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O Valor da nossa Participação



Eurico aceitou a fé em Jesus cedo na vida e participou fielmente da vida de sua igreja por muitos anos antes de adoecer. Ele achava que sua participação na igreja era fraca. Não tinha dons vistosos. Não tinha jeito para falar em público, não era capaz de dar uma aula de EBD ou pregar, seu temperamento introvertido o mantinha no seu cantinho. Mas orava diariamente, contribuía com alegria e sentia as dores dos irmãos e amigos sendo um ouvinte carinhoso e um conselheiro dotado. Finalmente seu dia chegou e o Senhor o chamou à Glória.
Chegando ao céu Eurico foi guiado por um anjo pelos caminhos da Glória e notou que havia muita gente ali. Reconheceu o irmão Joaquim que falecera há alguns anos e este o abordou com um sorriso alegra:
“Que bom vê-lo Eurico, que satisfação. Queria dizer o quanto sou grato por tudo que fez por mim, por seu amor, por seu carinho, por seu apoio. O irmão foi fundamental em minha vida cristã”.
E Joaquim se afastou ainda sorrindo e Eurico lembrou dele. Tudo que fizera fora ouvi-lo em horas de aflição, dá-lhe um abraço silencioso após os cultos, se dispor a levá-lo às consultas e comprar um ou outro medicamento.
Não fora tanto assim, mas nem deu para pensar muito, pois logo um irmão asiático o abordou: 
“Irmão Eurico que prazer vê-lo. Queria tanto agradecer por sua ajuda. Foi por sua participação também que estou aqui no céu”. 
Eurico ficou confuso: 
“ Desculpe irmão, deve haver confusão, nunca saí de Portugal, nunca fui a sua terra, como posso ser responsável por sua salvação?” 
O irmão sorriu: 
“Mas sua contribuição sustentou o missionário que me falou de Jesus” disse com os olhos a brilhar, de outro modo ele não poderia ter chegado a minha aldeia”. 
E Eurico lembrou que mensalmente mandava 10 euros para o missionário na Indonésia. E quando ia mencionar que sua oferta era tão pequena outra pessoa se aproximou:
“Irmão Eurico, que maravilha que já chegou. Queria mesmo lhe agradecer por sua parte na minha vida e na minha salvação”. 
Voltando-se Eurico viu uma senhora com ar feliz. Diante de seu ar confuso ela acrescentou: “Lembra-se do Tiago? Lembra-se de ele pedir oração pela tia dele, a Maria de Fátima? Pois suas orações foram fundamentais para minha conversão. Que o Senhor o recompense” 
e a mulher seguiu deixando Eurico embaraçado.
“Se eu soubesse” pensou ele consigo mesmo “Se eu soubesse que minha oração e oferta podia fazer tanto teria orado mais e dado mais e ouvido mais, e abraçado mais, mas ainda bem pelo que pude fazer…”

A narração pode ser imaginada. E pode parecer demasiado optimista, mas foi o Mestre que disse: 
“Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” Mateus 25:40. 
Até um copo de água em nome do Senhor será valorizado se feito em amor e para Deus sem ostentação humana. 
Posso ter muitas limitações, mas minha oração chega a qualquer lugar do mundo, minha oferta é multiplicada pelo Senhor de toda Glória, minha palavra e meu gesto de carinho são usados pelo Espírito Santo para abençoar, esse é o valor da minha participação! 


Por que dou o dízimo?

"Dar o dízimo é coisa do Antigo Testamento" diz um irmão com o rosto vermelho de convicção. "Dar o dízimo é a maneira certa de garantir a prosperidade" diz outro pregador prometendo o céu na terra. "Deixar de dar o dízimo é roubar a Deus" assevera um terceiro. "O que os pastores querem é o nosso dinheiro" reclama ainda outro cheio de indignação. Parece que este assunto é "quente" no meio evangélico atual.

Na verdade, as várias posições sobre o dízimo são todas passiveis de defesa com a Bíblia na mão. Tanto o que prega o dízimo como o que o combate pode usar base bíblica. Mas as mais diversas heresias têm feito o mesmo, sem surpresa, porque as interpretações variam e o uso indiscriminado da Palavra é antigo. Afinal, em que ficamos? Damos ou não o dízimo? E se o damos, porque o fazemos? Pretendo deixar aqui as minhas razões para dar o dízimo, mas antes vamos esclarecer algumas questões.

O dízimo não é instituição cristã. Sua primeira utilização bíblica é tão antiga quanto Abraão que deu o dízimo a Melquisedeque (Gênesis 14:20). Abraão era um forasteiro da Mesopotâmia dando a décima parte de seus ganhos a um rei-sacerdote cananeu de quem sabemos pouquíssimo. Pelo menos desde então e em meios que não eram nem cristãos, nem judeus, já se usava essa prática.

A prática tornou-se tradição entre o povo de Israel de tal modo que o Senhor considerava roubo a não aplicação do dízimo nas palavras bem conhecidas do profeta Malaquias (3:8 e 9). No tempo de Jesus o dízimo era comum e certamente tanto ele como seus discípulos acatavam esse principio. A única referência de Jesus ao dízimo não foi a condená-lo, mas a repreender a forma como os fariseus o praticavam (Mateus 23:23). Ora Jesus condenou os fariseus por sua forma de orar e de jejuar e ninguém entende disso que o cristão deva abster-se de orar e jejuar. Porque então interpretam erradamente a menção ao dízimo? Jesus não o aboliu, antes corrigiu a maneira de ser aplicado.

No restante do NT não há menção ao dízimo. Muitos tomam isso como uma desculpa para o abandonarem. Afinal não há menção clara do uso dele na igreja primitiva. Podemos então riscá-lo? A esses eu sugeriria então que praticassem o que o texto deixa claro sobre as ofertas na igreja primitiva em Atos 2:45 e 4:32. Ao que parece em Jerusalém não se usava o dízimo. Ninguém dava 10%, davam 100%, davam tudo. Vamos aplicar isso a nossas igrejas hoje?

Permitam-me então enumerar as razões pelas quais dou o meu dízimo:

1) Dou o dízimo porque é parte do meu louvor e da minha gratidão a Deus pela saúde, pelo trabalho e sustento. Creio que tudo vem de Deus e não fazemos mais que devolver a ELE em gratidão e em atitude de louvor a décima parte.

2) Dou o dízimo porque é meu modo de trabalhar para o suprimento da obra de Deus. A Igreja de Jesus não é uma organização com fins lucrativos, não é um clube com cotas e nem uma empresa com fonte de rendimento seguro. Seu trabalho, no entanto exige recursos e creio que somos nós os salvos que temos o privilégio de sustentar essa obra.

3) Dou o dízimo porque é uma forma equitativa de contribuição. Na igreja de Jesus que utiliza esta forma de contribuição ninguém pode levantar e dar ordens aos demais baseado na quantia que oferta. Os ricos não têm direito de mandar porque tem mais. Todos dão igualmente 10% do que recebem, logo, todos dão de modo equitativa e todos tem igual direito.

4) Dou o dízimo porque por meio dele me junto a meus irmãos e posso abençoar outros de um modo que sozinho não poderia. Só, meus recursos são escassos, Juntos sustentamos missões, ajudamos os carentes, construímos templos etc.

5) Dou o dízimo porque ao fazê-lo estou investindo da melhor maneira possível. Todo investimento se mede pelos lucros e pela durabilidade. O investimento na obra de Deus é eterno. Invisto no céu e esse investimento dá dividendos que não acabam. Poderia haver melhor modo de empregar meus recursos?

6) Dou o dízimo porque isso fortalece a minha fé. A vida é difícil para todos e não tenho necessariamente muito mais que outros. Quando faço as contas vejo que provavelmente teria onde gastar os 100% do que ganho. Ao limitar meu orçamento a 90% confio que o Senhor vai prover e nada faltará. É incrível ver como Deus faz com 90% mais do eu faria com 100% e assim cresço na confiança na provisão Divina.

7) Dou o dízimo porque isso desenvolve a arte de dar e quebra a minha dependência das coisas materiais. Poucas ilusões são tão passageiras quanto à provocada pelas coisas que adquirimos. Num momento parecem excelentes e resolver nossas vidas e no outro já nem lembramos porque as compramos. Dizimar é um modo de ir me disciplinando contra essa dependência.

8) Dou o dízimo porque a Palavra de Deus é clara quanto ao modo como o Senhor nos abençoa. Há promessas bíblicas que são condicionais e uma delas esta ligada ao dízimo como vemos em Malaquias 3:10. Quero estar habilitado a fazer prova de Deus. Quero estar habilitado a ver os céus se abrirem sobre minha vida, então procuro cumprir a condição que o Senhor estabeleceu.

Quero terminar deixando claro que o dízimo não é tudo o que o crente deve dar à causa do Mestre, é o mínimo. O dízimo para mim é dívida. O mais devo dar conforme minhas possibilidades e em alegria.
Afinal há muitas razões para contribuir.
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