos de clamar. E então, na hora do aperto, fazemos uma oração SOS, oração 112, rápida e urgente e ficamos zangados porque Deus não respondeu.
Mas, oração é comunhão! Oração é convívio! Imagine que fica sem falar com sua esposa durante 15 dias e então na hora da necessidade corre para ela com um pedido exigente… será de estranhar que ela tenha dificuldade em responder. Notemos bem. O Senhor mesmo assim ainda nos abençoa e responde, mas por vezes não o faz. Não fiquemos tão assustados assim. Há uma razão! Precisamos começar a levar a oração a sério.
Empecilho 2: Viver em Conflito
Jesus orientava os discípulos sobre oração e vida cristã e disse: “Se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti deixa ali a tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão” Mateus 5:23 e 24. E novamente Tiago faz eco do seu irmão quando diz: “Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreias e nada tendes…” Tiago 4: 2. Pedro Se referia a isso também de modo específico para o casamento quando escreveu: “Vós maridos, coabitai com vossas mulheres com entendimento, dando honra à mulher… para que não sejam impedidas as vossas orações” I Pedro 3:7.
Como esperamos que o Senhor ouça nossas orações quando nossas zangas e brigas e irritações e amarguras enchem o coração e gritam em meio a nossas orações? Queremos que o Pai de Amor nos ouça quando nossas vidas estão cheias de falta de perdão, de expressões de raiva por outros, de recordações negativas que alimentamos com todo cuidado dia a dia. Um coração repleto de mau querer dificilmente poderá chegar ao céu. Fecha-se a graça porque a bênção de Deus é imerecida e quando vamos a ele cheios de auto justificação excluímos a acção do mediador que é o único que nos pode dar acesso ao trono de Deus. Perdoar é o caminho da libertação e da abertura dos céus para muita gente.
Empecilho 3: Pecado escondido
O Salmista aprendeu essa lição e a deixou para a posteridade quando declamou: “Se eu atender a iniquidade no meu coração, o Senhor não me atenderá” Salmos 66:18 e o profeta concordou plenamente ao dizer ao povo: “As vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós para que não vos ouça” Isaías 59:2. E o Senhor sofria com isso. Ele desejava abençoar. Não queria ficar em silencia antes fazer ouvir sua voz e sua bênção, mas o povo de Deus, que sabe o caminho do perdão e da retidão precisava lidar com seus pecados de modo sério para que as portas do céu se abrissem. Pecado é como um enorme guarda-chuva que impede que as chuvas de bênçãos cheguem a nossas vidas. A remoção foi ganha por Jesus na Cruz, a solução é I João 1:9.
Empecilho 4: Egoísmo/Pedir mal
Novamente Tiago com seu coração pastoral prática exortava a igreja: “Pedis e não recebeis porque pedis mal, para os gastardes com vossos deleites” Tiago 4:3. Jesus havia avisado aos discípulos: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz e siga-me” Marcos 8:34. Por vezes oramos sem discernimento, sem sensibilidade, sem a devida submissão a vontade de Deus. Achamos que sabemos o melhor e por vezes até que o merecemos. Com corações egoístas e fechados rogamos ao Senhor por coisas que na verdade não são da sua vontade e são apenas desejo nosso. Será que Ele nos prometeu dar tudo que quiséssemos? Sem discriminação? Isso seria possível? Seria correto? Creio que mesmo se desejarmos de outro modo podemos ver que não há sentido nisso. O Senhor nem pode nos dar tudo que pedimos porque não seria nem bom para nós nem para os outros. Aprender a orar de acordo com a vontade do Pai é meio caminho andado para recebermos as bênçãos e respostas desejadas.
Empecilho 5: Falta de perseverança
O Senhor deixou claro que Deus esperava perseverança da nossa parte. Seria como que um exercício espiritual, parte da disciplina. “E contou-lhes uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer” Lucas 18:1. Onde está o tempo da fé? Onde exercemos nossa confiança em Deus? Se recebermos sempre tudo que pedimos na hora que pedimos onde fica o exercício da fé. Ninguém aprende uma língua na primeira semana de aulas. Ninguém fica musculado no primeiro mês de ginásio. Ninguém perde 20 kg nos primeiros dias de dieta.
Nesta vida aquilo que têm real valor exige persistência. Porque seria diferente com a oração? O que está pedindo a Deus? É algo de valor? Então merece a sua perseverança. Não desanime no início da luta-Não baixe os braços no início da caminhada. Persevere com o Senhor, Insista em sua presença. Valorize seu tempo com ELE. Entenda que a oração é bênção mesmo quando as respostas não acontecem exactamente quando queremos, porque quanto mais tempo investirmos nela, mais forte seremos na comunhão com Aquele que nos ama e que é nosso Pai Celeste.
Empecilho 6: Ele Sabe…
Mas há aquelas situações em que nada do falado cabe. O crente ora, persevera e não tem respostas. Avalia sua vida e vê que não pecado escondido, não há zangas retidas e amarguras guardadas, os motivos de oração são puros, os pedidos não são egoístas e mesmo assim não há alivio nem solução. Como entender?
Nem sempre será claro. A verdade é que vivemos numa dimensão física e a maioria das coisas do mundo espiritual nos passa ao lado. Jó é uma dos maiores exemplos da Palavra. Ele era justo, correto, benevolente, ajudava os outros, aconselhava a todos, cria em Deus e se guiava de modo correto e no entanto sofreu de modo atroz. Fez perguntas, e no fim reconheceu que estava arguindo o Senhor sobre aspectos que não conhecia. A verdade nua e crua era essa: Ele não sabia. Não sabia o que se passava no mundo espiritual. Não sabia mas confiava. Sua afirmação mais duradoura para nós foi: “Porque sei que meu redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” Jó 19:25.
O Próprio Senhor Jesus viveu seu momento de solidão e dor quando no Getsémani e na cruz se sentiu abandonado. Mas sua conclusão foi: “Seja feita a tua vontade e não a minha”. E em última analise será essa a questão em alguns casos. Não sei porque mas confio que o Senhor é amor, sabe o melhor e se não agiu é porque não seria o melhor. Não entendo, não faz sentido para mim, mas reconheço que nem tudo posso entender e confio que seu amor é perfeito e um dia entenderei. Vivo nessa dependência porque aprendo que “o justo viverá da fé” Romanos 1:17

Contrição


Arrependimento é uma palavra conhecida do Cristão. Não faz necessariamente parte do vocabulário de outras grandes religiões do mundo, mas é essencial no entendimento cristão de salvação. Arrependimento e Fé são os 2 aspectos básicos da salvação. A mensagem do evangelho transmitida no Novo Testamento começa por “arrependei-vos e crede”. Mas a contrição, o acto em si do arrependimento, confissão de pecados em busca de perdão, nem sempre está presente na vida cristã. Quando pensamos em contrição vem logo a nossa mente o episódio de Davi com Bate-Seba e o Salmo 51, talvez o maior texto de contrição da Bíblia.

Mas Davi era culpado de luxúria, adultério, mentira e homicídio. Não temos dúvida da sua culpa e talvez por isso, sua contrição, por mais bem entendida e exemplar, pode não se encaixar em nossa experiência. E se não adulterei? E se não matei ninguém? E se meus pecados forem bem mais prosaicos, mais corriqueiros. Haverá lugar para a contrição? E é por isso que em vez do Salmo 51 vamos nos focar num homem justo em Daniel 9: 1 a 20.

Daniel é outra história. Ele não era um homem em pecado flagrante e com um profeta em seu calcanhar. Era um homem íntegro, justo, correcto, acima de qualquer acusação. Sua vida devocional era tão leal que preferia ir parar a uma cova de leões do que parar de orar. Ele vivera sob dois impérios e fora considerado homem superior por 2 culturas que não a sua. Este era um exemplo de homem. Um candidato a canonização imediata. E no entanto sua oração é de pura confissão. Seu clamor é de pura contrição e com ele aprendemos alguns aspectos fundamentais do verdadeiro arrependimento:

Seriedade na Avaliação

Daniel não fora interrogado por um profeta como Davi para chegar a conclusão de seu pecado. Fizera uma avaliação cuidadosa de sua vida e da vida de seu povo. E como o fizera? Avaliando à luz das escrituras, em particular dos escritos de Jeremias. Ele lera a palavra com espírito de submissão a palavra de Deus e deixara que fosse essa a falar ao seu coração. Ele encarara essa tarefa com a maior seriedade, em oração e jejum, em separação de tempo e sem pressa. Ele queria permitir que o Senhor o sondasse e revelasse sua vontade e sua presença e diante disso ele caiu em oração arrependida.

É provável que não tenhamos corações mais contritos pela simples razão de que não buscamos o Senhor com seriedade. Não lemos sua palavra com avidez a espera do que ELE tem para nos dizer. Não deixamos de lado tempo para que seu Espírito Santo nos toque profundamente. Não permitimos nenhuma sondagem. Paulo dizia aos Coríntios: examine-se o homem a si mesmo… uma vida sem exame, sem avaliação, não tem valor. Mas também uma avaliação superficial e rápida não terá mérito pleno. Daniel era um homem justo mas depois de uma avaliação séria, e com a palavra como base, não pode deixar de sentir o seu pecado e o da sua gente.

Se não temos o peso do nosso pecado diante de nós é porque não nos avaliamos com seriedade, não deixamos o Espírito Santo falar aos nossos corações, não permitimos que seja a Palavra a nos dar os padrões. E em nossas avaliações superficiais e tendo como comparação outros teoricamente piores que nós, acabamos por nos achar “bonzinhos”. Sentimos como o fariseu, que nem somos assim tão maus. Nem sequer merecemos estar entre os pecadores. Esse tipo de exame não faz jus a palavra de Deus. Não é a sondagem do Espírito Santo. Não serve para nos encaminhar na senda da santidade. Ficamos insensíveis aos nossos males e não chegamos a ver o poder de Deus a agir. Não vemos o céu aberto, não recebemos revelação clara, não temos intimidade porque não se pode ver a Deus e andar com ELE sem contrição de verdade.

Humildade Total

Mas a contrição de Deus, que faz um exame sério nos leva a humildade. O Senhor resiste aos soberbos, ELE não tolera os orgulhosos. O orgulho fez cair a Lúcifer, não nos derrubaria a nós, míseros pecadores? Todos os verdadeiros servos do Senhor, que se chegaram a ELE de verdade foram caracterizados por uma humildade genuína e total. Paulo se apresentava como o pior dos pecadores. Ele dizia de si mesmo: miserável homem que eu sou… e nesta passagem vemos o justo e íntegro Daniel a se arrepender no pó, com saco e cinza.

Notemos bem: este seria provavelmente o melhor homem de Israel. Ele que fora jovem para a Babilónia, que resistira aos manjares do rei, que enfrentara Nabucodonosor, que se mantivera puro no meio da luxúria de uma corte oriental, que servira a reis e imperadores e que agora na velhice se mantinha sábio e consciente. Ele que passara a noite entre os leões por não deixar de orar. É ele que se arrepende no pó.

Quando o Senhor falou com Ezequiel, apresentou a ele 3 homens que seriam o exemplo de piedade. Devemos perceber que não é avaliação humana. É Deus falando e o Senhor disse: “Filho do homem, quando uma terra pecar contra mim, se rebelando gravemente, então estenderei a minha mão contra ela, e lhe quebrarei o sustento do pão, e enviarei contra ela fome, e cortarei dela homens e animais. Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles pela sua justiça livrariam apenas as suas almas, diz o Senhor DEUS.” Ezequiel 14:13-14. Percebemos o texto? Deus classifica estes 3 homens como especialmente justos e puros diante dele. Daniel faz parte dessa lista. Ele era um favorito do Senhor e no entanto se humilha no pó.

Vivemos demasiadamente obcecados pela nossa honra, pelo nosso nome, pela nossa posição e não percebemos que isso é tudo vão diante do Senhor. O que o Pai busca é gente sincera, sem mascaras, que o busquem de verdade, que o adorem sem rodeios. O Senhor quer gente humilde e diante dele só a humildade é resposta válida. Corações altivos não conhecem a contrição e não sofrem pelo seu pecado. Não entendem o coração do Senhor.

Solidariedade com o pecador

Mas uma terceira coisa que aprendemos neste texto é que a verdadeira contrição nos leva a chorar por nosso pecado e o pecado dos outros ao nosso redor. Daniel clama pelo seu pecado mas pelo pecado de seu povo que chama de nosso. Quando alguém aprende a olhar para o pecado como Deus olha, não pode deixar de se horrorizar com o mal a sua volta. E não se horroriza para amaldiçoar ou incriminar mas para chorar e clamar por perdão. Daniel olhou a idolatria de Israel, sua rebeldia, sua falta de compromisso, sua imoralidade, sua falha em seguir a lei e viu tudo isso como seu também. Não parou para acusar Israel mas para pedir ao Senhor perdão em lágrimas e em arrependimento.

Quando foi a última vez que choramos pelo pecado do nosso povo? Que olhamos para as manchetes de nossos jornais e sofremos? Que vimos a maldade a nossa volta e isso nos levou a clamar por nossa gente? Vivemos num país onde a idolatria domina, a ganância impera, os pobres sofrem cada vez mais, os idosos morrem sem apoio, os poderosos riem da justiça. Diariamente lemos de atrocidades cometidas em casas de família, por pais contra filhos, maridos contra esposas, filhos contra pais envelhecidos. E como reagimos? Choramos? Lamentamos? Clamamos?


Os protestantes retiraram a confissão da ordem do dia. Deixou de ser uma actividade religiosa obrigatória. Mas ao fazê-lo esqueceram de colocar algo em seu lugar. Sem arrependimento e confissão não há perdão de pecados. Sem contrição não há crescimento espiritual e na sensibilidade ao mau que Deus deseja ver em nós. Está na hora de chorarmos, de lamentarmos, o nosso pecado e o pecado do nosso povo que levou Jesus a cruz. 

Está na hora de confessarmos nossos pecados uns aos outros em humildade e humilhação e de nos prostramos diante do Senhor em busca de misericórdia. Corações contritos e submissos não serão rejeitados pelo Senhor.


Fé que Remove Montanhas – A Vida de George Muller

O grupo de mais de 100 crianças levantou à hora habitual e fez suas orações. A algazarra comum nas casas de banho encheu a casa de risos e correrias. Logo, estavam todos no refeitório onde as assistentes os aguardavam. As mesas do pequeno-almoço estavam vazias, mas o Senhor à cabeceira sorria como todas as manhãs e depois de cumprimentar as crianças as dirigiu numa oração de gratidão pela que iriam comer. Enquanto oravam ouviu-se uma batida na porta. No fim da oração foram atender e um padeiro entrou com vários cestos cheios de pães. Olhou o responsável e disse: Esta noite não consegui dormir, sentia uma forte impressão de que devia fazer pão para o orfanato, não deu para resistir e levantei as 3 da manhã para os fazer e aqui estão, admiro o trabalho que o Senhor está a fazer, é algo nobre, que Deus o abençoe. Assim já tinham pão e puderam orar novamente agradecendo e enquanto o faziam nova batida na porta trouxe o leiteiro… esse é um dos episódios bem conhecidos da vida e obra de George Muller.

Fé é uma das atitudes mais comuns do homem. Deus nos criou com a capacidade de crer. Fomos feitos assim e temos prazer em acreditar. O cepticismo, a ironia, a falta de confiança é um defeito que aflige muitos corações por causa de experiências negativas. Mas o coração que se fecha para a capacidade de crer perde a grande maioria das bênçãos da vida e por fim deixa mesmo de poder viver em comunidade.

Todas as pessoas têm fé. Todos a exercem de um modo ou de outro. É preciso fé para as coisas mais simples como entrar num autocarro, tomar um galão no café da esquina ou sentar numa cadeira em local público. Esses atos são atos de fé na capacidade de motorista do autocarro, na correcção do empregado no café e na perícia do carpinteiro que fez a cadeira. As pessoas são capazes de crer nas coisas mais estranhas. Por exemplo, no fim do ano passado houve muita gente que creu que o mundo ia acabar por causa de uma antiga profecia maia… há quem creia que as pirâmides foram construídas por seres extra terrestres… e diariamente vemos gente que acredita novamente naqueles que já provaram não ser dignos de confiança…

A Bíblia nos fala de 3 tipos de fé:

O primeiro tipo é o tipo salvífico, a fé para a salvação. Vemos isso de modo claro na vida de Jesus. Várias vezes ele disse as pessoas sobre a sua fé como a base da salvação. Em Lucas 7 ele diz a mulher pecadora que lhe lavou os pés: vai, a tua fé te salvou. Em Lucas 8 ele diz a mulher com fluxo de sangue que o tocou: tem bom ânimo filha, a tua fé te salvou. Em Lucas 17 ele diz ao leproso agradecido no meio dos 10 curados, levanta-te e vai, a tua fé te salvou. E em Lucas 18 o Senhor diz a Bartimeu o cego, vê, a tua fé te salvou.

Essa fé salvadora é a fé em Jesus como o salvador, o Filho de Deus, Deus encarnado que veio para nos resgatar. É a fé que entende sua obra na cruz como a obra da redenção da humanidade, que se rende ao que Ele fez por nós. É a fé sobre a qual Paulo escreveu aos Efésios ao dizer: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus, não vem das obras para que ninguém se glorie." A fé salvadora não é de todos. Muita gente crê em muitas coisas, mas a fé pura e simples não salva. O que salva é a fé em Jesus. Fé sim, mas no lugar certo, na pessoa certa.

O segundo tipo de fé é um dom o ES dado a alguns crentes. Na listagem de dons dados por Paulo em I Coríntios 12 ele diz: e a outro pelo mesmo Espírito a fé… Essa fé é uma capacitação especial para crer que o Senhor concede a alguns salvos para que por meio dela possam abençoar e edificar a igreja. Sendo dom cai na categoria dos demais. Não é de todos, é dada a alguns para o benefício comum. Tem que ser identificada, entendida e exercitada para crescer.

E há um terceiro tipo de fé que o Senhor pede de todos os salvos. Aquela descrita em Hebreus: Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Hebreus 11:1 e Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Hebreus 11:6

A palavra é clara na medida em que deixa bem explícito que sem esse tipo de fé não é possível agradar ao Senhor. Essa não é a fé que salva e nem a fé dom do ES pois só alguns a têm. É a fé que o Senhor espera de todos os salvos. A fé que faz remover montanhas. Foi Jesus que disse aos seus discípulos em Mateus 17:20: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. 

Os discípulos tinham falhado na libertação de um menino que era atormentado por espíritos maus. A causa? Pouca fé. Jesus não estava falando de montanhas literais, mas de obstáculos que surgem em nossas vidas e que não sabemos ultrapassar. Nossa maior dificuldade é que tentamos removê-los com as mãos e pela nossa força. Seria tolo tentar mover uma montanha com as mãos… também o é tentar deste modo com as montanhas que aparecem em nossas vidas. Temos que aprender a confiar.

A fé que todo crente precisa ter é desenvolvida. Como um músculo ela exige pouco no começo e vai crescendo na medida de nosso compromisso com Deus. O triste é que há crentes que passam a vida cristã inteira sem nunca crer, sem nunca exercitar um pouco de fé. Estão salvos mas não usufruem de nada do que o Pai tem separado para eles, porque não conseguem crer, não conseguem dar o primeiro passo de fé em direcção ao Senhor. Biblicamente, podemos pedir mais fé, podemos rogar por fé no meio da incredulidade, mas precisamos começar em algum ponto.

George Muller é um exemplo moderno de fé digno de figurar entre os heróis de Hebreus 11. Nasceu em 1805 no então reino da Prússia,de um pai que era funcionário público e que desejava ver George no ministério da Palavra não por ser crente, mas porque era uma profissão respeitável e de boa remuneração. No entanto, George aprendeu o triste hábito de roubar desde cedo. Seu pai colectava impostos e George roubava o saco dos impostos e entrou numa vida de enganos e golpes que o levaram à prisão com 16 anos. Ficou um mês preso até que seu pai pagou a fiança e o enviou a Halle para estudar para o ministério. Ali ele conheceu um jovem crente chamado Christofer e este o levou a um estudo bíblico na casa de Johan Wagner. Foi ali que George conheceu a fé simples e uma vida cristã genuína e se converteu.

O caminho de George foi difícil desde então. Decidido a viver na vontade de Deus ele entendeu que deveria se dedicar ao trabalho missionário pelo que seu pai o deserdou e parou de pagar sua pensão. George recorreu a oração e surgiram alunos americanos que precisavam aulas de Inglês e assim ele pode continuar seus estudos. No fim destes seguiu para a Inglaterra de onde deveria ser enviado para o campo missionário entre os judeus que era seu plano, mas estourou a guerra entre a Turquia e a Rússia e ele não pode ir. Liga-se então a um pastor escocês batista de nome Henry Craig e conhece por meio dele os escritos de Antony Groves. 

Antony era um missionário que defendia a vida pela fé na dependência total de Deus. George passa a orar nesse sentido e quando conhece a irmã de Groves se apaixona por ela e acabam por casar com o propósito de viverem apenas da graça de Deus. Decidiram não pedir nada a ninguém e viverem daquilo que Deus colocasse em suas mãos. Foram morar em Bristol.

Bristol era um porto importante na Inglaterra mas que perdera boa parte de seu lucro como cancelamento do tráfico de escravos. A crise era profunda e havia milhares de órfãos vivendo nas ruas sendo que na Inglaterra só havia orfanatos para crianças de classe mais alta. Os pobres moravam e morriam nas ruas. George tem seu coração tocado por isso e em oração decide iniciar um orfanato para as crianças abandonadas de Bristol. Com que meios? Apenas os que Deus mandasse. Ele começou o trabalho assim em 1836 e em um ano já tinha 90 crianças em 2 casas alugadas. Depois de 2 anos de alguma facilidade por causa da novidade o trabalho se tornou árduo e por vezes a comida só chegava na hora da refeição. George nunca mudou seu modo de agir. Nunca fez propaganda, nunca pediu fundos, nunca fez publicidade. Orava e confiava e Deus provia.

Quando os moradores da rua seus vizinhos reclamaram do barulho dos orfanatos George entendeu de Deus que era hora de construir suas próprias instalações. Novamente orou e procurou terreno. O projecto era orçado em meio milhão de euros (valores actuais) e ele não tinha nada! Mas o Senhor como sempre foi dando. Ele só começou as obras quando tinha toda a verba e em 1849 eles inauguraram as novas instalações com 4 casas para duas mil crianças. Ao longo dos tempos o ministério de George e Mary Muller alcançou cerca de 120 mil órfãos e recebeu mais de 100 milhões de euros. Ele nada guardou para si e sempre viveu com os órfãos. As crianças eram ensinadas e treinadas para uma vida adulta e conseguiam bons empregos quando era hora de sair do orfanato. George Muller sabia o que era confiar. Um gigante da fé.

Não serão muitos de nós a ser chamados para viver assim. Não serão muitos a viver pela fé de modo integral como Muller, mas certamente temos que aprender com ele. Se um homem pode viver assim, se Deus abençoa um filho seu desta maneira, o que poderia Ele fazer de sua igreja? Fé é requisito obrigatório para a vida cristã. Vamos começar hoje, agora mesmo! Leve a Deus a sua mente e peça ao Senhor um desafio. Ele continua sendo o Deus de Abraão, de Elias, de Paulo e de Muller. Confiemos e cresçamos.


A FORÇA DO CRENTE


"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê".Romanos 1:16


 Irrelevante! É a acusação que ouvimos hoje proferida ao Cristianismo. Num mundo de ciência e tecnologia, de desenvolvimento rápido e explicações crescentes, a fé tem sido encurralada e empurrada para as igrejas cada vez mais vazias. A vida cristã é ridicularizada, a prática cristã considerada coisa do passado e o cristão é visto como um retrógrado que se recusa a aceitar o progresso da humanidade. Nesse contexto como ainda acreditar na força do evangelho? Teremos ainda alguma capacidade de mudar o mundo a nossa volta?
Nos tempos que correm não devemos e não podemos nos encolher e deixar que a vida passe. Não fomos chamados em Cristo para uma fé envergonhada e uma vida de segunda. O Espírito que recebemos não é de covardia, mas de ousadia para a transformação do mundo. Há dois mil anos um grupo de 12 homens rudes recebeu um mandato numa província remota de um império dominante. Que poderiam eles diante da força de Roma? Pois passadas 3 décadas se dizia deles que “tinham transtornado o mundo”. Que força tinham? Teremos a mesma força conosco? Pensemos na força que o cristão ainda tem hoje para mudar o mundo. A força que o Senhor colocou na sua mão. Não é económico, política ou física, mas é enorme. Notemos:
1.     A Força da Oração
 A palavra do Senhor nos mostra que a oração pode muito em seus efeitos (Tiago 5:16). Não subestimemos o que a oração pode fazer. Por meio dela a igreja e os crentes tem mudado governos e derrubado impérios. Vimos em nossos dias a queda do comunismo no leste e de outros ditadores e a oração teve papel preponderante. Não podemos ver como a oração move os lugares celestiais mas devemos crer e insistir na presença do Senhor.
2.     O Poder da Verdade
Mesmo os que não são cristãos reconhecem a força da verdade. Alexander Solzhenitsyn, o famoso dissidente soviético ao receber o prémio Nobel declarou “ os escritores não têm bombas nem poder militar... mas uma palavra de verdade vale mais que o mundo todo!” Ninguém deveria acreditar mais nisso que os cristãos. Verdade na Vida, verdade nas atitudes e palavras. A verdade dita, defendida e proclamada vale muito em seu poder.
3.     O Poder do Exemplo
Os cristãos são pessoas marcadas, os olhos do mundo estão sobre nós. Nosso exemplo de vida marca nosso meio. A honestidade no trabalho, a excelência no comportamento, a harmonia familiar, a estabilidade no casamento. Tudo isso e muito mais em nosso exemplo tem a força de mover corações, alterar conceitos, confirmar a verdade e ajudar na mudança. A força do exemplo pode levar alguém ao mal e muitas vezes o faz. Então, porque não valorizar a força do bom exemplo?
Todas essas forças são simples e maravilhosas. Criadas por Deus em seu mundo, estão à disposição de todos. Os mais fracos fisicamente ou pobres financeiramente podem mostrar essas forças e ajudar a mudar o mundo.
Não baixemos a cabeça em resignação. Temos o Espírito do Senhor sobre nós e a força para em Cristo mudar o mundo!

A BANALIZAÇÃO DOS MILAGRES

Culto dos Milagres!
 Dia dos milagres! 
Receba hoje a cura que estava procurando!
 Curandeiro à toda prova!
Seu amor de volta em 3 dias...
Quanto mais a ciência tenta negar a existência de milagres mais estes se tornam um produto desejado e oferecido, numa dinâmica semelhante à de mercado.  O meio evangélico não fica atrás. Os curandeiros e médiuns que oferecem milagres por certo preço são coisa já antiga. Igrejas oferecendo milagres em troca do dízimo é mais recente, mas igualmente preocupante. Em que ficamos nessa banalização dos milagres?

A filosofia moderna procura ridicularizar a noção de milagre. O homem sempre desejou poder para realizar seus sonhos e desejos e muitas vezes é essa atitude egoísta que o leva à procura de milagres. O cinema tem feito sua parte nessa ridicularização, através de filmes como aquele em que Jim Carey recebe de deus o poder supremo e o utiliza para coisas ridículas, como abrir a sopa de seu prato (como o mar vermelho) ou levantar a saia de uma jovem na rua.  Desse modo, a mente moderna procura rejeitar a possibilidade real de milagres.

O outro lado da moeda é a oferta publicitária de milagres fáceis que se vê hoje no meio do evangelicalismo. Os milagres têm dia e hora marcados e são apresentados como infalíveis.  Há muita ênfase dos nomes de poder. Certos pastores e lideres se pavoneiam, apresentando curas e outras maravilhas como a prova de sua superioridade espiritual. Essa banalização prejudica em muito a Igreja e o Reino de Deus. Incentiva a busca egoísta de Deus, engana o povo com pseudocuras que regridem no dia seguinte e servem para desacreditar o evangelho e a Igreja de Jesus.

Instintivamente, o homem acredita no sobrenatural. Essa crença pode ser usada de muitas maneiras. Infelizmente, muitos usam-na para lucrar, e é aqui que mais se vê a ganância do coração humano, naqueles que lucram da miséria alheia e não têm pudor de se aproveitar do sofrimento do próximo numa completa negação do princípio bíblico e da verdadeira natureza dos milagres.

Biblicamente, os milagres existem, mas como sua própria definição o mostra, são excepcionais! Há períodos bíblicos de muita ação milagrosa como no tempo de Moisés e do êxodo, na época de Elias e Eliseu e no ministério de Jesus e dos apóstolos. Entre esses períodos há, por vezes, séculos sem referências a milagres. Isso, só por si, deveria nos fazer refletir sobre sua frequência e relevância. O Senhor não faz milagres quando o homem quer, não tem nenhuma obrigação para com a criatura e não pode ser julgado pela existência ou ausência de milagres.

Guardemos então, alguns pontos importantes sobre essa questão que acaba nos tocando a todos mais cedo ou mais tarde:

1) Milagres são a exceção e não a regra!
Mesmo no tempo de Jesus houve milhares que não foram curados e o Senhor repreendeu aqueles que o procuravam apenas para ver maravilhas ou delas aproveitavam. Os profetas que fizeram maravilhas muitas vezes foram até martirizados e não foram necessariamente salvos milagrosamente. João Batista que Jesus considerou o maior dos profetas não fez milagres e foi decapitado por Herodes e não salvo como Pedro. Paulo curou a muitos, mas não pode se livrar do famoso espinho na carne, não curou a Timoteo a quem receitou vinho para o estomago e tampouco pode curar a Epafrodito a quem o Senhor livrou por misericordia após doença prolongada. Logo, não podemos e não devemos achar que milagres são obrigação de Deus e muito menos exigir que aconteçam. Podemos pedi-los, esperá-los e crer neles mas sempre na noção clara que estão no reino da soberania e sabedoria Divina.

2) A falta de milagre no meu caso não torna irreal a sua existência.
Temos a tendencia de julgar tudo pelo que se passa conosco. Se o Senhor não me livrou, não me curou , não me dirigiu então é porque talvez não livre, não cure e não dirija. É evidente que em primeiro lugar deveria me arguir sobre minha situação com Deus. É comum ver gente que não liga a mínima para o Senhor ou a Igreja e na hora da necessidade corre para Deus e depois reclama que não foi logo atendida. Por outro lado, há bilhões de pessoas no mundo. Você pode imaginar quantos milhares foram libertos hoje? Quantos foram curados ou dirigidos neste dia? Então só porque comigo não aconteceu devo negar a benção nas vidas de tantos outros? É para isso tambem que existe a igreja. É nela que o testemunho dos muitos pode me ajudar nas lutas e dificuldades e me lembrar que mesmo quando não vejo pessoalmente o Senhor continua ativo e abençoador.

3) Há uma economia Divina na questão dos milagres também.
 Se o Senhor colocou à nossa disposição meios para lidar com certas situações e capacidade de raciocinio para tratar de nossas vidas não devemos ficar esperando atuações milagrosas a cada esquina. Muita gente se mete em problemas por falta de prudencia e de discernimento e depois clama por milagres. Outros desprezam os recursos disponiveis e depois querem milagres.

Conheci um jovem que foi para o campo missionário na Africa Ocidental, uma região de malária endemica. Ele era epiletico e tomava medicação diariamente. Ao viajar para o campo deixou de fazer os antiepiléticos e não fez profilaxia para a malária. Segundo ele o Senhor tinha que tomar conta de seus servos que eram chamados para missões. O resultado foi apanhar malária em cima de crises epiléticas diárias que tornaram sua permanencia no campo impossivel. É claro que ele queria um milagre. Mas nesse caso, como em tantos outros, o Senhor já colocara a disposição meios para tratar dos problemas. Devemos lembrar que o Senhor não fará por nós aquilo que nós podemos fazer.

4) Milagres são para a Glória de DEUS, não dos homens.
 Quando vemos cartazes com nomes de lideres em letras garrafais e um versiculo bem pequenininho em baixo já devemos desconfiar do que ali se passa. Quanto mais próximo do Senhor maior a humildade do servo. Aqueles que realmente se aproximam do Senhor entendem sua grandeza e se humilham naturalmente. É, e será sempre uma contradição profunda, um suposto servo de DEus que é cheio de poder e se orgulha disso publicamente. Vai contra tudo o que a Palavra, a história da igreja e a experiência dizem. Os milagres existem para que o Senhor seja exaltado, o homem dê graças e conheça mais de seu amor. Tudo que passar disso para exaltação humana é espúrio e deve ser rejeitado.

5) O inimigo também faz milagres.
 Moisés teve que enfrentar magos egipcios que eram peritos em artes mágicas. Pedro lidou com Simão em Samaria e Paulo com Elimas em Chipre. Homens e mulheres dotados pelo inimigo da capacidade de fazer maravilhas reais existem e estão por aí para se ver e confirmar. Logo, milagre não é garantia de coisa de Deus e nem de espiritualidade santa. Jesus foi muito claro em Mateus 7:22. Gente que profetizou, fez milagres e exorcismos em nome de Jesus serão rejeitados no dia do julgamento. Precisamos desenvolver o dom de discernimento e avaliar a vida e obra daqueles que se apresentam como homens de Deus.

6) Conversão por meio de milagres não é garantia de firmeza cristã.
Os defensores dos milagres em larga escala normalmente usam o argumento do milagre para a fé. Segundo essa ideía é preciso que haja muitas maravilhas para que o povo se converta em massa. Essa argumentação cai diante do registro biblico e da experiência milenar da igreja. Que povo viu mais milagres e mais grandiosos que o povo de Israel que saiu do Egito? No entanto só Josué e Caleb entraram em Canaã. Elias derrotou os profetas de baal com ação poderosa, mas o culto pagão continuou a florescer. Jesus fez maravilhas como ninguém mas o povo gritou: crucifica-o. Conversão baseada em milagres é em geral superficial, egoista e requer uma dose continua de maravilhas para crescer.

Não negamos que alguns sejam salvos após a intervenção do Senhor de um modo especial, mas biblicamente não é assim que a fé funciona. A fé vem pelo ouvir a palavra. Jesus chamou de bem aventurado os que não viram e creram. Oremos por milagres sim , mas não criemos dependência deles porque o justo vive pela fé e não pela vista.

7) Orar pela vontade de Deus é o princípio bíblico.
Há muitos que se irritam quando oramos por uma cura ou maravilha e acrescentamos "se for da tua vontade". Dizem que isso anula o milagre porque é falta de fé. Ora, orar segundo a vontade de DEus é uma das principais lições de Jesus. Foi sua oração no momento supremo do getsemani ( Mateus 26:39). Tiago, pastor da igreja de Jerusalém orientou os crentes a não pressumir sobre o futuro (Tiago 4:15). Como pode uma oração feita segundo a orientação biblica ser errada ou faltosa?

Segundo o Dr. Dallas Willard, quando oro para que seja feita a vontade de Deus não estou mostrando falta de fé e sim de conhecimento. Não é falta de fé em Deus (estou falando com Ele), não é falta de fé na oração (estou orando), não é falta de fé no poder de Deus (estou pedindo o milagre), é falta de conhecimnto porque não posso ter a certeza de que aquilo é o melhor, mas creio que o Deus que tudo pode também é o Deus que ama e conhece todas as coisas. Oremos pois dentro da orientação biblica sem medo de errar.

Conclusão: Que os milagres existem o crente sabe. A graça de Deus, por vezes, ultrapassa mesmo as leis da natureza em providenciar para os seus aquilo que precisam. Orar por milagres, pedi-los ao Senhor e esperar por eles é biblico e devemos fazê-lo. Mas sempre na busca da vontade de Deus. Confiemos no amor de Deus que supre nossas necessidades. Desenvolvamos o discernimento espiritual necessário para não sermos levados por enganadores.

Trabalhemos para a Glória do Senhor e alegremo-nos, porque o nosso Deus é o Deus dos impossiveis e dos milagres também.

11 Dias em 40 anos...

Já teve a sensação que algo relativamente fácil demorou a acontecer? Já percebeu que, em nossas vidas, há coisas que sabemos que devemos fazer mas acabamos levando "séculos" para fazê-las? Determinamos que algo é necessário, sabemos que será o melhor para nós, mas simplesmente não fazemos e o tempo vai passando... Podem ser coisas simples como uma dieta ou o início de um programa de exercícios físicos. Pode ser algo mais sério como a resolução de um problema, um conflito ou o acertar de nossas vidas com Deus por meio de devoção e disciplina. Simplesmente vamos ficando onde estamos e o tempo vai passando.

Em Deuteronómio 1:2 e 3 lemos que o povo de Israel levou 40 anos para fazer uma viagem que demoraria 11 dias. Pense bem! Em vez de 11 dias eles levaram 40 anos de caminhada. E o Senhor finalmente lhes diz no verso 6: "Já ficaram tempo demais aqui, tratem de andar...". Chega de esperar, chega de protelar... saiam do marasmo e tomem posse do que já vos preparei há tanto tempo. E porque é que demoraram tanto?

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque viviam no passado.
Repetidamente reclamavam de Moisés lembrando do que tinham no Egito. E o mais incrível é que no Egito eram escravos... levaram 400 anos chorando para que Deus os libertasse. Uma vez livres, choravam, porque já não tinham as mesmas coisas do Egito. É extraordinária a mente humana. Já tinham esquecido das jornadas de trabalho forçado, das torturas e espancamentos, do verdadeiro genocídio que tinham sofrido. Viviam chorando pelo passado, paralisados pela recordação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque não tinham capacidade para crer.
O Senhor lhes dera provas indiscutíveis de seu poder. Mas o povo não acreditava. O povo de Israel nesse período é a maior evidência de que milagres não são a solução do problema humano. Ninguém viu tantas maravilhas e no entanto, não criam no poder do Senhor para lhes dar a vitória na terra prometida. A falta de fé era debilitante a paralisante e não os deixou progredir.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque permitiam que uma mentalidade negativa e uma auto imagem degenerada os dominasse.
Olhavam para tudo com uma atitude de pobres miseráveis. Tinham sido libertos da escravatura física mas a carregavam no coração. Ainda se viam como povo fraco e dominado, sem direção e sem propósito. O Senhor os dirigia, dava-lhes alimento diário e líderes de qualidade mas ainda olhavam para si mesmos como presa fácil para qualquer adversário. Essa mente pequena impedia qualquer ação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque esperavam que as coisas aparecessem feitas.
Se ao menos alguém expulsasse os cananeus... se ao menos os gigantes fossem embora... se ao menos a terra estivesse vazia e as casas arrumadas e com comida pronta na mesa... eles então agiriam. Nem sequer queriam se dar ao trabalho de ouvir a Deus diretamente. Queriam que Moisés fosse ouvir e depois desse o relatório resumido. Não queriam se dar a nenhum trabalho e assim passaram décadas vivendo num deserto.

Por vezes passamos por desertos em nossas vidas. São inevitáveis e são difíceis de atravessar. Mas por vezes acampamos neles e aí ficamos por culpa própria, por incapacidade nossa, por falta de confiança no Senhor para caminhar para fora. Por vezes poderíamos vencer o deserto em 11 dias e ficamos por lá perambulando por 40 anos...

Deixamos de progredir quando paramos nossa visão no passado. Por melhor ou pior que tenha sido nosso passado ele não precisa determinar nosso presente e nem limitar nosso futuro. Se fomos vitoriosos louvemos ao Senhor e sonhemos com novas vitórias e mais altas. Se sofremos no passado vamos perdoar, agradecer pela sobrevivência e deixar as mágoas porque são fardo pesado demais para quem quer avançar. Já chega de carregar o passado. Vamos permitir que o Senhor nos carregue para o futuro.

Deixamos de progredir quando nos falta a coragem para crêr. Temos suficientes evidências em nossas próprias vidas e a nossa volta para sairmos do marasmo e crescermos. Mas é preciso um primeiro passo de fé. É preciso confiar. Sem fé é impossível agradar a Deus, e sem a graça de Deus não há como conquistar nada nesta vida.

Deixamos de progredir quando permitirmos que o inimigo nos mantenha com uma mentalidade de escravos. O adversário de nossas almas é especialista em depressão, complexo de inferioridade, ansiedade exacerbada, auto imagem negativa. Ele trabalha em nossas mentes mostrando constantemente nossa fraqueza, nossos defeitos, nossa incapacidade. Atenção: quando o Espírito Santo convence do pecado é para arrependimento, perdão e progressão. O maligno nos mostra o erro em nós apenas para derrubar e deprimir. Esta mais do que na hora de firmar a mente na Palavra do Senhor. ELE escreveu o livro e em sua versão da história (a versão verdadeira) somos filhos amados, perdoados, capacitados, enriquecidos e seremos vitoriosos! É a versão dEle que interessa.

Deixamos de progredir quando empurramos para outros a nossa responsabilidade. Queremos que outros façam por nós, que outros assumam nossos riscos, que outros lutem nossas lutas. Assim nunca avançaremos. O Senhor nunca falha na sua parte, mas nunca assume o que já nos delegou. Nossa parte é buscar a comunhão, submeter nossa mente, emoções e vontade ao seu controle e seguir sua orientação e comando. Só nós podemos fazer isso por nós. Façamos e a vitória virá.

Desertos virão e teremos que atravessá-los. Se vamos levar 11 dias ou 40 anos depende essencialmente de nós. O Senhor nos quer dar a terra prometida. Não acampemos na desolação. Os servos do Senhor herdarão a terra. Entenda de Deus qual a sua parte da herança e vamos possuí-la!

Orações Inúteis

Parecerá estranho um pastor falar de orações sem valor. Afinal, esperamos que um líder espiritual incentive a oração, conclame o povo de Deus a gastar mais tempo de joelhos. Mas a experiência nos diz que muitas vezes nossas orações parecem não ser respondidas. Muitas vezes o céu fica mudo. E muitas vezes temos a sensação de que orar é inútil. E é verdade; há realmente orações que são inúteis. Vejamos algumas para ver se não estamos entrando nessa estrada.

Orando contra a Palavra
"A confiança que temos em Deus consiste nisso: se lhe pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele atende-nos." I João 5:14. O texto é bem claro. Ore segundo a vontade de Deus e será atendido. Logo, orar contra a vontade do Pai é inútil. E como conhecemos a vontade dEle? Por meio de sua Palavra! O Senhor se deu ao trabalho de nos deixar uma palavra escrita exatamente para que a pudéssemos ler, reler, meditar, estudar, conhecer. Nela Ele expressa bem sua vontade, seus princípios. Oremos segundo eles e estaremos bem. Oremos contra e será inútil

Por exemplo, a palavra nos diz que Deus odeia a mentira, portanto orar para que minha mentira não seja descoberta é inútil. Orar para que o teste onde copiei do amigo tenha boa nota é errado. Pedir bênção num negócio onde fraudei os impostos é tolice. O Senhor nos mostra na sua palavra que não há comunhão entre luz e trevas, logo entrar num casamento ou numa sociedade, com alguém que não é salvo é incorrer em grande risco. Orar a seguir para que seja abençoado será inútil. A palavra diz que todo pecado traz consequências, logo chorar para que Deus não permita a colheita da semente que semeamos é inútil. Ele nos perdoa, minora os estragos, mas há sempre consequências. Precisamos gastar mais tempo com a palavra para podermos orar melhor. Lembremos, orar contrariamente ao que ela diz é perda de tempo. O Senhor não se contradiz.

Orando sem perdoar
"Se não perdoarem aos outros as suas ofensas o vosso Pai também vos não perdoará" Mateus 6:15. "Quando fores ao templo levar oferta a Deus e ali te lembrares que o teu semelhante tem alguma razão de queixa contra ti, deixa a oferta diante do altar e vai primeiro fazer as pazes..." Mateus 5: 23 e 24. Não podia ser mais claro. Jesus ensinou claramente que o perdão precede o perdão. Quando entendemos a graça que nos alcançou não podemos viver em amargura, em ressentimento, guardando mágoa e recusando perdoar. Essa atitude azeda nosso coração e retira a paz de Deus e a alegria do perdão. Como na parábola que Jesus contou, é recusar perdoar uma dívida de centavos quando tivemos o perdão de bilhões.

Sabemos isso e no entanto mantemos muitas vezes o coração fechado. Temos ressentimento contra pessoas e não largamos mão disso. Por vezes estamos zangados com alguém e até vamos ao culto com essa pessoa. Entramos de cara amarrada e sentamos de espírito escurecido e ainda estranhamos que o louvor não soou bem e nossas orações pareceram vazias. Orar assim... é inútil.

Orando por coisas tolas
"Pedem e não recebem porque pedem mal, pedindo coisas que só servem os vossos prazeres" Tiago 4:3. O falso evangelho da prosperidade fez de Deus um senhor menor que existe para satisfazer seus filhos. Aceitando a filosofia moderna da busca pelo prazer e pela felicidade a todo custo, falsos pregadores anunciam resposta a todos os pedidos. Peça uma casa de 1 milhão no bairro mais caro e uma Ferrari na garagem e o Senhor vai lhe dar, se tiver fé e contribuir generosamente para a instituição. Oração inútil...

O principal alvo de nossa vida não é a felicidade ou o prazer. A vida não consiste em vestir roupas de marca, comer em restaurantes caros e passear em Paris. Fomos criados para MUITO mais que isso e o Criador sabe. Quando nossas orações se resumem a listas de compras com pedidos extravagantes e sem sentido a resposta será negativa. Poucos crentes estão preparados para lidar com a prosperidade sem se afastar de Deus e confiar nas riquezas. Se nossas orações são apenas para pedir de acordo com nossos interesses então não se admire se forem inúteis.

Orando depois de maltratar a esposa
"... Respeitem vossas mulheres pois tem parte convosco no privilégio da vida eterna; procedam assim, para nada perturbar as vossas orações" I Pedro 3:7. Eis uma razão bem específica, mas infelizmente comum, para orações inúteis. Um marido crente que não sabe respeitar e cuidar de sua esposa, que não a ama como a palavra orienta de modo direto, é candidato forte a orar inutilmente.

A relação conjugal foi criada por Deus para ser uma bênção única. Nesse relacionamento o homem e a mulher encontram em Cristo a unidade e comunhão mais estreita possível entre seres humanos. No entanto, o Novo Testamento insiste na ordem de que os maridos devem amar suas mulheres. Interessante que não diz o mesmo às mulheres. Parece que é mais natural a mulher amar e mais difícil ao homem aprender, praticar e perseverar no amor. Mas atenção! Falhe nisso e pode bem acontecer que se encontre orando sem resposta. Não pense que pode tratar a esposa como quiser e que depois vai orar e receber o que pede. Será uma oração inútil.

Orando sem buscar a santidade
"Se eu tivesse feito algum mal, o Senhor não ouviria a minha voz" Salmo 66:18. "Bem-aventurados os puros porque eles verão a Deus" Mateus 5:8. "Procurem viver em santidade porque sem ela ninguém verá a Deus" Hebreus 12: 14. O pecado é claramente o responsável número um pelas orações inúteis. Não que possamos ser totalmente santos nesta mundo, mas o crente verdadeiro aspira a isso. De que serviria uma ordem de Deus que não pudéssemos cumprir? Ele que é sempre coerente nos daria uma orientação sem sentido? Pediria de nós algo para o que não nos capacitasse? Qual o sentido de dizer-se servo de Deus e discípulo de Jesus se não envidarmos todos os esforços para viver como ele viveu e quer que vivamos?

Se queremos ver a Deus em nossas vidas e ter nossas orações respondidas devemos buscar conscientemente a santidade e lutar contra o pecado. Por meio das disciplinas espirituais e na graça do Espírito teremos vitória e estaremos capacitados a orar de tal modo que o Senhor alegremente nos responda.

Solução
Diante de tantas possibilidades para orações inúteis qual deve ser nossa resposta? Deixar de orar? Certamente não! Se soubesse que uma árvore caiu nos fios de eletricidade e cortou a luz de minha casa a solução não seria ficar no escuro e comprar umas velas. Teria que tratar de tirar o obstáculo e repor a corrente para desfrutar das vantagens da eletricidade em casa. Se sei pela palavra o que pode tornar minha oração inútil, então tratarei com a graça de Deus de retirar os empecilhos.

Estudarei a palavra para orar de acordo com a vontade do Pai, perdoarei meus semelhantes e me livrarei da amargura, aprenderei a pedir pelas necessidades deixando de lado as extravagâncias, viverei em paz no casamento investindo numa relação baseada no amor de Deus, lutarei contra o pecado dedicando-me as disciplinas que me podem ajudar a crescer na comunhão com o Senhor.
Oração SIM! Empecilhos NÃO! Chega de orações inúteis!
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