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Vencendo a Depressão – Vida e Obra de Adoniran Judson


Ele estava deprimido! Mas não era uma simples depressão. Era uma depressão profunda, num momento em que não havia antidepressivos e ninguém sequer sabia o que eram depressões. Sua tristeza era tão profunda que ele cavou uma cova para si no interior da floresta infestada de animais selvagens, entre os quais Tigres, e sentou-se a beira dela dias a fio olhando o vazio à espera de morrer. Essa pessoa de quem falamos é, no entanto, um dos missionários mais reverenciados da história. Como é possível? Como foi possível ele vencer uma tão profunda depressão?

A depressão deixou de ser um assunto tabu do qual não se falava. Hoje a OMS a reconhece como a doença do século XXI e os números falam de até 340 milhões de pessoas sofrendo no mundo. A população portuguesa teria até 20% de afetados por depressão. Os medicamentos antidepressivos sãos dos mais vendidos no mundo, e a pesquisa procura novas drogas para mitigarem essa dor. Alguns sintomas são:
  • ·         Desânimo persistente
  • ·         Falta de energia e cansaço crônico
  • ·         Desinteresse pelas coisas
  • ·         Incapacidade de experimentar prazer
  • ·         Tristeza profunda por vezes inexplicável
  • ·         Falta de capacidade para trabalhar
  • ·         Limitação da função mental
  • ·         Alteração do apetite e sono
  • ·         Baixa auto estima
  • ·         Pessimismo intenso
  • ·         Retraimento social
  • ·         Choro fácil

Muitos doentes deprimidos não sabem o que tem. Muitos chegam a se fazer mal por não entenderem que precisam de tratamento e a depressão tem a tendência de se alimentar de si mesma, ou seja, o deprimido acaba por “gostar” de se sentir miserável e alimenta este estado resistindo a tentativas de ajuda. Mas não se trata de algo novo. A Bíblia nos fala de muitos exemplos de depressão como o de Moisés diante da maldade do povo ou de Elias quando Jezabel tenta matá-lo. Vejamos um desses em I Samuel 30:

“Sucedeu, pois, que, chegando Davi e os seus homens ao terceiro dia a Ziclague, já os amalequitas tinham invadido o sul, e Ziclague, e tinham ferido a Ziclague e a tinham queimado a fogo. E tinham levado cativas as mulheres, e todos os que estavam nela, tanto pequenos como grandes; a ninguém, porém, mataram, tão-somente os levaram consigo, e foram o seu caminho. E Davi e os seus homens chegaram à cidade e eis que estava queimada a fogo, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas tinham sido levados cativos. Então Davi e o povo que se achava com ele alçaram a sua voz, e choraram, até que neles não houve mais forças para chorar. Também as duas mulheres de Davi foram levadas cativas; Ainoã, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita. E Davi muito se angustiou, porque o povo falava de apedrejá-lo, porque a alma de todo o povo estava em amargura, cada um por causa dos seus filhos e das suas filhas; todavia Davi se fortaleceu no SENHOR seu Deus.” 1 Samuel 30:1-6

Davi já andava a tentar viver longe do perigo de Saul há anos. Finalmente as coisas pareciam estar a melhorar. Um dos príncipes filisteus lhe dera uma cidade, Ziclague, e ali Davi e seus homens podiam criar suas famílias em paz e pensar num futuro mais calmo. E eis que quando tudo parecia se acertar, o pior acontece. Enquanto Davi servia ao rei filisteu os amalequitas deram sobre a cidade e destruíram os sonhos de paz e prosperidade levando as esposas e filhos como escravos. Davi chorou mas ainda mais quando ouviu o povo o culpando e seus próprios homens colocando a responsabilidade sobre ele. A vida pareceu parar. Nada mais fazia sentido. Sua angústia foi profunda, total, ele quase se entregou.

A depressão é assim. Pinta o quadro mais negro possível, esconde qualquer chance de futuro, Rouba toda a alegria e satisfação, seca toda fonte de prazer, faz de todos os demais inimigos, torna todas as palavras em acusações, faz de todos os esforços tolices e se compraz em nos dizer que não há nada a fazer. Mas Davi saíu da depressão. Como ? Vejamos o texto:

“…Todavia Davi se fortaleceu no SENHOR seu Deus.E disse Davi a Abiatar, o sacerdote, filho de Aimeleque: Traze-me, peço-te, aqui o éfode. E Abiatar trouxe o éfode a Davi. Então consultou Davi ao SENHOR, dizendo: Perseguirei eu a esta tropa? Alcançá-la-ei? E lhe disse: Persegue-a, porque decerto a alcançarás e tudo libertarás. Partiu, pois, Davi, ele e os seiscentos homens que com ele se achavam, e chegaram ao ribeiro de Besor, onde pararam os que ficaram atrás. E perseguiu-os Davi, ele e os quatrocentos homens, pois que duzentos homens ficaram, por não poderem, de cansados que estavam, passar o ribeiro de Besor. E acharam no campo um homem egípcio, e o trouxeram a Davi; deram-lhe pão, e comeu, e deram-lhe a beber água. Deram-lhe também um pedaço de massa de figos secos e dois cachos de passas, e comeu, e voltou-lhe o seu espírito, porque havia três dias e três noites que não tinha comido pão nem bebido água. Então Davi lhe disse: De quem és tu, e de onde és? E disse o moço egípcio: Sou servo de um homem amalequita, e meu senhor me deixou, porque adoeci há três dias. Nós invadimos o lado do sul dos queretitas, e o lado de Judá, e o lado do sul de Calebe, e pusemos fogo a Ziclague.E disse-lhe Davi: Poderias, descendo, guiar-me a essa tropa? E disse-lhe: Por Deus jura-me que não me matarás, nem me entregarás na mão de meu senhor, e, descendo, te guiarei a essa tropa. E, descendo, o guiou e eis que estavam espalhados sobre a face de toda a terra, comendo, e bebendo, e dançando, por todo aquele grande despojo que tomaram da terra dos filisteus e da terra de Judá. E feriu-os Davi, desde o crepúsculo até à tarde do dia seguinte; nenhum deles escapou, senão só quatrocentos moços que, montados sobre camelos, fugiram. Assim salvou Davi tudo quanto tomaram os amalequitas; também às suas duas mulheres salvou Davi. E ninguém lhes faltou, desde o menor até ao maior, e até os filhos e as filhas; e também desde o despojo até tudo quanto lhes tinham tomado, tudo Davi tornou a trazer. Também tomou Davi todas as ovelhas e vacas, e levavam-nas adiante do outro gado, e diziam: Este é o despojo de Davi.” 1 Samuel 30:6-20

Há alguns passos que Davi deu que nos levam a perceber o caminho da vitória:

Buscou o Senhor. Por isso ele será lembrado como o homem segundo o coração de Deus. O único que pode nos dar força para vencer algo que nós não conseguimos é o nosso Deus.
·   Consultou a palavra de Deus por meio de seu servo. Nós temos vantagem em relação a Davi na medida em que temos a revelação escrita ao nosso alcance e podemos fazer uso dela quando quisermos
·  Agiu de acordo com a orientação. Davi não ficou sentado a chorar suas mágoas. Chorar nunca resolveu o problema de ninguém. Sem ação não há depressão que se vença. Sem iniciativa na força de Deus ninguém sai do buraco.
·  Fez o que estava ao seu alcance que era correr atrás do prejuízo. No seu caso era perseguir os amalequitas mesmo sem saber bem para onde iam (lembre-se que eram nómades habitantes do deserto). Não seria fácil acha-los mas era o que tinha que fazer. Ele saiu para tentar. 
   Pegou a primeira oportunidade que surgiu. Aquele moribundo não parecia grande coisa mas era o que havia no caminho para usar e acabou sendo a solução do problema dele e a orientação
· Enfrentou o inimigo de cara e lhe tirou o que era seu, sua família, sua fonte de alegria e prazer no mundo e sua satisfação.


A depressão pode nos rondar e mesmo nos pegar, mas temos algo que os demais não têm que é nosso acesso a Deus e sua força. Adoniran Judson é um bom exemplo disso. Ele nasceu Malden, Masschussets nos EUA em 1788 filho de um pastor congregacional. Aluno brilhante entrou na faculdade aos 16 anos e completou em 3 anos um curso de 4 sendo o melhor aluno da turma. Depois de algumas tentativas inglórias de ser escritor foi realmente tomado pelo evangelho e pelo fervor missionário. Fez parte do primeiro grupo de 5 missionários americanos ao estrangeiro numa época em que a Inglaterra detinha a liderança no envio de obreiros.

Adoniran, já casado com Ana, seguiram para a Índia mas não permaneceram ali por razões políticas e d pois de 1 ano estavam na Birmânia, país budista, fechado ao evangelho onde se viram os únicos missionários ocidentais. Estudar a língua era muito difícil. Perderam seu primeiro filhinho para a malária e eles mesmos ficavam doentes com frequência. Então veio a guerra entre a Inglaterra e a Birmânia. Adoniran apesar de ser americano foi preso e assi permaneceu por 21 meses. Nesse período as condições eram terríveis. A prisão não tinha quaisquer condições e as visitas de Ana eram esporádicas e complicadas até porque ela estava grávida de Maria sua 2ª filha. Quando depois de muito sofrimento e dor Adoniran foi libertado perdeu a esposa e a filha em poucos meses. Tentou se afogar no trabalho mas acabou em depressão profunda e sem aparente saída.

Os relatos que temos da depressão de Judson são impressionantes. Ele fechou o mundo fora de sua vida e esteve perto do suicídio. Foi a lembrança da língua birmanesa e o desejo de terminar a tradução da Bíblia que o levaram a sair do buraco. Num ritmo de 30 versos por dia ele traduzia direto do hebraico para o birmanês. Passou a participar do ministério de outros missionários e a viajar bastante. A Igreja que fundou nunca chegou a prosperar. O máximo que chegou a ter foi 18 membros. Ele ainda casou-se  e enviuvou, casando uma 3ª vez e viveu até 1850, quando passou à Glória numa viagem pelo golfo de Bengala. O evangelho entre a tribo Karen a quem ele se dedicou representa hoje mais de 50% da população.



Terminando Bem : "Combati o bom combate"


Com triste regularidade ouvimos o comentário: “e ele tinha tido um ministério tão bom... tinha começado tão bem”. Parece que na vida ministerial é bem mais fácil começar bem do que terminar bem. Porque será que obreiros que foram uma bênção tão grande em seu trabalho têm dificuldade na hora da saída? Porque tantos obreiros se arrastam para além do tempo que deviam? Isso é verdade em várias áreas ministeriais e em missões também.
A obra missionária por definição é acabável! Um dia o missionário segue em frente se quiser continuar sendo missionário (Paulo será provavelmente o nosso exemplo clássico). E porque há missionários que não saem? Há vários motivos:
·       Medo de regressar a seu país depois de muitos anos fora sabendo que dificilmente encontrará lugar para atuar

·       Dependência financeira da instituição em que serve e o receio de não ter sustento se sair

·       Zelo excessivo pelo que conseguiu, por vezes um trabalho pioneiro, onde há medo de deixar para outros que terão o mesmo amor ou a mesma dedicação e não farão do jeito certo

·       Visão pastoral, o missionário passou a ser pastor e nesse caso o trabalho nunca acaba

·       Falta de visão nova e de novos desafios que permitem que murche onde está

·       Por vezes há simplesmente uma adaptação tal ao campo que não faz sentido deixar essa nova pátria para voltar a seu país de origem.

Mas aqui não queríamos tratar apenas da saída do missionário, mas da saída ministerial, do completar da obra, seja num certo lugar seja na vida ministerial. Levar o chamado até o fim e poder dizer como Paulo que acabei a carreira e guardei a fé. Olhemos para alguns exemplos de reis no AT que começaram bem mas terminaram mal e tiremos lições disso:

          Saul (Desobediência)
Saul foi o primeiro rei de Israel. Escolhido em tempos de crise e numa hora de aflição. Encaixava perfeitamente na visão que o povo tinha de um rei. Era alto, bonito, poderoso e começou de modo exemplar. Foi cheio do ES e derrotou os amonitas de modo cabal evitando ainda vinganças excessivas que teriam manchado o início de seu reinado. Tinha ainda a grande vantagem de ter o sábio Samuel como conselheiro particular. Mas a verdade é que poucos se lembram de tão belo início tão desastroso foi seu fim. Porque terminou mal?
No caso de Saul a falha foi simples e clara desobediência. I Samuel 15:3 contêm uma ordem clara e específica. Saul inventou, quis “melhorar” a ordem de Deus e caiu da graça perdendo a presença do ES (16:14). No resto de seu reinado há uma sucessão de tolices, invejas, temperamento descontrolado, violência e precipitações que culminam com a consulta de uma feiticeira e um suicídio triste, mas o começo do declínio foi a desobediência.
O Senhor fala. Ele fala claramente. Ele chama, orienta e designa. Nosso chamado é para obedecer e não discutir ou embelezar ou tentar inventar ou melhorar. Gaste tempo ouvindo. Identifique claramente o que Deus lhe pede e obedeça e não correrá o risco de terminar mal.

          Salomão (Métodos e Alianças Humanos)
Quem começou melhor que Salomão? Força e Poder, Riqueza e estabilidade. Recebe a pergunta e a oportunidade que fazem os mitos e as lendas. Ele viveu o sonho da lâmpada de Aladin, na versão perfeita. E passou no teste. Além de tudo o mais que recebeu teve a dádiva de uma sabedoria única. Construiu o templo, expandiu o império, fortaleceu seu povo, levou Israel ao apogeu. Mas na sua morte deixou um povo amargurado, revoltado, dividido e pronto para a separação que seria a semente do exílio. O próprio Senhor se voltou contra ele e anunciou o desastre (I Reis 11). Como foi possível cair tanto?
No caso de Salomão, apesar de toda a sua sabedoria, a queda veio pela utilização de métodos e alianças mundanos. Ele quis seguir os costumes da época e dos povos, casamentos políticos com princesas estrangeiras e a aceitação de suas respectivas práticas religiosas. Essa era a prática de então, era o método mundano. Era assim que se comportavam os reis poderosos do oriente e Salomão aceitou as alianças, entrou de cabeça no método e trouxe para Jerusalém todo tipo de abominação cultual de seu tempo. Permitiu e participou de sacrifícios demoníacos trazendo maldição a sua vida, família e a seu povo e a terra.
Não podemos fazer a obra de Deus com os métodos do mundo. Hoje há muita pressão para o uso do marketing, da psicologia de manipulação de massas, da administração de empresas, publicidade e gestão, no trabalho de Deus. Encontraremos autores devotos sugerindo a adaptação de muita coisa do mundo e nesses escritos domina o pragmatismo, ou seja, a coisa funciona. Logo, se funciona vamos usar...Pode até “funcionar”, mas não é sabedoria de Deus e o levará ao buraco mais cedo ou mais tarde. Não podemos começar na força e sabedoria do ES e depois seguir nas pegadas do mundo e achar que tudo dará certo. Com Salomão não deu.
        Asa (Saúde)

Asa é um rei pouco falado, mas seu reinado começou com um desafio tremendo vindo da Etiópia (II Cro. 14). Asa foi fiel e buscou ao Senhor obtendo uma vitória marcante. De seguida fez uma reforma religiosa memorável em Judá (II Cro. 15) e foi muito abençoado por isso. No fim do seu reinado porém vai fazer aliança com a Síria usando os tesouros do templo recebendo uma repreensão dura do profeta Hanani e perdendo a confiança.
A falha de Asa teve a ver com problemas físicos. Ele ficou doente e em vez de buscar ao Senhor confiou nos médicos e acabou perdendo a sua fé. Ele se deixou encher pelo medo diante da fraqueza física e acabou levando seu reino para uma situação de vassalagem a Síria.
A doença é sempre um desafio. A doença debilitante e a idade avançada podem trazer ao obreiro uma sensação de fraqueza e incapacidade que pode ser usada pelo inimigo para deprimir e trazer amargura. A Tentação para ficar vivendo no passado, nas glórias do ministério anterior, podem fazer desse servo um estorvo em vez de uma bênção. É preciso caráter firmado em Deus para enfrentar mesmo essa fase com alegria e a paz de Cristo. Mas isso é possível e temos visto testemunho de crentes que avançam até o fim da vida de modo alegre e resoluto não deixando de dar graças e servindo de inspiração mesmo na doença ou na velhice.
          Uzias (Orgulho)
Este rei teve o reinado mais longo (52 anos) e de uma prosperidade notável devolvendo a Judá uma riqueza que só fora vivida com Salomão. Será o último rei a ter esse sucesso. Durante a vida de seu maior conselheiro, Zacarias, Uzias foi um rei sábio e excelente administrador levando a terra a se tornar forte e bem gerida (II Cro 26). No entanto ele vai terminar seus dias, isolado da família e amigos, vivendo em total sofrimento devido a lepra. Sua morte marcará uma crise nacional profunda e o inicio do fim de Judá e foi um momento marcante para a vida de Isaías. Como caiu assim?
No caso de Uzias foi o velho e conhecido orgulho. Ele se deixou encher de orgulho por causa do sucesso de seu reinado e resolveu fazer o que não era de sua conta. Quis oferecer incenso no altar (II Cro 26:16) uma prerrogativa dos sacerdotes, e foi atacado por Deus com lepra como punição. Uzias desrespeitou os limites do seu chamado e de seu ministério e isso lhe custou muito caro.
Há líderes que prosperam de modo marcante e vêm seu trabalho abençoado com uma frutificação que não é normal. Por vezes se enchem de orgulho com isso e esquecem seu chamado. Passam a achar que podem fazer de tudo com sucesso e abraçam áreas de ministração que não suas (politica, assistência social, empresas e outras). Na grande maioria dos casos o orgulho se mostra fatal para o ministério. A humildade é sempre o caminho do servo.
          Josias (Guerra errada)
O último bom rei de Israel. Reinou ainda criança, presidiu a uma reforma religiosa baseada na descoberta dos livros da lei que deu a Judá um fôlego de sobrevivência que já parecia impossível (II Cro 34). Foi inspiração para homens como Jeremias e talvez Daniel. A Páscoa que ele dirigiu em Jerusalém foi tal como não se via desde os tempos de Samuel. Seu coração humilde e sua determinação de fazer a vontade de Deus lhe valeram bons anos de paz e bênção.
Mas Josias se envolveu na guerra errada. Não sabemos se ele tinha alguma aliança com o rei da Assíria, mas verdade é que o Faraó Neco se levantou contra a Assíria. Ele ainda mandou mensagem a Josias para que não lutasse (II Cro 35) mas Josias foi teimoso e insistiu. Foi morto e com ele terminou a pequena chance que Judá ainda tinha de sobreviver. Essa guerra não era dele. Não fora chamado a ela, foi avisado para não se envolver, mas não soube ler os sinais e perdeu a vida numa luta que nem era sua.
Há líderes que resolvem usar seus ministérios para lutas que não são suas, que não são o chamado da igreja e se perdem e aos seus nessas lutas. Alguns usam seus púlpitos e trabalho para combater o catolicismo, a maçonaria, a disney ou alguma posição politica. Outros se envolvem em ministérios variados mas que fogem daquilo que a palavra nos mostra como a função principal do pastorado ou do ministério (palavra, oração e aconselhamento/discipulado). Não estamos com isso dizendo que temos que temer ou fugir de guerras ou lutas e nem que devemos aceitar passivamente os erros que encontramos. O que lamentamos é a falta de discernimento que faz de um ministério toda uma plataforma de luta por algo que não é o verdadeiro chamado do Senhor. No caso de Josias foi fatal. Em outros também tem sido.

Lembremos a importância de planear até mesmo a saída do ministério levando em consideração estes pontos essenciais:
·       Defina seu chamado

·       Persevere em obediência nas áreas em que foi chamado

·       Use os métodos de Deus e não do mundo

·       Esteja atento ao orgulho

·       Cuide de sua saúde, mas se adoecer confie no Senhor

·       Discirna o tempo de sair ou de mudar

·       Confie ousadamente em Deus para as mudanças

·       Ore pela bênção de terminar bem

 

NEM SEMPRE SERÁ PARA O LUGAR QUE EU QUISER...

Hudson Taylor
Nem sempre será pra o lugar que eu quiser
que o Mestre me vai enviar.
É tão grande a seara, já pronta a colher,
na qual eu irei trabalhar.
E se, por caminhos que nunca segui,
a Tua chamada eu ouvir,
feliz certo irei, dirigido por Ti,
a Tua vontade cumprir.

No século 19 vimos uma verdadeira corrida das missões com o objetivo de conquistar o mundo para Cristo. É certo que muito deste esforço missionário estava ligado à colonização e à civilização dos povos.  Porém, o que mais me admira é a disposição que os vocacionados mostravam em ir aos lugares mais distantes da terra para levar a Palavra de Deus.  Milhares de missionários morreram nos seus dois primeiros anos de campo, por doenças como malária, febre tifóide e outras complicações.  Outros foram mortos enquanto tentavam contato com tribos perdidas, que nunca haviam visto um homem branco.  Esses sacrifícios estão registrados e nos emocionamos a ver estes relatos.

É neste contexto que Mary Brown  e Charles Prior escrevem a letra deste belo hino, 482 do HCC  que tem o título " Eu quero fazer o que queres, Senhor". 

Mary Slessor
Um contexto de entrega, de submissão à vontade do Pai sem questionamentos.  Infelizmente, hoje  em dia, vemos alguns interessados em missões e em muitas outras coisas:  em conforto, em doutorados, em viagens, em garantir seu pé-de-meia.  Não digo que estas coisas por si só são más.  Todos desejam ter um bom futuro e melhor qualidade de vida.  Mas, às vezes, tenho saudades do espírito missionário dos séculos passados, onde não se poupavam sacrifícios para alcançar um povo.

Se o missionário para ir ao campo precisa ter uma casa com todos os recursos, internet, TV à cabo, ar-condicionado e todos os aparelhos possíveis, juntamente com o carro do ano, será muito difícil que ele vá aos lugares onde realmente o povo precisa ser alcançado.  E não precisamos ir muito longe.  Quantos pastores querem trabalhar no sertão nordestino? Quantos estão dispostos a trabalhar com tribos indígenas? Quantos se dispôem a viver sem água canalizada e sem eletricidade constante, seja no Brasil ou num país africano?

Mas, hoje quero me alegrar com aqueles missionários que, inspirados nos missionários do passado, sacrificam-se diáriamente para ganhar almas para Jesus, mesmo que sejam poucas.  Lugares como o Leste Europeu, onde tudo é muito complicado de se conseguir, missionários seguem trabalhando arduamente para verem poucos resultados, mas duradouros. 

Vejo missionários nos países do Norte da África e do mundo muçulmano, que testemunham secretamente e presenciam decisões  que não podem partilhar com o mundo, pois este decidido correria risco de vida.  Que suportam temperaturas de até 50 graus, muitas vezes sem eletricidade para o ventilador nem água canalizada.  Vão buscá-la ao poço como toda a aldeia.

Vejo missionários que persistem anos para aprenderem uma língua, a língua do coração do povo, que abdicaram de férias e viagens para doutrinar e preparar a igreja nascente.  Que sofrem as dores de parto a cada novo convertido e se solidarizam com a perseguição que estes suportam por confrontarem seus parentes com sua nova vida em Cristo. 

A estes missionários eu louvo, eu abençoo e por estes eu intercedo.  Continuemos a rogar ao Senhor da Seara que nos envie os ceifeiros, dispostos a irem aos lugares que o Senhor mandar, pois nem sempre irão para o lugar que gostariam, mas estarão nas mãos do Senhor de Missões.

Autoria:  Ida Venturini de Souza
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