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ELE IA ADIANTE

Certa vez, na Guiné, tivemos que ir buscar lenha ao mato para que as mulheres pudessem cozinhar numa festa da igreja.  Recolher lenha não era minha especialidade, por isso limitei-me a seguir os irmãos da igreja que tinham bastante experiência nesse trabalho. O carro ficou na estrada de terra relativamente perto do local onde tirávamos a lenha, mas fora de nosso campo de visão. Três vezes peguei meu fardo de lenha e segui atrás de meu guia, chegando ao carro sem problemas. Na quarta vez achei que já sabia o suficiente para fazer o percurso sozinho e assim segui para o carro.

 À medida que andava comecei a perceber que o caminho parecia mais longo e que as vozes dos irmãos pareciam ficar mais distantes. Tentei mudar de direção e achar meu caminho, mas tudo parecia igual, por onde quer que olhasse só via arvores e caminhos semelhantes. Por fim, tive que reconhecer que estava perdido e gritei por ajuda. Fiquei chocado ao ver o quanto tinha me desviado! Afinal, era fundamental ter alguém que conhecesse bem o caminho, indo adiante de mim.
  Em Marcos 10:32 lemos que "Jesus ia adiante dos discípulos". A expressão simples indica porém muita coisa importante.

Ele ia adiante fisicamente.
Assumia assim de modo claro sua liderança. Ele era o líder e por isso tinha que ir à frente. Jesus nunca fugiu de suas responsabilidades. Ele sabia que o caminho seguia para Jerusalém e para a cruz e mesmo assim ia adiante com resolução e certeza.

Mas ele ia adiante deles intelectualmente.
Os discípulos ainda não tinham entendido que tipo de Messias era Jesus. Em suas mentes ainda esperavam um chefe político/religioso/militar que devolve-se a glória a Israel. Jesus sabia que era o Messias sofredor, o servo humilde que viera para dar sua vida em resgate de muitos. Em seu entendimento da realidade a volta deles estava muito adiante dos discípulos.

Jesus ia adiante emocionalmente também.
Os discípulos oscilavam como ondas ao vento. Por vezes estavam entusiasmados, por vezes deprimidos. Logo seriam capazes de declararem-se prontos a morrer por Cristo para depois fugirem e esconderem-se. Eles não sabiam ainda que a vida emocional tem que estar sob o controle do Espírito e por isso variavam tanto. Mas Jesus era resoluto e seguro. Não deixava de sentir e sofrer, mas não deixava que isso turvasse sua mente e sua comunhão.

 O Mestre ia adiante espiritualmente.
Sua comunhão com o Pai era perfeita. Seu tempo de comunhão era prioridade e sua disciplina o levava a estar em contato permanente com o Pai. Os discípulos ainda estavam longe de entender o que isso significava. Desejavam ter o que viam em Jesus mas não eram capazes de vigiar nem uma hora. Por isso também Jesus ia adiante e estava preparado.

Logo viria os dias terríveis de dor e morte. A crucificação e o sábado de silêncio sepulcral. Mas o domingo da ressurreição traria nova luz e as palavras dos anjos às mulheres em Marcos 16:7 eram as mesmas de antes "ele vai adiante de vós". O Cristo ressurreto continua adiante de vós e hoje está adiante de nós.

 Interessante notar que quando alguém vai adiante de nós apenas vemos suas costas. Essa experiência já era conhecida. Moisés a tivera no deserto. Em Êxodo 33:23 quando ele pediu ao Senhor para ver sua glória a resposta foi: "me verás pelas costas". O Senhor ia adiante, e seu servo o veria pelas costas.

Ele vai adiante de nós! Isso quer dizer que sabe mais, conhece tudo, não pode ser apanhado de surpresa.
Ele vai adiante para preparar o caminho, para antecipar o que é necessário, para deixar tudo pronto. Ele vai adiante o que quer dizer que quando lá chegamos Ele já lá esteve e já fez seu trabalho, já começou sua obra. E nós somos chamados a entender, a olhar e reconhecer onde Ele já agiu, o que já preparou, onde já iniciou atividade e então nos juntarmos a Ele e desfrutarmos de sua bênção. Não há necessidade de nervosismo ou stress, Ele vai adiante e já chegou!

Nesta vida há tantas coisas desconhecidas, tantos becos escuros, tantas voltas que tememos. Fica a palavra breve mas tranquilizante.
Onde vamos hoje, Ele já esteve ontem!
Pode parecer assustador,
mas concentre sua atenção
e lembre-se,
ELE vai sempre adiante!

Precisamos Comer Mais... Precisamos Comer menos...

Afinal em que ficamos? É para comer mais ou menos? Na verdade creio que como igreja precisamos das duas coisas. Comer é muito mais que um ato de sobrevivência. Desde sempre que comer é um modo de confirmar amizade, de selar pactos, de mostrar intimidade. Convidamos para comer em nossa casa apenas quem faz parte de certo círculo de amizade. Biblicamente o comer sempre foi parte dos rituais de adoração, já que o ofertante e o sacerdote comiam parte do sacrifício.

Precisamos comer mais
A Igreja nasceu em Atos com um cariz doméstico. O número de convertidos tornou-se logo tão grande que era impossível junta-los num só lugar. As reuniões aconteciam nas casas, possivelmente usando as casas maiores e/ou os que tinham dom de hospitalidade e incluíam uma refeição conjunta (Atos 2:46). Essa refeição veio a ter o nome de ágape, que é a palavra grega para amor, porque representava uma das bases para o amor comunitário na igreja primitiva.

Sabemos o quanto uma refeição conjunta pode ajudar na formação de laços de amizade e comunhão. Nossas igrejas promovem almoços comunitários exatamente por isso. Vemos claramente que durante a refeição conversamos mais, nos abrimos, falamos de coisas corriqueiras, contamos histórias familiares, compartilhamos casos e acontecimentos de nossas vidas. Quando o fazemos ficamos conhecendo melhor uns aos outros e o conhecimento é o primeiro passo para a comunhão que precisamos ter.

No entanto, apesar de sabermos isso, a verdade é que os almoços de igreja são cada vez mais raros. Acontecem uma vez por ano, se tanto, ou em festas como aniversário da igreja, quando a refeição não é de garfo e faca, mas de bolo rápido num canto do salão. As desculpas são muitas. O tempo é curto, a logística é complicada etc. Na realidade até em casa parece que juntar a família para comer é algo que vai ficando raro. Cada um come no seu horário, ou então adotamos o hábito funesto para a família, de comer em frente à TV. Matamos a comunhão!

Precisamos comer mais em família. A refeição familiar deveria ser sempre algo especial, local de falarmos das nossas coisas, de ouvirmos as questões de cada um, de darmos oportunidade para um tempo de louvor como família. Precisamos comer mais com os irmãos da igreja, convidar mais para nossas casas, fazer piqueniques, passeios, encontros onde podemos com calma falar de nossas vidas, compartilhar bênçãos e problemas. Precisamos comer mais como igreja, vencendo as dificuldades logísticas e partilhando mais refeições como comunidade. Não é a única maneira de crescermos em comunhão, mas é provavelmente a mais saborosa...

Precisamos comer Menos
Por outro lado, setores importantes da igreja moderna têm negligenciado uma arma espiritual poderosa e importante: O Jejum.
Em certos meios, a mera menção do jejum já desperta olhares atravessados. Parece que essa prática ficou conotada com extremistas radicais perigosos que devem ser evitados a todo custo. No entanto, a igreja primitiva praticava o jejum de modo prático. O Senhor Jesus ensinou claramente sobre o jejum (Mateus 6: 16 a 18) e falando de jejum deixou claro que seria algo que seus seguidores fariam (Mateus 9: 15).

O grande movimento missionário encetado pela igreja de Antioquia surgiu na sequência de um tempo de jejum (Atos 13:1 a 3).

O jejum não é algo mágico, nem é fanatismo. Trata-se de uma disciplina espiritual. Nele mostramos a importância de negar ao nosso corpo o controle da vida. Vivemos num mundo em que a carne manda, os desejos reinam, mas aprendemos na Palavra que o Espírito domina a carne e controla seus instintos, mesmo os mais naturais. No jejum desenvolvemos a arte de negar os desejos e isso nos faz amadurecer. Ao fortalecermos o Espírito aprendemos a dar a vida o foco bíblico que o Senhor deseja.

No jejum consagramos tempo para o Senhor em oração específica. Demonstramos a importância dos assuntos levados em oração na medida em que até a atividade básica de comer deixamos de lado para nos dedicarmos a oração. É um ato de sacrifício vivo que pode agradar a Deus quando feito no intuito e no espírito certos. Lembremos que os muçulmanos conhecem e praticam um jejum rigoroso durante um mês a cada ano e quem já viveu ou vive entre eles sabe o que isso representa a nível espiritual.

O jejum pode levar a orgulho espiritual talvez mais facilmente do que outras disciplinas. Era o caso dos fariseus, duramente criticados por Jesus. Mas não deveria ser isso a nos dissuadir de o praticar. Antes, cientes dessa possibilidade, blindamos nossos corações e almas e deixamos que o Espírito faça a obra em nós. Até do ponto de vista físico essa pratica será bênção, pois a medicina sabe que um período regular de jejum  liberta-nos de várias toxinas.

Podemos praticar o jejum de várias formas: deixando de comer e beber por 12 horas,  24 horas ou nos abstendo de comidas sólidas por 1 ou mais dias. O importante é separar o tempo que seria dedicado as refeições para orar e buscar a face do Senhor e não nos vangloriarmos disso para não cairmos no erro condenado por Jesus. O certo é que essa prática é cristã e faz falta na igreja de hoje.

Precisamos comer menos...

Aplicação: Se foi tocado por esta reflexão então tome medidas práticas para vivencia-las. Estabeleça como meta ter pelo menos uma refeição diária em família, onde poderá melhorar a comunhão interna, decida convidar alguém da igreja para comer com você e sua família uma vez por mês. Se tem possibilidade de influenciar sua  igreja, então motive sua comunidade a fazer refeições em comum. Quem sabe algo do tipo amigo secreto, almoço mensal ou outro método que melhor se adapte à sua igreja. Lembre-se: Precisamos comer mais!

Se entende que o jejum é algo que deve passar a fazer parte da sua armadura espiritual então marque um dia por mês para fazê-lo. Comece suavemente. No dia anterior jante normalmente e no dia estabelecido não tome nada de manhã e não almoce. Beba água ou um sumo de frutas se ficar com baixa de açúcar. Separe tempo para orar e escolha um tema especial, algo importante para interceder. Quebre o jejum no jantar consagrando a Deus esse dia diferente. Mas comece logo! E lembre-se: precisamos comer menos.
Que o Senhor nos abençoe.
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