Guerra dos Tronos – A Verdadeira


Image result for Guerra dos tronos

A série de TV “Guerra dos Tronos” baseada na obra de fantasia “Game of Thrones” (GoT) do escritor americano George Martin tem feito enorme sucesso arrastando uma legião de fãs. A estreia da última temporada está as portas (escrevo em Abril 2019). A série explodiu com todos os recordes de audiência e também com os gastos de produção já que cada episódio tem o nível de um filme classe A da melhor qualidade visual. E aqui faço minha confissão: sou fã. Mais dos livros que da série de TV. Afinal todos sabem que os livros são regra geral bem melhor que os filmes ou adaptações televisivas. Mas é verdade, gosto de ler autores de fantasia. Meus favoritos são de longe J.R.R Tolkien e C.S. Lewis. Mas quando tempo permite (poucas vezes) gosto de ler autores de fantasia como Martin, Patrick Rothfuss, Joe Abercombrie, Steven Erikson, Mark Chadbourn, Robert Jordan ou Brandon Sanderson. Gosto de viajar no mundo que eles criam e admiro a capacidade imaginativa e descritiva deles. Li a obra de George Martin na língua original bem antes de sair na TV e apreciei.
É verdade que a série televisiva abusou da nudez e das cenas de sexo desnecessárias e que nem constavam muitas vezes dos livros. Creio que ânsia de ter boas audiências e certa falta de confiança num enredo que sozinho conseguisse conquistar as massas explica a opção dos produtores. Mas para isso tenho um botão no comando que me permite passar para a cena seguinte. E é verdade que no mundo de Martin há muita coisa ruim para ver. Seus vilões são especialmente maus e sádicos com uma maldade que ultrapassa a pura crueldade e por isso nos dá tanto prazer vê-los eliminados a sofrer a justiça merecida.
É verdade que a série é marcada por pecados característicos da época que a inspiram, a Europa Medieval. Assim temos violência muitas vezes gratuita; luxúria que ultrapassa a prostituição e chega ao incesto; mentira, deslealdade e vilania a cada curva; enganos e traições requintadas e fatais; vingança como propósito de vida que mantém personagens vivos em meio a agruras terríveis; religiosidade legalista que avança por uma hipocrisia pouco velada. Mas não são esses pecados na idade média e da nossa idade? Não é o que vemos quando abrimos os jornais? Não fala Martin daquilo que enche nosso cotidiano com mais ou menos expressão? Não posso porém deixar de notar que em meio a tudo isso ainda há nobreza que sobrevive. Lealdade a toda prova e honestidade mesmo sob pena de morte e execução sumária. Ainda há valores familiares e de amizade que sobrevivem e sacrifícios feitos para o bem maior. E não são esses valores cristãos importantes? E é por isso que no meio dessa saga creio que posso apontar para alguns pontos interessantes que corrigem a visão da série para a verdade que nos cerca e que é revelada na Palavra de Deus:
·         Há na verdade uma guerra dos tronos em andamento onde um usurpador senta no trono e há uma campanha para a recuperação do trono pelo verdadeiro Rei e Senhor. Há na verdade um senhor de mortos vivos que ameaça acabar com a humanidade e sua destruição não se faz com armas normais mas pode perfeitamente acontecer e irá acontecer.
·         É verdade que a justiça pode tardar mas cada um dará conta de seus pecados e quando Joffrey ou Bolton morrem de modo dramático e terrível não são tão diferentes de Jezabel ou Herodes, de Sadan Hussein ou Mohamad Khadafi que acabaram por sentir a justiça Divina sobre suas vidas malignas. Mas a justiça de Deus é paciente e misericordiosa na expectativa do arrependimento mesmo do maior pecador e não se mostra vingativa ou maligna.
·         É verdade que viver pela verdade e lealdade sem dar lugar ao mal pode acabar por levar à morte como foi o caso de Ned Stark. Este mundo não reconhece os mansos e nem valoriza os sinceros mas aplaude as Cerseis da vida que com engano e malícia vão subindo a escala social até o topo. Mas o cristão é chamado a ser diferente e viver de modo a honrar seu Senhor.
·         É verdade que há um Senhor da Luz que pode até ressuscitar mortos mas é bem diferente do deus da série com suas previsões pouco claras e sua indefinição mesmo para seus mais fervorosos seguidores. O verdadeiro Senhor da luz fala de modo claro, revela-se de forma coerente e faz sua vontade bem conhecida de quem o busca.
·         É verdade que muitas vezes são os menos prováveis que se tornam heróis. Um anão indesejado e lascivo, uma garotinha indefesa e tolinha, um bastardo indeciso e infeliz, um garoto gordinho mas bem-intencionado, são alguns dos heróis bem pouco prováveis da estória. Faz lembrar a saga dos hobbits que sendo os habitantes mais fracos da terra Média serão os heróis do “Senhor dos Anéis”. Mas que é isso se não uma reedição do livro de Juízes? Lá, temos um canhoto desconhecido, um covarde que malhava o cereal escondido, uma mulher de um aliado, um filho de prostituta, todos tornando-se os heróis. O Senhor da Glória não usa os mais capacitados mas certamente capacita os que se dispõe a servi-lo.
·         É verdade que há sempre personagens secundários que salvam o dia. Trata-se de uma técnica de escrita criativa manter vivos esses personagens de quem já nem lembramos para na hora H os termos como salvadores normalmente a custo de grande sacrifício. E isso nos lembra a graça geral. Nosso Deus não se limita a trabalhar com os personagens principais mas tem em suas mãos uma multidão de gente que pode e serve de bênção quando muitas vezes já não tínhamos esperança e nem saída. Ele usa quem deseja em sua santa vontade e salva quem quiser e quando quiser pelos meios que lhe aprouver mesmo que estejam totalmente fora da nossa imaginação ou perspectiva.
·         É verdade que há necessidade de uma guarda da noite que proteja o reino dos homens a custo de muito sacrifício e dedicação. Mas a verdadeira guarda da noite é a igreja de Jesus que pelo poder do Espírito Santo impede como muralha o total avanço do maligno sobre a humanidade. Como guardas da raça servimos ao Senhor verdadeiro e somos seus instrumentos para proteger as pessoas da maldade do maligno mesmo que isso signifique sacrifício e sofrimento de um povo que nem entende nosso trabalho e valor.
No fim dessas linhas lembro-me que na “Guerra dos Tronos” cada casa nobre tem um símbolo e uma frase que serve de lema. Cada leitor e fã acaba por se identificar com uma casa. No meu caso, aprecio a casa Stark muito pela dignidade de seu líder maior que morre no começo da série. Os Stark têm como símbolo uma cabeça de lobo e sua frase é “Winter is coming”. Trata-se de um mote realista e pessimista. Por um lado lembra o óbvio, o inverno eventualmente sempre chega. Mas não é um inverno qualquer que eles anunciam. É o inverno dos invernos em que o senhor dos caminhantes brancos derrubará a muralha e destruirá o reino dos homens. Sendo assim, o mote é pessimista e fatalista. Avisa que a raça tem seu tempo contado e um dia desses o inverno fatal vai chegar.
Mas nós não somos Stark. Deles tomamos apenas as virtudes morais que nos ajudam a honrar o Senhor. Nosso símbolo não é um totem animal mas uma cruz e um cordeiro de sacrifício. Nosso mote não poderia ser mais diferente porque em vez de anunciar a vinda da morte anuncia a chegada da VIDA. “Christ is Coming” é o nosso lema e com Ele o reino verdadeiro será estabelecido e terminada a verdadeira guerra dos tronos. Maranata! Vem Senhor Jesus!

Jonas – Um Retrato da Igreja Actual


Related image
Imagine um pregador que só tem um sermão, pobre de imaginação, com conteúdo limitado, pois só fala de condenação e que deve ser transmitido a um povo que lhe é contrário numa cidade que considera sua inimiga. Que possibilidade de sucesso teria tal pregador?

Agora imagine que não somente é bem-sucedido mas que a cidade inteira se converte com sua pregação. O que isso faria de tal pregador? O maior da história, certo? Pois, essa é a história de Jonas e, no entanto, não é nem de perto famoso por seu sucesso. Por quê? O que há de errado nele que seja digno de nota? Na verdade, muito e, infelizmente, muito que se aplica à actual condição da igreja de Cristo no mundo.
De modo resumido podemos dizer que Jonas foi desobediente, reticente, displicente, rabugento e egoísta e passamos a explicar:

Desobediente: na verdade Jonas tinha muitas coisas a seu favor. Ele viveu no período de maior prosperidade do Reino de Israel, o reino do norte. Foi um profeta respeitado e famoso. Não tinha falta de revelação – ele entendeu muito bem o que Deus queria dele. Não tinha falta de boa teologia – ele entendia bem que o Deus de Israel era um Deus de graça e paciência. Não tinha falta de recursos – ele tinha dinheiro para pagar a viagem a Tarsis que deveria ser bem cara. Mas foi consciente e deliberadamente desobediente. Mais ainda. Sua desobediência não lhe tirou o sono pois dormiu durante uma tempestade. Ele sabia perfeitamente que era desobediente e o disse quando interrogado. 

Reticente: mesmo depois de tudo que passou ele ainda teve muita dificuldade em cumprir sua missão. É verdade que se arrependeu e pediu perdão, mas quem não o faria na barriga de um peixe no fundo do mar? Não se pode dizer que tenha sido um coração contrito que o levou a Nínive mas a extrema paciência de Deus para come ele e mesmo assim não fez o trabalho com convicção ou prazer. 

Displicente: sua pregação deixou muito a desejar. Ele apenas falou de destruição anunciando a condenação da cidade aparentemente com satisfação. O resultado foi obra do Espírito de Deus e não devido à qualidade do pregador. Sua pregação falhou em revelar toda a verdade. Não falou do pecado que condenava a cidade, não falou do amor e da graça de Deus, não mencionou a soberania de Deus que lhe dava poder sobre um povo que não o adorava, não apresentou a possibilidade de arrependimento. Simplesmente foi um pregador pobre e displicente que se limitou a cumprir calendário.

Rabugento: Jonas era um homem sem compaixão e ficou muito rabugento quando o seu conforto foi retirado. Ele logo se irritou com o sol e o calor sendo que o sofria por escolha própria porque Deus não lhe disse para ir para a montanha esperar a destruição da cidade. Essa não era sua missão. Foi opção dele e mesmo assim reclamou o tempo todo.

Egoísta: Diante da possibilidade de destruição de milhares de pessoas a única coisa que Jonas pensava era na sua situação e no seu conforto. Ele não estava minimamente sensibilizado pela possibilidade da cidade ser destruída. Tudo que lhe importava era que tinha deixado de ter sua sombra favorita quando estava tão quente. O mundo se centrava nele e certamente Deus só existia para cuidar de suas necessidades e problemas. 

No fim percebemos que o livro de Jonas não é sobre os Assírios ou Nínive. O livro é sobre Israel e Jonas. Sobre o modo do povo de Deus perceber quem Ele é e como age. Jonas até conhecia bem sua teologia. Sabia que Deus era um Deus de misericórdia, mas não percebeu que isso deveria permear o coração do povo de Deus também. E qual a ligação disso tudo com a igreja de hoje? Toda!

Desobediente: tal como Jonas não nos falta hoje revelação. Temos a palavra completa e um nível de conhecimento bíblico sem precedentes. Também não nos faltam recursos e a igreja de modo geral tem muito mais condições do que as suas congéneres do passado. Falta é obediência pura. Falta parar de olhar as ordens do Senhor como se fossem orientações vagas para dias difíceis ou sugestões a merecer nossa ponderação. Falta parar de chama-lo de Senhor e aplicar princípios democráticos naquilo que são ordens de marcha a que só se pede cumprimento. 

Reticente: muitas vezes, apesar da clara expressão da vontade Divina nas escrituras, percebemos uma relutância marcada por parte da igreja em seguir adiante. Há demasiada preocupação em ser politicamente correctos e em dar ao mundo explicações. Mas não fomos chamados a isso mas a obedecer sem questionar. Fomos comprados e pertencemos a outro Senhor.

Displicente: muita de pregação que se ouve por aí falha redondamente na expressão da teologia claramente revelada na palavra. Percebemos uma preocupação em tornar a mensagem “relevante” quando essa não deveria ser nossa preocupação. Ouvimos ciências socias nos púlpitos onde a Palavra deveria ser anunciada. Há mensagens de auto-ajuda em vez de evangelho. Relevante é a vida obediente e na busca da santidade. Relevante é aquele que vive como bem-aventurado e se torna sal da terra e luz do mundo. Relevante é a pregação da mensagem de Deus que é a única que fala do real problema do homem e lhe mostra a única saída. O que tem feito a diferença no mundo não é uma igreja que tenta agradar mas aquela que se mantém fiel à palavra.

Rabugentos e Egoístas: vivemos um tempo em que mesmo os chamados cristãos só parecem se preocupar com suas vidas e necessidades. Crentes que reclamam por qualquer limitação física ou económica quando estão rodeados de necessidades imensamente maiores. Ao menor problema reclamam com Deus por aquilo que supostamente acham que têm “direito”. Pela Palavra nós só temos direito a uma cruz… mas essa Jesus levou por nós. Mas isso não nos faz merecedores de nada. Recebemos pela graça e pela justiça ganha por outro.

Vivemos um tempo que que muitas Igrejas só investem no conforto de seus membros quando deveriam investir em missões e nos campos vastos com necessidade de obreiros. Mais facilmente se coloca um ar condicionado na igreja do que se adopta um novo missionário. O conforto dos bancos vale mais que a ajuda aos carentes. Estamos a viver a teologia de Jonas. 

E que soluções existem para o nosso caso estudando as semelhanças com a situação de Jonas? Certamente algumas.
·      O que se pede de servos é obediência e não discussão. Escravos não questionam e não votam, servem o melhor possível com os recursos que são dados. A função da igreja é entender a vontade do Pai e cumpri-la com a capacitação do Espírito Santo. Felizmente o Senhor deixa sua vontade expressa de modo bem claro. Cumpre a cada um dos seus vive-la.

·         O Serviço do Senhor tem que ser feito sempre no seu melhor. Não no nosso melhor que é sempre aquém do necessário, mas no melhor do que Ele nos permite e capacita. Isso inclui uma pregação vivida e falada que seja coerente com as escrituras e que expresse toda verdade bíblica incluindo a que não é politicamente correcta. Ser perseguidos pode ser o resultado mas está previsto e faz de nós bem-aventurados. 

·      O filho de Deus como imitador de Cristo vive para o Pai e ama o próximo. Centra seu amor prático no serviço sacrificial aos outros. Não vive para seu conforto ou prazer mas para o bem alheio e mantém um coração manso, misericordioso, puro e pacificador. 

Criação é Chamado e Propósito



https://palavrasdemarceli.files.wordpress.com/2012/10/untitled-1.jpg

No acaso não há propósito, apenas sorte ou coincidência. E esta é uma das maiores dificuldades da teoria da evolução em sua avaliação para a humanidade. Quando o homem conclui que está no mundo por mero acaso, por mera coincidência de factores físicos e reacções químicas, deixa de haver razão ou sentido para a vida, para o sofrimento, para o amor, para tudo. E uma das maiores vantagens da visão criacionista é exactamente seu senso de propósito. Na criação temos razão para a vida e um verdadeiro chamado para cada ser humano no planeta.


Criação é um chamado à Santidade:
Deus é santo no sentido que é separado e diferente de tudo mais que Ele criou. Ao criar o homem à sua imagem, Deus o criou diferente do restante da criação. A semelhança com Deus é um chamado para que o homem seja santo, ou seja, separado do resto da criação. O que vemos na humanidade hoje é uma aproximação triste e por vezes medonha do resto da criação animal. Homens e mulheres que vivem pela lei da selva, que se norteiam por instintos, paixões dos sentidos, como se fossemos apenas mais um bando de animais em cio na luta pela sobrevivência. Mas, não fomos criados assim, mas feitos seres racionais e espirituais para estar acima da restante criação e ser dirigidos pela vida espiritual e um raciocínio lógico. Criados para ser diferentes dos demais animais e com uma qualidade de vida muito superior.


Criação é um chamado à Adoração por meio de uma vida reflectora de Deus
Feitos à imagem de Deus, somos chamados a reflectir quem Ele é. Fomos feitos com a capacidade de mostrar a Deus por meio de nossa semelhança com Ele. Não seria o mesmo que ver a Deus mas daria para conhecer muito dele por meio das semelhanças. Todos os seres foram criados segundo suas espécies, mas o homem, além disso, foi feito com a capacidade de reflectir seu criador e nesse sentido foi um elemento único da criação. E este é um alvo para o homem mesmo depois do pecado. É claro que o pecado nos impediu de cumprir esse propósito. Foi o erro de Adão e depois de Israel. Não temos como reflectir a Deus sem voltar à comunhão com Ele por meio do perdão de nossos pecados, mas uma vez salvos temos este alvo para as nossas vidas que as tornam tão valiosas e especiais. Alvo que leva uma vida toda a alcançar mesmo sem atingir mas que nos permite crescer sempre mais. Lembrando que como Deus é um ser espiritual esse reflexo não é físico mas moral e espiritual. Reflectimos Deus por meio de um carácter santo. De Glória em glória como diria Paulo.


Criação é um chamado à liderança
O Senhor fez o homem para liderar a criação. Se vemos na raça humana um desejo inato para mandar é natural. Fomos feitos para isso. E queremos mandar. Infelizmente o pecado manchou essa parte da nossa vida como as demais e usamos essa dádiva de Deus de modo incorrecto mas isso não significa que não desejemos ocupar a posição que o Senhor nos deu. Devemos saber liderar em nossas vidas como reflexo da liderança Divina e como cumprimento da nossa criação. Não fomos feitos para a escravidão que a tantos acomete. Feitos para liderar na criação de Deus. 


Criação é um chamado para a mordomia
Se somos líderes, também devemos saber que essa liderança não implica em posse mas em administração. A criação não é nossa mas de Deus e Ele nos colocou aqui para administrar o que é dele. Nesse sentido somos todos mordomos, e um dia daremos conta do que Ele nos deu. Da vida, do tempo, da natureza, da família, das relações, do corpo, da saúde, dos talentos. A visão cristã de mordomia faz o homem encarar o mundo de outra forma e em vez de donos somos cuidadores.


Criação é um chamado à obediência
Feitos por Deus, e reconhecendo a soberania dele, entendemos que fomos feitos para seguir sua instrução. A obediência que devemos a Deus não é submissão a um tirano mas a obediência a um Pai amoroso e que cuida de nós. Não fomos deixados aqui para fazer o que queremos apenas. A liberdade dada ao homem não deveria ser usada para fazer o que ele quer mas o que deve. E na consciência de que Deus sabe sempre mais que nós será sábio seguir o que Ele diz. Na obediência há segurança e há descanso. Há paz e garantias. O homem que entende a criação de Deus não fica ansiosos pelo futuro mas o entrega nas mãos de quem governa o futuro.


Criação é um chamado à Comunhão:
O Senhor nos fez à sua imagem e por isso podemos ter com Ele a comunhão que mais nada na criação pode ter. O facto de sermos seres feitos à sua semelhança permite uma ligação única e especial que era perfeita antes do pecado e que pode voltar a ser especial e maravilhosa pelo sacrifício de Jesus por nós. Eis outro alvo maravilhoso para o ser humano que entende a criação. Feitos para uma ligação, uma relação, que é eterna e magnífica. Começa aqui e dura uma eternidade. Nos enche de tudo que tanto queremos e que procuramos naquilo que não satisfaz. Criados para ser satisfeitos em Deus. Criação, com propósito!

Ira de Deus: Como Entender?

http://3.bp.blogspot.com/-ryRypD3X2Xw/UyIlUjpBaPI/AAAAAAAAJ1U/mMkqz7f34hQ/s500/A+ira+de+Deus.png
Há muitos temas controversos na Bíblia e um dos mais complicados é a ira de Deus. Não temos dificuldade em aceitar um Deus de amor e compaixão. Não temos dificuldade de entender um Deus que tem todo poder. Mas Deus irado parece coisa de mitologia pagã e trás à mente um ancião de barbas brancas que do céu lança raios sobre as cabeças de todos os que não o agradam e que exige submissão total. Essa imagem incomoda e cria muita rejeição. Mas, a Bíblia fala mesmo da ira de Deus e não poucas vezes. No Antigo Testamento temos 432 menções à ira do homem e de Deus e no Novo Testamento mais 36 vezes. Como entender, então, essa ira em nosso contexto? Como explica-la a alguém que usa esse argumento para negar o Deus da Bíblia? 

Nossas dificuldades com o tema começam por causa de toda a tradição antiga que vem de muitas origens e fala da ira de Deus como algo caprichoso. São mitologias diversas que falam de deuses em termos antropomórficos, deuses que mostram sentimentos e reacções iguais as dos homens e cuja ira é maligna e nada santa. Essa tradição dificulta muito a nossa compreensão porque quando a Bíblia fala da ira de Deus fala de algo que não é nada parecido com a nossa ira. O homem se ira injustamente por egoísmo, por frustração, por entender que alguém falhou em seus direitos, que algo lhe foi negado. Ora, a ira de Deus não é nada disso, e se olharmos melhor para os momentos em que Deus se ira teremos que reconhecer que a sua ira é mesmo obrigatória. Vejamos como:  
  • A ira é obrigatória diante do mal, do erro, do abuso, da discriminação, da injustiça, da crueldade. Deus fez um mundo perfeito e um homem bom. Este escolheu o pecado e desvirtuou tudo o que Deus criou. Tornou-se mau e danificou tudo o que o Senhor criou. Tornou-se mau sobretudo para com seus semelhantes. Diante disso como não se irar? Poderia Deus ser Deus de verdade e não se irar contra a destruição da sua bela criação? Seria Ele Deus justo se não se irasse contra a maldade humana que abusa, maltrata, tortura e mata outros seres humanos? Que tipo de Deus ficaria indiferente diante de tanta maldade? Essa ira não é errada, é obrigatória.  

  • A ira é obrigatória quando existe amor. Imaginemos um pai que ama sua filha de todo coração ou um marido que ama sua esposa com todas as forças. Agora imaginemos que alguém está a fazer mal a esta filha ou esposa. Acharíamos natural que este homem não se irasse? Seria aceitável que ele assistisse ao abuso de suas amadas sem revelar uma ira intensa? Certamente que não e ninguém o condenaria por se irar. Porque, então, não percebemos que a ira de Deus está ligada a seu amor? Ele ama intensamente o mundo e a humanidade e quando vê o abuso que lhe é feito tem que se irar. Sua ira é mais que justificada pois é santa e voltada exclusivamente contra o mal e não algo egoísta e para proveito próprio.  

  • A ira é obrigatória diante do desperdício. Quem nunca se irritou ao ver comida desperdiçada ou outros bens que poderiam fazer a diferença para outras pessoas sendo jogados fora com desprezo? Desperdício é algo maligno e que desperta justificadamente a ira. E Deus? Como não se mostraria irado contra o desperdício de tudo de bom que Ele nos deu e que não sabemos usar e ainda esnobamos?  
Vemos então que a ira de Deus é sempre santa e nunca menos santa ou nobre que sua justiça. A ira nesse caso é mesmo parte da justiça santa de Deus. Mesmo em relação ao homem, a Bíblia distingue a ira justa e positiva da ira tola e precipitada que é viciante e deve ser vencida e dominada. Quando Jesus se irou contra os vendedores do templo ou com a hipocrisia dos fariseus, não era algo maligno ou errado, mas uma ira santa e justificada. O facto de termos dificuldade com nossa ira por ser quase sempre errada não significa que a de Deus o seja. A ira de Deus nunca é errada e nunca é egoísta mas se volta contra o mal, contra o pecado, contra o que prejudica. A ira de Deus visa a salvação e a recuperação do pecador e por isso nunca será maligna. 

O contrário da ira não é o amor, como alguns podem pensar, mas a indiferença. Deus se ira exactamente porque ama e o contrário seria se tornar indiferente ao homem e ao seu estado bem como ao seu destino. Deus não encara a humanidade como um empecilho à sua felicidade ou um problema no caminho. Ele ama o mundo e por isso se preocupa e por isso, por vezes, se ira. 
O que também devemos guardar em relação à ira de Deus é que ela não é eterna, nem vingativa e nem rancorosa. Ela é aplicada na medida certa e com objectivos bem definidos de mudar a situação para melhor visando a recuperação. 

A ira que Deus manifesta serve como correctivo e disciplina para que encontremos um caminho melhor. É seu prazer desviar sua ira e seu furor e o faz com muita frequência na palavra. O que alegra o coração de Deus é poder deixar de lado a disciplina punitiva e mostrar seu abundante amor. Cabe ao homem reagir de modo a permitir que seja assim. Como um pai que ama, o Senhor prefere mil vezes abençoar seus filhos amados que respondem ao seu amor com uma atitude positiva que ter que disciplinar os filhos desobedientes que se prejudicam e prejudicam outros. Afinal a ira de Deus até faz muito sentido e deve ser vista como parte essencial de sua santa justiça.
Related Posts with Thumbnails

Manual do Corão - Como se formou a Religião Islâmica

Como entender o livro sagrado do Islão?  Origem dos costumes e tradições islâmicas. O que o Corão fala sobre os Cristãos?  Quais são os nomes de Deus? Estudo comparativo entre textos da bíblia e do Corão.  Este manual tem servido de apoio e inspiração para muitos que desejam compreender melhor o Islão e entender a cosmovisão muçulmana. LER MAIS

SONHO DE DEMBA (VERSÃO REVISADA)

Agora podes fazer o download do Conto Africano, com versão revisada pelo autor.
Edição com Letra Gigante para facilitar a leitura do E-Book. http://www.scribd.com/joed_venturini