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Seria a Europa ainda um campo missionário? ou O que significa “conhecer” a Cristo?


Um dos princípios clássicos de missões foi estabelecido pelo Apóstolo Paulo, logo no começo da obra de missões, e é o de anunciar a Cristo onde ele ainda não é conhecido (II Coríntios 10:16). Esta será uma das bases para se falar em “povos não alcançados” que se tornou uma das máximas de missões com a definição da janela 10/40 como alvo prioritário de missões. Faz sentido que as organizações missionárias e as igrejas invistam em campos onde o evangelho não é conhecido. Cristo deve ser anunciado onde ainda não é conhecido. Mas essas afirmações levantam algumas questões e uma das mais importantes é a que fazemos no título: o que significa conhecer a Cristo? Até que ponto um ou outro campo pode ser descartado como campo missionário?
Já estive em aldeias na África Subsariana onde as pessoas nunca tinham ouvido a história do natal ou a descrição da crucificação ou a maravilha da ressurreição. Certamente eram um povo não alcançado pelo evangelho. Ali fazia muito sentido ter missionários. Mas, o que queremos dizer quando falamos de conhecer a Jesus? Alguém que sabe que Natal é nascimento de Jesus e que ele morreu numa cruz se categoriza como conhecendo a Cristo? Nesse caso podemos parar de evangelizar o Brasil. Não faz sentido ter uma organização de missões nacionais num país em que mais de 20% da população é evangélica e há pregação contínua na TV e rádio e Internet. O Brasil é um país sobejamente alcançado. Mas será mesmo? Saber que Natal é comemoração do nascimento de Jesus e que ele morreu numa cruz é conhecer a Cristo? Nesse caso boa parte da população muçulmana do mundo estaria alcançada porque sabem quem é Issa (Jesus) e conhecem algo de sua vida. Por essa linha de pensamento também estaria alcançada toda a classe média no Japão, pois têm cultura mais ocidentalizada. China e Índia também serão já alcançados, porque saber do Natal e da Páscoa é conhecimento geral básico mesmo na Ásia. Mas serão eles alcançados? 
E aqui voltamos à questão: o que significa conhecer Jesus? Lembro-me de ir assistir ao filme “Código da Vinci”, uma obra de ficção que inclui pretensos factos históricos. E, no entanto, ao sair do cinema ouvi um casal a conversar e a senhora a dizer com ar muito convicto: “afinal, foi isso que aconteceu!”. Minha surpresa foi enorme ao perceber que ela estava a falar de Jesus, que no filme é representado de modo bem diferente dos evangelhos. Demonstrou não conhecer Jesus. Isso aconteceu em Lisboa, Portugal, um país nominalmente cristão e já evangelizado… ou será que não? 
Na nossa ansiedade por alcançar os que nunca ouviram de Cristo temos tomado decisões em relação a missões que excluem certos campos como a Europa, como se já fossem evangelizados. Mas a grande maioria da população na Europa, apesar de ter um conhecimento superficial da figura de Jesus, nunca ouviu uma exposição clara e direta do evangelho. Não se pode dizer que conhecem a Cristo. Nunca foram expostos à salvação bíblica.
Foi Leslie Newbigin que começou a alertar para a nova realidade da Europa Pós-Cristã como campo missionário. Depois de trabalhar por muitos anos na Índia, ele voltou à Grã Bretanha, uma terra supostamente cristã e ficou perplexo de perceber que seu país se tornara avesso a Cristo e ignorante do evangelho. Ele concluiu que a Inglaterra era novamente um campo missionário. Não é por acaso que a Europa é o continente com a menor percentagem de evangélicos no mundo. Os europeus não conhecem o Jesus das escrituras.
Acresce outra dificuldade. Temos, como cristãos, muita experiência em alcançar culturas e povos não cristãos e pré cristãos. Temos uma missiologia avançada para lidar com a introdução de Cristo para povos que o desconhecem por inteiro. Mas nunca antes o Cristianismo lidou com a necessidade de evangelizar uma cultura pós-cristã. Sabemos falar de Jesus a quem nunca ouviu falar dele. Mas na Europa a sensação é: “Conhecemos Jesus, sabemos o que é o Cristianismo, já o experimentamos e para nós não serve” E diante disso não temos ainda uma missiologia capaz. 
No tempo do Novo Testamento os romanos eram muito liberais em relação a religião. Havia bastante liberdade para praticar fosse o que fosse. Os cultos eram assunto particular. Cultus privatus, algo que é apenas problema seu. Apenas não o imponha a seu vizinho e ficaremos felizes. Nessa realidade o Cristianismo era apenas mais uma religião. Mas tinha a vantagem de ser uma novidade, algo fresco e viçoso, algo nunca antes visto. Foi quando o Cristianismo deixou clara a sua alegação de fé única para salvação que a perseguição surgiu. Se fosse mais uma não havia problema. Alegar ser a única salvadora é que não era aceitável.
Hoje vivemos algo semelhante. A cultura pós moderna se tornou relativista e nesse contexto vale tudo. Mas religião é coisa privada e não se deve impor. O problema é que a fé cristã não é mais novidade mas é vista como retrograda, antiquada, já testada e sem apelação. E sua alegação de ser “a verdade” leva a acusações de fanatismo e intolerância. Essa é a visão que a Europa tem da igreja hoje. E diante disso respondemos: O europeu conhece Cristo? Não! Tem noções históricas, em geral erradas e alguns conceitos vagas, mas não conhece a verdade bíblica e nem o evangelho salvador. Nesse contexto a Europa é ainda, ou novamente, campo missionário? Certamente! E dos mais árduos onde o trabalho é lento e exige persistência e paciência. Necessitamos de uma missiologia para esta Europa pós cristã e de gente com coragem para enfrentar uma sociedade cínica, maligna e avessa a Deus. 
Sim, a Europa é campo missionário.

A Parábola das Bodas (Mateus 22: 1 a 14)


Em todas as culturas do mundo a festa de casamento é a maior de todas as festas pessoais. O casamento ainda é hoje em dia o acordo ou pacto mais valioso que existe. Provavelmente porque foi Deus que o instituiu logo no início da criação. Foi o Criador que fez o casamento e a sua importância continua mostrando o valor desse pacto e aliança. Nada mais natural então que a salvação ser mostrada muitas vezes como um casamento entre o Senhor e o seu povo, aqueles que o aceitam, como prova de um amor maior e de uma aliança única.

Jesus está em seus dias finais. A oposição chegou ao auge. Os lideres nacionais pretendem mata-lo e só buscam um modo de o fazer sem levantar a ira do povo. Jesus sabe disso e lhes responde com parábolas cada vez mais audazes e directas. Nesta que lemos em Mateus 22 ele vai directo ao ponto. Notemos alguns aspectos importantes:

A salvação é assemelhada a uma festa de casamento. Uma celebração de alegria e fartura para a qual muitos são convidados. Nos tempos de Jesus as festas não tinham data certa. Eram marcadas e o convite feito em relação a certo tempo e depois havia que aguardar que as coisas estivessem prontas. A festa fora anunciada no AT ao povo judeu de modo especial. Agora era a hora. O messias chegara e era preciso festejar e se alegrarem. Mas… os convidados, de modo acintoso se negaram a vir.

Notar que as desculpas não parecem más. Havia actividades normais a desempenhar. Havia negócios e fazendas a ver. Coisas legítimas do cotidiano. Mais coisas comuns afastam as pessoas do céu do que pecados grosseiros. A maioria que perde a salvação não é formada por pecadores que mataram e adulteraram ou fizeram barbaridades. Simplesmente levaram suas vidas sem pensar em Deus, sem ligarem a Ele e sem responderem a seus chamados. Estavam tão ligados a suas actividades que deixaram de lado o mais importante e logo, ficaram em divida eterna. Para Deus era grave o seu desinteresse.

A reacção do Rei provavelmente é profética em relação a destruição de Jerusalém. Insultar publicamente um Rei tem seus riscos. A Jerusalém que nega Jesus vai pagar muito caro e isso nos leva a pensar no que a nossa sociedade tem feito e nos crimes que comete e como isso um dia terá seu peso em termos de julgamento divino.

Depois retorna a graça. Os que são chamados a participar da festa não tem a menor condição de estar numa festa real. São caminhantes estrangeiros ou pobres que vivem ao relento. É gente que nunca poderia sonhar em entrar no palácio e assistir ao casamento do príncipe. O fato do Senhor os convocar é especial e único. Mostra o tamanho da graça de Deus por nós e a forma como nos ama para lá de nossos merecimentos.

Mostra também a necessidade da igreja de Jesus sair. Os convidados tem que sem procurados nas ruas e valados, nos caminhos e estradas. Eles não estão ali acessíveis a espera de entrar no palácio. Estão longe. Nem sequer sabem da festa. Não sabem que podem participar ou que podem ser convidados. Estão alheios a realidade dessa possibilidade. São os servos do Rei que devem sair para os chamar, para lhes falar da festa e os convencer a aceitar a possibilidade e traze-los de fato a festa. A Igreja através dos servos de Jesus, são chamados a sair e trazer os que estão fora para dentro.

Uma nota final da parábola pode parecer estar fora de contexto mas é de suma importância. O Rei passa em revista os convidados e nota que um deles não está trajado de forma correcta. No tempo de Jesus, como em nossos dias, há traje próprio para a festa e para o cotidiano. Não se vai a uma festa com traje de trabalho ou roupa de casa. Este convidado está vestido de forma imprópria. Ora, os convidados foram trazidos das ruas. Eles certamente não tinham roupa apropriada para a festa. O Rei teve que providenciar. Cada um que chegava era provido de vestes próprias para a ocasião. O vesti-las era aceitar não somente o convite mas os termos deste. Reconhecer que não vinha devidamente trajado e despindo suas roupas aceitar as novas que eram oferecidas.

O convidado em causa veio a festa. Aceitou o convite ou mostrou interesse em aceita-lo, mas quis manter-se como estava. Permaneceu com as roupas da rua. Não aceitou a mudança a mudança necessária oferecida. Com isso desprezou o convite e fez troça da solenidade. Mostrou-se orgulhoso em sua aceitação sem reconhecer a graça do convite a sua impropriedade para o mesmo. Teve que ser retirado.

O convite ao evangelho é como estamos, mas não para permanecermos como estamos. Quem entende a graça estendida deve entender também seu pecado, a necessidade de perdão e de mudança de vida que é oferecida na salvação ed e bom grado se submeter a acção do ES. A graça é completa nesse sentido.

Cristianismo sem Cicatrizes


Quando a segunda guerra mundial se aproximava do fim e as bombas aliadas castigavam as cidades alemãs, Stuttgart foi uma das mais danificadas. Era ali que vivia e ministrava Helmut Thielicke. E foi aí, no meio dos destroços do templo de sua congregação que ele liderou os crentes em adoração e pregou uma dês suas mais famosas series de sermões. Aquele era uma igreja que conhecia a realidade de louvar nas ruínas. Um conceito desconhecido da igreja ocidental moderna.
 O evangelicalismo atual cedeu à tentação da promoção rápida e do marketing feroz com sua promessa de crescimento imediato. É comum ouvirmos hoje os pregadores da palavra usarem a linguagem da propaganda de modo descarado anunciando o evangelho como se fosse mais um produto e o cristianismo como outra tendência de mercado. Há uma valorização máxima do desconforto e da insatisfação para então se anunciar a cura rápida, a prosperidade instantânea e a salvação barata de um evangelho que perdeu acutilância e verdade. Talvez o maior problema da propaganda nem seja tanto que cria necessidades artificiais mas que atua nos desejos naturais dos seres humanos explorando essas carências e levando a expectativas imediatistas e exageradas.

E logo temos um cristianismo sem medula, sem fibra. Crentes que desconhecem a Bíblia ou qualquer ideia de disciplina espiritual mas que estão prontos a citar textos desconexos e fora de contexto para justificar suas expectativas exageradas. São crentes que reclamam da qualidade do serviço divino quando qualquer dificuldade surge e voltam as costas à Igreja assim que seus desejos deixam de ser cumpridos.

Um Cristo sem cruz, uma salvação sem expiação, uma fé sem prova, uma vida sem teste, para um mundo sem pecado pode nos dar uma filosofia de auto-ajuda mas não Cristianismo. Esse cristianismo sem cicatrizes não conhece a angústia de Job, o silêncio expectante de Abraão, as lamentações de Jeremias e as marcas no corpo de Paulo. Desconhece que “no mundo tereis aflições” (João 16:33) e que “todos quantos querem viver piedosamente sem Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:2).

Os propagandistas da fé "marketeira" são rápidos em nos lembrar que somos filhos do rei, mas esquecem de acrescentar que o reino não é deste mundo (João 18:36). Eles gostam de citar as promessas divinas mas esquecem de dizer que a maioria delas é condicional. Citam repetidas vezes que Jesus tomou nossas dores e enfermidades mas ainda assim morremos de câncer. Simplesmente não há como evitar todo o dano colateral do pecado neste mundo.

O mundo no qual vivemos jaz no maligno. É um mundo caído no pecado cujo salário é a morte. A criação geme sob esse peso e a sua libertação é algo futuro. Não podemos fugir dos efeitos do pecado particular e nem do pecado geral da nossa raça. Prometer o contrário é falácia. A salvação que nos liberta da condenação não nos transporta instantaneamente para o paraíso. Ainda temos que guerrear com o inimigo, o mundo e a carne.

A intimidade com Deus que se anuncia em cânticos espirituais que tomaram nossas igrejas falam de tocar no Senhor e sentir a sua presença, mas temos que lembrar que esse relacionamento é único e diferente de tudo que temos neste mundo. A verdade é que nem sempre “sentimos” o Senhor, que não podemos tocar em suas vestes, e que na maioria das vezes que oramos a sensação clara é de que se trata de um monólogo. Isso não é desvalorizar todas as maravilhosas respostas de oração que temos mas tirar o crente das expectativas que prometem faze-lo andar nas nuvens com o Pai quando isso não vai acontecer.

 A transcendência de Deus é bíblica e parte importante da sã doutrina. Ele não é nosso coleguinha e não está a espera de que peçamos algo para sair correndo a cumprir nossos desejos. Lidamos com um Deus Santo, Poderoso, Transcendente e Majestoso a quem devemos honra e reverencia, temor e tremor. Os servos do Senhor que tiveram um vislumbre de sua Glória, não correram para abraça-lo, antes caíram com o rosto em terra como mortos. O Temor do Senhor ainda é hoje o princípio da sabedoria.

 Não queremos com isso tirar a alegria da fé cristã mas torná-la realista. Não desprezamos a intimidade, mas apelamos à sua verdadeira expressão. Não retiramos da vida em Cristo sua excelência antes recordamos que traz também suas cicatrizes, dores e lutas. Negá-las ou deixar de as entender é fugir da essência da fé. O Cristão verdadeiro não é o que se vangloria da prosperidade mas o que pode dizer como Paulo que sabia viver em qualquer circunstância porque era capacitado por Deus. O verdadeiro crente não é o que sempre obtém o que quer mas aquele que pode afirmar como Habacuque que “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide... todavia eu me alegrarei no Senhor e exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17 e 18).

Construção ou Demolição?

Nesta vida há inúmeras maneiras de classificar pessoas. Algumas são bastante elaboradas, como a teoria dos temperamentos (sanguíneo, colérico, melancólico e fleumático), outras mais simples como a ideia de que somos produtores ou somos consumidores ou ainda a dicotomia fazedores/espectadores. Na sua maioria, essas propostas expressam alguma verdade e têm utilidade para nos fazer pensar. Uma delas é essa: De que equipe fazemos parte? Da equipe de construção ou da de demolição?

No que diz respeito a prédios, temos necessidade de ambos os tipos de equipas. Mas nas relações humanas a figura muda. Precisamos saber claramente a que grupo pertencemos, porque faz e fará grande diferença para nós, nossos amigos e familiares o impacto que deixaremos ao nosso redor.
Membros da equipe de demolição do maligno trabalham na destruição de vidas. Usam seus olhos para descobrir os erros e defeitos, usam seus ouvidos para ouvir a maledicência a qualquer hora e em qualquer lugar, usam seus lábios para desmotivar, criticar, desmoralizar e entristecer os que os rodeiam. No meio de uma casa nova encontram um defeito na parede ou uma rachadura na vidraça. Em meio à alegria de uma festa descobrem o que não está funcionando no serviço ou uma falha nas casas de banho. No fim de um culto abençoado são capazes de referir um erro gramatical da mensagem pastoral ou um desafino do coral. Diante de uma pessoa bonita e bem vestida são capazes de encontrar motivo de crítica, que mais não seja o custo da roupa.
Os membros da equipe de demolição do inimigo não reconhecem que o sejam. Não é como se andassem por aí com uma etiqueta presa em suas camisas ou um boné com a insígnia de demolição. Na verdade, eles em geral se julgam “realistas” e “sinceros” e acham que todos deveriam ser como eles. Gostam de falar bem alto que “dizem a verdade doa a quem doer” e acrescentam “não sou de falinhas mansas” ou ainda “as verdades são para se dizer”. Desse modo se autojustificam para todas as palavras desagradáveis e malignas que vão deixando na sua passagem. E que rastro deixam...
Membros da equipe de construção de Deus trabalham para edificar vidas. Usam seus olhos para perceber potencial e capacidade, usam seus ouvidos para discernir elogios e bênçãos, usam seus lábios para animar, encorajar, alegrar e encaminhar. Em meio a tristeza de uma perda familiar tem uma palavra de consolo que conforta. Em meio a uma apresentação falhada conseguem ver aspectos positivos que prometem um amanhã melhor. No fim de um culto que a muitos pareceu monótono e cansativo encontram razões para louvar a Deus e agradecer ao pastor. Diante de uma pessoa com trajes simples e aspecto banal são capazes de descobrir um traço de beleza que mais ninguém viu.
Muitas vezes os membros da equipe de construção de Deus nem sabem que o são. Na verdade sua alegria flui de uma vida grata de comunhão com um Deus maravilhoso que criou muitas maravilhas. Procuram seguir as palavras do Mestre que dizia que devíamos fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem a nós e por isso não sentem que fazem mais do que sua obrigação.
Todos já sentimos a angústia de estar perto de um demolidor e também a alegria de estar perto de um construtor. Na verdade, nós também fazemos parte de uma dessas duas equipes. Qual será? Avaliemos com sinceridade. É mais fácil demolir que construir. Sempre foi e sempre será. Mas é bem mais glorioso e abençoado fazer parte da equipe de Deus que edifica. Vamos trabalhar meu irmão. Há vidas e construir, ânimos a restaurar, corações a consolar e almas a ganhar. Esta tudo no poder da tua e da minha palavra usadas pelo Senhor da Palavra.

Evangelizar está fora de Moda!?

Em muitos círculos evangelizar está fora de moda. Houve um tempo em que era aceitável e considerado positivo e necessário, mas gora não. Muitos hoje aceitam a visão que foi trazida do mundo pluralista de que cada um tem direito a sua própria crença. Essa verdade (a liberdade de escolha) é dom de Deus. O problema está em algumas de suas ilações. Baseados nessa posição, muitos crentes alegam que evangelizar é antiquado, é uma imposição de minhas crenças e na realidade atual, tolerante e diversa, ninguém tem direito de se impor aos outros. Seria assim mesmo? Evangelizar ou testemunhar de Jesus é imposição de religião? É verdade que não temos mais direito a isso? Que passou de moda? Meditemos brevemente.

Primeiramente seria bom lembrar que ao testemunhar de Jesus não estou falando só de minhas crenças. Trata-se de factos investigados e comprovados histórica e cientificamente. A vida e obra de Jesus, sua morte e ressurreição, são factos garantidos. A diferença que Jesus faz nas vidas é algo verificável em todo o mundo e ao longo de 2 mil anos. Não se trata de crendice ou superstição. São factos comprovados.

Imagine que descobriu a cura do cancro, que tropeçou numa forma de energia barata, não poluente e universal, que ficou conhecendo a forma de se viver saudável até os 120 anos. Teria direito de guardá-la só para si? Seria considerado imposição dizer a um doente terminal que sabe a forma de curá-lo? Seria esmagar os direitos pessoais compartilhar uma fonte de energia renovável sem custos? Certamente não! Seria tolice não fazê-lo. Seria mesmo um crime! Nós, que conhecemos a verdade de quem Jesus é e do que ELE faz nas vidas, temos mais do que o direito, temos o dever de o compartilhar.

Em segundo lugar, o testemunho sobre Jesus não é uma imposição das minhas crenças. Não se trata de algo pessoal, individual, inventado por mim. Trata-se da experiência de muitos milhões ao longo de toda história da humanidade mesmo antes de Jesus. Não é algo que só eu sei, não é a minha verdade. É a verdade vivenciada por tantos milhões que se tornou universal. Experimentada em todos os quadrantes, por todas as culturas, classes sociais, níveis de formação intelectual, épocas e lugares.

As verdades do evangelho não são minha crença, mas algo que nos foi dado do céu. Sua revelação foi sobrenatural, envolveu milhares de profecias cumpridas ao longe de séculos que nos garantem sua origem transcendental. Não foi invenção de homens pois os livros da Bíblia levaram séculos a serem escritos, por escritores de culturas e em lugares totalmente diversos e que no entanto escreveram sem contradição e com uma coerência tal que só o céptico fechado deixa de reconhecer. Testemunhar dessa verdade é passar adiante uma verdade celeste vivida em todo globo.

Por fim, testemunhar não é uma imposição de minhas crenças. Pode ser que alguns deem seu testemunho de modo que seja impositivo, mas esse não é o espírito do evangelho. Jesus deixou claro que sua mensagem era um convite, um apelo. Ele dizia "se alguém quiser vir após mim". Ele dizia: "Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa". Não há nada de imposição nisso. Há convite singelo e total liberdade de escolha.

Quem arromba portas e salta muros impondo sua vontade é o inimigo de nossas almas não o Senhor Jesus. Como seus seguidores nós não impomos nada a ninguém. Nosso apelo não é uma lista de leis, regras e proibições. Para a liberdade verdadeira fomos chamados por aquele que disse "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Nós não impomos, compartilhamos, testemunhamos do que vimos, ouvimos e experimentamos, damos a conhecer a graça que nos alcançou, convidamos para o banquete de Deus.

Evangelizar não passou de Moda. Devemos e podemos mudar o estilo e forma de o fazer para que se torne mais eficaz aos nossos dias. O crente fiel deve ser sensível á realidade que o cerca mas nunca deixar de dar testemunho daquilo que é o mais importante em sua vida, a salvação de Jesus.

A IGREJA QUE PRECISAMOS!

Nunca houve tanto por onde escolher em termos de igrejas como em nossos dias. Não creio que isso tenha facilitado a escolha. Na verdade a complicou bastante. Antes tinhamos algumas opções básicas. Hoje as variantes são tantas que dá dor de cabeça só de pensar. Afinal, qual seria a melhor maneira de escolher? Como seria a igreja que realmente precisamos?

Algumas das respostas mais comuns (pelo menos em termos gerais) seria: uma igreja grande (com muitos membros), com umaboa propriedade, espaçosa, com um templo confortável e boas salas para reuniões diversas; bom serviço geral (estacionamento, ar condicionado, local para deixar as crianças, etc) um pastor "famoso" que seja bom pregador, música de qualidade e uma atitude liberal em relação à presença e participação.

Para muitos essa seria a igreja ideal. Mas seria a que precisamos? Seria a que precisamos biblicamente falando? Creio que não... As caracteristicas citadas podem até existir e serem úteis mas, o que realmente precisamos numa igreja é que ela seja:

1) Aberta
Com isso, estamos falando de aceitação e empatia.   A Igreja de Jesus é um lugar de cura, de restauração, de vida nova. Não pode estar fechada aos "pecadores", não pode criticar os que estão "perdidos", pois existe em boa parte para alcançá-los. A Igreja tem que ser aberta no sentido de compassiva, compreensiva, disposta a ajudar, a pagar o preço para que as pessoas encontrem verdadeiramente o caminho de Deus.

Diversas igrejas têm atitude fechada.  Limitam a entrada aos que mostram certas caracteristicas, como classe social "certa",  vestuário aceitável, qualidade de linguagem, ausência de problemas. Ora, a Igreja é um misto de hospital, maternidade e creche.  Trata dos doentes, assiste aos partos e dá apoio às crianças em desenvolvimento. Se os hospitais fecharem as portas aos doentes, as maternidades não quiserem fazer partos e as creches recusarem crianças porque sujam tudo, todos perderão sua razão de ser. A igreja também!

A Igreja que todos precisamos é marcada pela compaixão, pela acessibilidade, pela capacidade de receber e apontar o céu. Essa Igreja será verdadeiramente agência do reino de Deus na terra.

2) Dotada

A Igreja que precisamos é aquela onde os dons do Espirito se fazem presentes de modo ativo. Demasiadas igrejas estão cheias de crentes limpadores de banco e polidores de maçaneta. Estamos já mais que conscientizados que o cristão não pode ser só um assistente, mas na prática pouco se faz para mudar esse quadro.

Na igreja neo testamentária o Espirito distribui dons a TODOS os crentes. Esses dons são fundamentais para a vida do corpo. O fígado não pode deixar de funcionar só porque não é retina, e os rins não podem parar porque não são cérebro. Cada um tem seu dom; cada um precisa saber qual é seu dom; cada um necessita de desenvolver seu dom através da prática viva do mesmo. Desse modo não apenas o que exercita mas todos os demais são abençoados.

Já imaginou uma igreja em que cada um sabe para que foi salvo? Cada crente tem sua função e a desempenha com alegria? Cada um percebe sua utilidade e acha realização em seu ministério? UAU Que Igreja. Essa é a igreja que precisamos!

3) Discipuladora

A Igreja de Jesus tem obrigatoriamente que fazer discipulos. Não apenas convencidos, não apenas convertidos, não apenas informados, não apenas batizados, não apenas membros... discipulos. Só um discipulo pode fazer discipulos. Mas a diferença para o desenvolvimento da igreja é abissal.  Discipulo é aquele cuja vida é uma busca por se tornar como seu Mestre. Cada palavra, ato e intenção burilados à medida do Mestre. Repito, só um discipulo pode fazer discipulos.  Só um discipulo exemplifica o discipulado ao ponto de o tornar desejável e mesmo essencial.

Uma igreja discipuladora é aquela onde a maioria dos crentes iniciou a certa altura o caminho do discipulado. Aqueles que estão mais á frente apoiam aqueles que estão iniciando e desse modo todos caminham na mesma direção. Não perfeitos, não livres de tentação ou falha, mas a cada dia mais perto de Jesus.

Numa comunidade assim a compreensão e uso de dons de que já falamos é algo natural que acontece como parte da vida. Numa igreja assim é possivel sentir a presença viva do Mestre em cada um de seus seguidores. Uma igreja assim é que desperta a expressão "Cristãos". Esses individuos parece que não têm outro alvo a não ser Cristo. São mesmo uns Cristãos.

4) Missionária

Como missionário sempre ouvi os pastores e membros de igrejas me garantindo: nossa igreja é uma igreja missionária!  O que isso significava em geral era que aquela congregação dava boas ofertas para missões no dia especial  ou (e aqui então havia mais convicção) adotava mensalmente missionários. Isso é bom... Boas ofertas e adoção mensal sustenta missões, mas não faz de uma igreja uma verdadeira igreja missionária.

Uma igreja missionária é aquela que entende que a razão de ser da igreja é missões. Existimos para o louvor da Glória de Deus mas isso só acontece com aqueles que o conhecem e amam. Logo, missões é o caminho para a adoração. Sem missões não há conversão e sem essa não há adoração.

Uma igreja missionária é aquela que ora por missões com fervor. Que conhece as realidades do campo e intercede de modo claro e direto. É uma congregação em que tudo relacionado com o trabalho missionário tem prioridade e valor especial. É uma igreja que se envolve tanto no alcance de seu bairro como na evangelização de povos distantes e estranhos. Isso quer dizer que faz missões perto e vê entre os seus se levantarem os que farão missões longe. É uma igreja cujo coração bate ao ritmo do alcance de pessoas e povos para Jesus.

Conclusão:
Da próxima vez que procurar uma igreja talvez possa mudar seus parâmetros. Poderia sugerir vários outros além dos citados como por exemplo: bom ensino bíblico, boa doutrinação, disciplina espiritual... mas creio sinceramente que se a igreja que tivermos for aberta, dominada pelos dons espirituais, discipulando aqueles que alcança em missões, teremos a essencia do que Jesus queria. teremos então a igreja que precisamos. Minha parte (e a sua também) é fazer com que essa realidade aconteça onde estamos pela graça de Deus e no poder do Espirito.

Missionário de Curto Prazo


Missões de Curto Prazo:
Solução ou Aventura?


Alexandre (nome fictício) era um jovem entusiasmado. Tinha muita convicção de seu chamado missionário. Era viciado em tóxicos e Jesus o libertou. Dois anos depois da conversão já estava numa escola de missões se preparando para o campo missionário. Seis meses de curso e ele seguiu para a obra de ganhar o mundo para Cristo. Não faltava alegria e expectativa e até uma estrutura razoável de suporte a seu trabalho. Ano e meio depois dava tristeza falar com ele. Tornara-se irônico quanto ao ministério e cético quanto à missões. Voltara ao Brasil e estava desorientado em relação a seu futuro. Era mais uma vítima do novo paradigma de missões de curto prazo.


A experiência de Alexandre não é única e nem isolada. Infelizmente tem se repetido com inquietante regularidade. Conheço casos extremos como o de um jovem missionário que se converteu ao islamismo e de outro que se suicidou. A questão que se coloca é séria. O Brasil é hoje um dos países que mais envia missionários e as organizações missionárias parecem se inclinar para os projetos de curto prazo. Criou-se a idéia de que missões de curto prazo é o novo paradigma e a solução. Será assim mesmo? Quais as vantagens e desvantagens desse tipo de missões? O que podemos fazer para minimizar os riscos e maximizar as oportunidades?


MISSÕES DE CURTO PRAZO:
A SOLUÇÃO
Os defensores desse tipo de projeto tendem a apresentá-lo como o paradigma que permitirá o alcance do mundo para Jesus. Tirando os exageros próprios dos mais exaltados, a visão de curto prazo tem hoje muitos adeptos e tem sido implementada pela maioria das organizações missionárias. Quando falamos de missões de curto prazo estamos falando de projetos que podem levar de 6 meses a 4 anos. Nesses projetos o missionário se compromete antecipadamente por um período definido e não há a idéia de uma carreira missionária. Pensemos então no potencial de tais projetos e seus pontos positivos:

Compromisso
Na mentalidade pós-moderna é muito difícil se conseguir compromissos de longo prazo. Os jovens querem ter opções, e a idéia entregar a vida inteira a um projeto é algo difícil de ser aceito pela maioria. Com o advento dos projetos de curto prazo foi possível recrutar todo um exercito de jovens que dificilmente aceitariam um desafio de missões para a vida, mas que estão dispostos a dar alguns meses ou mesmo anos de sua vida para a obra de missões. Mesmo as organizações missionárias mais conservadoras se viram na obrigação de abrir projetos desse tipo para não perderem a onda dominante.

 Treinamento

O treinamento e experiência exigidos a um candidato para missões de longo prazo são um obstáculo para os mais apressados. Normalmente se exige curso teológico e algum tipo de prática pastoral. Com os projetos de curto prazo venceu-se essa dificuldade na medida em que as próprias organizações missionárias dão um treinamento aos jovens que em regra não passa de um ano e em alguns passos é de apenas 3 meses. Isso encurtou bastante o tempo entre vocação missionária e envio para o campo permitindo que o vocacionado mantenha o primeiro amor por missões e o sonho de ser benção no campo.

Custo
Um dos maiores atrativos dos projetos de curto prazo é a promessa de menor custo. Uma família missionária custa caro. Só o envio para o campo de 4 ou 5 elementos de uma família com sua bagagem , já representa despesa alta. A imagem do jovem apaixonado por Jesus que vai com a Bíblia na mão e a mochila nas costas, além de aliciar a juventude, agrada a tesouraria das organizações de missões. O custo do envio é menor, a instalação é bem mais barata (afinal só vai ficar um período curto) e o salário é bem mais baixo. Tudo isso é ideal inclusive para as igrejas que apóiam o missionário e podem fazê-lo por menor dinheiro.

Adaptação
Parece ponto pacifico que os jovens se adaptam mais facilmente e mais rapidamente que os adultos às culturas diversas. O jovem desperta menos resistência por parte da população hospedeira. Afinal, é apenas um jovem. Os mais novos rapidamente fazem amizades com os jovens e adolescentes locais através de lazer e da pratica de esportes que são um atrativo forte no mundo quase todo.

Feedback
As informações que retornam do campo missionário com um obreiro de curto prazo são mais rápidas que as de um missionário de carreira. O jovem tem mais tempo livre, tem mais conhecimento e hábito na utilização da tecnologia de comunicação como Internet, skipe, MSN e etc. o que leva a maior fluxo de noticias do campo. Além disso o missionário de curto prazo volta do campo mais cedo e desse modo os enviadores tem mais rapidamente a noção do que foi o trabalho e a experiência no campo missionário.

Tudo isso aliado ao impacto positivo que estes jovens tem normalmente na juventude das igrejas que visitam tornou o projeto de curto prazo quase obrigatório para as organizações que trabalham com missões. Pensando em tantas vantagens podemos nos entusiasmar e entender todo o investimento que esses projetos levantam. Mas a questão permanece. Será este o novo paradigma que vai mudar a história de missões? Para sermos realistas temos que pensar no outro lado da moeda e analisar as dificuldades inerentes aos projetos de curto prazo bem como verificar na prática a veracidade de suas apregoadas vantagens. Já temos tempo suficiente de projetos de curto prazo para entender como funcionam.

MISSÕES DE CURTO PRAZO:
A AVENTURA
Comecemos aqui por definir Missões. Estamos pensando na obra geral de alcançar os perdidos, mas, de modo particular, nas partes do mundo que realmente necessitam  maior investimento missionário, a saber, o mundo muçulmano, hindu e budista onde o evangelho está menos difundido e a carência de pregação é maior.  Muitos projetos de curto prazo visam estas regiões do mundo e temos que pensar nas particularidades de cultura, sociedade e história para entender como o projeto de curto prazo se dará nesse ambiente. Pensaremos também de modo breve nas vantagens apresentadas fazendo uma crítica às suas colocações:

Compromisso

A pouca exigência de compromisso neste tipo de ministério favorece o surgimento de candidatos menos sérios.  Serão jovens com pouco tempo de vida cristã, sem maturidade espiritual.  Alguns se apresentarão por falta de saída profissional ou por incapacidade de entrar em instituições de ensino superior.  Já ouvimos de um candidato: " Deus não me ajudou a passar no vestibular, então deve ser porque quer que eu seja missionário". Muitos desses jovens irão com uma visão romântica de missões, uma percepção errada de que o trabalho missionário é a panacéia dos problemas da humanidade. Outros se apresentarão pelo puro exotismo da coisa, pela proposta de aventura e olharão para o projeto como um possível trampolim para outras paragens. Fica no ar a noção de que, se não der certo, sempre podem mudar de planos, escolher outro campo ou simplesmente voltar ao Brasil.  Essa percepção retira da obra missionária uma de suas mais necessárias virtudes: a perseverança.

Treinamento

Regra geral o treinamento de projetos de curto prazo é bastante limitado sendo intenso demais, pequeno demais e com muita ênfase nos conhecimentos intelectuais e pouco na prática e no caráter. Sabendo das exigências do campo missionário mas tendo pouco tempo para a formação de obreiros, as organizações missionárias investem em cursos de intensidade exagerada, que dão um conteúdo que ultrapassa a capacidade de absorção dos jovens e que negligencia o aspecto espiritual e do caráter do obreiro. Como maturidade não se produz em microondas os resultados são muitas vezes jovens confusos, sem saber bem o que fazer com tanta informação, mas ainda longe da vida espiritual que seria necessária para a atuação no campo. A abordagem necessariamente superficial dos temas passa aos jovens a noção de terem estudado e aprendido muito quando na verdade nem sabem o valor ou a aplicabilidade da maior parte das coisas que ouviram.


Sustento

A questão do sustento menor nestas situações pode se tornar uma falsa vantagem. Por um lado porque pode se chegar a ponto do sustento precário que deixa o obreiro no limiar da necessidade. Por outro lado o engano existe porque os projetos em geral funcionam com grupos e a comparação não pode ser feita entre família missionária e o obreiro de curto prazo, mas entre família missionária e equipe de curto prazo e aí a tal vantagem diminui chegando mesmo a desaparecer. O envio, sustento e manutenção de uma equipe de 3 ou 4 jovens equivale e muitas vezes excede o de uma família missionária na maioria dos casos.


Adaptação

A suposta adaptação fácil dos jovens ao campo missionário é outra falácia da missão de curto prazo. A adaptação que se deseja e que se necessita em missões nunca será de curto prazo.  Quando o missionário vai para outra cultura precisa de tempo para compreender a visão de outra religião, precisa aprender outras línguas e o ministério de curto prazo nega-lhe a possibilidade da adaptação realmente necessária.


Alguns meses ou mesmo 2 anos numa realidade transcultural é manifestamente pouco para quem precisa conhecer a cosmovisão do povo a alcançar. Nesse tempo o missionário só teve oportunidade de avançar um pouco na língua e de conhecer um pouco da cultura em seus aspectos mais superficiais.


O ministério missionário é um ministério de comunicação. A comunicação depende de um conhecimento o mais profundo possível dos interlocutores. Isso requer tempo, um tempo que não se pode apressar. Não é possível correr com o conhecimento de uma cultura, não é possível apressar o estabelecimento de confiança entre pessoas de raças diferentes e costumes por vezes opostos.


Parte significativa do sucesso de um missionário em situação transcultural está no papel que ele consegue ocupar nessa sociedade.  O povo só ouvirá sua palavra quando ele ocupar uma posição que lhe dê status para pregar.  O evangelho pede mudança de vida. Não é qualquer um que tem status para fazer essa reivindicação numa cultura.  Ora, os missionários de curto prazo são jovens, na sua maioria moças, sem formação superior, solteiras e sem filhos e que avisam logo à chegada que vão ficar pouco tempo.  Na maioria dos casos, esses jovens são enviados para culturas que valorizam os idosos, os homens, os casados e com filhos e os que tem boa formação.  Como uma jovem solteira vai obter status para ministrar nesse contexto ainda por cima com o calendário na parede marcando os dias para o regresso à casa?

Não estamos aqui desvalorizando as jovens que se apresentam para missões. Devemos é ser honestos no entendimento de que temos pedido a missionários de curto prazo que façam o que não é possível nesse tipo de ministério.  A adaptação necessária ao alcance de povos distantes culturalmente exige muito mais tempo do que temos dado a esses jovens. Eles merecem mais! Os povos a alcançar precisam de mais!

Feedback
A noção de que os missionários de curto prazo dão maior feedback que os missionários de carreira é também ilusória. É verdade que o de curto prazo mantêm maior contato com as bases até porque não chega a cortar o cordão umbilical. Temos visto jovens que passam o tempo na internet falando com o Brasil e nada tem para falar de seu trabalho porque não sobra tempo para fazê-lo. As noticias e relatórios no curto prazo serão na maioria dos casos superficiais ou então fictícios. O próprio missionário com pouco tempo para conhecer o povo não entende realmente o que está acontecendo e confunde muitas vezes as reações que vê nos evangelizados. Em um caso que conhecemos o jovem missionário escreveu que toda uma aldeia tinha aceitado a Jesus. Quando o obreiro de carreira chegou lá descobriu que o que o povo tinha dito é que concordavam todos com a construção de uma escola na localidade.


Precisamos de retorno dos campos até para poder interceder melhor e de modo especifico. Mas esse retorno tem que vir de missionários maduros que conhecem a realidade onde ministram e realmente alimentam os intercessores com fatos e realidades.


Conclusão
O que desejamos então? Acabar com as missões de curto prazo? O que estamos dizendo? Que todos esses obreiros tem sido um fiasco? Que seu trabalho não tem valor em missões? Evidentemente que não! O Senhor na sua misericórdia nos usa apesar de nossas limitações e faz maravilhas onde lhe apraz. ELE não se limita a nossas premissas e idéias. Dá-nos no entanto a capacidade para usar o raciocínio da melhor maneira. Deixamos então algumas sugestões para um melhor uso das missões de curto prazo:


Melhor Seleção
Devemos escolher melhor o candidato a missões. Valorizar a vocação missionária séria e aqueles que mostram disponibilidade para o trabalho local. Jovens entusiastas, mas que nada fazem em suas igrejas, já dão sinais de problemas no futuro. Devemos aproveitar todos esses voluntários que aparecem mas entender que nem todos estão em condições de ir para campos transculturais. Maturidade espiritual não se desenvolve à pressa. Uma seleção mais cuidadosa poderá poupar as missões, o campo e os próprios indivíduos de experiências traumáticas e que por vezes inutilizam um jovem com real potencial.


Melhor Treinamento
Temos que reconhecer que 6 meses a 1 ano de treinamento é muito pouco para jovens seguindo para ministração transcultural.  É nosso dever dar a esses jovens maiores bases, mais tempo para amadurecer os conceitos e aprender as bases da missão.  Precisamos inclusive de mais tempo para que a verdade sobre caráter e vida espiritual venha à tona. Um treinamento mais tranquilo e mais voltado para a vida com Deus nos dará obreiros mais preparados e menos susceptíveis.


Melhor Sustento
Não é por serem jovens e porque ficarão pouco tempo, que qualquer coisa serve. Os missionários precisam de condições para atuar e para manter a sua vida num nível aceitável. Grandes cortes orçamentais agradam os que fazem balancetes, mas prejudicam, por vezes, até a sobrevivência no campo e deixam o obreiro com gosto amargo na boca. Digno é o obreiro de um salário decente para viver sem a ansiedade do fim do mês.


Melhor Apoio
Missionários de curto prazo como todos os outros necessitam de apoio espiritual e pastoreio. Temos errado ao julgar que a oração de dedicação de vidas para o campo confere aos obreiros poderes sobrenaturais. Isso não é verdade. Missionário é gente, também sofre, também sente saudade, também chora, e erra e também desanima. Jovens em ministérios de curto prazo necessitam de pastoreio, de apoio em oração e de conversa. O contato com obreiros de mais experiência pode ser benção e pode evitar muitas crises maiores. Apoiemos nossos jovens e teremos menos dores de cabeça e mais gente sendo abençoada.


Maximização de esforços
Se o ministério transcultural exige trabalho de longo prazo e os ministérios de curto prazo não o podem dar, qual a solução? Formar equipes onde os obreiros de prazo limitado servem ao lado de missionários de carreira. Desse modo os resultados não se perdem, o trabalho tem continuidade e os mais jovens recebem e dão apoio aos mais experientes. Colocar obreiros de curto prazo em campos pioneiros trará muito mais dificuldades. Colocá-los junto a equipes de longo prazo vai maximizar esforços e resultados.


Há lugar para vários tipos de ministérios em missões assim como há lugar para vários tipos de dons e ministérios na igreja. Não foi nosso desejo neste artigo desvalorizar o trabalho de ninguém, apenas falar a verdade e recordar algumas situações que tem se repetido sem necessidade. Longe de desonrar aqueles que tem se apresentado para ministérios de curto prazo, nosso objetivo é protegê-los ajudá-los, dar-lhes condições para serem realmente benção. Vamos usar os recursos humanos que missões tem recebido, mas vamos usá-los da melhor maneira, de um modo sábio e proveitoso e para a Glória de Deus.

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Testemunhar: Chamado Universal dos Crentes

EU SOU UMA TESTEMUNHA?


Luís estava tranquilamente sentado na padaria da esquina tomando seu café da manhã quando tudo aconteceu. Bem ali na sua frente, em pleno cruzamento, um carro prata ultrapassou o sinal vermelho e bateu violentamente no lado de uma van cheia de crianças que seguiam para as aulas num colégio próximo.

A confusão foi grande. Policia, ambulância, gente gritando, sangue e ansiedade. No fim, os agentes precisavam de testemunhas. Quem tinha visto tudo? Quem podia atestar da verdade dos fatos? Quem podia por fim à discussão entre o motorista do carro e o da van? Ambos se pronunciavam inocentes. Quem estava com a verdade? Só uma testemunha poderia resolver a questão. Era dever do Luís falar. Ele vira tudo. Conhecia a verdade. Não podia se calar.

Creio que todos concordarão que Luís tem a obrigação de testemunhar. Quem conhece a verdade não deve se calar diante da necessidade de falar. Mas essa não é uma questão que podemos encarar como se não tivesse nada a ver conosco. Somos chamados diretamente a fazer exatamente isso: testemunhar. A obra de Jesus foi completa. Foi uma obra perfeita. Ele ganhou a salvação para todos os que crêem. Isso não quer dizer que todos estão salvos. Deus deseja a salvação de todos, mas para que o homem seja salvo, ele precisa ouvir do caminho da salvação e decidir tomá-lo. Por isso Jesus nos deixou uma responsabilidade.

Testemunhando: Atos 1:8 nos diz que devemos ser testemunhas. O momento era solene em extremo. Jesus faz uma segunda despedida de seus discípulos em pouco menos de dois meses. Na primeira despedida ele ia para a Cruz e sabia que logo os tornaria a ver e a ser visto. Agora não. Sua obra está terminada e Ele sobe ao céu de onde só descerá na sua vinda gloriosa para reinar. Ele sabia que os discípulos nunca mais o veriam face a face. Havia uma forte tensão no ar. Os apóstolos e demais seguidores podiam perceber que algo de muito especial e definitivo iria acontecer.

 Ao contrário da primeira despedida, desta vez não há a sensação de medo e de morte iminente. Há paz e segurança total nas palavras de Jesus e nos corações dos discípulos também. Ele então declara a missão dos seus seguidores. Era simultaneamente muito difícil e muito fácil. Teriam que alcançar o mundo todo (Mateus 28:19). Isso era quase impossível. Mas teriam que alcançar as etnias apenas sendo testemunhas. Teriam que falar do que tinham visto e ouvido. Isso era fácil. Muito fácil mesmo porque o coração não podia deixar de falar do que tinham visto. A imagem da testemunha usada por Jesus nos remete a um tribunal. Imaginemos então as várias figuras que aparecem num tribunal. Pensemos nos elementos de um julgamento e vejamos o que nos compete e o que não nos compete fazer por Jesus.

1) Não somos os réus (Romanos 8:1).

Em qualquer julgamento há um réu que é acusado. A posição do réu é a pior em todo o tribunal. Sua vida está pendurada por um fio. Ali se determinará sua culpa ou inocência e também se saberá sua punição, caso seja achado culpado. Não há nada mais desagradável do que se achar no banco dos réus.
A Bíblia diz que o salário do pecado é a morte. Somos pecadores, logo merecedores do castigo.

Diante de um tribunal justo e que olhe bem as evidências, não há alternativa para nós. Somos culpados de desobedecer a lei de Deus e de ir contra sua santa vontade. A sentença já está também estabelecida pela palavra – a morte. Separação de Deus nesta vida e morte eterna uma vez saindo deste mundo.
Mas, em Cristo fomos declarados justos. Já não há condenação para nós. Isso significa que não devemos ficar aceitando as investidas acusadoras do inimigo.

O Crente que vive em pecado nega ação do Espírito Santo (I João 3:6). O pecado ainda nos ataca e por vezes caímos, mas nesse caso devemos confessar e abandonar o erro como a palavra nos ensina. Ele é fiel para nos purificar de todo pecado (I João 1:7). Não aceitemos então as acusações do inimigo. Por outro lado, eu sei o que é ser réu, estar condenado e experimentar a libertação e é exatamente isso que me torna uma testemunha tão importante.

2) Não somos Promotores (Efésios 4:29, 31 e 32).

Em todo julgamento há um promotor cuja função é acusar o réu. Seu trabalho é provar a iniquidade do réu de modo a obter a condenação. Sua função é denegrir a imagem do acusado até o ponto de não restar dúvidas quanto à sua culpa. O trabalho do promotor ou advogado de acusação é colocar o réu o mais baixo que puder. Seu trabalho é vasculhar a vida do acusado e encontrar tudo que possa ser usado contra ele para garantir a sua condenação.
Essa função, na vida espiritual, é o trabalho do inimigo (Apocalipse 12:10). Ele é o acusador, o promotor. Ele acusou Jó diante de Deus (Jó 1: 9 a 11; 2: 4 e 5) e o Sumo Sacerdote Josué (Zacarias 3:1). O inimigo gosta de denegrir e mostrar o mau nos corações. Esse é seu trabalho. Ele visa rebaixar o homem ao ponto mais vil que puder.

Os crentes em Jesus não devem se juntar ao inimigo. Nossa função não é condenar, acusar, falar mal, criticar com severidade e maldizer. Cada vez que entramos nesse caminho, nos juntamos a satanás e suas hostes. Devemos procurar a sabedoria de Deus para abençoar e não maldizer. Deveríamos evitar ficar concordando com o maligno e denegrindo nosso país, nossa política, nossos amigos ou familiares. Isso não é fuga, não é negar a verdade. É apenas o reconhecimento que falar mal não pertence ao ministério de Deus. O inimigo gosta do crente que entra nesse caminho, pois se sente à vontade com ele. Lembremos que nas listas de dons que vem no Novo Testamento nunca encontramos um dom de crítica. Muitas vezes a chamada crítica construtiva é apenas uma maneira velada de falar mal. Nós não somos acusadores, mas abençoadores. Lembremos disso e mantenhamos nossos lábios santificados.

3) Não somos Advogados de Defesa (I João 2:1).

A figura do advogado é central num julgamento. Ele é o contraponto do promotor. Nos filmes ele é normalmente o mocinho, o bom da fita. Seu papel é o de defender o réu, desculpá-lo, dar motivos para suas atitudes que minimizem um possível erro. Ele quer que todos vejam o réu como inocente e essa será sua vitória. A especialidade do advogado é arranjar álibis e outras desculpas para o envolvimento de seu cliente, o réu. Muitas vezes ele é mesmo chamado a defender criminosos e o faz com vigor porque é seu trabalho.

Nós não somos chamados a acusar, mas também não somos chamados a defender. Não é nossa função passar a mão na cabeça do pecador e desculpá-lo ou lhe dar razões para acalmar a consciência que tantas vezes o perturba. Por vezes, o crente em sua vontade de ajudar alguém acaba minimizando seu pecado e procurando mostrar ao pecador que ele não é tão mal assim. Essa, porém não é nossa função.

Na verdade, o Espírito Santo convence o mundo do pecado (João 16:8). Quando isso acontece não devemos ser obstáculo. Não somos chamados a denegrir pessoas mas a reconhecer o pecado como errado e a reconhecer também a necessidade suprema do arrependimento (Atos 2:38). Sem arrependimento não há salvação. Lembremos disso e não desculpemos nossos amigos. Se eles forem tocados pelo Espírito para sentir seus pecados, nosso dever é mostrar a Eles Jesus o único advogado que pode defender porque Ele o faz baseado em seu próprio sacrifício. Jesus não desculpou nossos pecados. Ele os levou na cruz e desse modo pode defender os pecadores que crêem e aceitam sua obra.

4) Não somos Juízes (Mateus 7:1; Tiago 4:12)

Todo tribunal tem um juiz. A palavra final é dele. Ele julga os argumentos dos promotores e advogados e no fim decide quem é culpado. Ele avalia, analisa e passa a sentença. De modo geral o Juiz é a personagem central e mais importante do tribunal. Nele reside autoridade e a sabedoria. Normalmente chegou a esse posto depois de muitos anos de trabalho e por ser reconhecido como alguém capaz em sua área.
O Juiz deste mundo espiritual é Deus. Porque? Porque apenas Ele é justo e santo. Só Ele pode julgar. Só Deus conhece todas as coisas e circunstâncias e por isso só Ele pode tomar uma decisão justa baseada em toda a informação. Muitos processos humanos falham exatamente porque os juizes não têm conhecimento de todos os fatos e esse é o principal argumento contra a pena de morte. Só Deus pode julgar porque Ele é o único que sabe de todos os fatos sem falha.

Nós não somos juízes. Não fomos chamados a passar julgamento. Julgar é muito perigoso, pois sempre traz consigo um forte elemento de orgulho e hipocrisia. Orgulho por se achar superior, hipocrisia porque na grande maioria dos casos somos culpados do mesmo erro. Nesse sentido é bom relermos o que Jesus ensinou em Mateus 7:1 a 6. O Mestre é bem claro ao condenar o julgamento precipitado e hipócrita. De referir também o verso 6 normalmente mal interpretado. Jesus não está nos dizendo que podemos chamar alguns de cães ou porcos. Ele acabara de dizer para não julgarmos. O que o Mestre ensina é exatamente o cuidado e o respeito pelos demais. Cães e Porcos tem suas necessidades e não vale a pena alimentá-los com pérolas que eles não vão poder aproveitar. Dê a eles o que podem usar.

5) Somos Testemunhas (Atos1:8)

Nossa função é então a de testemunhas.Ela relata o que viu o mais fielmente possível. O que se pede de uma testemunha é que tenha presenciado aquilo sobre o que o tribunal está deliberando e que seja fiel e verdadeira em suas palavras. A testemunha não precisa ser perita nem estudada. Não precisa der bonita ou intelectual. O que a torna uma boa testemunha é ter visto de primeira mão e ser verdadeira em seu relato.
A Testemunha só pode falar do que experimentou e por isso mesmo Jesus só apelou a seus discípulos para que fossem testemunhas. Só eles tinham visto e ouvido Jesus. Só eles podiam falar. Nós temos experimentado Deus em nossas vidas? Ele fez diferença em nós? Então é disso que somos chamados a falar. Um testemunho fiel vale mais que mil discursos de teologia. Na teologia se fala de Deus em teoria. No testemunho se fala de Deus em prática. O Teólogo sabe falar sobre Deus, a testemunha fala com Deus e por isso pode falar a outros dEle.

Conclusão:
Cada um de nós é o maior perito mundial num tema – nosso testemunho pessoal. Meu conhecimento pode ser ultrapassado. Meus argumentos podem ser rejeitados. Minhas idéias podem ser até ridicularizadas. Mas meu testemunho é vida. Podem até não aceitar, mas não podem negá-lo. Jesus me chamou a falar daquilo que Ele é e faz por mim. Essa é a mais poderosa verdade. A verdade viva de Deus agindo na minha vida, nas nossas vidas. Sejamos testemunhas e deixemos que o Espírito Santo faça a obra.
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