Mostrando postagens com marcador Páscoa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Páscoa. Mostrar todas as postagens

O Véu Rasgado - Momento Chave da Salvação



Tudo o que envolveu a morte de Jesus foi marcante e significativo. Foi o momento chave da salvação planeada por Deus. O culminar do seu plano para o resgate da humanidade. Fica difícil assinalar um ou outro aspecto. Entre os eventos que marcaram a morte de Jesus se contaram as trevas estranhas que envolveram a cidade, o terremoto e as ressuscitações. Mas um deles, pouco trabalhado, tem um significado marcante e implicações especiais para aqueles que entendem a Jesus como o salvador e a sua igreja como a sequência da sua obra na terra. Esse evento foi o rasgar do véu do templo.
O Véu do templo era, na verdade, uma pesada cortina feita de modo semelhante ao reposteiro que separava a entrada do lugar santo. Era feito de lã trançada com linho (só a lã conseguiria ser tingida naqueles tempos e o pano era colorido) numa mistura que era proibida para vestuário (Levítico 19:19 e Deuteronómio 22:11). Essa cortina tinha uma mistura de cores com azul, púrpura e escarlate e tinha bordada querubins. Servia para separar o lugar santo do lugar santíssimo ou santos dos santos, mantendo o local mais sagrado do tabernáculo em escuridão e fora dos olhares de quem estivesse no lugar santo a trabalhar. Esse véu era sustentado por 4 colunas de madeira de acácia revestidas de ouro com bases de prata e ficava pendurado através de colchetes de ouro. A ordem dada para o tabernáculo foi seguida bem de perto na preparação do templo. A sustentação no templo seria diferente, mas a cortina em si e a estrutura seria a mesma. Era uma cortina grossa e muito difícil de rasgar. Mas, o que aconteceu de maravilhoso na crucificação não foi o facto de o véu se ter rasgado, mas que foi rasgado de alto a baixo abrindo o santo dos santos. Deus abriu o véu e ao faze-lo assinalou muitas coisas maravilhosas.
"E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito.
E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras."
Mateus 27:50,51
Este evento é estranho e significativo. Fora o Senhor que dera a planta para o tabernáculo que depois foi usada no templo. Foi Ele que mandou reservar um lugar para ficar separado dos demais. Foi ELE que mandou executar o véu e colocá-lo. Era ELE que tinha o direito de mudar essas regras e o fez na hora da morte de Jesus. E o que isso queria dizer? Certamente muita coisa e ao meditar sobre o assunto podemos chegar a várias conclusões:
         A implicação mais natural é o acesso à presença de Deus. Se a função do véu era reservar o santo dos santos para apenas o sumo-sacerdote, o seu rasgar significa a abertura deste espaço reservado, desta privacidade da presença do Senhor para todos. Não mais um lugar fechado, mas agora aberto. Não mais a limitação de acesso a uma pessoa só, mas agora a todos. Não mais um ritual complicado e difícil para chegar à presença de Deus. A presença do Senhor não se manterá algo misterioso e único, mas será algo a que todos os homens podem aceder pelos méritos de Jesus. Sua morte nos abre a entrada no santuário e a chegada ao trono da graça. E como deveríamos valorizar isso. Não um Deus distante, mas um Deus acessível a qualquer um e enquanto o desejar. Claro que apenas pelos méritos de Jesus ganhos com o seu sangue.
         Mas a abertura não foi só em termos de presença, mas também de tempo. Antes o santuário era acessível apenas uma vez por ano. Agora passa a estar aberto sempre. A qualquer hora se pode entrar pois não há mais véu a separar. O homem, qualquer homem, pode entrar na presença do Senhor a qualquer hora e esta bênção é demasiado grande para sequer a entendermos.
         O rasgar do véu simboliza a mudança de era e de aliança. A antiga aliança era marcada pela lei e pela restrição. A lei, por melhor que fosse, era marcada pelo negativo. Não faça isso, nem aquilo nem aquilo outro… agora na graça somos livres, não para fazer o que queremos, mas para andar com Deus e nessa comunhão desejar o que ELE deseja e aprova e desse modo usufruir de uma comunhão sem paralelos. Não mais a velha aliança que se provou incapaz de salvar, mas a nova que sendo aberta é livre e trás liberdade a todos.
         Mas o rasgar do véu nos fala de revelação. Um véu serve para ocultar, para manter em segredo, para esconder. O seu rasgar abre a todos os olhos o que era oculto. A salvação era dada em figuras, em símbolos, em imagens e parábolas ligadas ao sistema sacrificial. Agora está patente. Não há mais dúvida do que ela é e significa. Agora podemos entender a salvação de um modo mais claro como nunca. Agora vemos o que ela representou e significa. Agora a temos bem patente e isso faz toda diferença. Agora podemos compreender o Senhor e seu amor de um modo novo muito mais amplo que antes. Ainda não vemos tudo mas temos muito mais clareza que na velha aliança porque o véu foi rasgado.
         O rasgar do véu abre a possibilidade de um sacerdócio universal. Antes, só o sacerdote especial entrava no santo dos santos. Para que? Para interceder pelo povo. Para fazer expiação pela nação, para pedir a Deus pelos seus pecados e pelos dos outros. Era necessário um sacerdote. O homem não podia fazer isso sem essa ajuda. Agora, com a abertura, todos têm acesso e o quadro muda. Não mais limitados em relação a entrada não temos também mais necessidade de um sacerdote, mas podemos nós mesmos nos tornar sacerdotes de Deus. E na igreja somos sacerdócio real. Cada crente um intercessor, cada crente um sacerdote que leva a Deus as vidas e lutas dos outros e pode fazer sua parte para a bênção da nação. Uma igreja feita não de duas classes distintas (sacerdotes e povo, clero e laicado) mas de irmãos e irmãs que juntos fazem a obra de Deus.
         O rasgar do véu faz com que cada crente, com acesso pleno a presença de Deus, com sacerdócio universal reconhecido, passe a levar consigo essa glória do Senhor. Não mais um santo dos santos fechado e separado, mas um santuário ambulante. De certo modo voltamos ao tabernáculo, mas ainda mais abrangente, com todos os crentes servindo de templos vivos para a manifestação da graça de Deus onde quer que se desloquem.
O rasgar do véu foi muito mais que um capricho ou um evento menor. Foi mais um dos modos do Senhor nos mostrar a maravilha que estava a acontecer e a bênção que a humanidade estava a receber. Hoje, quando lembramos novamente esse evento, sejamos gratos e celebremos. O véu foi rasgado. Não criemos mais mistérios e nem nos cansemos em inventar novas restrições. A graça nos alcançou. Entramos na presença do Altíssimo pelos méritos de Jesus com corações lavados no sangue do cordeiro. Entramos para receber, para interceder, para levar a glória connosco e testemunhar dessa salvação.


A IMPORTÂNCIA DA RESSURREIÇÃO



Entre as religiões que o mundo conhece nestes milénios de História, o Cristianismo é a única que faz a extraordinária alegação de que o Deus Supremo, Criador dos céus e terra, se fez homem para a salvação da humanidade. E essa alegação se baseia no evento capital do Cristianismo – a ressurreição. Se a cruz é o momento chave da salvação pois nela Jesus ganhou a nossa justificação e pagou pelos nossos pecados, a ressurreição é sua necessária confirmação. Sem a ressurreição a morte de Jesus passa a ser apenas um ato heróico de mais um mártir na história, ou a execução necessária de uma fraude terrível, ou mesmo a morte patética de um louco totalmente enganado. Mas com a ressurreição, a cruz passa a ser aquilo que o Cristianismo diz que ela é – a morte redentora do Filho de Deus, Deus feito homem.
Será por isso que os 4 evangelhos enfatizam tanto o relato da ressurreição e também por isso que a igreja nasceu com a alegação dos discípulos sobre a ressurreição de Cristo. Logo, Paulo pregava a ressurreição onde ia, mesmo sabendo que no mundo grego e romano isso era considerado impossível e indesejado como podemos ver na passagem de Paulo por Atenas. E é por isso que Paulo fica tão indignado com aqueles que em Corinto punham em causa a ressurreição:
Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos?
E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou.
E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.
E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam.
Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou.
E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos.
Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.
1 Coríntios 15:12-19
Em meio a todas as dificuldades que a igreja de Corinto passava ainda havia mais esta: alguns negavam a ressurreição. Se olharmos para a composição da igreja em Corinto é provável que a maioria fosse grega com alguns romanos e judeus. Para os judeus a ressurreição era possível tendo em conta o AT, mas não era considerada verdadeiramente como real. Um ou outro caso de ressuscitação podia acontecer, mas não era bem a mesma coisa (ressuscitação é quando um morto volta à vida, mas depois de um tempo vai voltar a morrer e ressurreição seria o regresso de alguém depois de morto com um corpo preparado para a eternidade). Já entre gregos e romanos isso era impossível. Na cultura clássica, na filosofia de Platão, a alma era considerada imortal, mas o corpo era considerado maligno. Era a prisão da alma. Logo, a morte era um tipo de libertação. Era uma das razões para a cremação, libertar a alma do corpo. Tudo o que era material era considerado mau e nesse sentido a ressurreição era uma tolice impossível visto que na morte a alma ficava livre e certamente não desejaria voltar a sofrer num corpo maligno. E é provável que na igreja em Corinto houvesse crentes vindos de alguma escola filosófica grega que ensinava isso e que por isso negavam a ressurreição. Paulo reage com veemência e temos que notar em sua argumentação a importância capital da ressurreição para o Cristianismo.
Primeiro notamos o risco de uma afirmação ou doutrina que pode parecer inofensiva, mas que terá implicações tremendas. A aceitação de algo que é senso comum na sociedade em que se vive pode ter consequências fatais para a fé. Os que falavam em Corinto não negavam diretamente a ressurreição de Jesus. Apenas negavam a ressurreição seguindo o que era a noção da sua época. Mas se não havia ressurreição, logo Jesus também não ressuscitara. Era implicação lógica e imediata. E vemos como há que ter cuidado com o que diz e ensina por causa das implicações do ensino como era o caso aqui. Notemos por exemplo em nossos dias algumas alegações comuns que podem parecer menores, e que alguns até acham boas, mas que colocam em causa toda a fé cristã:
         Alguns, que até se consideram simpáticos à fé, dizem que Jesus foi um grande Mestre, um filósofo notório, o maior psicólogo de todos os tempos. Pode parecer simpático e até agradável, mas não nos enganemos. Se Jesus é apenas um mestre então não é o salvador. Se é apenas um filósofo então não era o filho de Deus que veio para nos resgatar. Alegação banal, implicação fatal.
         Há aqueles que afirmam com base na ciência que o homem é produto de uma evolução. Não houve criação e nem desígnio. Simplesmente uma ameba um dia resolveu ser mais que isso. É claro que cientificamente há muitos buracos na teoria, irreconciliáveis mesmo com a boa ciência. Mas a repetição incessante e a campanha já de décadas da média leva o homem a aceitar isso. E alguns dirão: isso é ciência e a igreja não tem nada a ver com isso. Mas se não há criação então não há propósito para a vida, não há Deus. Logo não há base real para a noção de justiça, de bondade, de algo certo e errado. Alegação aparentemente simples, implicações dramáticas.
         Há ainda a moda de afirmar que os evangelhos não são confiáveis. E surgem outros evangelhos que contariam uma história diferente e que apresentam um Jesus casado e com filhos, um homem bom que nada tinha de sobrenatural. E é claro que essas alegações são infundadas, os que as fazem não conhecem a verdade dos evangelhos, são afirmações feitas para ganhar dinheiro. Mas levantam dúvidas. Se Jesus não morreu e os evangelhos não são de se fiar então toda a fé cristã é inválida… alegação banal, implicação fatal.
Há que refletir no que falamos e pensar mais além. O que se fala tem muito poder para o bem e para o mal. Mas o homem nem sempre é sábio para o perceber e em Corinto os que diziam não haver ressurreição não percebiam o que significava sua palavra. E Paulo trabalha as implicações.
Ele afirma que sem a ressurreição são vãs a fé e a pregação. A palavra que usa no original tem o sentido de vazio, sem conteúdo, sem qualquer valor. Ora, a fé não é um sistema de pensamento, não é um conteúdo religioso, não é um conjunto de doutrinas. A fé cristã é uma relação. Uma relação com Jesus como o Filho de Deus salvador. Mas se não há ressurreição, então ele morreu e ficou morto. Como ter relação com um morto? a mesma que se tem com personagens históricos variados, mas isso tira todo valor e conteúdo à fé cristã. Ela é única porque alega uma relação com um Jesus vivo. Relação com Deus Vivo que morreu, mas ressuscitou. Mas se não há ressurreição então é vazia a nossa fé… E a pregação Cristã é Jesus. Não pregamos uma religião, um conjunto de ritos e cerimonias, uma igreja com suas regras e estatutos. Pregamos a uma pessoa, a pessoa maravilhosa de Jesus, vivo e presente. Mas se ele não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação. Perde toda sua novidade. Fica igual a pregação muçulmana ou budista de um mestre passado morto e enterrado cuja sepultura podemos conhecer.
Ora, se a pregação e a fé cristã dependem da ressurreição, sem ela somos falsas testemunhas. A ideia usada é de uma testemunha que comete perjúrio. Vai a tribunal falar algo com convicção, mas que se prova mentira. Alguém que tem a coragem de anunciar algo com toda certeza, mas que o tribunal verifica ser inverdade. Seremos falsas testemunhas de Jesus se ele não ressuscitou.
E se não há ressurreição então permanecemos no nosso pecado. E esta afirmação pode trazer alguma dificuldade. Nossa conclusão óbvia é que somos salvos pela cruz. Afinal foi na cruz que Jesus pagou nossos pecados. Foi na cruz que a dívida foi paga e a declaração “está consumado” feita e é natural que haja alguma dificuldade com a afirmação de Paulo. Estaria Paulo a desvalorizar a cruz para fazer seu ponto? Aquele que dizia que não queria saber de mais nada a não Cristo crucificado podia agora dizer que afinal não era a cruz o ponto chave? Certamente que não. Mas há que entender o ponto e é até simples. Não somos salvos pela cruz. Não somos salvos pela cruz objeto e nem pela cruz acontecimento. Somos salvos por Jesus Cristo. Ele é o Salvador, não a cruz. Foi na cruz que ele ganhou a nossa salvação, mas apenas se ele é o salvador de Deus. E Ele só é o salvador se é quem dizia ser, ou seja, se é o Filho de Deus, se é um com o Pai, se é Emanuel, Deus connosco. Ele só ganha a nossa salvação na cruz sendo o Filho de Deus, o Senhor da Vida. E Ele só prova que é isso na ressurreição.
A lógica de Paulo é simples. Se não há ressurreição então Jesus não ressuscitou. Se Ele não ressuscitou então não pode ser quem disse que era porque o Messias Salvador era o Filho de Deus que afirmou categoricamente que ia ressuscitar ao 3º dia. Se ele não ressuscitou era como outro homem qualquer e não pode ser o salvador. Logo o que aconteceu na cruz não foi a nossa redenção porque ela só podia ser feita pelo Filho de Deus e se não fomos salvos por ele então estamos ainda em nossos pecados. E naturalmente se isso é assim aqueles que morreram pensando estar salvos em Cristo na verdade morreram sem salvação pois ela não aconteceu no calvário como pensávamos. A lógica é dura e pode até ser um tanto violenta, mas Paulo tem que deixar claro para os Coríntios que o assunto é demasiado sério para ser encarado de outra maneira. É a base da nossa fé.
E há ainda outra conclusão a chegar. Se não há ressurreição, Paulo conclui que nossa esperança de Glória não existe. Se Jesus não ressuscitou, não é então o Filho de Deus e não houve salvação na cruz. Nesse caso estamos ainda perdidos e nossa expectativa de glória com Deus é vazia. O que significa que tudo que abdicamos aqui nesta vida, tudo que abrimos mão aqui neste mundo é por nada. Se tudo que esperamos desta vida é sofrimento e aflição porque sabemos que há a Glória depois, e se não há Glória, então somos uns tristes. Renunciamos a tudo para que? Tomamos a nossa cruz para que? Perdemos a vida para que? Ou seja, se não há Ressurreição Jesus é apenas mais um mártir, nossa fé é vazia, nosso pecado permanece e nossa esperança de glória é um mito tolo. Mas…Cristo verdadeiramente ressuscitou.

Comentando este trecho Willian Barclay escreveu:
 A ressurreição é essencial para o Cristianismo e para a humanidade porque nela temos a confirmação de que 
A Verdade é mais forte que a mentira (a verdade da vida de Jesus é maior que as mentiras dos religiosos que o condenaram); 
O Bem é mais forte que o Mal (visto que Jesus viveu fazendo o bem); 
O Amor é mais poderoso que o ódio (já que a vida toda de Cristo foi uma grande e permanente demonstração de amor); 
A Vida é mais forte que a morte (já que o Senhor da Vida não pode ser contido pela sepultura).
 Louvado seja Deus pela nossa certeza da ressurreição!

A Cruz mostra o tamanho

Gostamos de medidas! Temos aparelhos para medir quase tudo. Altura, peso, profundidade, cumprimento, densidade, quantidades. Medimos os valores de açúcar e colesterol, a densidade dos nossos ossos, a profundidade dos vales oceânicos, a altura das montanhas do himalaia e a distância a Marte. Mas há outras coisas mais difíceis de medir. Como medir a maldade? Como medir o amor? Ou a justiça? Mas há um medidor muito fiel de tudo isso – a cruz de Cristo.

Algo que atesta da extraordinária força do Cristianismo é exactamente o fato de ter tornado um símbolo de tortura em seu marco maior. Que religião poderia esperar ter sucesso usando como marca um instrumento de tortura e morte? Os experts em marketing certamente teriam dito aos primeiros discípulos que escolhessem outra marca. Vocês não querem ficar conhecidos por uma cruz… ninguém quer! Mas foi a cruz que se tornou símbolo mundial da fé cristã e entre outras coisas o fez porque nos serve de medida, mostra o tamanho.

A cruz mostra-nos o tamanho do nosso pecado. Como é fácil ver o mal nos outros e classificar de horror algo que o meu vizinho fez. Já não somos tão rápidos em relação a nossas falhas. Mas qual é o tamanho do pecado? Se quer saber olhe a cruz. Veja a dor, o sofrimento, a tortura e saberá. O meu pecado é do tamanho da cruz. É tão horrendo quanto ela, fez com que fosse necessária. O meu pecado é feio como a cruz, e a tornou obrigatória. Não podemos olhar com ânimo leve para algo que levou Jesus a tal sofrimento. Não podemos desprezar algo que faz com que tal tortura seja essencial.

A Cruz mostra-nos o tamanho do castigo que merecíamos. Todo mal precisa ser castigado. Ora na cruz vemos o tamanho do verdadeiro castigo. É grande, muito grande. O pecado é afronta a Deus. É um ato de rebeldia ao Senhor do Universo. Um ato de desobediência grave, uma blasfémia contra a pureza do Senhor. Quando pecamos estamos mostrando nosso lado maligno e a facilidade com que negamos o amor de Deus e aceitamos a proposta do mal. Pecar é agredir. Agredir a um Senhor que nos deu a vida e tudo o mais e que desejava apenas o nosso amor. O castigo para isso não podia ser pequeno. Rebeldia se trata com pena de morte. A cruz nos mostra isso.

A cruz nos mostra o tamanho da justiça Divina. Temos muitas vezes a falsa noção de que o Senhor não age como deveria. Muitas vezes desejamos que haja mais justiça no mundo. Vemos coisas terríveis acontecer e acreditamos que o Senhor não se importa, que Ele não aplica a justiça. Ficamos confusos diante do modo como coisas boas acontecem aos maus e coisas boas acontecem aos bons. Clamamos interiormente por justiça. E onde a encontramos? Na cruz. A cruz era necessária por causa da justiça de Deus. Ele não podia deixar o pecado passar impunemente. Tinha que o punir de forma exemplar. Quer saber o que Deus sente dos horrores do holocausto? Da forma como Ele age com pedófilos etc? Olhe a cruz e verá. O horror da cruz tem a ver com isso. Foi necessária porque  justiça de Deus exigia uma punição exemplar a tudo o que de terrível tem acontecido na história humana. Na cruz vemos a resposta de Deus a tudo isso.

Mas a cruz é sobretudo onde vemos o tamanho do amor de Deus. Se sente que há algo errado com a justiça de Deus ser aplicada sobre um inocente como Jesus é porque não entendeu a verdadeira mensagem da cruz. A justiça tinha que ser aplicada. Quem deveria suporta-la era eu e você. Na cruz Deus toma sobre si mesmo a pena que sua justiça exigia. Ele paga a dívida que não pode ser perdoada de outra maneira. E aí entendemos a graça, a Divina Graça. Dar o que não merecemos e não nos dar o que deveríamos receber. Jesus leva a nossa culpa, o nosso castigo, a nossa punição pelo nosso pecado. A troca é simples: meu pecado pela justiça dele. Meu erro por sua bondade. Minhas falhas e perversões por sua santidade e cuidado. Isso é a boa nova: que em Jesus e na cruz Deus nos pode perdoar porque Ele mesmo levou a punição.

Logo, grande salvação! A cruz nos mostra o tamanho da salvação que recebemos em Cristo e nos deveria levar a clamar imediatamente por perdão. Arrependidos e gratos recebemos de Deus sua graça e salvação e somos libertos da condenação.

V de RESSURREIÇÃO!

Sou cristão. Admiro a Páscoa (festa judaica) e amo sua história de libertação. Mas, como Cristão, não comemoro a Páscoa, festejo sim, a Ressurreição de Jesus que é o marco maior do Cristianismo. E festejo de modo especial o V de Ressurreição… Atenção! Não é erro gramatical! Ressurreição é essencialmente VITÓRIA e por isso falo do V.

Jesus é o personagem mais incontornável da História. Mesmo o maior céptico terá que admitir que é extraordinário que um homem que viveu numa obscura aldeia, de uma região empobrecida, numa das províncias mais insignificantes do Império Romano há 2 mil anos ainda tenha tantos atractivos em nossa era tecnológica.

Jesus teve um ministério publico de apenas cerca de 3 anos. Limitou-se a uma estreita faixa de território no oriente médio. Não escreveu livros, não dirigiu exércitos, não foi governante, nem artista, nem atleta. Foi um mestre itinerante no seguimento do que era próprio de seu povo e sua cultura. Seus discípulos não eram homens com formação mas simples pescadores e gente do povo. No entanto, ninguém divide mais que Jesus. Ele continua a ser o principal alvo de livros, filmes, peças artísticas e discussões as mais diversas.

O nascimento de Jesus foi único. Suas palavras foram as mais profundas de sempre. Séculos de escrutínio e comentário não esgotaram a análise do que ele disse. Seus milagres foram presenciados e documentados, foram inequívocos e os relatos que deles temos nos foram deixados por testemunhas oculares e não gerações posteriores. Sua morte foi a maior injustiça que o mundo já viu. Mas Ele teve o poder de transformar o símbolo mais abjecto de tortura no maior ícone mundial. O símbolo mais usado e conhecido do planeta.

Porém, é a ressurreição de Jesus que confirma e coroa tudo o que ele disse e fez. As duas teorias mais comuns na negação da ressurreição não suportam uma análise séria dos dados que temos. Uma diz que ele não morreu, a outra que seu corpo foi roubado. Ora, sua morte é mais que evidente. Ele foi submetido aos açoites romanos (que matariam a maioria dos homens) e depois a um esforço violento (transportar a cruz) e a crucificação tendo sido pregado no madeiro. Negar que isto o levou à morte é um ato de vontade e não de raciocínio. Médicos e analistas têm estudado o caso exaustivamente e a conclusão é sempre a mesma: Jesus morreu na cruz!

O furto pelos discípulos foi a teoria inicial daqueles que tinham presenciado sua morte e não podiam negá-la. Mas, os discípulos que tinham fugido covardemente e se escondido durante a crucificação não teriam força para enfrentar a guarda romana. Eles foram os primeiros a duvidar da ressurreição e a questioná-la. Não teriam ousado morrer martirizados por uma farsa. Mais de 500 pessoas viram o Cristo ressurrecto e muitos chegaram a comer com ele. Ninguém roubou o corpo de Jesus e nem Ele ficou num sepulcro escondido em Jerusalém. Naquele domingo, Ele saiu da sepultura vivo outra vez.

A ressurreição fica assim como marco maior do Cristianismo. Nosso Mestre está vivo e seu levantamento da sepultura naquela manhã de domingo foi a vitória plena:

Vitória sobre as forças da natureza.
Ele foi colocado num sepulcro especial fechado com uma rocha que precisava da força de muitos homens para remover. As mulheres sabiam que não poderiam tirá-la e se preocupavam com isso. Mas ao chegarem ao local viram que um terremoto a removera. A ressurreição mostrou uma vez mais a vitória de Jesus sobre a natureza que Ele evidenciou tantas vezes em sua vida em curas e maravilhas.

Vitória sobre os poderes humanos políticos e religiosos.
A poderosa Roma se aliara ao sinédrio na morte de Jesus e na guarda de seu túmulo. A ressurreição mostrou que o Senhor tinha poder sobre todas as forças humanas de sua época. Ele já referira a Pilatos que só não se libertava porque não queria, pois tinha legiões de anjos à sua disposição. Ele provou isso ao sair da sepultura deixando a guarda como que morta.

Vitória sobre a morte. O último inimigo.
O homem não foi feito para morrer e por isso mesmo luta contra a morte que vê como tragédia maior. O pecado trouxe a morte, o medo da morte, o pavor do desconhecido. Jesus trouxe a vida, a garantia da salvação, a tranquilidade na passagem a outra esfera de vida. Ele, o primeiro a ressuscitar plenamente (até então só havia ressuscitação e nova morte posterior) nos garante a nossa ressurreição, destrói o pavor da morte e nos prepara para uma passagem que é descrita na palavra como dormir no Senhor.

Vitória sobre as circunstâncias.
Quando tudo parecia perdido, quando tudo adquirira o mais negro tom e o mais amargo sabor, surge a maior vitória, a maior bênção a maior alegria. Na vitória de Jesus lembramos que em nossas vidas muitas vezes tudo se parece com a sexta-feira da paixão mas nessas ocasiões é bom lembrar que o domingo está chegando. O choro pode durar uma noite mas a alegria vem pela manhã.

Ressurreição para nós é Vitória.
Em minha casa, quando criança, minha mãe sempre nos acordava no domingo de Páscoa com as palavras: "Ele vive!"
Alegre-se comigo meu irmão! ELE VIVE!
Related Posts with Thumbnails

Manual do Corão - Como se formou a Religião Islâmica

Como entender o livro sagrado do Islão?  Origem dos costumes e tradições islâmicas. O que o Corão fala sobre os Cristãos?  Quais são os nomes de Deus? Estudo comparativo entre textos da bíblia e do Corão.  Este manual tem servido de apoio e inspiração para muitos que desejam compreender melhor o Islão e entender a cosmovisão muçulmana. LER MAIS

SONHO DE DEMBA (VERSÃO REVISADA)

Agora podes fazer o download do Conto Africano, com versão revisada pelo autor.
Edição com Letra Gigante para facilitar a leitura do E-Book. http://www.scribd.com/joed_venturini