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Não tenho Vontade de Ler a Bíblia?

Ciganos brasileiros vão ler a Bíblia em sua própria língua

A mãe estava irritada com as notas baixas do filho. O garoto passava a maior parte do tempo vendo televisão ou jogando no computador. A mãe tentara várias estratégias para o motivar mas, aparentemente, nada resultava. Tentara oferecer prémios, tentara ameaçar com represálias. O menino reagia impávido e sereno e quando a mãe perguntava: Filho não vai estudar? A resposta era invariavelmente a mesma: estou esperando que me dê vontade…

Há coisas que fazemos com vontade como comer um gelado, passear na praia, ir a uma exposição de arte de um pintor que admiramos ou a um concerto de uma banda favorita. Há coisas que fazemos por necessidade, como tomar os remédios diários, ir ao trabalho ou fazer exercício. Se esperarmos que nos dê vontade de tomar a medicação, provavelmente, nunca o faremos. Mas, há momentos na vida em que descobrimos que é necessário e precisamos dela, sabemos que sem ela a nossa tensão dispara ou as dores voltam com força.
 Na vida espiritual esta regra também se aplica. Há quem nunca ore porque simplesmente não sente vontade de orar. Vai orar só na hora da urgência, da crise, da fatalidade apenas para descobrir que não sabe orar e que não tem intimidade com Deus. Há quem espere para ler a Bíblia só quando vontade e por isso nunca o faz. Enfim chega o dia em que precisa de direcção do Senhor e então corre para as escrituras mas descobre que as páginas parecem em branco e não fazem sentido. Há quem deixe para vir a igreja só quando bate o desejo e então nunca vem. E quando num dia especial o faz é para perceber que não conhece quase ninguém, não entende bem o funcionamento do culto e não se sente bem como achava que deveria.
Assim como há muitas coisas na vida que devemos fazer independente do nosso desejo, também na vida espiritual precisamos aprender o sentido da disciplina. Oro diariamente, leio a Bíblia e medito todos os dias, participo dos cultos e actividades da igreja porque aprendi que são vida para minha alma e força para meu espirito. É assim que Deus preparou as coisas para acontecerem e é assim que caminho com Ele de modo a enfrentar as lutas e ter vitórias nas adversidades. Não espere pela vontade, meu irmão. Pratique, participe e verá a bênção descendo sobre sua vida.

Mais que palavras...


Quando as dificuldades chegam (e elas parecem sempre chegar) há em geral duas maneiras de reagir: negação e depressão. Ambas são erradas. Ambas prejudiciais. Ambas ineficazes para lidar com os problemas, mas ambas comuns à experiência humana. Negação é o ato de deixar de olhar para o que esta diante dos olhos. Depressão, por usa vez, é o ato de não conseguir olhar além do que está diante dos olhos. O que nega faz de conta que não vê, acha que se não reconhecer a crise talvez ela vá embora. O deprimido só vê a dificuldade e em seu entendimento é tudo que há e nada jamais haverá além disso. Os que negam precisam de ajuda para ver a realidade e saber que fugir dela não a muda, não a faz menos real e certamente não a transforma. Os deprimidos precisam ajuda para ver além de dificuldade e descobrir que há vida, há mais que aquilo que os cerca nesse momento mal. E para isso o que temos? A Palavra!
Palavras? Será a pergunta incrédula de muitos. Precisamos muito mais que palavras para vencer crises. Pode ser que sim, mas o que mais precisamos é de palavras e antes de termos as palavras certas não iremos a lado nenhum. Isso porque não está a se falar de quaisquer palavras. Não são palavras vazias, humanas, lançadas ao vento a ver se alguma resulta ou ajuda. Não são as palavras ocas e sem conteúdo que costumam encher nossos dias. São palavras de Vida. É a Palavra da Vida, vinda daquele que criou todas as coisas.
No princípio, antes de Deus criar o Universo, era tudo caos e confusão. Não havia organização, nem sentido, nem vida, nem sequer luz. Deus então falou! Sua Palavra criou todas as coisas. Criou a organização incrível que vemos no mundo. Criou as leis magníficas que regem a natureza e a física e a matemática. Criou a luz, o tempo, o nosso mundo e suas estações e criou a vida e o homem. E tendo criado o homem á sua semelhança Deus lhe deu o dom da palavra e a capacidade para entender que pela palavra pode também viver ou morrer, criar ou destruir, fazer ou desfazer.
Ezequiel 37:1 a 14 deve ser um dos textos mais significativos sobre o poder da palavra. O profeta tem a visão terrível e assustadora de um vale seco cheio de ossos esturricados pelo sol. Ali não há vida, só devastação. Haveria alguma perspectiva ali? Humanamente não. Tudo estava perdido, morto, seco, acabado. O Senhor pergunta ao profeta: há algo a fazer aqui? E este sabiamente responde: Tu sabes Senhor. E então vem a ordem: Fala, profetiza. Repete as palavras de vida que te dou e verás o que acontece. E Ezequiel obedeceu. Ele não podia antecipar o que viria. O texto nem sequer diz que ele cria que seria possível acontecer algo. Mas viu os ossos se juntarem, a carne voltar, os corpos se formarem e então novamente a questão: e agora? Agora que voltaram a ser corpos inteiros poderão viver? E a resposta foi novamente: fala, profetiza. E Ezequiel viu então o ES de Deus encher aqueles corpos de vida e os transformar num exército poderoso.
A isso somos chamados. A um mundo mal, perdido e desorientado, caído em decadência moral e desordem espiritual, ao homem desobediente e pecador, ao que nega e ao deprimido, somos chamados a falar. Profetizar as palavras do Senhor. Deixar que essa palavra entre em vidas, famílias, comunidades e as renove. Traga de volta o que ser perdeu. Junte o que estava separado, revista o que ficou sem conteúdo e encha de vida e espírito o que se julgava sem força ou alento.
Sem a Palavra ficamos sem fundamento, sem base ou direção. Sem a Palavra fazemos de Deus algo pequeno e humano. Algo que podemos manipular e controlar. Algo que podemos carregar e descartar. Algo vazio como nosso coração sem a Palavra. É a Palavra do Senhor que nos mostra quem é o Deus verdadeiro. Que nos chama a responder em humildade e contrição, em obediência e alegria. É a Palavra que nos coloca no caminho certo para a vida abundante.
A Palavra que veio e se fez carne em Jesus, essa palavra encarnada na cruz mostrando o amor do Pai, é essa que somos chamados a falar. Porque a fé vem por ouvir a Palavra, a Palavra de Deus. E é nessa Palavra que conhecemos a verdade que nos liberta. A Palavra traz a voz de Deus, aplica a presença de Deus, dá-nos condições de responder a vontade de Deus.
Ora a Palavra é mais que palavras exatamente porque não somos chamados apenas a ouvi-la, lê-la, decora-la ou recita-la, mas a viver por ela e então, ela se torna vida, ela enche a nossa vida, ela nos mostra a vida, nos leva a vida, se torna a vida que deveríamos ter vivido desde o começo. O maior problema que temos não é, então, a falta de vida ou de palavra, mas a simples, e na maioria das vezes, inexplicável, maneira pela qual conhecemos a Palavra, mas não a vivemos. Vejamos algumas dessas:
A Palavra diz: Pedi e dar-se-vos-á (Mateus 7: 7). E nós? Não pedimos. O principal empecilho as nossas orações é o simples fato de que não oramos. Não é que oramos pouco, ou mesmo que oramos erradamente (o que também fazemos), mas simplesmente que não oramos. Em seu discurso final com os discípulos Jesus insistiu nisso. Em 3 capítulos (João 14 a 16) ele repete 6 vezes essa questão. Pedi em meu nome... e recebereis. Quando é que vamos começar a usar a Palavra? Quando é que vamos começar a pratica-la? Quando é que a igreja vai despertar e orar?
A Palavra diz que o Senhor deseja nos dar sustento e nada nos faltará (Malaquias 3:10). Mas a promessa vinha com a condicional de sermos fiéis no dízimo. Então o Senhor repreenderia o devorador (Malaquias 3:11). E nós? Deixamos o devorador a vontade. Já reparou que o dinheiro não chega ao fim do mês. Já notou que mesmo quando recebe mais parece que dinheiro desaparece por entre os dedos? Há sempre um imprevisto e lá se vai a reserva. Sabe o que se passa? Não estamos cumprindo a Palavra e obedecendo ao Senhor. Guardamos o que é dEle é o devorador faz a festa. Que fechar a boca do maldito? Então ponha a palavra em prática e seja fiel.
A Palavra diz que a Paz deveria ser o juiz em nossos corações (Colossenses 3.15). E nós? Mantemos raiva, ressentimento e zanga para com meio mundo. Sabe quantos crentes zangados há no mundo? Infelizmente milhões. E não sabem porque o louvor não parece soar bem, não entendem porque a adoração não flui e não sentem o Senhor, não percebem porque não se dão bem com ninguém na igreja e só encontram defeitos. A paz que deveria dominar nem sequer está presente. Ora, se queremos ter a plenitude do Espírito que o Senhor promete então devemos ouvir sua Palavra e começar a praticá-la. São muito mais que palavras e podem nos levar a vencer qualquer crise, qualquer depressão ou dificuldade. Milhões, pela graça, já o experimentaram. E nós? Vamos fazê-lo também?

Voltando ao Básico!

Eram os primeiros treinos do meu filho na escolinha de futebol. A ansiedade era grande! Ali se formavam craques e todo garoto sonha, pelo menos uma vez na vida, ser um jogador de futebol famoso. Porém o desânimo era visível ao fim de cada treino. Fui assistir para ver qual seria o problema. Na verdade era simples. O treino consistia em 1 hora e 45 minutos de corrida, passes entre companheiros, chutes a gol e outros fundamentos do jogo e então, no final do treino, 15 minutinhos de jogo corrido. Meu filhote queria jogar! Esse negócio de ficar trocando passes por 20 minutos e ter apenas um joguinho rápido no fim do treino o desiludiu. Ele não queria gastar tempo com o básico!

Quando vemos atletas fazendo maravilhas, músicos tocando magnificamente e outros profissionais mostrando habilidade singular ficamos impressionados e queremos imitá-los. Mas o que desconhecemos é que por trás de uma bela pirueta no ar, um gol de placa, um cesto fantástico, uma peça bem tocada, uma habilidade fora do comum estão horas e horas de prática do básico. O jogador de basquete passa horas treinando lances livres; o pianista passa horas a cada dia tocando escalas. Se pudéssemos ver as horas de esforço a que esses profissionais se submetem para chegar onde chegam ficaríamos assustados. NADA substitui o básico!

Se um time jogou mal, provavelmente vai ter que gastar mais tempo no básico: a troca de passes. Se um bolo ou prato sai errado, o melhor é voltar ao básico: a receita. Se a montagem de uma peça ou a utilização de um aparelho está com problema é bom dar uma olhada no básico: o manual. Parece conselho óbvio, mas é realmente importante.

A vida espiritual não pode ser diferente. Como em quase tudo nesta nossa cultura moderna queremos que as coisas do Espírito andem depressa. Queremos resultados, impacto, números, êxtase, maravilhas em ritmo acelerado. Recorremos a qualquer expediente novo que nos seja apresentado, desde que prometa solução veloz.

Multiplicam-se os livros de auto ajuda espiritual: "Como ser um crente perfeito em 10 lições"; "Como ter uma igreja grande em 5 passos"; "Os 3 fundamentos para fazer seu ministério bombar".Compramos livros e CD’s, vamos a conferências e congressos, vasculhamos a internet, participamos de palestras e retiros quase sempre a espera de algo que nos mude instantaneamente e nos faça gigantes espirituais do dia para a noite. Tudo só para descobrirmos nos dias seguintes que continuamos os mesmos, carnais, fracos, inseguros, repetindo ainda os mesmos erros...

TEMOS QUE VOLTAR AO BÁSICO!
Temos que entender que a vida espiritual é VIDA. Não se passa aos soluços, não avança em espasmos, não acontece por saltos. Vive-se no dia-a-dia, crescendo passo a passo, evoluindo lenta mas seguramente para a medida de varão perfeito que nos foi deixada pelo Mestre. E quais são os básicos da vida cristã? Você já sabe, mas deixe-me refrescar sua memória.

Os básicos da vida cristã são Bíblia e Oração.

BÍBLIA: Que falta temos de Bíblia! Entenda-me bem. Temos bíblias até demais nas nossas livrarias e nas nossas casas. Há para todos os gostos, feitios, cores e tamanhos, com e sem comentários, e mesmo para quem quer disfarçar e andar com ela sem parecer que a leva. O que nos falta é Bíblia no quotidiano, Bíblia na mente e no coração. Falta leitura, falta meditação, falta estudo, falta respeito. Nossa visão da Bíblia é mesquinha e egoísta. Pensamos que é um livro para nos dar umas ajudas e dicas quando as coisas ficam difíceis. E quando a buscamos nessas ocasiões ainda nos surpreendemos porque é que ela não faz sentido.

Precisamos retornar à reverência da Palavra. Precisamos resgatar o temor e o tremor do povo na base do Sinai quando o Senhor começou a dar sua revelação. Entender que esse livro é a revelação do Deus Todo-poderoso. São palavras de Vida. São a manifestação do eterno em forma escrita. A palavra de Deus que está em nossas mãos é única. Fez-se carne e habitou entre nós em Jesus, mas hoje está ao nosso alcance para leitura, crescimento e maturação desde que a busquemos em espírito e em verdade.

Precisamos olhar a história do povo de Deus e ver como a Palavra sempre foi central. Todo o culto centrado nela, em sua leitura. Todo o tabernáculo construído para no seu lugar mais sagrado, na arca da aliança, ser preservada uma cópia. Todos os festivais que Deus ordenou para que ela fosse lida periodicamente pelo povo reunido. Devemos lembrar que foi a falta dela que levou o povo ao cativeiro. Foi sua leitura que marcou a restauração. E então, no exílio, quando já não havia templo ou sacrifício, edificaram sinagogas onde todo o culto era centrado na leitura da palavra. Toda a educação dos meninos voltada para o aprendizado da leitura da palavra. A festa de passagem à vida adulta marcada pela capacidade do garoto de ler a palavra. Jesus criado no estudo e reverência da palavra e com ela desbaratando as tentações do maligno.

A Bíblia tem que regressar a um lugar central em nossas vidas e nos nossos cultos. Hoje temos cultos voltados para os sentimentos, com louvor que parece querer essencialmente agradar os sentidos e as emoções. Pouco espaço sobrou para a leitura Bíblica no culto. Pena, porque para muitos na igreja era a única leitura bíblica de sua semana. Assim não conseguiremos avançar nunca. Teremos sempre igrejas-berçários, cheios de bebes em Cristo. Temos que voltar ao Básico!

ORAÇÃO: Que falta temos de oração. Parece que as únicas orações que fazemos são aquelas desesperadas ou as fugazes orações das refeições. Onde fica o tempo a sós com Deus? O que é feito do silêncio na presença do Senhor na expectativa de sua voz? Onde o período de conversa amorosa com o Pai? Onde as mentes voltadas a Deus em cada atividade do dia.

Amo o filme "Violino no Telhado" sobre judeus na Rússia. O personagem principal, Reb Tevye, passa o filme em oração. Ele faz as orações rituais do shabat, mas muito mais que isso, passa o tempo todo pensando na esfera Divina. Conversa com Deus sobre tudo, desde os casamentos das filhas, as decisões de negócios ao machucado na pata de seu cavalo. Abre seu coração com Deus expressando alegrias, frustrações e sonhos. Isso é oração! Conversar com Deus sobre o que estamos fazendo juntos!

Precisamos recuperar a emoção da oração, a expectativa da conversa com o Pai, a maravilha desse acesso direto ao Senhor. Um querido amigo da Guiné-Bissau, que levamos a Cristo vindo do Islamismo, tinha como texto favorito Efésios 3:12 onde Paulo fala de Cristo "pelo qual temos ousadia e acesso com confiança, mediante a fé nele". Vindo de uma religião onde o acesso a Deus é negado, ele exultava por essa nova realidade de poder chegar a presença do Senhor a cada instante. Fora um muçulmano praticante e sincero. Porém, em Cristo encontrara algo totalmente novo e não cessava de se alegrar e maravilhar nessa bênção extraordinária da oração.

Precisamos de parar de falar sobre oração, parar de ler sobre oração, parar de ouvir sobre oração e simplesmente orar. Orar a sós, orar em família, orar no trabalho, orar como igreja, orar como grupo de comunhão, orar sem cessar. Precisamos orar para viver como se nossas vidas dependessem disso e na verdade dependem, pelo menos uma vida espiritual saudável e frutífera.

Queridos, pode parecer simples e até banal dizer o que disse. E aí está parte do problema. A familiaridade banalizou o essencial e nos deixou órfãos espirituais. Mas o regresso é sempre possível. Teremos tempo no momento que entendermos seu valor. Precisamos mais de Cristo, mais do Espírito e para isso teremos que voltar ao básico, Bíblia e Oração, o coração da vida Cristã!

TODOS OS DIAS - 1

Todos os dias faço o que milhões de pessoas fazem no mundo todo. Levanto-me cedo, tomo meu café e saio para o trabalho. Pego um transporte público, no caso o comboio/trem e vou trabalhar. Costumo pegar sempre o mesmo trem, à mesma hora. Comecei a reparar em coisas que via todos os dias e que tinham algo a me ensinar. Todos os dias há um senhor que pega o mesmo trem que eu. Muitos outros o fazem, mas o que este senhor tem de diferente é que traz sempre o jornal esportivo do dia. Pega sempre o mesmo comboio, senta sempre no mesmo lugar e lê sempre o mesmo jornal.
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