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11 Dias em 40 anos...

Já teve a sensação que algo relativamente fácil demorou a acontecer? Já percebeu que, em nossas vidas, há coisas que sabemos que devemos fazer mas acabamos levando "séculos" para fazê-las? Determinamos que algo é necessário, sabemos que será o melhor para nós, mas simplesmente não fazemos e o tempo vai passando... Podem ser coisas simples como uma dieta ou o início de um programa de exercícios físicos. Pode ser algo mais sério como a resolução de um problema, um conflito ou o acertar de nossas vidas com Deus por meio de devoção e disciplina. Simplesmente vamos ficando onde estamos e o tempo vai passando.

Em Deuteronómio 1:2 e 3 lemos que o povo de Israel levou 40 anos para fazer uma viagem que demoraria 11 dias. Pense bem! Em vez de 11 dias eles levaram 40 anos de caminhada. E o Senhor finalmente lhes diz no verso 6: "Já ficaram tempo demais aqui, tratem de andar...". Chega de esperar, chega de protelar... saiam do marasmo e tomem posse do que já vos preparei há tanto tempo. E porque é que demoraram tanto?

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque viviam no passado.
Repetidamente reclamavam de Moisés lembrando do que tinham no Egito. E o mais incrível é que no Egito eram escravos... levaram 400 anos chorando para que Deus os libertasse. Uma vez livres, choravam, porque já não tinham as mesmas coisas do Egito. É extraordinária a mente humana. Já tinham esquecido das jornadas de trabalho forçado, das torturas e espancamentos, do verdadeiro genocídio que tinham sofrido. Viviam chorando pelo passado, paralisados pela recordação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque não tinham capacidade para crer.
O Senhor lhes dera provas indiscutíveis de seu poder. Mas o povo não acreditava. O povo de Israel nesse período é a maior evidência de que milagres não são a solução do problema humano. Ninguém viu tantas maravilhas e no entanto, não criam no poder do Senhor para lhes dar a vitória na terra prometida. A falta de fé era debilitante a paralisante e não os deixou progredir.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque permitiam que uma mentalidade negativa e uma auto imagem degenerada os dominasse.
Olhavam para tudo com uma atitude de pobres miseráveis. Tinham sido libertos da escravatura física mas a carregavam no coração. Ainda se viam como povo fraco e dominado, sem direção e sem propósito. O Senhor os dirigia, dava-lhes alimento diário e líderes de qualidade mas ainda olhavam para si mesmos como presa fácil para qualquer adversário. Essa mente pequena impedia qualquer ação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque esperavam que as coisas aparecessem feitas.
Se ao menos alguém expulsasse os cananeus... se ao menos os gigantes fossem embora... se ao menos a terra estivesse vazia e as casas arrumadas e com comida pronta na mesa... eles então agiriam. Nem sequer queriam se dar ao trabalho de ouvir a Deus diretamente. Queriam que Moisés fosse ouvir e depois desse o relatório resumido. Não queriam se dar a nenhum trabalho e assim passaram décadas vivendo num deserto.

Por vezes passamos por desertos em nossas vidas. São inevitáveis e são difíceis de atravessar. Mas por vezes acampamos neles e aí ficamos por culpa própria, por incapacidade nossa, por falta de confiança no Senhor para caminhar para fora. Por vezes poderíamos vencer o deserto em 11 dias e ficamos por lá perambulando por 40 anos...

Deixamos de progredir quando paramos nossa visão no passado. Por melhor ou pior que tenha sido nosso passado ele não precisa determinar nosso presente e nem limitar nosso futuro. Se fomos vitoriosos louvemos ao Senhor e sonhemos com novas vitórias e mais altas. Se sofremos no passado vamos perdoar, agradecer pela sobrevivência e deixar as mágoas porque são fardo pesado demais para quem quer avançar. Já chega de carregar o passado. Vamos permitir que o Senhor nos carregue para o futuro.

Deixamos de progredir quando nos falta a coragem para crêr. Temos suficientes evidências em nossas próprias vidas e a nossa volta para sairmos do marasmo e crescermos. Mas é preciso um primeiro passo de fé. É preciso confiar. Sem fé é impossível agradar a Deus, e sem a graça de Deus não há como conquistar nada nesta vida.

Deixamos de progredir quando permitirmos que o inimigo nos mantenha com uma mentalidade de escravos. O adversário de nossas almas é especialista em depressão, complexo de inferioridade, ansiedade exacerbada, auto imagem negativa. Ele trabalha em nossas mentes mostrando constantemente nossa fraqueza, nossos defeitos, nossa incapacidade. Atenção: quando o Espírito Santo convence do pecado é para arrependimento, perdão e progressão. O maligno nos mostra o erro em nós apenas para derrubar e deprimir. Esta mais do que na hora de firmar a mente na Palavra do Senhor. ELE escreveu o livro e em sua versão da história (a versão verdadeira) somos filhos amados, perdoados, capacitados, enriquecidos e seremos vitoriosos! É a versão dEle que interessa.

Deixamos de progredir quando empurramos para outros a nossa responsabilidade. Queremos que outros façam por nós, que outros assumam nossos riscos, que outros lutem nossas lutas. Assim nunca avançaremos. O Senhor nunca falha na sua parte, mas nunca assume o que já nos delegou. Nossa parte é buscar a comunhão, submeter nossa mente, emoções e vontade ao seu controle e seguir sua orientação e comando. Só nós podemos fazer isso por nós. Façamos e a vitória virá.

Desertos virão e teremos que atravessá-los. Se vamos levar 11 dias ou 40 anos depende essencialmente de nós. O Senhor nos quer dar a terra prometida. Não acampemos na desolação. Os servos do Senhor herdarão a terra. Entenda de Deus qual a sua parte da herança e vamos possuí-la!

ELE DEVERIA...

O paciente chegou aparentemente estável ao hospital. Não parecia ser daquelas urgências prioritárias. Esperou sua vez de atendimento sem queixas maiores. Mas, quando o médico o examinou a suspeita ficou no ar. Era mais grave do que parecia.
O médico estava sobrecarregado, cheio de doentes para ver. Pensou em atuar de certo modo,  mas acabou por deixar o paciente ir embora com uma medicação simples. Algumas horas depois ele entrou novamente na urgência, mas desta vez já vinha morto numa maca...

Histórias assim levam-nos à indignação. "Negligência", grita um, "Mal exercício da função" diz outro. Ninguém perdoa. Ele deveria... Não fez nada de mal em teoria, não foi ele que provocou a morte, não foi ele que fez o paciente ficar doente, não foi sua prescrição que o matou. Foi a falta dela. Foi algo que sabia, que deveria ter feito e não fez. Foi pura e simples omissão. Mas foi fatal e nós clamamos ao céu por justiça.

Na verdade, de um modo geral, condenamos mais vivamente os pecados activos dos que os passivos. Mais facilmente nos horrorizamos com um adultério ou uma agressão do que com a passividade de assistir a uma maldade sem dizer nada ou a falta de gentileza e amor num casamento. Às vezes podemos ser levados a pensar que os pecados de omissão são coisa pessoal. Opção de cada um e ninguém tem nada a ver com isso. Mas num caso como o citado a situação muda de figura.

A Omissão pode ser fatal. E é! Mas não só em casos médicos.  É em tudo na vida. Tiago, que era claro e direto, foi perentório: "Aquele que sabe o bem que deve fazer e não o pratica comete pecado" (4:17). Num certo sentido bem prático somos todos culpados do erro do médico já referido. Pense comigo:

1) Omissão na Vida Física
Todos sabemos que é preciso ter cuidado com a alimentação, não abusar de doces, gorduras e sal, mas continuamos comendo de tudo sem restrição e prejudicando nosso organismo. Sabemos que é preciso algum tipo de exercício físico, nem que seja caminhar, mas levamos vidas de sedentarismo puro pegando o carro para ir à esquina. Sabemos que é necessário fazer exames médicos periódicos e controlar certos valores como o colesterol, a glicemia, a tensão arterial e fazer exames preventivos de cancro, mas passamos anos sem visitar o médico.

Infelizmente só quando já sofremos um enfarte, uma trombose, uma crise renal ou começamos a ter diabetes é que lembramos de tudo isso. Deveríamos ter tido cuidado. Sabíamos o que era preciso fazer, mas não o fizemos.

2) Omissão na Vida Material
Sabemos que os recursos são limitados e é preciso poupar, mas gastamos tudo que recebemos e quando surge uma urgência não sabemos o que fazer. Sabemos que um orçamento familiar cuidadoso é essencial à vida doméstica, mas gastamos sem fazer contas até o cartão de crédito ser rejeitado. Sabemos que não devemos nos endividar, mas entramos em prestações desastrosas para ter coisas que na verdade pouco acrescentam à nossa vida a não ser dor de cabeça. Sabemos tudo isso. Já vimos pessoas que o fazem e comprovamos que em suas vidas são mais tranquilos e equilibrados. Deveríamos ter esses cuidados, mas não temos. Por regra, somente quando a casa cai  é que mudamos. Quando as dividas já são excessivas, quando é preciso devolver a casa ou arranjar um terceiro emprego. Sabíamos o que era preciso fazer, mas não o  fizemos.

3) Omissão na Vida Social e Familiar
Sabemos que devemos trabalhar nossos relacionamentos. Ser mais amigos e compreensivos no trabalho e na escola, dedicar mais tempo a ouvir. Sabemos que devemos cultivar nossas amizades, fazer e manter nossos amigos mais preciosos, mas nunca há tempo para os outros e quando precisamos de alguém parece que não há ninguém a quem possamos chamar.

Sabemos que precisamos dar mais tempo à família, ao casamento, aos filhos. Que é urgente separar tempo para namorar, conversar intimamente com nosso cônjuge e orar juntos. Sabemos que é preciso criar momentos que alimentem nosso amor, demonstrar carinho e apreço no dia-a-dia, usar de palavras que animem e incentivem, dar lugar ao romance com periodicidade mas os dias passam e as tensões aumentam e um dia descobrimos que precisamos de conselheiro matrimonial, porque nosso amor passou à história.

Sabemos que é preciso ouvir os filhos, saber de suas atividades, conhecer seus interesses, participar de seus passatempos, ajudar em seus estudos, conhecer seus amigos, controlar seu lazer e sua internet. Mas nunca há tempo disponível e muitas vezes só acordamos quando há sinais evidentes de falha escolar, abuso de substâncias químicas ou o relacionamento familiar desmorona-se. Sabíamos o que era preciso fazer, mas não o fizemos.

4) Omissão na Vida Espiritual
Sabemos que é fundamental ler a Bíblia e orar diariamente, passar tempo com o Pai. Sabemos que é útil ler bons livros evangélicos, ouvir boas mensagens, ter tempo pessoal de meditação e louvor. Sabemos que o domingo é dia do Senhor e deveríamos passa-lo na igreja na comunhão dos crentes. Sabemos que temos dons e deveríamos usa-los em ministérios para a Glória de Deus. Mas os dias e anos passam e nunca há tempo para orar a não ser rapidamente nas refeições ou desesperadamente nas crises, nunca há tempo para ler a Bíblia a não ser em cultos esporádicos, os domingos servem para tudo (arrumar a casa, fazer o trabalho em atraso, estudar para as provas) menos para a igreja e os dons ficam enterrados. Então, um triste dia as lutas chegam, o vento é contrário, o casamento desmorona, os filhos se afastam, o emprego se perde e descobrimos que não temos bases para enfrentar nada disso. Sabíamos o que era preciso fazer, mas não fizemos.

Conclusão:
Na história de abertura falei de um médico que deveria ter agido, mas não o fez e o paciente morreu. Sabemos de muitas coisas que devemos fazer e priorizar. Não fazê-lo coloca em risco fatal nossa saúde, nosso orçamento e conta bancária, nossas amizades e relacionamentos, nosso casamento e filhos e, sobretudo, nossa vida com Deus.

Então, em nome de Jesus e pela graça de Deus vamos parar de falar do que devemos fazer e começar a fazê-lo. E que o Senhor nos dê a força para perseverar.
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