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O Silêncio do Céu

Hoje temos muita dificuldade em viver com o silêncio. A maioria de nós já esqueceu o que isso significa. Estamos constantemente rodeados de barulho. Barulho de carros, de pessoas, de obras, de trabalho, de crianças, de animais… dos meios de comunicação, etc. É um mundo barulhento o nosso. Mas a verdade é que quando o silêncio porventura chega nós estranhamos.
Se uma pessoa fica calada e não nos fala ficamos preocupados ou irritados. SE a TV deixa de fazer barulho concluímos que ou alguém apertou o botão MUTE ou então está estragada. Resposta é essencial, barulho é vida… E quando o Céu se cala então é ainda pior… Somos incentivados a orar. Ouvimos que a oração tem poder. Cremos e oramos e… nada acontece. As doenças continuam, o desemprego se arrasta mais uma semana, a pessoa má que nos persegue parece ter ficado ainda pior, aquele problema lá em casa não se resolveu e ainda apareceram dificuldades novas que eu nem tinha percebido. Conclusão: Não vale apena orar! O Céu é mudo! A oração é inútil.
Todo crente sincero já passou por isso. Mesmo os chamados gigantes da fé, os santos do passado, já viveram essa sensação. Foi um monge dedicado ao extremo que cunhou o termo “noite escura da alma”. São João da Cruz referia exactamente ao período de silêncio do céu em que tudo parece escuro em solução. Desde o livro de Jó, provavelmente a estória mais antiga da Bíblia, passando pelos Salmos e chegando a Paulo que ouvimos e mesmo eco. O homem gemendo diante do aparente silêncio do céu que parece deixa-lo sem resposta. Afinal porque isso acontece? Temos respostas bíblicas para esse silêncio? Porque nossas orações não são, por vezes, respondidas? Quais os maiores empecilhos à oração?
Empecilho 1: Não orar
Em João 16:24 Jesus lembrava aos discípulos “Até agora nada pedistes em meu nome…” e Tiago parece fazer eco dessas palavras mais tarde quando diz: “nada tendes porque nada pedis” Tiago 4:2b A verdade maior é que falamos muito de oração, concordamos sobre a oração, discutimos sobre oração, mas oramos pouco. Passamos dias e semanas sem nos lembrarmos de clamar. E então, na hora do aperto, fazemos uma oração SOS, oração 112, rápida e urgente e ficamos zangados porque Deus não respondeu.
Mas, oração é comunhão! Oração é convívio! Imagine que fica sem falar com sua esposa durante 15 dias e então na hora da necessidade corre para ela com um pedido exigente… será de estranhar que ela tenha dificuldade em responder. Notemos bem. O Senhor mesmo assim ainda nos abençoa e responde, mas por vezes não o faz. Não fiquemos tão assustados assim. Há uma razão! Precisamos começar a levar a oração a sério.
Empecilho 2: Viver em Conflito
Jesus orientava os discípulos sobre oração e vida cristã e disse: “Se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti deixa ali a tua oferta e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão” Mateus 5:23 e 24. E novamente Tiago faz eco do seu irmão quando diz: “Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar; combateis e guerreias e nada tendes…” Tiago 4: 2. Pedro Se referia a isso também de modo específico para o casamento quando escreveu: “Vós maridos, coabitai com vossas mulheres com entendimento, dando honra à mulher… para que não sejam impedidas as vossas orações” I Pedro 3:7.
Como esperamos que o Senhor ouça nossas orações quando nossas zangas e brigas e irritações e amarguras enchem o coração e gritam em meio a nossas orações? Queremos que o Pai de Amor nos ouça quando nossas vidas estão cheias de falta de perdão, de expressões de raiva por outros, de recordações negativas que alimentamos com todo cuidado dia a dia. Um coração repleto de mau querer dificilmente poderá chegar ao céu. Fecha-se a graça porque a bênção de Deus é imerecida e quando vamos a ele cheios de auto justificação excluímos a acção do mediador que é o único que nos pode dar acesso ao trono de Deus. Perdoar é o caminho da libertação e da abertura dos céus para muita gente.
Empecilho 3: Pecado escondido
O Salmista aprendeu essa lição e a deixou para a posteridade quando declamou: “Se eu atender a iniquidade no meu coração, o Senhor não me atenderá” Salmos 66:18 e o profeta concordou plenamente ao dizer ao povo: “As vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós para que não vos ouça” Isaías 59:2. E o Senhor sofria com isso. Ele desejava abençoar. Não queria ficar em silencia antes fazer ouvir sua voz e sua bênção, mas o povo de Deus, que sabe o caminho do perdão e da retidão precisava lidar com seus pecados de modo sério para que as portas do céu se abrissem. Pecado é como um enorme guarda-chuva que impede que as chuvas de bênçãos cheguem a nossas vidas. A remoção foi ganha por Jesus na Cruz, a solução é I João 1:9.
Empecilho 4: Egoísmo/Pedir mal
Novamente Tiago com seu coração pastoral prática exortava a igreja: “Pedis e não recebeis porque pedis mal, para os gastardes com vossos deleites” Tiago 4:3. Jesus havia avisado aos discípulos: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz e siga-me” Marcos 8:34. Por vezes oramos sem discernimento, sem sensibilidade, sem a devida submissão a vontade de Deus. Achamos que sabemos o melhor e por vezes até que o merecemos. Com corações egoístas e fechados rogamos ao Senhor por coisas que na verdade não são da sua vontade e são apenas desejo nosso. Será que Ele nos prometeu dar tudo que quiséssemos? Sem discriminação? Isso seria possível? Seria correto? Creio que mesmo se desejarmos de outro modo podemos ver que não há sentido nisso. O Senhor nem pode nos dar tudo que pedimos porque não seria nem bom para nós nem para os outros. Aprender a orar de acordo com a vontade do Pai é meio caminho andado para recebermos as bênçãos e respostas desejadas.
Empecilho 5: Falta de perseverança
O Senhor deixou claro que Deus esperava perseverança da nossa parte. Seria como que um exercício espiritual, parte da disciplina. “E contou-lhes uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer” Lucas 18:1. Onde está o tempo da fé? Onde exercemos nossa confiança em Deus? Se recebermos sempre tudo que pedimos na hora que pedimos onde fica o exercício da fé. Ninguém aprende uma língua na primeira semana de aulas. Ninguém fica musculado no primeiro mês de ginásio. Ninguém perde 20 kg nos primeiros dias de dieta.
Nesta vida aquilo que têm real valor exige persistência. Porque seria diferente com a oração? O que está pedindo a Deus? É algo de valor? Então merece a sua perseverança. Não desanime no início da luta-Não baixe os braços no início da caminhada. Persevere com o Senhor, Insista em sua presença. Valorize seu tempo com ELE. Entenda que a oração é bênção mesmo quando as respostas não acontecem exactamente quando queremos, porque quanto mais tempo investirmos nela, mais forte seremos na comunhão com Aquele que nos ama e que é nosso Pai Celeste.
Empecilho 6: Ele Sabe…
Mas há aquelas situações em que nada do falado cabe. O crente ora, persevera e não tem respostas. Avalia sua vida e vê que não pecado escondido, não há zangas retidas e amarguras guardadas, os motivos de oração são puros, os pedidos não são egoístas e mesmo assim não há alivio nem solução. Como entender?
Nem sempre será claro. A verdade é que vivemos numa dimensão física e a maioria das coisas do mundo espiritual nos passa ao lado. Jó é uma dos maiores exemplos da Palavra. Ele era justo, correto, benevolente, ajudava os outros, aconselhava a todos, cria em Deus e se guiava de modo correto e no entanto sofreu de modo atroz. Fez perguntas, e no fim reconheceu que estava arguindo o Senhor sobre aspectos que não conhecia. A verdade nua e crua era essa: Ele não sabia. Não sabia o que se passava no mundo espiritual. Não sabia mas confiava. Sua afirmação mais duradoura para nós foi: “Porque sei que meu redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” Jó 19:25.
O Próprio Senhor Jesus viveu seu momento de solidão e dor quando no Getsémani e na cruz se sentiu abandonado. Mas sua conclusão foi: “Seja feita a tua vontade e não a minha”. E em última analise será essa a questão em alguns casos. Não sei porque mas confio que o Senhor é amor, sabe o melhor e se não agiu é porque não seria o melhor. Não entendo, não faz sentido para mim, mas reconheço que nem tudo posso entender e confio que seu amor é perfeito e um dia entenderei. Vivo nessa dependência porque aprendo que “o justo viverá da fé” Romanos 1:17

Fé que Remove Montanhas – A Vida de George Muller

O grupo de mais de 100 crianças levantou à hora habitual e fez suas orações. A algazarra comum nas casas de banho encheu a casa de risos e correrias. Logo, estavam todos no refeitório onde as assistentes os aguardavam. As mesas do pequeno-almoço estavam vazias, mas o Senhor à cabeceira sorria como todas as manhãs e depois de cumprimentar as crianças as dirigiu numa oração de gratidão pela que iriam comer. Enquanto oravam ouviu-se uma batida na porta. No fim da oração foram atender e um padeiro entrou com vários cestos cheios de pães. Olhou o responsável e disse: Esta noite não consegui dormir, sentia uma forte impressão de que devia fazer pão para o orfanato, não deu para resistir e levantei as 3 da manhã para os fazer e aqui estão, admiro o trabalho que o Senhor está a fazer, é algo nobre, que Deus o abençoe. Assim já tinham pão e puderam orar novamente agradecendo e enquanto o faziam nova batida na porta trouxe o leiteiro… esse é um dos episódios bem conhecidos da vida e obra de George Muller.

Fé é uma das atitudes mais comuns do homem. Deus nos criou com a capacidade de crer. Fomos feitos assim e temos prazer em acreditar. O cepticismo, a ironia, a falta de confiança é um defeito que aflige muitos corações por causa de experiências negativas. Mas o coração que se fecha para a capacidade de crer perde a grande maioria das bênçãos da vida e por fim deixa mesmo de poder viver em comunidade.

Todas as pessoas têm fé. Todos a exercem de um modo ou de outro. É preciso fé para as coisas mais simples como entrar num autocarro, tomar um galão no café da esquina ou sentar numa cadeira em local público. Esses atos são atos de fé na capacidade de motorista do autocarro, na correcção do empregado no café e na perícia do carpinteiro que fez a cadeira. As pessoas são capazes de crer nas coisas mais estranhas. Por exemplo, no fim do ano passado houve muita gente que creu que o mundo ia acabar por causa de uma antiga profecia maia… há quem creia que as pirâmides foram construídas por seres extra terrestres… e diariamente vemos gente que acredita novamente naqueles que já provaram não ser dignos de confiança…

A Bíblia nos fala de 3 tipos de fé:

O primeiro tipo é o tipo salvífico, a fé para a salvação. Vemos isso de modo claro na vida de Jesus. Várias vezes ele disse as pessoas sobre a sua fé como a base da salvação. Em Lucas 7 ele diz a mulher pecadora que lhe lavou os pés: vai, a tua fé te salvou. Em Lucas 8 ele diz a mulher com fluxo de sangue que o tocou: tem bom ânimo filha, a tua fé te salvou. Em Lucas 17 ele diz ao leproso agradecido no meio dos 10 curados, levanta-te e vai, a tua fé te salvou. E em Lucas 18 o Senhor diz a Bartimeu o cego, vê, a tua fé te salvou.

Essa fé salvadora é a fé em Jesus como o salvador, o Filho de Deus, Deus encarnado que veio para nos resgatar. É a fé que entende sua obra na cruz como a obra da redenção da humanidade, que se rende ao que Ele fez por nós. É a fé sobre a qual Paulo escreveu aos Efésios ao dizer: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus, não vem das obras para que ninguém se glorie." A fé salvadora não é de todos. Muita gente crê em muitas coisas, mas a fé pura e simples não salva. O que salva é a fé em Jesus. Fé sim, mas no lugar certo, na pessoa certa.

O segundo tipo de fé é um dom o ES dado a alguns crentes. Na listagem de dons dados por Paulo em I Coríntios 12 ele diz: e a outro pelo mesmo Espírito a fé… Essa fé é uma capacitação especial para crer que o Senhor concede a alguns salvos para que por meio dela possam abençoar e edificar a igreja. Sendo dom cai na categoria dos demais. Não é de todos, é dada a alguns para o benefício comum. Tem que ser identificada, entendida e exercitada para crescer.

E há um terceiro tipo de fé que o Senhor pede de todos os salvos. Aquela descrita em Hebreus: Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Hebreus 11:1 e Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Hebreus 11:6

A palavra é clara na medida em que deixa bem explícito que sem esse tipo de fé não é possível agradar ao Senhor. Essa não é a fé que salva e nem a fé dom do ES pois só alguns a têm. É a fé que o Senhor espera de todos os salvos. A fé que faz remover montanhas. Foi Jesus que disse aos seus discípulos em Mateus 17:20: Por causa de vossa pouca fé; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. 

Os discípulos tinham falhado na libertação de um menino que era atormentado por espíritos maus. A causa? Pouca fé. Jesus não estava falando de montanhas literais, mas de obstáculos que surgem em nossas vidas e que não sabemos ultrapassar. Nossa maior dificuldade é que tentamos removê-los com as mãos e pela nossa força. Seria tolo tentar mover uma montanha com as mãos… também o é tentar deste modo com as montanhas que aparecem em nossas vidas. Temos que aprender a confiar.

A fé que todo crente precisa ter é desenvolvida. Como um músculo ela exige pouco no começo e vai crescendo na medida de nosso compromisso com Deus. O triste é que há crentes que passam a vida cristã inteira sem nunca crer, sem nunca exercitar um pouco de fé. Estão salvos mas não usufruem de nada do que o Pai tem separado para eles, porque não conseguem crer, não conseguem dar o primeiro passo de fé em direcção ao Senhor. Biblicamente, podemos pedir mais fé, podemos rogar por fé no meio da incredulidade, mas precisamos começar em algum ponto.

George Muller é um exemplo moderno de fé digno de figurar entre os heróis de Hebreus 11. Nasceu em 1805 no então reino da Prússia,de um pai que era funcionário público e que desejava ver George no ministério da Palavra não por ser crente, mas porque era uma profissão respeitável e de boa remuneração. No entanto, George aprendeu o triste hábito de roubar desde cedo. Seu pai colectava impostos e George roubava o saco dos impostos e entrou numa vida de enganos e golpes que o levaram à prisão com 16 anos. Ficou um mês preso até que seu pai pagou a fiança e o enviou a Halle para estudar para o ministério. Ali ele conheceu um jovem crente chamado Christofer e este o levou a um estudo bíblico na casa de Johan Wagner. Foi ali que George conheceu a fé simples e uma vida cristã genuína e se converteu.

O caminho de George foi difícil desde então. Decidido a viver na vontade de Deus ele entendeu que deveria se dedicar ao trabalho missionário pelo que seu pai o deserdou e parou de pagar sua pensão. George recorreu a oração e surgiram alunos americanos que precisavam aulas de Inglês e assim ele pode continuar seus estudos. No fim destes seguiu para a Inglaterra de onde deveria ser enviado para o campo missionário entre os judeus que era seu plano, mas estourou a guerra entre a Turquia e a Rússia e ele não pode ir. Liga-se então a um pastor escocês batista de nome Henry Craig e conhece por meio dele os escritos de Antony Groves. 

Antony era um missionário que defendia a vida pela fé na dependência total de Deus. George passa a orar nesse sentido e quando conhece a irmã de Groves se apaixona por ela e acabam por casar com o propósito de viverem apenas da graça de Deus. Decidiram não pedir nada a ninguém e viverem daquilo que Deus colocasse em suas mãos. Foram morar em Bristol.

Bristol era um porto importante na Inglaterra mas que perdera boa parte de seu lucro como cancelamento do tráfico de escravos. A crise era profunda e havia milhares de órfãos vivendo nas ruas sendo que na Inglaterra só havia orfanatos para crianças de classe mais alta. Os pobres moravam e morriam nas ruas. George tem seu coração tocado por isso e em oração decide iniciar um orfanato para as crianças abandonadas de Bristol. Com que meios? Apenas os que Deus mandasse. Ele começou o trabalho assim em 1836 e em um ano já tinha 90 crianças em 2 casas alugadas. Depois de 2 anos de alguma facilidade por causa da novidade o trabalho se tornou árduo e por vezes a comida só chegava na hora da refeição. George nunca mudou seu modo de agir. Nunca fez propaganda, nunca pediu fundos, nunca fez publicidade. Orava e confiava e Deus provia.

Quando os moradores da rua seus vizinhos reclamaram do barulho dos orfanatos George entendeu de Deus que era hora de construir suas próprias instalações. Novamente orou e procurou terreno. O projecto era orçado em meio milhão de euros (valores actuais) e ele não tinha nada! Mas o Senhor como sempre foi dando. Ele só começou as obras quando tinha toda a verba e em 1849 eles inauguraram as novas instalações com 4 casas para duas mil crianças. Ao longo dos tempos o ministério de George e Mary Muller alcançou cerca de 120 mil órfãos e recebeu mais de 100 milhões de euros. Ele nada guardou para si e sempre viveu com os órfãos. As crianças eram ensinadas e treinadas para uma vida adulta e conseguiam bons empregos quando era hora de sair do orfanato. George Muller sabia o que era confiar. Um gigante da fé.

Não serão muitos de nós a ser chamados para viver assim. Não serão muitos a viver pela fé de modo integral como Muller, mas certamente temos que aprender com ele. Se um homem pode viver assim, se Deus abençoa um filho seu desta maneira, o que poderia Ele fazer de sua igreja? Fé é requisito obrigatório para a vida cristã. Vamos começar hoje, agora mesmo! Leve a Deus a sua mente e peça ao Senhor um desafio. Ele continua sendo o Deus de Abraão, de Elias, de Paulo e de Muller. Confiemos e cresçamos.


A Cruz mostra o tamanho

Gostamos de medidas! Temos aparelhos para medir quase tudo. Altura, peso, profundidade, cumprimento, densidade, quantidades. Medimos os valores de açúcar e colesterol, a densidade dos nossos ossos, a profundidade dos vales oceânicos, a altura das montanhas do himalaia e a distância a Marte. Mas há outras coisas mais difíceis de medir. Como medir a maldade? Como medir o amor? Ou a justiça? Mas há um medidor muito fiel de tudo isso – a cruz de Cristo.

Algo que atesta da extraordinária força do Cristianismo é exactamente o fato de ter tornado um símbolo de tortura em seu marco maior. Que religião poderia esperar ter sucesso usando como marca um instrumento de tortura e morte? Os experts em marketing certamente teriam dito aos primeiros discípulos que escolhessem outra marca. Vocês não querem ficar conhecidos por uma cruz… ninguém quer! Mas foi a cruz que se tornou símbolo mundial da fé cristã e entre outras coisas o fez porque nos serve de medida, mostra o tamanho.

A cruz mostra-nos o tamanho do nosso pecado. Como é fácil ver o mal nos outros e classificar de horror algo que o meu vizinho fez. Já não somos tão rápidos em relação a nossas falhas. Mas qual é o tamanho do pecado? Se quer saber olhe a cruz. Veja a dor, o sofrimento, a tortura e saberá. O meu pecado é do tamanho da cruz. É tão horrendo quanto ela, fez com que fosse necessária. O meu pecado é feio como a cruz, e a tornou obrigatória. Não podemos olhar com ânimo leve para algo que levou Jesus a tal sofrimento. Não podemos desprezar algo que faz com que tal tortura seja essencial.

A Cruz mostra-nos o tamanho do castigo que merecíamos. Todo mal precisa ser castigado. Ora na cruz vemos o tamanho do verdadeiro castigo. É grande, muito grande. O pecado é afronta a Deus. É um ato de rebeldia ao Senhor do Universo. Um ato de desobediência grave, uma blasfémia contra a pureza do Senhor. Quando pecamos estamos mostrando nosso lado maligno e a facilidade com que negamos o amor de Deus e aceitamos a proposta do mal. Pecar é agredir. Agredir a um Senhor que nos deu a vida e tudo o mais e que desejava apenas o nosso amor. O castigo para isso não podia ser pequeno. Rebeldia se trata com pena de morte. A cruz nos mostra isso.

A cruz nos mostra o tamanho da justiça Divina. Temos muitas vezes a falsa noção de que o Senhor não age como deveria. Muitas vezes desejamos que haja mais justiça no mundo. Vemos coisas terríveis acontecer e acreditamos que o Senhor não se importa, que Ele não aplica a justiça. Ficamos confusos diante do modo como coisas boas acontecem aos maus e coisas boas acontecem aos bons. Clamamos interiormente por justiça. E onde a encontramos? Na cruz. A cruz era necessária por causa da justiça de Deus. Ele não podia deixar o pecado passar impunemente. Tinha que o punir de forma exemplar. Quer saber o que Deus sente dos horrores do holocausto? Da forma como Ele age com pedófilos etc? Olhe a cruz e verá. O horror da cruz tem a ver com isso. Foi necessária porque  justiça de Deus exigia uma punição exemplar a tudo o que de terrível tem acontecido na história humana. Na cruz vemos a resposta de Deus a tudo isso.

Mas a cruz é sobretudo onde vemos o tamanho do amor de Deus. Se sente que há algo errado com a justiça de Deus ser aplicada sobre um inocente como Jesus é porque não entendeu a verdadeira mensagem da cruz. A justiça tinha que ser aplicada. Quem deveria suporta-la era eu e você. Na cruz Deus toma sobre si mesmo a pena que sua justiça exigia. Ele paga a dívida que não pode ser perdoada de outra maneira. E aí entendemos a graça, a Divina Graça. Dar o que não merecemos e não nos dar o que deveríamos receber. Jesus leva a nossa culpa, o nosso castigo, a nossa punição pelo nosso pecado. A troca é simples: meu pecado pela justiça dele. Meu erro por sua bondade. Minhas falhas e perversões por sua santidade e cuidado. Isso é a boa nova: que em Jesus e na cruz Deus nos pode perdoar porque Ele mesmo levou a punição.

Logo, grande salvação! A cruz nos mostra o tamanho da salvação que recebemos em Cristo e nos deveria levar a clamar imediatamente por perdão. Arrependidos e gratos recebemos de Deus sua graça e salvação e somos libertos da condenação.

Mais que palavras...


Quando as dificuldades chegam (e elas parecem sempre chegar) há em geral duas maneiras de reagir: negação e depressão. Ambas são erradas. Ambas prejudiciais. Ambas ineficazes para lidar com os problemas, mas ambas comuns à experiência humana. Negação é o ato de deixar de olhar para o que esta diante dos olhos. Depressão, por usa vez, é o ato de não conseguir olhar além do que está diante dos olhos. O que nega faz de conta que não vê, acha que se não reconhecer a crise talvez ela vá embora. O deprimido só vê a dificuldade e em seu entendimento é tudo que há e nada jamais haverá além disso. Os que negam precisam de ajuda para ver a realidade e saber que fugir dela não a muda, não a faz menos real e certamente não a transforma. Os deprimidos precisam ajuda para ver além de dificuldade e descobrir que há vida, há mais que aquilo que os cerca nesse momento mal. E para isso o que temos? A Palavra!
Palavras? Será a pergunta incrédula de muitos. Precisamos muito mais que palavras para vencer crises. Pode ser que sim, mas o que mais precisamos é de palavras e antes de termos as palavras certas não iremos a lado nenhum. Isso porque não está a se falar de quaisquer palavras. Não são palavras vazias, humanas, lançadas ao vento a ver se alguma resulta ou ajuda. Não são as palavras ocas e sem conteúdo que costumam encher nossos dias. São palavras de Vida. É a Palavra da Vida, vinda daquele que criou todas as coisas.
No princípio, antes de Deus criar o Universo, era tudo caos e confusão. Não havia organização, nem sentido, nem vida, nem sequer luz. Deus então falou! Sua Palavra criou todas as coisas. Criou a organização incrível que vemos no mundo. Criou as leis magníficas que regem a natureza e a física e a matemática. Criou a luz, o tempo, o nosso mundo e suas estações e criou a vida e o homem. E tendo criado o homem á sua semelhança Deus lhe deu o dom da palavra e a capacidade para entender que pela palavra pode também viver ou morrer, criar ou destruir, fazer ou desfazer.
Ezequiel 37:1 a 14 deve ser um dos textos mais significativos sobre o poder da palavra. O profeta tem a visão terrível e assustadora de um vale seco cheio de ossos esturricados pelo sol. Ali não há vida, só devastação. Haveria alguma perspectiva ali? Humanamente não. Tudo estava perdido, morto, seco, acabado. O Senhor pergunta ao profeta: há algo a fazer aqui? E este sabiamente responde: Tu sabes Senhor. E então vem a ordem: Fala, profetiza. Repete as palavras de vida que te dou e verás o que acontece. E Ezequiel obedeceu. Ele não podia antecipar o que viria. O texto nem sequer diz que ele cria que seria possível acontecer algo. Mas viu os ossos se juntarem, a carne voltar, os corpos se formarem e então novamente a questão: e agora? Agora que voltaram a ser corpos inteiros poderão viver? E a resposta foi novamente: fala, profetiza. E Ezequiel viu então o ES de Deus encher aqueles corpos de vida e os transformar num exército poderoso.
A isso somos chamados. A um mundo mal, perdido e desorientado, caído em decadência moral e desordem espiritual, ao homem desobediente e pecador, ao que nega e ao deprimido, somos chamados a falar. Profetizar as palavras do Senhor. Deixar que essa palavra entre em vidas, famílias, comunidades e as renove. Traga de volta o que ser perdeu. Junte o que estava separado, revista o que ficou sem conteúdo e encha de vida e espírito o que se julgava sem força ou alento.
Sem a Palavra ficamos sem fundamento, sem base ou direção. Sem a Palavra fazemos de Deus algo pequeno e humano. Algo que podemos manipular e controlar. Algo que podemos carregar e descartar. Algo vazio como nosso coração sem a Palavra. É a Palavra do Senhor que nos mostra quem é o Deus verdadeiro. Que nos chama a responder em humildade e contrição, em obediência e alegria. É a Palavra que nos coloca no caminho certo para a vida abundante.
A Palavra que veio e se fez carne em Jesus, essa palavra encarnada na cruz mostrando o amor do Pai, é essa que somos chamados a falar. Porque a fé vem por ouvir a Palavra, a Palavra de Deus. E é nessa Palavra que conhecemos a verdade que nos liberta. A Palavra traz a voz de Deus, aplica a presença de Deus, dá-nos condições de responder a vontade de Deus.
Ora a Palavra é mais que palavras exatamente porque não somos chamados apenas a ouvi-la, lê-la, decora-la ou recita-la, mas a viver por ela e então, ela se torna vida, ela enche a nossa vida, ela nos mostra a vida, nos leva a vida, se torna a vida que deveríamos ter vivido desde o começo. O maior problema que temos não é, então, a falta de vida ou de palavra, mas a simples, e na maioria das vezes, inexplicável, maneira pela qual conhecemos a Palavra, mas não a vivemos. Vejamos algumas dessas:
A Palavra diz: Pedi e dar-se-vos-á (Mateus 7: 7). E nós? Não pedimos. O principal empecilho as nossas orações é o simples fato de que não oramos. Não é que oramos pouco, ou mesmo que oramos erradamente (o que também fazemos), mas simplesmente que não oramos. Em seu discurso final com os discípulos Jesus insistiu nisso. Em 3 capítulos (João 14 a 16) ele repete 6 vezes essa questão. Pedi em meu nome... e recebereis. Quando é que vamos começar a usar a Palavra? Quando é que vamos começar a pratica-la? Quando é que a igreja vai despertar e orar?
A Palavra diz que o Senhor deseja nos dar sustento e nada nos faltará (Malaquias 3:10). Mas a promessa vinha com a condicional de sermos fiéis no dízimo. Então o Senhor repreenderia o devorador (Malaquias 3:11). E nós? Deixamos o devorador a vontade. Já reparou que o dinheiro não chega ao fim do mês. Já notou que mesmo quando recebe mais parece que dinheiro desaparece por entre os dedos? Há sempre um imprevisto e lá se vai a reserva. Sabe o que se passa? Não estamos cumprindo a Palavra e obedecendo ao Senhor. Guardamos o que é dEle é o devorador faz a festa. Que fechar a boca do maldito? Então ponha a palavra em prática e seja fiel.
A Palavra diz que a Paz deveria ser o juiz em nossos corações (Colossenses 3.15). E nós? Mantemos raiva, ressentimento e zanga para com meio mundo. Sabe quantos crentes zangados há no mundo? Infelizmente milhões. E não sabem porque o louvor não parece soar bem, não entendem porque a adoração não flui e não sentem o Senhor, não percebem porque não se dão bem com ninguém na igreja e só encontram defeitos. A paz que deveria dominar nem sequer está presente. Ora, se queremos ter a plenitude do Espírito que o Senhor promete então devemos ouvir sua Palavra e começar a praticá-la. São muito mais que palavras e podem nos levar a vencer qualquer crise, qualquer depressão ou dificuldade. Milhões, pela graça, já o experimentaram. E nós? Vamos fazê-lo também?

A FORÇA DO CRENTE


"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê".Romanos 1:16


 Irrelevante! É a acusação que ouvimos hoje proferida ao Cristianismo. Num mundo de ciência e tecnologia, de desenvolvimento rápido e explicações crescentes, a fé tem sido encurralada e empurrada para as igrejas cada vez mais vazias. A vida cristã é ridicularizada, a prática cristã considerada coisa do passado e o cristão é visto como um retrógrado que se recusa a aceitar o progresso da humanidade. Nesse contexto como ainda acreditar na força do evangelho? Teremos ainda alguma capacidade de mudar o mundo a nossa volta?
Nos tempos que correm não devemos e não podemos nos encolher e deixar que a vida passe. Não fomos chamados em Cristo para uma fé envergonhada e uma vida de segunda. O Espírito que recebemos não é de covardia, mas de ousadia para a transformação do mundo. Há dois mil anos um grupo de 12 homens rudes recebeu um mandato numa província remota de um império dominante. Que poderiam eles diante da força de Roma? Pois passadas 3 décadas se dizia deles que “tinham transtornado o mundo”. Que força tinham? Teremos a mesma força conosco? Pensemos na força que o cristão ainda tem hoje para mudar o mundo. A força que o Senhor colocou na sua mão. Não é económico, política ou física, mas é enorme. Notemos:
1.     A Força da Oração
 A palavra do Senhor nos mostra que a oração pode muito em seus efeitos (Tiago 5:16). Não subestimemos o que a oração pode fazer. Por meio dela a igreja e os crentes tem mudado governos e derrubado impérios. Vimos em nossos dias a queda do comunismo no leste e de outros ditadores e a oração teve papel preponderante. Não podemos ver como a oração move os lugares celestiais mas devemos crer e insistir na presença do Senhor.
2.     O Poder da Verdade
Mesmo os que não são cristãos reconhecem a força da verdade. Alexander Solzhenitsyn, o famoso dissidente soviético ao receber o prémio Nobel declarou “ os escritores não têm bombas nem poder militar... mas uma palavra de verdade vale mais que o mundo todo!” Ninguém deveria acreditar mais nisso que os cristãos. Verdade na Vida, verdade nas atitudes e palavras. A verdade dita, defendida e proclamada vale muito em seu poder.
3.     O Poder do Exemplo
Os cristãos são pessoas marcadas, os olhos do mundo estão sobre nós. Nosso exemplo de vida marca nosso meio. A honestidade no trabalho, a excelência no comportamento, a harmonia familiar, a estabilidade no casamento. Tudo isso e muito mais em nosso exemplo tem a força de mover corações, alterar conceitos, confirmar a verdade e ajudar na mudança. A força do exemplo pode levar alguém ao mal e muitas vezes o faz. Então, porque não valorizar a força do bom exemplo?
Todas essas forças são simples e maravilhosas. Criadas por Deus em seu mundo, estão à disposição de todos. Os mais fracos fisicamente ou pobres financeiramente podem mostrar essas forças e ajudar a mudar o mundo.
Não baixemos a cabeça em resignação. Temos o Espírito do Senhor sobre nós e a força para em Cristo mudar o mundo!

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SONHO DE DEMBA (VERSÃO REVISADA)

Agora podes fazer o download do Conto Africano, com versão revisada pelo autor.
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