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Um Travesseiro de Pedra

Dormir é importante e creio que você já sabe. Para dormir bem há vários requisitos. Deve evitar muita agitação antes de ir dormir, deve fazer refeições leves a noite, deve deixar de pensar em problemas... e convêm ter um bom travesseiro. Não sei o que é um bom travesseiro para você. Há pessoas que gostam de travesseiros altos, outras preferem os baixos, macios, mais duros, com certos tipos de material como pena de ganso, etc. Mas, acho que todos concordaremos que uma pedra não será um bom travesseiro! 

Em Gênesis 28:11 lemos que Jacó depois de deixar a casa de seu pai, rumou em direção a leste, dormiu ao relento e usou uma pedra por travesseiro. Não admira que tenha tido uma noite agitada e acordasse para lá de assustado. Pedras não dão bons travesseiros e Jacó estava nessa situação por sua própria conta. Era um homem que desconhecia Deus, toda sua vida agira de acordo com esquemas e trapaças e nunca se preocupara em colocar o Senhor em sua agenda. Resultado: dormia ao relento com uma pedra por travesseiro.
Primeiro Jacó fugira daquilo que se esperava dele. Em vez de ser homem do campo, afoito e corajoso, destemido na caça e nas lutas familiares preparando-se para a chefia do clã, preferia ficar pelas tendas da familia aprendendo a cozinhar com Rebeca sua mãe. Depois esperara a oportunidade para ficar com a primogenitura do irmão. Quando lemos o episódio em que Esaú vende sua primogenitura (Gênesis 25: 27 a 34) fica evidente que tudo foi arquitetado. Não aconteceu por acaso. Jacó conhecia seu irmão e planejou as coisas. Esperou o momento certo, armou o palco e fechou a cilada.

Por fim, veio todo o esquema levado a cabo para conseguir receber a benção de seu pai, Isaque. Jacó faz uso de artimanhas, explora a cegueira do pai e rouba a benção de Esaú. Esse era seu perfil, um sujeito ardiloso e cheio de artificios. Mas, o que isso lhe valeu? Ter que fugir de casa. Sair meio sem saber para onde ía. Logo ele que tanto gostava de ficar junto das tendas familiares e da mãe protetora. Teve que sair pelo mundo, sem rumo certo, sem saber bem onde ficar e sem ter consciência de que o próprio Deus, Criador da terra e céu estava todo o tempo junto a ele (Gênesis 28:16). É isso que deu viver de esquemas. Estava só, dormindo na rua, com uma pedra por travesseiro.

O homem em geral gosta de levar vantagem. Amamos furar fila, ultrapassar os outros antes do sinal fechar num cruzamento, receber o primeiro pedaço do bolo e a última fatia da torta. Alguns são mesmo especialistas nisso. Em certos países já não vemos a meritocracia, mas sim a "jeitocracia", onde em tudo é possível dar um "jeitinho. Se há alguma forma de pularem as leis, os protocolos e as regras podemos estar certos de que o farão. E depois se regozijarão disso e falarão a todos como são espertos. É bom ter cuidado! Jacó também pensava que era... ele é o santo padroeiro dos espertos!

O homem/mulher de Deus deve viver de um modo bem diferente de Jacó, antes de chegar até Betel. Primeiro porque tem que ter consciência da presença Divina a todo tempo. A Palavra nos diz que o temor do Senhor é o principio da sabedoria. Princípio aqui no sentido de começo, mas também de base. Ter a noção da presença do Senhor e um santo temor é básico para uma vida sábia e proveitosa. Há muitas coisas que não faremos e que não falaremos se cultivarmos a perspectiva da presença permanente de Deus conosco.

Depois devemos entender que os esquemas podem parecer vantajosos para nós mas representam invariavelmente perda para alguém. Se eu passo na fila alguém ficou para trás. Se eu uso uma cunha ou conhecimento outros serão prejudicados. Ao agir assim eu me igualo a todos os demais. Me desculpo com a resposta tradicional "Todos fazem isso". Mas nós não somos "todos". Somos filhos de Deus, salvos por Cristo para viver em novidade de vida.

Lembremos que o Senhor nos instrui na Palavra a obedecer as autoridades e as leis (Romanos 13: 1 a 7). Isso quer dizer que se há leis, regras, limites e outros estabelecimentos são para serem cumpridos. Meu testemunho exige isso. Meu temor de Deus exige isso. Meu respeito e amor ao próximo exige isso. Vivendo assim contribuo para um mundo melhor. Se todos vivessem assim, teríamos um mundo muito melhor. Farei doravante a minha parte. Outros certamente vão preferir continuar dependendo de esquemas... a esses dizemos: cuidado! Um dia desses pode acabar descobrindo que tem uma pedra por travesseiro.

11 Dias em 40 anos...

Já teve a sensação que algo relativamente fácil demorou a acontecer? Já percebeu que, em nossas vidas, há coisas que sabemos que devemos fazer mas acabamos levando "séculos" para fazê-las? Determinamos que algo é necessário, sabemos que será o melhor para nós, mas simplesmente não fazemos e o tempo vai passando... Podem ser coisas simples como uma dieta ou o início de um programa de exercícios físicos. Pode ser algo mais sério como a resolução de um problema, um conflito ou o acertar de nossas vidas com Deus por meio de devoção e disciplina. Simplesmente vamos ficando onde estamos e o tempo vai passando.

Em Deuteronómio 1:2 e 3 lemos que o povo de Israel levou 40 anos para fazer uma viagem que demoraria 11 dias. Pense bem! Em vez de 11 dias eles levaram 40 anos de caminhada. E o Senhor finalmente lhes diz no verso 6: "Já ficaram tempo demais aqui, tratem de andar...". Chega de esperar, chega de protelar... saiam do marasmo e tomem posse do que já vos preparei há tanto tempo. E porque é que demoraram tanto?

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque viviam no passado.
Repetidamente reclamavam de Moisés lembrando do que tinham no Egito. E o mais incrível é que no Egito eram escravos... levaram 400 anos chorando para que Deus os libertasse. Uma vez livres, choravam, porque já não tinham as mesmas coisas do Egito. É extraordinária a mente humana. Já tinham esquecido das jornadas de trabalho forçado, das torturas e espancamentos, do verdadeiro genocídio que tinham sofrido. Viviam chorando pelo passado, paralisados pela recordação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque não tinham capacidade para crer.
O Senhor lhes dera provas indiscutíveis de seu poder. Mas o povo não acreditava. O povo de Israel nesse período é a maior evidência de que milagres não são a solução do problema humano. Ninguém viu tantas maravilhas e no entanto, não criam no poder do Senhor para lhes dar a vitória na terra prometida. A falta de fé era debilitante a paralisante e não os deixou progredir.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque permitiam que uma mentalidade negativa e uma auto imagem degenerada os dominasse.
Olhavam para tudo com uma atitude de pobres miseráveis. Tinham sido libertos da escravatura física mas a carregavam no coração. Ainda se viam como povo fraco e dominado, sem direção e sem propósito. O Senhor os dirigia, dava-lhes alimento diário e líderes de qualidade mas ainda olhavam para si mesmos como presa fácil para qualquer adversário. Essa mente pequena impedia qualquer ação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque esperavam que as coisas aparecessem feitas.
Se ao menos alguém expulsasse os cananeus... se ao menos os gigantes fossem embora... se ao menos a terra estivesse vazia e as casas arrumadas e com comida pronta na mesa... eles então agiriam. Nem sequer queriam se dar ao trabalho de ouvir a Deus diretamente. Queriam que Moisés fosse ouvir e depois desse o relatório resumido. Não queriam se dar a nenhum trabalho e assim passaram décadas vivendo num deserto.

Por vezes passamos por desertos em nossas vidas. São inevitáveis e são difíceis de atravessar. Mas por vezes acampamos neles e aí ficamos por culpa própria, por incapacidade nossa, por falta de confiança no Senhor para caminhar para fora. Por vezes poderíamos vencer o deserto em 11 dias e ficamos por lá perambulando por 40 anos...

Deixamos de progredir quando paramos nossa visão no passado. Por melhor ou pior que tenha sido nosso passado ele não precisa determinar nosso presente e nem limitar nosso futuro. Se fomos vitoriosos louvemos ao Senhor e sonhemos com novas vitórias e mais altas. Se sofremos no passado vamos perdoar, agradecer pela sobrevivência e deixar as mágoas porque são fardo pesado demais para quem quer avançar. Já chega de carregar o passado. Vamos permitir que o Senhor nos carregue para o futuro.

Deixamos de progredir quando nos falta a coragem para crêr. Temos suficientes evidências em nossas próprias vidas e a nossa volta para sairmos do marasmo e crescermos. Mas é preciso um primeiro passo de fé. É preciso confiar. Sem fé é impossível agradar a Deus, e sem a graça de Deus não há como conquistar nada nesta vida.

Deixamos de progredir quando permitirmos que o inimigo nos mantenha com uma mentalidade de escravos. O adversário de nossas almas é especialista em depressão, complexo de inferioridade, ansiedade exacerbada, auto imagem negativa. Ele trabalha em nossas mentes mostrando constantemente nossa fraqueza, nossos defeitos, nossa incapacidade. Atenção: quando o Espírito Santo convence do pecado é para arrependimento, perdão e progressão. O maligno nos mostra o erro em nós apenas para derrubar e deprimir. Esta mais do que na hora de firmar a mente na Palavra do Senhor. ELE escreveu o livro e em sua versão da história (a versão verdadeira) somos filhos amados, perdoados, capacitados, enriquecidos e seremos vitoriosos! É a versão dEle que interessa.

Deixamos de progredir quando empurramos para outros a nossa responsabilidade. Queremos que outros façam por nós, que outros assumam nossos riscos, que outros lutem nossas lutas. Assim nunca avançaremos. O Senhor nunca falha na sua parte, mas nunca assume o que já nos delegou. Nossa parte é buscar a comunhão, submeter nossa mente, emoções e vontade ao seu controle e seguir sua orientação e comando. Só nós podemos fazer isso por nós. Façamos e a vitória virá.

Desertos virão e teremos que atravessá-los. Se vamos levar 11 dias ou 40 anos depende essencialmente de nós. O Senhor nos quer dar a terra prometida. Não acampemos na desolação. Os servos do Senhor herdarão a terra. Entenda de Deus qual a sua parte da herança e vamos possuí-la!

ELE IA ADIANTE

Certa vez, na Guiné, tivemos que ir buscar lenha ao mato para que as mulheres pudessem cozinhar numa festa da igreja.  Recolher lenha não era minha especialidade, por isso limitei-me a seguir os irmãos da igreja que tinham bastante experiência nesse trabalho. O carro ficou na estrada de terra relativamente perto do local onde tirávamos a lenha, mas fora de nosso campo de visão. Três vezes peguei meu fardo de lenha e segui atrás de meu guia, chegando ao carro sem problemas. Na quarta vez achei que já sabia o suficiente para fazer o percurso sozinho e assim segui para o carro.

 À medida que andava comecei a perceber que o caminho parecia mais longo e que as vozes dos irmãos pareciam ficar mais distantes. Tentei mudar de direção e achar meu caminho, mas tudo parecia igual, por onde quer que olhasse só via arvores e caminhos semelhantes. Por fim, tive que reconhecer que estava perdido e gritei por ajuda. Fiquei chocado ao ver o quanto tinha me desviado! Afinal, era fundamental ter alguém que conhecesse bem o caminho, indo adiante de mim.
  Em Marcos 10:32 lemos que "Jesus ia adiante dos discípulos". A expressão simples indica porém muita coisa importante.

Ele ia adiante fisicamente.
Assumia assim de modo claro sua liderança. Ele era o líder e por isso tinha que ir à frente. Jesus nunca fugiu de suas responsabilidades. Ele sabia que o caminho seguia para Jerusalém e para a cruz e mesmo assim ia adiante com resolução e certeza.

Mas ele ia adiante deles intelectualmente.
Os discípulos ainda não tinham entendido que tipo de Messias era Jesus. Em suas mentes ainda esperavam um chefe político/religioso/militar que devolve-se a glória a Israel. Jesus sabia que era o Messias sofredor, o servo humilde que viera para dar sua vida em resgate de muitos. Em seu entendimento da realidade a volta deles estava muito adiante dos discípulos.

Jesus ia adiante emocionalmente também.
Os discípulos oscilavam como ondas ao vento. Por vezes estavam entusiasmados, por vezes deprimidos. Logo seriam capazes de declararem-se prontos a morrer por Cristo para depois fugirem e esconderem-se. Eles não sabiam ainda que a vida emocional tem que estar sob o controle do Espírito e por isso variavam tanto. Mas Jesus era resoluto e seguro. Não deixava de sentir e sofrer, mas não deixava que isso turvasse sua mente e sua comunhão.

 O Mestre ia adiante espiritualmente.
Sua comunhão com o Pai era perfeita. Seu tempo de comunhão era prioridade e sua disciplina o levava a estar em contato permanente com o Pai. Os discípulos ainda estavam longe de entender o que isso significava. Desejavam ter o que viam em Jesus mas não eram capazes de vigiar nem uma hora. Por isso também Jesus ia adiante e estava preparado.

Logo viria os dias terríveis de dor e morte. A crucificação e o sábado de silêncio sepulcral. Mas o domingo da ressurreição traria nova luz e as palavras dos anjos às mulheres em Marcos 16:7 eram as mesmas de antes "ele vai adiante de vós". O Cristo ressurreto continua adiante de vós e hoje está adiante de nós.

 Interessante notar que quando alguém vai adiante de nós apenas vemos suas costas. Essa experiência já era conhecida. Moisés a tivera no deserto. Em Êxodo 33:23 quando ele pediu ao Senhor para ver sua glória a resposta foi: "me verás pelas costas". O Senhor ia adiante, e seu servo o veria pelas costas.

Ele vai adiante de nós! Isso quer dizer que sabe mais, conhece tudo, não pode ser apanhado de surpresa.
Ele vai adiante para preparar o caminho, para antecipar o que é necessário, para deixar tudo pronto. Ele vai adiante o que quer dizer que quando lá chegamos Ele já lá esteve e já fez seu trabalho, já começou sua obra. E nós somos chamados a entender, a olhar e reconhecer onde Ele já agiu, o que já preparou, onde já iniciou atividade e então nos juntarmos a Ele e desfrutarmos de sua bênção. Não há necessidade de nervosismo ou stress, Ele vai adiante e já chegou!

Nesta vida há tantas coisas desconhecidas, tantos becos escuros, tantas voltas que tememos. Fica a palavra breve mas tranquilizante.
Onde vamos hoje, Ele já esteve ontem!
Pode parecer assustador,
mas concentre sua atenção
e lembre-se,
ELE vai sempre adiante!

A caminho de Moriá

Abraão já ouvira Deus falar antes. Uma vez o Senhor falara e ele ficara confuso com a necessidade de deixar sua terra, mas expectante com a nova terra que encontraria. Outra vez Deus falara e ele ficara contente com a bênção prometida para sua geração nessa terra de Canaã. Uma vez Deus falara e o deixara perplexo com a profecia de tribulação para seus descendentes. Outra vez Deus falara e ele rira da possibilidade de ainda ser pai aos 100 anos. Mas o riso se tornara gargalhada e se materializara numa criança chamada Riso (Isaque).

Agora porém, Deus falara e Abraão não rira. Desta vez não havia esperança nem expectativa, nem bênção ou futuro. Havia apenas escuridão e um caminho terrível a percorrer. O caminho para Moriá.

O caminho para Moriá era escuro e denso. Nada fazia sentido para Abraão. A ordem de sacrificar Isaque não deixara margem para esperança e não fizera sentido nenhum. Até onde Abraão podia ver era incongruente e incompatível com tudo o que o Senhor fora no passado. Não havia lógica, nem sentido, nem lição. Havia apenas um caminho escuro e longo com muito sofrimento no fim.

O caminho para Moriá era solitário. Os servos que acompanhavam Abraão teriam que ficar no sopé do monte e o filho que com ele andava ficaria no escuro quanto aos objetivos da viagem e a finalidade de tanto silêncio. E Abraão prosseguia. O que pensaria ele? Que sentimentos encheriam seu coração cansado nessa caminhada atroz rumo ao sacrifício de seu único filho? Que alegria poderia lhe restar? Que esperança de velhice para um pai idoso ao mesmo tempo sacrificado e sacrificador?

Mas, Abraão prosseguia como sempre. Já antes saíra do conhecido para uma terra que não sabia onde ficava e prosseguira. Já antes percorrera o deserto a procura de uma terra onde ter o que comer e prosseguira. Já antes perseguira tropas com um número pequeno de servos sem experiência militar e prosseguira. Já antes se rira da gravidez de Sara com 90 anos, mas prosseguira e terminara carregando um bebé. Agora não via solução para seu dilema, não entendia as razões de Deus, nem sabia como seria capaz de obedecer até o fim terrível ordem, mas prosseguia.

Todos nós nos vemos vez por outra no caminho de Moriá. É aquela terra de ninguém, onde a fé parece absurda, o céu fica silencioso e até a Palavra se mostra árida e sem respostas. Já todos vivemos o amargo de sentir que fomos esquecidos, que a esperança deve existir mas não a vemos, que a vida perdeu a maior parte de sua razão. É um filho que morre, um emprego que desaparece, um acidente que nos rouba a saúde, um diagnóstico que nos deixa perplexos, um amigo ou parente que nos deixa... são momentos escuros, um caminho difícil.

O importante nessa hora é, como Abraão, prosseguir.

O que o inimigo mais odeia é um crente que persevera na tribulação.

Em sua alegoria Cartas do Inferno, C S Lewis coloca na pena do demónio instrutor as seguintes palavras: "Nossa causa nunca estará mais ameaçada do que nas vezes que um ser humano, mesmo não desejando pessoalmente alguma coisa, estiver fazendo a vontade do Inimigo, ainda mais quando ele estiver observando o universo em seu redor, sem conseguir ver o menor traço do Inimigo se perguntando porque Ele o teria abandonado assim, e mesmo assim OBEDECENDO."

Precisamos nessas horas lembrar que nosso mestre e salvador conhece bem esse caminho. Ele também palmilhou a estrada para Moriá e a sua terminou no Gólgota. Para ele não houve palavra salvadora de um anjo na hora decisiva. Ninguém parou o martelo que pregava os cravos, ninguém parou a lança que furava o peito, ninguém respondeu ao clamor no meio do sofrimento esquecido. E ele sofreu por nós.

Mas a história de Abraão não termina na dor. Ele teve o riso restaurado nos lábios e no filho devolvido. E a história da cruz é seguida em 3 dias pela da ressurreição. O caminho para Moriá é duro, mas o Senhor não nos deixou, o sol não sumiu de vez e o domingo da vitória está a caminho mesmo que nos pareça impossível. Sigamos com perseverança o caminho da nossa fé e o Senhor nos recompensará.

Já aconteceu uma vez...

Era uma vez um idoso de 80 anos. Ele foi convocado por Deus para enfrentar o maior rei de seu tempo e o mais forte estado de sua época. Munido de apenas um cajado e sua fé no poder de Deus derrubou um império e libertou seu povo da escravatura. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um homem de 85 anos que vivera já muito e podia almejar descanso e sossego. Foi no entanto desafiado a escolher sua herança. Podia ficar com as terras que desejasse. Podia escolher terras tranquilas e bem regadas e sobretudo livres de problemas. Mas ele escolheu as terras altas, cheias de inimigos. Uma terra habitada por gigantes. E essa terra foi conquistada por ele e pelos seus. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um jovenzinho que guardava as ovelhas de seu pai e que nos tempos vagos compunha salmos para louvar a Deus. Foi levar comida a seus irmãos que serviam o exército e se deparou com um gigante blasfemo. O mercenário era monstruoso, homem de guerra, bem armado, mas o garoto o enfrentou apenas com uma funda e algumas pedrinhas e o matou. Enfrentou o gigante por seu zelo pelo Senhor e venceu. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um profeta desconhecido mas que conhecia bem seu Deus e confiava no poder da oração. Ele orou e durante 3 anos não choveu. Depois orou e choveu fogo do céu e seu ministério preservou o culto verdadeiro em sua terra contra uma multidão de falsos profetas. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma menina órfã criada pelo seu tio. De orfãzinha ela veio a ser rainha do maior império do seu mundo. Nessa posição ela desafiou leis ancestrais e confiando em seu deus salvou seu povo de uma destruição certa. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Jerusalém que vivia em harmonia e comunhão. Seus membros se amavam mutuamente e providenciavam para as necessidades uns dos outros. Essa igreja era respeitada pelo povo, era marcada pelo poder de Deus em curas e sinais e crescia diariamente conforme o Senhor desejava. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Antioquia que entendeu o chamado de Deus. No meio de uma época difícil, uma cultura pagã corrupta e um governo autoritário ela ousou crer na evangelização mundial e separou seus dois principais líderes para essa tarefa. Seus pastores saíram pelo mundo pregando e plantando igreja e algumas décadas depois o cristianismo tinha se espalhado por todo o mundo. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

A palavra nos diz que nosso Deus não muda, ELE é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Ele também não faz acepção de pessoas, ou seja, não gosta mais de uns que de outros e não vai deixar de abençoar uns para enriquecer outros. Se Ele fez isso no passado então esta pronto a abençoar no presente. Os exemplos que nos foram deixados servem exatamente para que possamos saber como agir, para que possamos confiar, para que nos sintamos estimulados porque isso tudo já aconteceu uma vez... e pode acontecer de novo!

A VIRTUDE ESQUECIDA!

Gabrielle Andersen
Nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles, a suíça Gabrielle Andersen, desidratada, desorientada e com uma cãibra na perna esquerda, caminhou os últimos 200 metros da maratona levando 10 minutos para completá-los.

 Ao cruzar a linha de chegada, Gabrielle caiu desacordada nos braços dos médicos. Após a prova, a atleta disse que queria terminar o percurso, pois aquela talvez fosse sua única oportunidade de participar dos jogos devido a sua idade.

 Ela chegou apenas na 37ª posição entre 44 corredoras, e fez o tempo de 2h48min42s, mas foi mais aplaudida que a medalhista de ouro, a norte-americana Joan Benoit. O fato é considerado um dos maiores exemplos de perseverança, garra e espírito olímpico. Porém  poucos têm a virtude de continuar e esperar pelos resultados.

Hoje queremos tudo "fast" desde nossa comida, nossos computadores, nossos telefones e, é claro, no nosso tratamento médico queremos que o remédio faça efeito imediato. É verdade que admiramos quem consegue fazer coisas que exigem tempo e admiramos a garra de uma corredora que quer chegar ao fim da corrida, mesmo que não seja a primeira. Mas a verdade permanece, a virtude hoje esquecida é certamente a Perseverança.

Apesar da pressa que caracteriza a vida moderna continua presente a necessidade da perseverança. Há tanta coisa neste mundo que não se pode fazer sem perseverar que já era para o homem ter aprendido a lição. As colheitas não se fazem de um dia para outro, os relacionamentos não se firmam de uma semana para outra, hábitos só se formam com o tempo e muda-los exige também paciência e continuidade. Vejamos algumas das áreas em que palavra nos manda perseverar:

1) Na Salvação (Mateus 24:13 e Marcos 13:13)
A Palavra é clara, há que perseverar para se alcançar a salvação. Isso não retira em nada o mérito de Jesus mas descarta a graça facilitada e a salvação sem mudança de vida que hoje se verifica. Aquele que perseverar até o fim será salvo, é uma advertência bem clara e fácil de entender. A nova vida em Cristo exige luta, continuidade, persistência.

2) Na Oração (Lucas 18:1)
Orações tipo fast-prayer não existem. Há ocasiões raras em que o Senhor responde de imediato, mas há muito mais situações em que somos chamados a lutar e perseverar em oração. Jesus disse que era nosso dever. Se vale a pena incomodar o Senhor com isso então vale a pena insistir, continuar, levar anos com essa questão até vê-la atendida. Precisamos de intercessores que não desistam ao fim da primeira semana. Já ouvi testemunhos de irmãos que oraram décadas por uma conversão. É desse tipo de crente que a Igreja tem falta hoje.

3) Na Obra de Deus (I Coríntios 15:58)
Texto conhecido e muito usado que nos lembra que é preciso ser perseverantes na obra. As coisas de Deus não se fazem da noite para o dia. Qualquer obreiro experiente sabe isso. Por isso Jesus disse que o que pega o arado e olha para trás não é digno dEle. Estamos hoje com uma vaga de missionários que não quer ficar mais de uns meses ou no máximo 2 anos no campo. Pastores que trocam de igreja a cada 2 ou 3 anos. Deixamos de ter a perseverança necessária para ver a obra se desenvolver como é preciso.

4) Para Reinar (II Timóteo 2:12)
Certamente queremos reinar com Cristo. Os evangelhos fáceis de hoje o prometem com muita rapidez. Mas o texto bíblico é claro. Para chegar a reinar é preciso perseverar. Sem firmeza seremos encontrados em falta e ficaremos de fora.

5) Na Fé (Tiago 1:5 a 8)
A fé precisa ser perseverante. Tiago alude aos crentes onda do mar que vivem num ciclo de maré alta, maré baixa. Crer e duvidar constante. É evidente que há um questionar próprio da vida mas para o crente a fé é essencial. Crer sem duvidar, crer de modo perseverante. Somos chamados a deixar a instabilidade.

6) Para Cumprir a Vontade de Deus (Hebreus 10:36)
Se desejamos ver a vontade do Senhor manifesta em nossas vidas então precisamos aprender a perseverança, a continuidade, a constância. Sem ela dificilmente veremos as coisas do Senhor acontecendo em nossas vidas.

Conclusão:
Muitos outros textos poderiam ser citados. Fica a mensagem clara. Perseverança é uma virtude essencial a vida cristã. Entendemos que é preciso perseverar numa dieta para se perder peso, num tratamento para ficar com saúde, num instrumento para se tocar bem, numa relação para se ter confiança... porque seria diferente na vida cristã? Certamente não. Trata-se de uma virtude esquecida em nosso mundo de coisas rápidas. Não deixemos porém de lembrá-la. Dela dependemos.

Como Crianças, mas não como Crianças (Parte 1)

Em meio a um debate sobre a importância de cada discípulo o Mestre pegou uma criança e colocou-a no centro das atenções. Então, com seu jeito único, atordoante e profundo disse: “... Se não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus...” (Mateus 18:3). Algumas décadas mais tarde, o Apostolo Paulo repreendeu os crentes de Corinto por serem crianças dizendo: “... Não vos pude falar como a espirituais e sim como a carnais, como a crianças em Cristo...” (I Coríntios 3.1) e mais perto do fim da carta salienta que quando amadureceu na fé “deixou as coisas próprias de meninos” (I Coríntios 13:11). Afinal, em que ficamos? Devemos ser ou não como crianças?

Evidentemente que a dificuldade só existe numa primeira abordagem do tema e um olhar mais profundo mostra que Jesus e Paulo não estão se contradizendo mas se complementando. Queremos avaliar as duas afirmações em sequência. Pensemos primeiro nas palavras de Jesus. No que devemos ser como crianças?

1-SIMPLICIDADE
As crianças são simples e diretas, sem subterfúgios, sem fingimentos, sem máscaras. Ser como crianças nesse sentido é deixar de lado a hipocrisia e a representação que aprendemos da vida social a medida que crescemos. Ser criança é ser puro, sem malícia, sem segundas intenções, dizer o que realmente sente e expressar de modo franco a mente. Não precisando ser rude para isso, mas sem a maquilhagem que os anos trazem.

2- CONFIANÇA
As crianças têm uma incrível capacidade para crer. Como a conhecida história da igreja que em meio a uma terrível seca se reuniu para orar. Todos vieram mas uma menininha sobressaía do grupo porque trazia um guarda-chuva. Quando lhe tentaram mostrar o ridículo de sua situação carregando um guarda-chuva num tempo de secura total ela devolveu o ridículo: “não vamos orar por chuva? Então, vamos precisar de guarda-chuva”. O episódio termina com a menina triunfante regressando a casa protegida no meio de um verdadeiro temporal. Ser criança é acreditar.

3- DESPREOCUPAÇÃO
As crianças têm um grau mínimo de preocupação. Não gastam tempo pensando se vão ter o que comer ou casa para morar. Não se preocupam com o que os outros vão pensar de suas roupas ou modos. Simplesmente descansam que vai haver comida na mesa, cama no quarto e que todos irão entender seu jeito. A ansiedade não é natural numa criança. Ela simplesmente não se preocupa anão ser quando os adultos começam a instilar dúvidas em seus corações.

4- ENSINÁVEL
As crianças desconhecem o mundo mas são cheias de curiosidade para aprender e vivem perguntando os porquês. Lembro-me que meu filho conseguia perguntar "por que" numa sequência de mais de 20 vezes. E só parou porque cansamos de responder. Só quando crescemos e o orgulho começa a nos afetar é que fechamos as portas e nos tornamos arrogantes como se soubéssemos tudo. A criança está sempre pronta a aprender algo novo e qualquer um pode ser seu professor. Seu senso crítico ainda não chegou ao ponto de fazer acepção. O desenvolvimento é maior exatamente por isso.

5- ALEGRE
Uma das coisas mais tristes de nossos dias é ver que as crianças estão sendo levadas a crescer antes da hora e com isso perderem a sua natural alegria. A criança pequena se diverte com muito pouco, se entusiasma com naturalidade e não tem medo de mostrar seu apreço. Ela exulta com um simples balão, pula ao ver uma borboleta, canta ao reparar na lua. Santa satisfação que se vai perdendo a medida que crescemos e nos tornamos exigentes e sorumbáticos.

6-SUPLICANTE
A criança, exatamente por muitas das razões anteriores é uma pedinte natural. Não tem vergonha de clamar. Pede porque não tem altura para chegar a certo lugar, porque não tem recursos para obter algo, porque desconhece o caminho. Ela reconhece sua situação facilmente e logo busca quem possa auxiliar. Sua atitude a leva a receber com naturalidade o que precisa.

Podemos meditar e encontrar outras características que podem até ser desprezadas pela vida adulta, mas que certamente fazem parte do que Jesus considerou necessário para obter o reino de Deus.

Seguindo seu ensino devemos procurar a simplicidade sem fingimento, a confiança que crê sem duvidar, a despreocupação de quem conhece o Senhor de tudo, a prontidão para aprender, a alegria que se satisfaz com cada bênção e a atitude humilde que nos faz levar cada ansiedade que queira se intrometer em nosso coração ao trono da Graça. Afinal, devemos ser como crianças.

Peixe, Perfume, Madeira e Fumaça!

Nossa memória olfativa é extraordinária. Somos capazes de guardar muitos cheiros e por meio deles nos recordarmos de lugares, ocasiões e pessoas. Algumas de nossas melhores recordações estão ligadas a cheiros. Pense no cheiro do seu quarto, no perfume de sua avó querida ou no aroma da cozinha em dia de festa!  Pode ser a colónia que usamos em certa ocasião ou que a pessoa amada usava quando nos conhecemos. Não é comum cheirarmos a roupa de um ente querido que partiu na tentativa de senti-lo perto de nós?

Que cheiros cercariam Jesus? Que aromas encheriam o ar perto dele quando andou por este mundo? Por qual cheiro recordaríamos a presença do Filho de Deus neste nosso planeta e o que esses odores nos ensinam sobre o que Ele representa? Meditando nisso pensei em 3 cheiros que certamente marcaram a vida de Jesus e pelos quais o conheceríamos ou lembraríamos. Pense comigo.

1) Madeira
Jesus foi carpinteiro até os 30 anos. A maior parte de sua vida foi gasta numa oficina rude trabalhando madeira. O cheiro de madeira recém cortada certamente seria uma de suas marcas.

Tenho recordações gostosas do cheirinho de madeira da oficina de meu avô Edmundo, que foi marceneiro. No Alto da Lapa, em São Paulo, eu me sentava no chão sob o efeito macio de um montinho de serradura brincando com os pedacinhos de madeira que sobravam de seus trabalhos. Até hoje tenho que parar quando passo por uma oficina de carpintaria e, apesar de entender pouco do assunto, amo trabalhar com madeira, em boa parte por causa dessa recordação.

O Cheiro a madeira em Jesus nos lembra Trabalho. Ele sempre valorizou o serviço, sempre trabalhou e parte de suas analogias do reino foram sobre trabalhadores. Deus nos criou com a capacidade de ocuparmos nossos dias com algo produtivo e desse modo também somos bênção para o próximo. Lembrar que meu Senhor cheirava a madeira me faz valorizar meu trabalho diário. Ele o fez, certamente quer que eu o faça!

2) Peixe
Jesus escolheu seus discípulos de entre o povo simples da Galiléia. Seu núcleo mais chegado era formado por Pedro, Tiago e João (num barquinho) e eles eram todos pescadores. Jesus fez de Cafarnaum, cidade piscatória, seu quartel-general. Ministrou junto ao lago, usou um barco como púlpito e multiplicou peixinhos. Sabemos que o peixe tem um cheiro forte que se impregna e dificilmente sai. Perto de Jesus cheirava a peixe!

Saber isso me faz pensar na simplicidade do Senhor. Ele não escolheu os palácios de Jerusalém ou Roma para circular. Viveu, trabalhou e ministrou entre o povo simples. Não se importou de cheirar a peixe mesmo que isso representasse algum desprezo de seus adversários. Ele veio exatamente para esse povo simples e oprimido que mais facilmente se aproximava da mensagem do evangelho. Meu Senhor cheirava a peixe e isso me faz lembrar de manter a simplicidade quando o mundo pede sofisticação.

3) Fumaça
Muitas vezes vemos nos evangelhos o Senhor ministrando à volta de uma mesa de refeição. Nesse local privilegiado de convívio Ele falava de coisas profundas e mexia com os corações. Os recintos onde se reunia com as pessoas eram iluminados por lâmpadas de azeite que deitam uma fumaça característica que enche o ar e fica nas roupas dando-lhes um aroma distinto de fumo que o Senhor conhecia bem. Jesus cheirava a fumaça!

Lembrar disso me faz ver o quanto era importante para Jesus a comunhão. Ele instituiu a Ceia no meio de uma refeição comunitária. Não foi um pedacinho de pão ou um gole de vinho. Foi um banquete de celebração em que esses elementos em abundância serviram para falar de seu sacrifício. Os ágapes da igreja primitiva eram assim também, festas com mesa farta e a celebração da ceia no seu contexto.

Jesus desejou que a igreja fosse uma família, uma comunidade onde a unidade fosse marca distinta e atrativa. Ele não nos legou uma instituição, uma organização ou um projeto social, mas uma irmandade unida pelo seu amor a nós, o nosso amor ao próximo e a busca de viver dentro de sua vontade. O cheiro a fumaça nas vestes de Jesus eram o cheiro dessa comunidade.

4) Perfume
Sendo verdade que Jesus cheirava a madeira, peixe e fumaça também é bíblico dizer que muitas vezes cheirou a perfume. No seu nascimento os magos trouxeram perfumes caros como presente e Maria pode ter usado isso para perfumar a casa. Na sua vida e ministério lemos das ocasiões em que mulheres banharam seus pés com perfumes caros em testemunho de seu amor pelo Mestre e o texto diz que esse cheiro encheu a casa. Em sua morte foi untado com esses odores ricos para retardar uma decomposição que nunca aconteceria. Meu Senhor cheirava a perfume caro também!

Verificar isso me recorda o sacrifício, a dedicação extravagante de quem era capaz de despejar num único ato de amor todo um ano de salário aos pés do Senhor. Esse mesmo amor extraordinário que ELE retribuiria de modo perfeito e cabal dando sua própria vida por nós. O cheiro de perfume nas vestes do Mestre nos lembram que servi-lo requer dedicação, serviço altruísta, amor extravagante e apaixonado. Conhecer Jesus de verdade é ficar louco por Ele!

Os cheiros à volta de nosso Senhor são paradoxais como sua vida e mensagem. Aparentemente peixe e perfume não combinam. Mas ELE veio combinar o incombinável, juntar o aparentemente irreconciliável e nos ensinar a viver de verdade.

Respire fundo, sinta os cheiros e VIVA!

Como destruir seu Ministério em 7 passos!

O título parece tirado de algum manual de auto-ajuda, desses que fazem sucesso no mercado evangélico atual. Perdoem-me os leitores habituais deste blog, mas não resisti à tentação de usar um título assim. Na verdade, queremos gastar algum tempo meditando no reinado de Saul, conforme o relato de I Samuel, e na forma como começou tão bem e terminou tão mau.

Saul foi a resposta dada ao povo de Israel quando pediram a Deus um Rei. Era fisicamente portentoso. Foi escolhido e ungido por Deus (10:24) e começou bem, cheio do Espírito Santo e com uma vitória esmagadora sobre os amonitas (11:6 e 11). Mas logo o vemos decaindo e se tornando um estorvo para o desenvolvimento do povo. Analisa sua queda e aprenda como destruir um ministério em apenas 7 passos!

1) TENTANDO MELHORAR O PLANO DE DEUS
Saul era um indivíduo pouco paciente. Era dado a rompantes de mau humor e isso lhe custou bastante caro. A certa altura não quis esperar pelo sacrifício. Sabia que a ordem clara de Deus era que apenas os sacerdotes podiam oferecer os sacrifícios. Mas ele não quis esperar. Era Rei e podia "melhorar" o plano de Deus. Então ofereceu ele mesmo o holocausto (13:9) apenas para ver chegar Samuel logo a seguir e repreende-lo publicamente.

Pouco depois o Senhor ainda lhe dá outra oportunidade ao orientar a destruição dos Amalequitas. As ordens foram explícitas, mas Saul achou que podia fazer melhor e guardou os animais para um sacrifício (15:9 e 21). Ele queria adorar, mas do seu jeito. Achava que podia melhorar o que Deus estabelecera. Eis um passo garantido para fazer cair um ministério.

Há diretrizes muito claras na Palavra. A responsabilidade primeira dos servos de Deus é para com ELE e sua palavra. Não há ciência humana válida quando suas diretrizes são contrárias à Palavra. Não temos como "melhorar" o plano do Senhor. Temos é que conhecê-lo e obedecer, ou veremos nosso ministério cair.

2) PREOCUPANDO-SE COM O QUE OS OUTROS PENSAM
Saul preocupava-se demasiado com a aprovação do povo. Cedeu ao povo na separação dos animais dos Amalequitas (15:21 e 24). Em vez de obedecer o que sabia ser o certo, temeu o povo e sua opinião. Depois, ao ser rejeitado por Deus e pela palavra dura de Samuel, em vez de se arrepender e cair em contrição (como Davi irá fazer mais tarde ao errar) ele continua preocupado com livrar a face diante dos anciãos (15:30). Estava tão preocupado em ouvir a voz do povo que vai simplesmente deixa de ouvir a voz de Deus.

O ministro precisa ser capaz de estar suficientemente próximo do povo para poder ouvi-lo, mas não pode se deixar levar pelo populismo. Temos que ouvir aqueles a quem ministramos, mas não podemos deixar que essas opiniões guiem nosso trabalho. A vida é curta e a opinião pública demasiado volátil para nos deixarmos guiar pelo que os outros pensam. A única opinião realmente importante é a do Senhor. Ouçamos, avaliemos, mas roguemos o discernimento para ser guiados pelo Espírito e não a carne. O ditado que diz que "a voz do povo é a voz de Deus" é espúrio e não se encontra na Bíblia.

3) FUGINDO DE SUAS RESPONSABILIDADES
Quando o povo pediu um rei uma das principais razões era ter um líder que os dirigisse em batalha (8:20). Queriam ter, como os outros povos, um campeão que os liderasse em guerra. Logo, Saul tinha essa responsabilidade. Quando Golias, o gigante de Gate desafiou Israel (17:8) o desafio era em primeiro lugar para Saul e ele fugiu de sua responsabilidade. Tremeu e temeu (17:11) e tentou escapar prometendo mundos e fundos a quem enfrentasse o gigante (17:25). Fora eleito para isso mas não assumiu!
No ministério há tarefas que não agradam. Algumas fazemos com mais facilidade e prazer pois tem a ver com nossos dons e talentos. Outras são mais difíceis mas igualmente necessárias. Aquela visita incómoda, aquele aconselhamento cansativo, aquela situação que pode até trazer medo e insegurança também faz parte do ministério e não podemos fugir. Deixar de assumir nossas responsabilidades é passo certo para destruir nosso ministério.

4) IMPONDO AOS OUTROS SUAS ESTRATÉGIAS
Saul não somente não assumia o que era seu dever assumir como queria dizer aos outros como fazer seu trabalho. Quando Davi se dispõe a corajosamente enfrentar o inimigo que Saul temia, este tentou lhe impor sua armadura (17:38). Era evidente para qualquer que olhasse que eles tinham estaturas diferentes, corpo diferente. Como poderia Davi lutar com a armadura de Saul? Seria o orgulho de depois dizer que o jovem vencera usando suas armas? Seria a consciência pesada sabendo que era ele que devia ir lutar?
O Senhor não abençoa armaduras, abençoa pessoas. ELE não abençoa estratégias, planos, métodos, abençoa homens e mulheres submissos. Não interessa se um plano foi provado e funcionou anteriormente. Pode ser maravilhoso! A questão não é essa e sim; "será o caminho de Deus nesta situação?" Muitas vezes a tentativa de impor sobre os outros nossos próprios planos apenas mostra nossa fraqueza e a incapacidade de perceber que o Espírito não habita em estratégias feitas por mentes de homens. ELE pode até dar a estratégia, mas a visão tem que ser individual e própria para o momento, o local e as pessoas. Para Davi era simplesmente uma funda e 5 pedrinhas.

5) INVEJANDO OUTROS MINISTÉRIOS
Davi foi bem sucedido em tudo que fazia. Seu "ministério" floresceu e logo Saul passou a invejá-lo mortalmente (18:8). Invejava o sucesso de Davi, a aprovação da multidão, as palavras elogiosas que eram dirigidas ao jovem. Tudo em Davi passou a ser odioso para ele até ficar completamente cego de ciúme, deixar de governar para perseguir o outro. Destruiu assim seu reinado facilitando a tomada de posição dos filisteus.

Tristemente vemos isso refletido em nosso meio. Parece que só conseguimos apreciar ministérios grandes e populares. Olhamos para os números! Não há nada de errado com números, mas, o certo é que revelam pouco. Há muitas maneiras de se obter números e nem todas são de Deus. A mentalidade que valoriza apenas ministérios grandes é a mesma que se impressiona com Golias, vendo apenas o tamanho.

Daí o pastor cuja igreja não cresce, em vez de se humilhar e buscar ao Senhor para saber o que fazer , passa a fazer uma campanha contra o outro ministério, procurando as suas possíveis falhas. E, é claro que as encontrará. Não é difícil, todos os ministérios têm pontos menos positivos. Mas não foi para isso que fomos chamados. Não fomos eleitos para ficarmos criticando ou lutando contra outros ministérios. Esse tipo de inveja tem destruído congregações, separado igrejas e esgotado servos que poderiam ser bênção.

Se outro é abençoado, devo louvar e aprender. Louvar por vidas que estão sendo alcançadas e pelo agir do Espírito. Aprender com o que há de certo, de inspirativo, de exemplar. Não é copiar. Copiar é trabalho de máquina de fotocópias. Mas podemos e devemos observar e ver o que de bom posso aplicar a minha vida e trabalho.

6) DISCIPLINANDO ERRADAMENTE
Este ponto está intimamente ligado ao anterior. A inveja do sucesso de Davi vai levar Saul a uma de suas maiores atrocidades. Movido pelo ciúme e levado pela intriga vai matar os sacerdotes de Nobe (Cap. 22). Esse ato de disciplina extremo é movido pela denúncia de um homem mau, aproveitador e oportunista (Doegue) e será uma das maiores manchas do reinado de Saul. Foi uma disciplina motivada por ciúme e descontentamento e nada teve a ver com as verdadeiras razões para uma disciplina.

A disciplina faz parte da vida da igreja e de qualquer ministério. Feita cuidadosamente, é um ato de amor à igreja e aos crentes, bem como ao próprio infrator porque tem como alvo final a sua recuperação. Trata-se de algo necessário e útil à vida da igreja.

Infelizmente, muitas vezes a disciplina eclesiástica é usada para afastar pessoas vistas como concorrentes ou membros que mostrem discordar de certas linhas tomadas pelo ministério. Por vezes, surge motivada por denúncias falsas ou mal intencionadas, não devidamente verificadas e nesses casos demonstra falta de segurança do ministro. A disciplina feita a pensar no cargo é sempre um péssimo princípio e um passo no caminho da destruição do ministério.

7) RECORRENDO A QUALQUER ARTIFÍCIO
PARA FICAR NO TOPO
Saul errou tanto, desprezou tanto o governo, que o fim tinha que chegar sem apelação. Os Filisteus percebendo sua fraqueza e sabendo que não contava com seu mais precioso elemento (Davi) lançaram novo ataque que prometia ser fatal para Israel ou pelo menos para o reinado. Saul desespera. Presente que não vai escapar desta investida e recorre a uma feiticeira em Endor (cap. 28). Aqui não cabe uma discussão sobre o que acontece nesse episódio. A verdade que quero realçar é que Saul recorre a um artifício que sabia ser contrário à vontade de Deus. Ele mesmo expulsara os feiticeiros da terra (28:9), mas agora recorre a uma. Medida que só poderia acabar como acabou, com sua morte na batalha seguinte.

Os ministérios são como tudo na vida. Têm princípio, meio e fim. Saber acabar é tão importante quanto saber começar e crescer. Infelizmente, algo comum na vida espiritual é começar bem e acabar mal. Por vezes, verifica-se que para se manter num cargo ou ministério o ministro recorre a artimanhas que provavelmente denunciou anteriormente. Isso é sinal de que as coisas estão muito mal e se perdeu de vista a obra de Deus e a importância da igreja.

Quando contrastamos a naturalidade com que Davi passou seu reinado e morreu em paz com a agonia de Saul no campo de batalha fica mais uma vez patente porque o salmista era um homem segundo o coração de Deus. Encarar com naturalidade o fim de um ministério faz parte da maturidade desejada nos servos do Senhor. Louvo a Deus por líderes que tenho conhecido e que souberam sair bem, delegando responsabilidades e passando o ministério na hora certa de Deus.

Conclusão: Saul fica como um triste testemunho do que não deve ser feito. Como tantos outros reis, ele começou bem e terminou mal. Outros exemplos como Salomão ou Uzias servem de alerta. Que estes passos possam ser evitados por nós em nossa caminhada no serviço do Senhor.

Voltando ao Básico!

Eram os primeiros treinos do meu filho na escolinha de futebol. A ansiedade era grande! Ali se formavam craques e todo garoto sonha, pelo menos uma vez na vida, ser um jogador de futebol famoso. Porém o desânimo era visível ao fim de cada treino. Fui assistir para ver qual seria o problema. Na verdade era simples. O treino consistia em 1 hora e 45 minutos de corrida, passes entre companheiros, chutes a gol e outros fundamentos do jogo e então, no final do treino, 15 minutinhos de jogo corrido. Meu filhote queria jogar! Esse negócio de ficar trocando passes por 20 minutos e ter apenas um joguinho rápido no fim do treino o desiludiu. Ele não queria gastar tempo com o básico!

Quando vemos atletas fazendo maravilhas, músicos tocando magnificamente e outros profissionais mostrando habilidade singular ficamos impressionados e queremos imitá-los. Mas o que desconhecemos é que por trás de uma bela pirueta no ar, um gol de placa, um cesto fantástico, uma peça bem tocada, uma habilidade fora do comum estão horas e horas de prática do básico. O jogador de basquete passa horas treinando lances livres; o pianista passa horas a cada dia tocando escalas. Se pudéssemos ver as horas de esforço a que esses profissionais se submetem para chegar onde chegam ficaríamos assustados. NADA substitui o básico!

Se um time jogou mal, provavelmente vai ter que gastar mais tempo no básico: a troca de passes. Se um bolo ou prato sai errado, o melhor é voltar ao básico: a receita. Se a montagem de uma peça ou a utilização de um aparelho está com problema é bom dar uma olhada no básico: o manual. Parece conselho óbvio, mas é realmente importante.

A vida espiritual não pode ser diferente. Como em quase tudo nesta nossa cultura moderna queremos que as coisas do Espírito andem depressa. Queremos resultados, impacto, números, êxtase, maravilhas em ritmo acelerado. Recorremos a qualquer expediente novo que nos seja apresentado, desde que prometa solução veloz.

Multiplicam-se os livros de auto ajuda espiritual: "Como ser um crente perfeito em 10 lições"; "Como ter uma igreja grande em 5 passos"; "Os 3 fundamentos para fazer seu ministério bombar".Compramos livros e CD’s, vamos a conferências e congressos, vasculhamos a internet, participamos de palestras e retiros quase sempre a espera de algo que nos mude instantaneamente e nos faça gigantes espirituais do dia para a noite. Tudo só para descobrirmos nos dias seguintes que continuamos os mesmos, carnais, fracos, inseguros, repetindo ainda os mesmos erros...

TEMOS QUE VOLTAR AO BÁSICO!
Temos que entender que a vida espiritual é VIDA. Não se passa aos soluços, não avança em espasmos, não acontece por saltos. Vive-se no dia-a-dia, crescendo passo a passo, evoluindo lenta mas seguramente para a medida de varão perfeito que nos foi deixada pelo Mestre. E quais são os básicos da vida cristã? Você já sabe, mas deixe-me refrescar sua memória.

Os básicos da vida cristã são Bíblia e Oração.

BÍBLIA: Que falta temos de Bíblia! Entenda-me bem. Temos bíblias até demais nas nossas livrarias e nas nossas casas. Há para todos os gostos, feitios, cores e tamanhos, com e sem comentários, e mesmo para quem quer disfarçar e andar com ela sem parecer que a leva. O que nos falta é Bíblia no quotidiano, Bíblia na mente e no coração. Falta leitura, falta meditação, falta estudo, falta respeito. Nossa visão da Bíblia é mesquinha e egoísta. Pensamos que é um livro para nos dar umas ajudas e dicas quando as coisas ficam difíceis. E quando a buscamos nessas ocasiões ainda nos surpreendemos porque é que ela não faz sentido.

Precisamos retornar à reverência da Palavra. Precisamos resgatar o temor e o tremor do povo na base do Sinai quando o Senhor começou a dar sua revelação. Entender que esse livro é a revelação do Deus Todo-poderoso. São palavras de Vida. São a manifestação do eterno em forma escrita. A palavra de Deus que está em nossas mãos é única. Fez-se carne e habitou entre nós em Jesus, mas hoje está ao nosso alcance para leitura, crescimento e maturação desde que a busquemos em espírito e em verdade.

Precisamos olhar a história do povo de Deus e ver como a Palavra sempre foi central. Todo o culto centrado nela, em sua leitura. Todo o tabernáculo construído para no seu lugar mais sagrado, na arca da aliança, ser preservada uma cópia. Todos os festivais que Deus ordenou para que ela fosse lida periodicamente pelo povo reunido. Devemos lembrar que foi a falta dela que levou o povo ao cativeiro. Foi sua leitura que marcou a restauração. E então, no exílio, quando já não havia templo ou sacrifício, edificaram sinagogas onde todo o culto era centrado na leitura da palavra. Toda a educação dos meninos voltada para o aprendizado da leitura da palavra. A festa de passagem à vida adulta marcada pela capacidade do garoto de ler a palavra. Jesus criado no estudo e reverência da palavra e com ela desbaratando as tentações do maligno.

A Bíblia tem que regressar a um lugar central em nossas vidas e nos nossos cultos. Hoje temos cultos voltados para os sentimentos, com louvor que parece querer essencialmente agradar os sentidos e as emoções. Pouco espaço sobrou para a leitura Bíblica no culto. Pena, porque para muitos na igreja era a única leitura bíblica de sua semana. Assim não conseguiremos avançar nunca. Teremos sempre igrejas-berçários, cheios de bebes em Cristo. Temos que voltar ao Básico!

ORAÇÃO: Que falta temos de oração. Parece que as únicas orações que fazemos são aquelas desesperadas ou as fugazes orações das refeições. Onde fica o tempo a sós com Deus? O que é feito do silêncio na presença do Senhor na expectativa de sua voz? Onde o período de conversa amorosa com o Pai? Onde as mentes voltadas a Deus em cada atividade do dia.

Amo o filme "Violino no Telhado" sobre judeus na Rússia. O personagem principal, Reb Tevye, passa o filme em oração. Ele faz as orações rituais do shabat, mas muito mais que isso, passa o tempo todo pensando na esfera Divina. Conversa com Deus sobre tudo, desde os casamentos das filhas, as decisões de negócios ao machucado na pata de seu cavalo. Abre seu coração com Deus expressando alegrias, frustrações e sonhos. Isso é oração! Conversar com Deus sobre o que estamos fazendo juntos!

Precisamos recuperar a emoção da oração, a expectativa da conversa com o Pai, a maravilha desse acesso direto ao Senhor. Um querido amigo da Guiné-Bissau, que levamos a Cristo vindo do Islamismo, tinha como texto favorito Efésios 3:12 onde Paulo fala de Cristo "pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele". Vindo de uma religião onde o acesso a Deus é negado, ele exultava por essa nova realidade de poder chegar a presença do Senhor a cada instante. Fora um muçulmano praticante e sincero. Porém, em Cristo encontrara algo totalmente novo e não cessava de se alegrar e maravilhar nessa bênção extraordinária da oração.

Precisamos de parar de falar sobre oração, parar de ler sobre oração, parar de ouvir sobre oração e simplesmente orar. Orar a sós, orar em família, orar no trabalho, orar como igreja, orar como grupo de comunhão, orar sem cessar. Precisamos orar para viver como se nossas vidas dependessem disso e na verdade dependem, pelo menos uma vida espiritual saudável e frutífera.

Queridos, pode parecer simples e até banal dizer o que disse. E aí está parte do problema. A familiaridade banalizou o essencial e nos deixou órfãos espirituais. Mas o regresso é sempre possível. Teremos tempo no momento que entendermos seu valor. Precisamos mais de Cristo, mais do Espírito e para isso teremos que voltar ao básico, Bíblia e Oração, o coração da vida Cristã!

Uma nuvem do tamanho da mão de um homem!

Tinham se passado três anos sem chuva. A terra estava esturricada, os animais morriam o povo desesperava. Elias sabia que era a hora de se ver chuva novamente. Mas não havia sinais no céu de chuva iminente. Elias então orou e sucessivamente mandou seu moço olhar o céu para as bandas do mar. À sétima vez o moço voltou e disse: "Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão do homem" (I Reis 18:44). Isso foi suficiente para o profeta que logo mandou avisar o rei Acabe: A chuva está chegando!

Parece que a igreja e os crentes modernos só se movem com terremotos de poder e maravilhas fantásticas. Corremos atrás de grandes números, de estádios cheios, de ministérios milionários. Perdemos a habilidade de ver Deus nas pequenas coisas e como consequência raramente o vemos. E pior ainda, concluímos que ELE está ausente. Precisamos urgentemente de renovar nossa fé. Esta fé que consegue enxergar uma tempestade vendo apenas uma nuvem do tamanho da mão de um homem e saber que ali está a resposta da oração de três anos!

Não estou falando de crendice fácil ou de fé barata ou ainda de satisfação com insignificâncias. Estou pensando na habilidade demonstrada por muitos servos do Senhor e pelo Mestre de ver aquilo que os olhos humanos não entendem. De ver além do mero raciocínio. De crer nas pequenas demonstrações da ação de Deus. Se há algo que a Bíblia nos ensina é a não menosprezar a ação de Deus. Meditemos um pouco em alguns episódios bíblicos.

Imagine que você fosse o faraó do Egito. Vê chegando ao palácio um velhote de 80 anos andando apoiado num bordão, sujo do deserto, cheirando a ovelhas que lhe diz que vem da parte do Deus altíssimo. Acreditarias? Daria ouvidos a seu discurso? Era uma nuvem pequena demais... mas era o homem de Deus para o momento e pelo poder do Senhor o Egito se curvou diante daquele bordão de pastor( Êxodo 4:18-31).

Imagine que você fosse um habitante de Belém e visse duas mulheres chegando de Moabe. Uma delas, já idosa, e a outra com características claras de ser uma estrangeira. Daria algum valor? Tiraria alguma conclusão? Era uma nuvem pequena demais... mas da descendência daquela mulher estrangeira nasceria o maior rei da história de Israel, aquele que daria nome à sua capital e seria o antecedente do Messias( Rute 1:16-22).

Imagine que acompanhava Samuel à casa de Jessé e depois de ver passarem seus belos filhos mais velhos, Eliabe, Aminadabe e Samá via chegar o caçula, ruivo, de aspecto ainda um tanto pueril de olhar límpido e barba rala clarinha. Faria grande julgamento dele? Acreditaria em seu potencial? Era uma nuvem pequena demais... mas era ele o escolhido de Deus, o ungido do Senhor, o vencedor de Golias, o fundador da dinastia eterna, o grande Davi ( I Samuel 16:1-13).

Imagine que estava às portas de Babilônia e via chegando um bando de prisioneiros. Entre eles, alguns jovens de olhar assustado. Um deles com ar medidativo e abstraído do que se passava. Eram escravos, de um povo conquistado, numa terra estrangeira e cheia de novidades desconhecidas. Que se poderia dar por eles? Como acreditar em seu futuro? Logo estariam assimilados. Eram nuvens pequenas demais... mas ali estava um que seria primeiro ministro de Nabucodonosor e sobreviveria ao próprio império babilônico para ser ainda grande na dominação dos Persas ( Daniel 1:1-21; 2:47-49).
"Nosso Deus gosta de usar as coisas pequenas deste mundo para confundir as grandes! "

Jesus foi o Mestre das nuvens pequenas. Ele valorizou a oferta minúscula da viúva pobre, recebeu crianças pequenas sem valor, gastou tempo com a mulher samaritana (levaria ao ganho de toda a aldeia para o reino), viu Zaqueu escondido na árvore. Jesus não desprezava as nuvens pequenas porque sabia ver nelas a chuva da abundante graça de Deus.

Quero ver melhor. Quero olhar o céu e mesmo quando só puder ver uma nuvenzinha do tamanho da mão de um homem saber que é sinal de chuva grossa. Quero aprender a avaliar como o meu Senhor a ver o meu Deus nas pequenas coisas e não só nas grandes. E o convido a entrar nessa senda comigo. É um caminho estreito, mas abençoado. Pouco percorrido, mas feliz. De pouca divulgação, mas muita glória. É o caminho daqueles que crescem na capacidade de ver com os olhos da fé. Pela misericórdia do Deus que sejamos despertados para essa caminhada.

GPS - não erre o caminho!

GPS – Global Positioning system, ou sistema de posicionamento global. Algo que até uns poucos anos parecia ficção científica própria de James Bond, hoje se tornou quase obrigatório. Já usou um? Tem um no seu carro? Uma voz feminina que lhe indica o caminho, vai dizendo quantos quilómetros faltam, quanto tempo falta, avisando antecipadamente que curva vai fazer. É o máximo! Você não faz ideia onde é o lugar mas chega sem erros...

Ou talvez sua experiência não seja tão clara assim. O GPS o mandou para um lugar totalmente diferente, mas com o mesmo nome. Ou então levou-o por uma estrada secundária, cheia de buracos e passagens estranhas, quando havia uma estrada mais fácil, apesar de um pouco mais demorada. Ou ainda pode ser que o GPS simplesmente não tenha informação sobre o lugar ou a estrada porque ainda não foi colocado no sistema. Enfim, o maravilhoso GPS não é tão infalível assim!

E é claro que você pode ser daqueles que resolveu experimentar o tal do GPS num caminho que já conhecia, só para experimentar, e de repente, se viu discutindo com a voz no aparelho que aquela não é uma boa escolha de estrada, esquecendo que está brigando com uma gravação e não com a esposa.

Na verdade, todos precisamos de direção. A vida é feita de muitas viagens, curtas e longas, muitas curvas mais ou menos apertadas e todos temos dúvidas, questionamentos e perguntas. Ora, um GPS serve exatamente para esses momentos, só que o GPS mais usado hoje em dia e mais divulgado é outro. Trata-se de um GPS, mas com iniciais que significam: GUIE-SE POR SI. Ou seja, guie-se por si mesmo!

Filmes, seriados de TV, best-sellers internacionais, mestres em psicologia, apresentadores de talk show e manuais de auto ajuda repetem um verdadeiro mantra da cultura ocidental moderna: Siga seu coração, olhe para dentro de si mesmo, faça seu próprio destino! Essa mensagem começa nos filmes da Disney e vai se repetindo por toda a mídia, em todos os níveis.

O que essa mensagem indica é que você deve tomar suas decisões basicamente seguindo seus instintos e sentimentos. Nem sequer há grande apelo ao raciocínio. A mensagem do mundo é que se olhar para dentro de si vai saber a resposta. Algo meio “elementar” vai lhe dizer o caminho. Uma espécie de GPS cósmico vai dirigir você. Siga seus instintos primitivos, faça o que seus sentimentos pedirem, dê asas a sua imaginação e lembre-se de que é dono de seu nariz e de seu destino...mensagens perigosas e nocivas!

Essa mensagem não somente não é bíblica como tem levado milhões a becos sem saída. Como um GPS desactualizado, leva multidões a atos de loucura, gestos de insanidade, palavras de maldição. Com base nos instintos e sentimentos crianças se matam, adolescentes desgraçam suas vidas, jovens cometem barbaridades e adultos inventam aberrações. Semanalmente vemos nas noticias ou ouvimos de amigos e conhecidos acerca de decisões que estragaram vidas, famílias, carreiras e relacionamentos. Tudo porque as pessoas tem se deixado levar pelo maldito GPS, "Guie-se por sí"

A Palavra de Deus nos afirma que o Senhor deve estar em primeiro lugar em nossas vidas e nos mostra um verdadeiro GPS celestial: o GUIE-SE PELO SENHOR!. Leia suas coordenadas e veja como são simples:

1) SEGUINDO A PALAVRA
 “Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra e luz para o meu caminho
Salmo 119:105

Temos na Bíblia direção segura naquela que é a revelação da vida, vinda do Criador para a criatura.
A palavra de Deus edifica, anima, consola, corrige, mostra, dirige.
Toda Escritura Divinamente inspirada é proveitosa
 para ensinar, para redarguir, para corrigir,
para instruir em justiça;
 para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente
 instruído para toda a boa obra” II Timóteo 3:16 e 17.
 Num mundo de instintos selvagens a Palavra nos mostra um caminho melhor e ninguém que a siga ficará confundido ou sem saída.

2) OUVINDO CONSELHOS
 “Não havendo sábia direção o povo cai;
 mas na multidão de conselheiros há segurança
Provérbios 11:14
Melhor do que qualquer GPS é a orientação segura de um amigo. O GPS pode errar, mas um amigo que conhece a estrada me guia com segurança, me leva num ritmo que posso seguir, me avisa dos buracos, me mantém alerta aos problemas. Porque deveria confiar em instintos animais quando posso conversar com quem já percorreu este caminho? Porque depender de sentimentos se há sabedoria nos que já viveram esse dilema? Aquele que procura conselho com os sábios certamente encontrará mais segurança do que o afoito por mais corajoso que seja.
3) VIVENDO A COMUNHÃO
Consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor
e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como Igreja,
segundo o costume de alguns, mas procuremos
 encorajar-nos uns aos outros...” Hebreus 10:24 e 25

O Senhor deixou-nos a Igreja exatamente porque sabia que a caminhada é difícil, as distâncias são longas, as curvas são confusas e a perseverança é fundamental.
Melhor é serem dois do que um, porque tem melhor paga do seu trabalho.
Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro:
mas ai do que estiver só; pois caindo,
não haverá outro que o levante” Eclesiastes 4:9 e 10.

O individualismo moderno é incentivado pelo inimigo de nossas almas exatamente porque ele sabe que é muito mais fácil derrubar aquele que segue sozinho. Se esse que vai sozinho decidir viver pelos instintos e sentimentos, então será presa das mais fáceis. Mas aquele que vive a comunhão da igreja de Cristo descobre a realidade da nova humanidade em Cristo. Uma relação criada por Deus, alimentada pelo Espírito Santo onde há encorajamento, consolo e direção. Aquele que vive a comunhão na igreja certamente terá muito maior segurança na caminhada do que aquele que segue por seu próprio instinto.

A Escolha, como sempre, acaba por ser nossa. Algum tipo de GPS usará. Pode ser o Guie-se por si do mundo ou o Guie-se pelo Senhor da Palavra. Escolha a segurança dos braços do Pai e não discuta. Seja abençoado no caminho e abençoe!
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SONHO DE DEMBA (VERSÃO REVISADA)

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