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A Cruz mostra o tamanho

Gostamos de medidas! Temos aparelhos para medir quase tudo. Altura, peso, profundidade, cumprimento, densidade, quantidades. Medimos os valores de açúcar e colesterol, a densidade dos nossos ossos, a profundidade dos vales oceânicos, a altura das montanhas do himalaia e a distância a Marte. Mas há outras coisas mais difíceis de medir. Como medir a maldade? Como medir o amor? Ou a justiça? Mas há um medidor muito fiel de tudo isso – a cruz de Cristo.

Algo que atesta da extraordinária força do Cristianismo é exactamente o fato de ter tornado um símbolo de tortura em seu marco maior. Que religião poderia esperar ter sucesso usando como marca um instrumento de tortura e morte? Os experts em marketing certamente teriam dito aos primeiros discípulos que escolhessem outra marca. Vocês não querem ficar conhecidos por uma cruz… ninguém quer! Mas foi a cruz que se tornou símbolo mundial da fé cristã e entre outras coisas o fez porque nos serve de medida, mostra o tamanho.

A cruz mostra-nos o tamanho do nosso pecado. Como é fácil ver o mal nos outros e classificar de horror algo que o meu vizinho fez. Já não somos tão rápidos em relação a nossas falhas. Mas qual é o tamanho do pecado? Se quer saber olhe a cruz. Veja a dor, o sofrimento, a tortura e saberá. O meu pecado é do tamanho da cruz. É tão horrendo quanto ela, fez com que fosse necessária. O meu pecado é feio como a cruz, e a tornou obrigatória. Não podemos olhar com ânimo leve para algo que levou Jesus a tal sofrimento. Não podemos desprezar algo que faz com que tal tortura seja essencial.

A Cruz mostra-nos o tamanho do castigo que merecíamos. Todo mal precisa ser castigado. Ora na cruz vemos o tamanho do verdadeiro castigo. É grande, muito grande. O pecado é afronta a Deus. É um ato de rebeldia ao Senhor do Universo. Um ato de desobediência grave, uma blasfémia contra a pureza do Senhor. Quando pecamos estamos mostrando nosso lado maligno e a facilidade com que negamos o amor de Deus e aceitamos a proposta do mal. Pecar é agredir. Agredir a um Senhor que nos deu a vida e tudo o mais e que desejava apenas o nosso amor. O castigo para isso não podia ser pequeno. Rebeldia se trata com pena de morte. A cruz nos mostra isso.

A cruz nos mostra o tamanho da justiça Divina. Temos muitas vezes a falsa noção de que o Senhor não age como deveria. Muitas vezes desejamos que haja mais justiça no mundo. Vemos coisas terríveis acontecer e acreditamos que o Senhor não se importa, que Ele não aplica a justiça. Ficamos confusos diante do modo como coisas boas acontecem aos maus e coisas boas acontecem aos bons. Clamamos interiormente por justiça. E onde a encontramos? Na cruz. A cruz era necessária por causa da justiça de Deus. Ele não podia deixar o pecado passar impunemente. Tinha que o punir de forma exemplar. Quer saber o que Deus sente dos horrores do holocausto? Da forma como Ele age com pedófilos etc? Olhe a cruz e verá. O horror da cruz tem a ver com isso. Foi necessária porque  justiça de Deus exigia uma punição exemplar a tudo o que de terrível tem acontecido na história humana. Na cruz vemos a resposta de Deus a tudo isso.

Mas a cruz é sobretudo onde vemos o tamanho do amor de Deus. Se sente que há algo errado com a justiça de Deus ser aplicada sobre um inocente como Jesus é porque não entendeu a verdadeira mensagem da cruz. A justiça tinha que ser aplicada. Quem deveria suporta-la era eu e você. Na cruz Deus toma sobre si mesmo a pena que sua justiça exigia. Ele paga a dívida que não pode ser perdoada de outra maneira. E aí entendemos a graça, a Divina Graça. Dar o que não merecemos e não nos dar o que deveríamos receber. Jesus leva a nossa culpa, o nosso castigo, a nossa punição pelo nosso pecado. A troca é simples: meu pecado pela justiça dele. Meu erro por sua bondade. Minhas falhas e perversões por sua santidade e cuidado. Isso é a boa nova: que em Jesus e na cruz Deus nos pode perdoar porque Ele mesmo levou a punição.

Logo, grande salvação! A cruz nos mostra o tamanho da salvação que recebemos em Cristo e nos deveria levar a clamar imediatamente por perdão. Arrependidos e gratos recebemos de Deus sua graça e salvação e somos libertos da condenação.

11 Dias em 40 anos...

Já teve a sensação que algo relativamente fácil demorou a acontecer? Já percebeu que, em nossas vidas, há coisas que sabemos que devemos fazer mas acabamos levando "séculos" para fazê-las? Determinamos que algo é necessário, sabemos que será o melhor para nós, mas simplesmente não fazemos e o tempo vai passando... Podem ser coisas simples como uma dieta ou o início de um programa de exercícios físicos. Pode ser algo mais sério como a resolução de um problema, um conflito ou o acertar de nossas vidas com Deus por meio de devoção e disciplina. Simplesmente vamos ficando onde estamos e o tempo vai passando.

Em Deuteronómio 1:2 e 3 lemos que o povo de Israel levou 40 anos para fazer uma viagem que demoraria 11 dias. Pense bem! Em vez de 11 dias eles levaram 40 anos de caminhada. E o Senhor finalmente lhes diz no verso 6: "Já ficaram tempo demais aqui, tratem de andar...". Chega de esperar, chega de protelar... saiam do marasmo e tomem posse do que já vos preparei há tanto tempo. E porque é que demoraram tanto?

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque viviam no passado.
Repetidamente reclamavam de Moisés lembrando do que tinham no Egito. E o mais incrível é que no Egito eram escravos... levaram 400 anos chorando para que Deus os libertasse. Uma vez livres, choravam, porque já não tinham as mesmas coisas do Egito. É extraordinária a mente humana. Já tinham esquecido das jornadas de trabalho forçado, das torturas e espancamentos, do verdadeiro genocídio que tinham sofrido. Viviam chorando pelo passado, paralisados pela recordação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque não tinham capacidade para crer.
O Senhor lhes dera provas indiscutíveis de seu poder. Mas o povo não acreditava. O povo de Israel nesse período é a maior evidência de que milagres não são a solução do problema humano. Ninguém viu tantas maravilhas e no entanto, não criam no poder do Senhor para lhes dar a vitória na terra prometida. A falta de fé era debilitante a paralisante e não os deixou progredir.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque permitiam que uma mentalidade negativa e uma auto imagem degenerada os dominasse.
Olhavam para tudo com uma atitude de pobres miseráveis. Tinham sido libertos da escravatura física mas a carregavam no coração. Ainda se viam como povo fraco e dominado, sem direção e sem propósito. O Senhor os dirigia, dava-lhes alimento diário e líderes de qualidade mas ainda olhavam para si mesmos como presa fácil para qualquer adversário. Essa mente pequena impedia qualquer ação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque esperavam que as coisas aparecessem feitas.
Se ao menos alguém expulsasse os cananeus... se ao menos os gigantes fossem embora... se ao menos a terra estivesse vazia e as casas arrumadas e com comida pronta na mesa... eles então agiriam. Nem sequer queriam se dar ao trabalho de ouvir a Deus diretamente. Queriam que Moisés fosse ouvir e depois desse o relatório resumido. Não queriam se dar a nenhum trabalho e assim passaram décadas vivendo num deserto.

Por vezes passamos por desertos em nossas vidas. São inevitáveis e são difíceis de atravessar. Mas por vezes acampamos neles e aí ficamos por culpa própria, por incapacidade nossa, por falta de confiança no Senhor para caminhar para fora. Por vezes poderíamos vencer o deserto em 11 dias e ficamos por lá perambulando por 40 anos...

Deixamos de progredir quando paramos nossa visão no passado. Por melhor ou pior que tenha sido nosso passado ele não precisa determinar nosso presente e nem limitar nosso futuro. Se fomos vitoriosos louvemos ao Senhor e sonhemos com novas vitórias e mais altas. Se sofremos no passado vamos perdoar, agradecer pela sobrevivência e deixar as mágoas porque são fardo pesado demais para quem quer avançar. Já chega de carregar o passado. Vamos permitir que o Senhor nos carregue para o futuro.

Deixamos de progredir quando nos falta a coragem para crêr. Temos suficientes evidências em nossas próprias vidas e a nossa volta para sairmos do marasmo e crescermos. Mas é preciso um primeiro passo de fé. É preciso confiar. Sem fé é impossível agradar a Deus, e sem a graça de Deus não há como conquistar nada nesta vida.

Deixamos de progredir quando permitirmos que o inimigo nos mantenha com uma mentalidade de escravos. O adversário de nossas almas é especialista em depressão, complexo de inferioridade, ansiedade exacerbada, auto imagem negativa. Ele trabalha em nossas mentes mostrando constantemente nossa fraqueza, nossos defeitos, nossa incapacidade. Atenção: quando o Espírito Santo convence do pecado é para arrependimento, perdão e progressão. O maligno nos mostra o erro em nós apenas para derrubar e deprimir. Esta mais do que na hora de firmar a mente na Palavra do Senhor. ELE escreveu o livro e em sua versão da história (a versão verdadeira) somos filhos amados, perdoados, capacitados, enriquecidos e seremos vitoriosos! É a versão dEle que interessa.

Deixamos de progredir quando empurramos para outros a nossa responsabilidade. Queremos que outros façam por nós, que outros assumam nossos riscos, que outros lutem nossas lutas. Assim nunca avançaremos. O Senhor nunca falha na sua parte, mas nunca assume o que já nos delegou. Nossa parte é buscar a comunhão, submeter nossa mente, emoções e vontade ao seu controle e seguir sua orientação e comando. Só nós podemos fazer isso por nós. Façamos e a vitória virá.

Desertos virão e teremos que atravessá-los. Se vamos levar 11 dias ou 40 anos depende essencialmente de nós. O Senhor nos quer dar a terra prometida. Não acampemos na desolação. Os servos do Senhor herdarão a terra. Entenda de Deus qual a sua parte da herança e vamos possuí-la!

A caminho de Moriá

Abraão já ouvira Deus falar antes. Uma vez o Senhor falara e ele ficara confuso com a necessidade de deixar sua terra, mas expectante com a nova terra que encontraria. Outra vez Deus falara e ele ficara contente com a bênção prometida para sua geração nessa terra de Canaã. Uma vez Deus falara e o deixara perplexo com a profecia de tribulação para seus descendentes. Outra vez Deus falara e ele rira da possibilidade de ainda ser pai aos 100 anos. Mas o riso se tornara gargalhada e se materializara numa criança chamada Riso (Isaque).

Agora porém, Deus falara e Abraão não rira. Desta vez não havia esperança nem expectativa, nem bênção ou futuro. Havia apenas escuridão e um caminho terrível a percorrer. O caminho para Moriá.

O caminho para Moriá era escuro e denso. Nada fazia sentido para Abraão. A ordem de sacrificar Isaque não deixara margem para esperança e não fizera sentido nenhum. Até onde Abraão podia ver era incongruente e incompatível com tudo o que o Senhor fora no passado. Não havia lógica, nem sentido, nem lição. Havia apenas um caminho escuro e longo com muito sofrimento no fim.

O caminho para Moriá era solitário. Os servos que acompanhavam Abraão teriam que ficar no sopé do monte e o filho que com ele andava ficaria no escuro quanto aos objetivos da viagem e a finalidade de tanto silêncio. E Abraão prosseguia. O que pensaria ele? Que sentimentos encheriam seu coração cansado nessa caminhada atroz rumo ao sacrifício de seu único filho? Que alegria poderia lhe restar? Que esperança de velhice para um pai idoso ao mesmo tempo sacrificado e sacrificador?

Mas, Abraão prosseguia como sempre. Já antes saíra do conhecido para uma terra que não sabia onde ficava e prosseguira. Já antes percorrera o deserto a procura de uma terra onde ter o que comer e prosseguira. Já antes perseguira tropas com um número pequeno de servos sem experiência militar e prosseguira. Já antes se rira da gravidez de Sara com 90 anos, mas prosseguira e terminara carregando um bebé. Agora não via solução para seu dilema, não entendia as razões de Deus, nem sabia como seria capaz de obedecer até o fim terrível ordem, mas prosseguia.

Todos nós nos vemos vez por outra no caminho de Moriá. É aquela terra de ninguém, onde a fé parece absurda, o céu fica silencioso e até a Palavra se mostra árida e sem respostas. Já todos vivemos o amargo de sentir que fomos esquecidos, que a esperança deve existir mas não a vemos, que a vida perdeu a maior parte de sua razão. É um filho que morre, um emprego que desaparece, um acidente que nos rouba a saúde, um diagnóstico que nos deixa perplexos, um amigo ou parente que nos deixa... são momentos escuros, um caminho difícil.

O importante nessa hora é, como Abraão, prosseguir.

O que o inimigo mais odeia é um crente que persevera na tribulação.

Em sua alegoria Cartas do Inferno, C S Lewis coloca na pena do demónio instrutor as seguintes palavras: "Nossa causa nunca estará mais ameaçada do que nas vezes que um ser humano, mesmo não desejando pessoalmente alguma coisa, estiver fazendo a vontade do Inimigo, ainda mais quando ele estiver observando o universo em seu redor, sem conseguir ver o menor traço do Inimigo se perguntando porque Ele o teria abandonado assim, e mesmo assim OBEDECENDO."

Precisamos nessas horas lembrar que nosso mestre e salvador conhece bem esse caminho. Ele também palmilhou a estrada para Moriá e a sua terminou no Gólgota. Para ele não houve palavra salvadora de um anjo na hora decisiva. Ninguém parou o martelo que pregava os cravos, ninguém parou a lança que furava o peito, ninguém respondeu ao clamor no meio do sofrimento esquecido. E ele sofreu por nós.

Mas a história de Abraão não termina na dor. Ele teve o riso restaurado nos lábios e no filho devolvido. E a história da cruz é seguida em 3 dias pela da ressurreição. O caminho para Moriá é duro, mas o Senhor não nos deixou, o sol não sumiu de vez e o domingo da vitória está a caminho mesmo que nos pareça impossível. Sigamos com perseverança o caminho da nossa fé e o Senhor nos recompensará.

A VIRTUDE ESQUECIDA!

Gabrielle Andersen
Nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, a suíça Gabrielle Andersen, desidratada, desorientada e com uma cãibra na perna esquerda, caminhou os últimos 200 metros da maratona levando 10 minutos para completá-los.

 Ao cruzar a linha de chegada, Gabrielle caiu desacordada nos braços dos médicos. Após a prova, a atleta disse que queria terminar o percurso, pois aquela talvez fosse sua única oportunidade de participar dos jogos devido a sua idade.

 Ela chegou apenas na 37ª posição entre 44 corredoras, e fez o tempo de 2h48min42s, mas foi mais aplaudida que a medalhista de ouro, a norte-americana Joan Benoit. O fato é considerado um dos maiores exemplos de perseverança, garra e espírito olímpico. Porém  poucos têm a virtude de continuar e esperar pelos resultados.

Hoje queremos tudo "fast" desde nossa comida, nossos computadores, nossos telefones e, é claro, no nosso tratamento médico queremos que o remédio faça efeito imediato. É verdade que admiramos quem consegue fazer coisas que exigem tempo e admiramos a garra de uma corredora que quer chegar ao fim da corrida, mesmo que não seja a primeira. Mas a verdade permanece, a virtude hoje esquecida é certamente a Perseverança.

Apesar da pressa que caracteriza a vida moderna continua presente a necessidade da perseverança. Há tanta coisa neste mundo que não se pode fazer sem perseverar que já era para o homem ter aprendido a lição. As colheitas não se fazem de um dia para outro, os relacionamentos não se firmam de uma semana para outra, hábitos só se formam com o tempo e muda-los exige também paciência e continuidade. Vejamos algumas das áreas em que palavra nos manda perseverar:

1) Na Salvação (Mateus 24:13 e Marcos 13:13)
A Palavra é clara, há que perseverar para se alcançar a salvação. Isso não retira em nada o mérito de Jesus mas descarta a graça facilitada e a salvação sem mudança de vida que hoje se verifica. Aquele que perseverar até o fim será salvo, é uma advertência bem clara e fácil de entender. A nova vida em Cristo exige luta, continuidade, persistência.

2) Na Oração (Lucas 18:1)
Orações tipo fast-prayer não existem. Há ocasiões raras em que o Senhor responde de imediato, mas há muito mais situações em que somos chamados a lutar e perseverar em oração. Jesus disse que era nosso dever. Se vale a pena incomodar o Senhor com isso então vale a pena insistir, continuar, levar anos com essa questão até vê-la atendida. Precisamos de intercessores que não desistam ao fim da primeira semana. Já ouvi testemunhos de irmãos que oraram décadas por uma conversão. É desse tipo de crente que a Igreja tem falta hoje.

3) Na Obra de Deus (I Coríntios 15:58)
Texto conhecido e muito usado que nos lembra que é preciso ser perseverantes na obra. As coisas de Deus não se fazem da noite para o dia. Qualquer obreiro experiente sabe isso. Por isso Jesus disse que o que pega o arado e olha para trás não é digno dEle. Estamos hoje com uma vaga de missionários que não quer ficar mais de uns meses ou no máximo 2 anos no campo. Pastores que trocam de igreja a cada 2 ou 3 anos. Deixamos de ter a perseverança necessária para ver a obra se desenvolver como é preciso.

4) Para Reinar (II Timóteo 2:12)
Certamente queremos reinar com Cristo. Os evangelhos fáceis de hoje o prometem com muita rapidez. Mas o texto bíblico é claro. Para chegar a reinar é preciso perseverar. Sem firmeza seremos encontrados em falta e ficaremos de fora.

5) Na Fé (Tiago 1:5 a 8)
A fé precisa ser perseverante. Tiago alude aos crentes onda do mar que vivem num ciclo de maré alta, maré baixa. Crer e duvidar constante. É evidente que há um questionar próprio da vida mas para o crente a fé é essencial. Crer sem duvidar, crer de modo perseverante. Somos chamados a deixar a instabilidade.

6) Para Cumprir a Vontade de Deus (Hebreus 10:36)
Se desejamos ver a vontade do Senhor manifesta em nossas vidas então precisamos aprender a perseverança, a continuidade, a constância. Sem ela dificilmente veremos as coisas do Senhor acontecendo em nossas vidas.

Conclusão:
Muitos outros textos poderiam ser citados. Fica a mensagem clara. Perseverança é uma virtude essencial a vida cristã. Entendemos que é preciso perseverar numa dieta para se perder peso, num tratamento para ficar com saúde, num instrumento para se tocar bem, numa relação para se ter confiança... porque seria diferente na vida cristã? Certamente não. Trata-se de uma virtude esquecida em nosso mundo de coisas rápidas. Não deixemos porém de lembrá-la. Dela dependemos.

Escondido no Tempo...Deus tarda,mas não falha!?

Lembra do jogo de esconde-esconde que jogava quando criança? O objetivo era escolher um lugar onde não imaginavam que estivéssemos e ficar o mais quieto possível para não sermos encontrados. Era um jogo meio parado e que tinha muito a ver com temperamentos. Os mais afoitos não aguentavam muito tempo escondidos. Alguma vez perdeste um jogador? Sabe aquele companheiro sossegado que se escondeu e esqueceu do tempo e passada meia hora de todos terem saído do esconderijo ainda não tinha aparecido? Estava escondido no tempo. Já sentiu isso em relação a Deus? Não parece que por vezes o Senhor brinca de esconder conosco?

Em Génesis lemos sobre a criação do mundo e do homem. A Ciência tem feito muitas descobertas interessantes sobre os primórdios do planeta e até do universo. Quanto mais descobre mais relevante o relato de Génesis fica. Uma das coisas mais importantes desse relato diz respeito ao tempo. Nós medimos o tempo em dias, horas, minutos. Mas onde começou o tempo? Existiu sempre? Segundo Génesis não. Foi Deus que criou o tempo. Foi ele que separou luz e trevas, criou dia e noite e desse modo preparou o mundo para que o homem chegasse numa realidade ligada ao tempo (Génesis 1: 5). Mas ELE, Deus, ficou de fora. Não se submeteu e nem podia porque existe numa realidade fora da temporal.

Quando meditamos sobre isso muita coisa parece ficar mais clara. De repente entendemos melhor essa questão do Deus escondido.. na verdade, Ele esta escondido no tempo. Nossa noção de tempo e nossa relação com o tempo é motivo de stress acentuado, ansiedade marcada e uma das principais razões para sofrermos com os aparentes desaparecimentos de Deus. Meditemos brevemente:

1) Se Deus está fora do Tempo não pode se atrasar
Atraso é definido por alguém que chegou fora de horas, perdeu o tempo certo de chegar. Varia de cultura para cultura. No Brasil meia hora pode não ser considerado atraso, já no norte da Europa meia hora de atraso é má educação. Atraso pode ir desde desentendimento a perda de oportunidades e mesmo a fatalidades. Mas Deus vive e existe fora do tempo. Costumamos dizer que Deus tarda, mas não falha, porém, para Ele não se coloca essa questão. Não há atraso! Ele está sempre na hora certa!

Abraão certamente pensou que Deus estava atrasado no envio de seu prometido filho. Afinal, ele esperou 25 anos por Issac. Ana desesperava pela demora em engravidar. José deve ter julgado longo o tempo na prisão e Davi ficou esperando para ser rei por longos anos. O povo de Israel esperou o Messias por séculos e certamente julgou que havia muito atraso de Deus, mas Jesus veio no Kairós de Deus, no tempo exato, certo, perfeito (Gálatas 4:4). Tudo foi preparado, tudo concorreu para que Jesus viesse no momento certo da história para causar o maior impacto e permitir o maior crescimento da igreja. Deus nunca se atrasa.

Quando estamos aguardando uma bênção, esperando uma cura, desejando uma resposta, muitas vezes parece que Deus emudeceu, que esta no mínimo atrasado. Nossa noção de timing pede e por vezes exige que Ele faça as coisas não somente do nosso jeito mas no nosso tempo. Será bom lembrar no entanto que ELE é Senhor. ELE é soberano. ELE criou o tempo e nunca está atrasado.

2) Se Deus está fora do Tempo não pode se adiantar
Outra questão ligada ao tempo é a precipitação. Por vezes fazemos algo bom ou dizemos uma coisa que até era certa mas antes da hora. Faltava preparação, faltava as bases para que aquilo fosse 100% eficaz. É um defeito nosso e acontece com frequência por ansiedade ou mera pressa.

Acredito que muitas vezes os servos de Deus acharam que Ele estava se precipitando, que ainda era cedo demais para agir. Lembro de Gideão perante os midianitas, de Moisés na convocação para livrar Israel, de Filipe chamado para ir ao deserto em meio a um avivamento e uma dezena de outras ocasiões em que parecia que não era ainda tempo de agir. Parecia prudente esperar mais um pouco.

Quando o Senhor fala, quando Ele ordena, podemos ter a certeza que esta na hora. Ele nunca se adianta, nunca se precipita, nunca se sente pressionado pelo tempo ou pela expectativa. Vive fora da nossa pressão por cumprir calendário e age sempre na hora certa. Portanto, se Ele nos der uma ordem, é melhor cumprir logo.

3) Se Deus está fora do Tempo nunca está realmente ausente
A sensação de ausência de Deus é das maiores lutas do crente. Quantas vezes não percebemos sua presença, não sentimos seu consolo, não vemos sua mão. É claro que tudo isso é relativo porque se baseia em sentidos e sentimentos e sabemos o quanto falham tanto uns quanto outros. Mas na nossa limitação humana é comum essa sensação de abandono que nos leva a gritar: até quando? Por que me abandonaste?

Essa queixa é comum nos salmos, é frequente na boca de quem passou por aflição e surge até nos lábios de Jesus (Mateus 27:46). Na nossa dependência do tempo qualquer hora passada em sofrimento já é demais, qualquer dia a mais de espera já é excessivo.

A noção de ausência está ligada ao espaço mas também ao tempo. Quanto mais tempo ficamos sem ver uma pessoa, mais ausente esse alguém parece. Já diz o ditado: longe da vista, longe do coração! E á medida que os dias e semanas passam sem vermos ou sentirmos o Senhor, maior é a sensação de ausência. E aí lembramos novamente, ELE vive noutra esfera, fora do tempo. O que para nós parece um século para Ele é um minuto. Sentimos que Ele não nos toca há anos, quando na realidade dele foi a minutos.

Sei que esse raciocínio não ajuda muito quando estamos no meio da dor e do sofrimento. Também já clamei e o céu me pareceu de bronze. Também já gritei e Ele pareceu não ouvir. Mas a verdade é que foi o que me pareceu... na minha realidade... na minha limitação. ELE na verdade nunca esteve ausente, apenas não o via porque sou humano e limitado.

Conclusão:
Deus vive fora do tempo e por vezes nos vai parecer escondido nele. Mas o fato de lembramos disso nos ajuda a perceber que ELE nunca se atrasa, nunca se adianta e na verdade nunca se ausenta. E gostaria de deixar um último pensamento. Se você é daquelas pessoas que, como eu, vive apertado pelo tempo, será maravilhoso saber que um dia seremos livres disso. Um dia deixaremos esta realidade e entraremos na realidade em que Deus vive. Sairemos da realidade temporal para viver fora do tempo. Essa será uma das particularidades do céu. Que maravilha não? Sem stress, sem calendário a cumprir, sem datas limites, sem pressa ou atrasos. Será ótimo, será céu. E então nós também ficaremos, escondidos no tempo.
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