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Meu avô, Pr. Reis Pereira

Dia 15 de outubro completará o 20o aniversário da morte do pr. José dos Reis Pereira, diretor do Jornal Batista por 24 anos, pastor, jornalista e professor. Um homem de uma inteligência extraordinária e de uma visão do Reino de Deus especial para o seu tempo.  Mas hoje, poucos lembram de suas palavras e do seu ensino, ou mesmo de seus editoriais que influenciaram milhares de crentes no Brasil e no mundo.  Hoje, quero lembrar-me apenas de meu avô, o vovô Reis.

Juntamente com minhas 5 irmãs, amava visitar vovô Reis, o que acontecia pelo menos 3 vezes por semana, dada a nossa proximidade.  Era delicioso sair da escola e passar as tardes na casa do vovô Reis, pois sempre havia novidades. 

Um missionário da JMM que passava pelo Brasil, um pastor, ou mesmo crentes de diversas partes do Brasil sempre o visitavam.  No natal as portas ficavam repletas dos cartões de natal recebidos de todas as partes do mundo.  Ele se correspondia com irmãos e amigos de tantos lugares que me espantava a forma como mantinha sempre os contatos e as amizades. Sim, ele era fiel aos seus amigos.

Gosto de lembrar e sonhar com nossas caminhadas...mesmo quando estava doente caminhávamos por duas horas, sempre a conversar.  Foi assim que ele me mentoriou e instruiu da melhor maneira, no dia-a-dia.  Iniciava uma conversa com uma pergunta:  Ida, o que você sabe sobre os grandes poetas portugueses?  Em cinco minutos despejava o que lembrava e nas duas horas seguintes absorvia todos os detalhes que o avô acrescentava. Ouvia poemas magníficos com suas críticas e impressões como se os tivesse conhecido pessoalmente.

Amava ouvir suas aulas de mestrado em História da Igreja.  Para ele Lutero e Zuinglio não eram apenas personagens num livro enfadonho, mas crentes especiais que transformaram sua época.  Quando ensinava, seus olhos brilhavam, sua voz se animava e conseguíamos reconhecer naqueles personagens seus melhores amigos.  Contava detalhes de suas vidas que tornavam toda a História num momento vivo e divertido!

Amava passear com vovô e principalmente estar à mesa, em família. Uma grande família, sempre com seminaristas e iberistas a participarem ativamente do colóquio.  Gostava de piadas inteligentes e era leitor assíduo de revistas, jornais, entre elas o Times e Readers Digest.  Todas as editoras enviavam-lhe seus livros de lançamento, ele lia e memorizava-os, numa técnica impressionante! Jamais esquecia-se de um nome!

Quando ficou doente o médico restringiu-lhe a alimentação, porém, quem conheceu vovô sabe que comer era o seu hobby predileto.  Quando eu e Joed namorávamos e almoçávamos com ele, sempre invejava o prato de Joed dizendo:
_ Darcília, o que é que o Joed está comendo? Eu quero o que Joed está comendo, pois parece bem melhor...
Vovó Darcília, morta de preocupação respondia: 
_Mas, Reis, você não pode comer desta comida...o médico já disse....
_Darcília, eu quero...vou pegar só um pedacinho.  E lá se ia o grande bife que Joed pretendia...
Amava a culinária portuguesa, mas também era fã dos queijos franceses!! Infelizmente, esse apetite agravou-lhe a saúde.

Surpreendia-me quando queria cozinhar um pão de ló com 12 ovos! Ou quando me ensinava a receita de um frappé de coco que levava sorvete de coco e um vidro inteiro de leite de coco...gordura para matar qualquer um...mas, que delícia! E depois, sobrava para mim o trabalho de limpar toda a sujeira na cozinha, antes que vovó descobrisse nossa estripulia!

Divertido era ver vovô assistindo a uma luta de boxe.  Como ele gostava de boxe! Eder Jofre e outros lutadores...vovô treinou boxe quando novo e gostava de "tentar" nos ensinar.  Podem imaginar vovô dando uma "gravata" nas netas, que em vão tentavam jogá-lo ao chão.  Um dia a cama do quarto da vovó foi abaixo porque as quatro netas pulavam tanto e lutavam com o avô que esta não resistiu.  E vovó Darcília ficou uma fúria! Hoje a compreendo bem, que trabalhão e que gangue nós fazíamos!

Vovô gostava de uma boa argumentação, gostava de uma discussão intelectual.  Não lhe agradava aqueles que em nada podiam contribuir, ou que simplesmente concordavam e abaixavam a cabeça.  Mesmo sendo muito nova, sempre gostei de perguntar e instigar e com isso vovô se abria e ensinava ainda mais. Foram as lições mais preciosas, que não se aprendem numa cadeira de seminário ou faculdade. Foram anos maravilhosos!

Vovô deu-me meu primeiro emprego: secretária particular.  Deveria organizar sua biblioteca e seus milhares de pequenos cartões com anotações.  Seus sermões eram guardados nestes cartões e muitas vezes havia apenas o texto bíblico e 4 palavras.  Achava incrível como conseguia lembrar-se de uma mensagem completa com apenas estas anotações. Ajudava-o a elaborar o boletim da igreja e organizar sua correspondência.  Foi confidente de tantos missionários,  pastores e esposas de pastores, mas sempre manteve total sigilo e antes de falecer lembro-me que queimou a maior parte de seu arquivo de cartas, não fossem cair em mãos erradas.  Através destas cartas orientou e guiou o meio batista no Brasil.  Hoje sua firmeza doutrinária, suas convições profundas e seu amor pela Palavra fazem falta.  Sua amizade era genuína, sem preconceitos, sem interesse nem acepção de pessoas.  Os doutores e os mais iletrados eram ouvidos da mesma maneira e todos eram recebidos à volta de sua mesa.

Pr. Reis não era um homem fechado e não o considero um batista fundamentalista, era um batista sincero e convicto, pois sua crença vinha do muito estudo e meditação. Muitos que o conheceram apenas de púlpito podiam considerá-lo reservado, mas conosco era alegre, descontraído e muito, muito espirituoso.

Hoje, após  vinte anos de sua morte ainda sonho com seus conselhos, ainda recordo-me de seus exemplos, histórias e anedotas.  Suas marcas permanecem em minha vida e na vida de meus filhos, que mesmo não o conhecendo ouvem suas histórias e aprendem sua maneira de ver a vida.

Sua última oração foi no dia 12 de outubro de 1991, o dia de meu casamento.  Vovô não assistiu, já estava de cama.  Saímos da igreja do Rocha diretamente para a casa do vovô.  Vovó Darcília surpreendeu-se, pois ele sentou-se, apoiado pelo pr. Tiago Lima e nos ajoelhamos junto à cama.  Ele uniu nossas mãos, apertando-as com força entre as suas mãos e durante longos minutos orou abençoando nosso ministério e nossa vida de casados. Depois disto nunca mais falou.

Era o dia mais feliz de minha vida, mas também o mais triste, pois sabia que vovô estava indo e não podia segurá-lo mais.  Esperou até o meu casamento e nos abençoou. Vovô faleceu três dias depois, e as mesmas flores do meu casamento estavam no funeral na igreja do Rocha. 

Obrigada, vovô, pela sua vida, pelas bênçãos que eu e meus filhos desfrutamos até hoje, pela proteção no campo missionário e pelo exemplo que nos deixou.  Não nos esqueceremos jamais, pois sempre será para mim o vovô Reis.

Uma neta saudosa
Ida Venturini de Souza



Cronologia José dos Reis Pereira - Jornal Batista 29.12.1991
 


Homenagem ao Pr. Reis. Jornal Batista de 29.12.1991
 

Família Segundo o Coração de Deus


 
 
A família está em crise! Frase batida, desagastada e que já nos cansa ouvir. Sabemos que a crise está aí. Os divórcios são muitos, os filhos não se dão com os pais (choque de gerações?), os idosos morrem sozinhos em casa ou ficam abandonados em lares, as crianças não obedecem ninguém… a crise está patente, mas não começou agora. Provavelmente o primeiro que disse isso (a família está em crise) foi Adão, no dia em que Caim matou Abel. A crise não é nova e a razão dela é a mais antiga possível – o pecado.

A primeira crise conjugal aconteceu assim que o pecado entrou no mundo. Adão culpou Eva (desporto favorito dos homens desde então) e Eva culpou a serpente. E continuamos a culpar os outros. É o governo que não melhora as leis e aumenta os impostos, o patrão que paga mal e fora de horas, os professores que não educam os filhos, a mídia que polui as mentes de nossos jovens e crianças, a falta de segurança nas ruas que nos fecha em casa, a igreja que não converte nossos queridos… há sempre alguém culpado, que não nós. E a cultura moderna nos diz que essa é a solução. Culpe alguém, arranje um bode expiatório e vai se sentir melhor. Mas culpamos toda a gente e a crise continua e nosso coração não tem paz porque o problema maior não está lá fora, está em nossos corações.
A solução não está num bode, mas no cordeiro. Não vamos achar paz culpando outros mas reconhecendo nosso mal, nos arrependendo de nosso pecado, pedindo perdão a Deus e aceitando sua oferta de salvação pelo sangue do Cordeiro que levou a nossa culpa. Só assim voltamos a paz com Deus. Só assim teremos famílias segundo o plano original e sairemos da crise. E como serão essas famílias? Como é uma família segundo o coração de Deus?
Efésios 5: 22 a 6:4

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;
Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja,

sendo ele próprio o salvador do corpo.
De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo,

 assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos.

 Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja,

e a si mesmo se entregou por ela,
Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,
Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga,

 nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
 Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos.

Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.

 Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta,

como também o Senhor à igreja;
Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos.
Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher;

 e serão dois numa carne.
Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.
Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo,

e a mulher reverencie o marido.
Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos,
mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.
Eis um quadro digno de ser pintado. Eis uma família equilibrada no amor de Deus e em paz consigo mesma. Eis um testemunho do que o Senhor queria. A família segundo o coração de Deus é aquela onde cada elemento sabe seu lugar e cumpre sua função e o texto nos auxilia nisso:
Marido
O homem foi criado por Deus para liderar, ele foi feito para ser o cabeça da família, o sacerdote do lar. Mas, biblicamente, isso não significa mandão, autoritário ou despótico. Quando falamos da liderança masculina logo há quem nos chame de chauvinistas e machões, mas não é isso que lemos no texto. Liderança na Bíblia equivale a serviço, serviço sacrificial e responsabilidade. Longe de ser um senhor feudal que é servido no lar o que vemos é que marido deve amar como Cristo amou, sacrificialmente, em serviço, em dedicação, em plenitude.
Vivemos um tempo em que os homens fogem de suas responsabilidades, abandonam as esposas ao lar e a criação dos filhos e buscam seu próprio prazer em 1º lugar. São homens inconstantes, inseguros e cobardes. Que vivem para o trabalho e alguma possível conquista extra conjugal, que se animam com pouco mais que o futebol, que vem o lar como local de seu conforto e os membros da família como seus servidores. Não admira que não consigam manter os casamentos e os filhos não os respeitem.
O marido segundo o coração de Deus ama sua esposa com dedicação e fidelidade. Preserva suas forças para sua esposa e amada. Supre a casa e a sustenta. Protege e lidera com carinho e firmeza. Assume as responsabilidades e as decisões, não sem consultar ou ouvir, mas entendendo sua função e assumindo seus riscos. É um homem que dedica seu tempo a casa, a esposa e aos filhos. Que ajuda em casa e na criação dos herdeiros. Que ocupa a posição de sacerdote do lar em oração e ensino da palavra. Que leva sua família a devoção e a igreja. Que entende que em seu amor a família florescerá e terá vida. A esposa sentirá seu amor e os filhos receberão direção. Será Homem com H grande e ninguém em casa terá dificuldade em aceitar sua liderança.
Esposa
A mulher foi criada como companheira, complemento e ajuda ao homem. Feita em igualdade com ele no que toca a dignidade, valor, importância e qualidade. Mas feita para funções diferentes. Ela foi criada para a maternidade, com uma suavidade diferente, uma capacidade de sacrifício própria, uma sensibilidade especial.
Em nossa sociedade porém, a mulher resolveu reivindicar uma igualdade que a empobrece. Basta olharmos e fica evidente que há diferenças. A igualdade que faz da mulher um homem de saias é contrária a natureza. A mulher que quer ser moderna, mas que vê nisso uma liberdade para a promiscuidade sem compromisso, uma maternidade sem sacrifício, relacionamentos sem responsabilidade e dedicação à carreira como alvo maior está longe do que Deus preparou, não traz a satisfação prometida e nos lega uma realidade triste de abortos sem sentido, casamentos sem amor, filhos sem educação ou amor.
A mulher segundo o coração de Deus entende sua função de ajudadora. Isso não a relega a segundo plano mas a ajuda a perceber suas características. Ela é a mulher virtuosa que ajuda o marido, enriquece a casa, se satisfaz profissionalmente mas se mantém mãe presente e educadora, dona de casa cuidadosa que cria a atmosfera de segurança e carinho, a amante que completa seu marido em cada aspecto da vida, a companheira e amiga com quem ele partilha cada passo e cada curva da estrada. Mulher assim encontra a satisfação de ser o que Deus idealizou para ela e de ser amada e apreciada por cada um em casa.
Filhos
Os filhos são bênção de Deus, a certeza da continuidade, o milagre da vida, a possibilidade de melhoria em cada geração. Foram feitos para o ambiente do lar, com pai e mãe, com segurança, amor, carinho mas também firmeza e direção. Foram feitos para enriquecer a família e dar seguimento a linhagem de Deus de modo a preservar em cada geração o testemunho do Senhor.
Infelizmente, em nosso contexto atual, os filhos se tornaram os senhores do lar. Por falta de tempo para dedicar a eles, os pais os entregam a terceiros para sua criação e com a consciência culpada de não lhes dar a educação que deviam, os pais erram segunda vez deixando as crianças ocuparem uma posição para a qual não foram criadas. Cada vez mais temos lares em que os filhos mandam e decidem. Fazem chantagem com os pais desde cedo. Manipulam os sentimentos, expressam seus medos e ansiedades da pior maneira possível e subjugam os elementos da família a seus caprichos e os pais assim permitem para não os “traumatizar” para não os “castrar”. A consequência é uma geração mimada, sem responsabilidade, que acha que o mundo lhes deve alguma coisa, prontos para embirrar ao primeiro sinal de problema e a tomar anti depressivos na adolescência.
Filhos segundo o coração de Deus entendem que são filhos e não senhores. Aprendem que os pais são dignos de respeito e gratidão. São filhos que obedecem por entender que isso é o melhor e o que agrada a Deus. Filhos que ocupam seu lugar na hierarquia do lar, que honram os pais na presença e na ausência, que devolvem o amor recebido com gratidão sincera e honesta, que recebem a bênção dos pais e florescem no mundo aproveitando toda a direção daqueles que o Senhor colocou para os guiar na vida.
Pais
O lar foi feito para abençoar. Quando Deus chamou Abraão ele prometeu uma família e que em Abraão todas as famílias da terra seriam abençoadas. Pais foram feitos para liderar esse lar, essa família, para dar sustento físico, emocional e espiritual, para levar seus filhos a um patamar superior ao seu próprio.
No entanto, os pais modernos têm mostrado profunda ambiguidade em seu comportamento. Por um lado parece que querem ainda viver como se fossem solteiros. Não querem abrir mão de nenhum programa, nenhuma atividade social, nenhum investimento seu. Parece que os filhos são apenas um embaraço para satisfazer os avós ou garantir continuidade. Por outro lado, no assumir da paternidade, vemos os pais modernos a dar aos filhos as rédeas da casa. Abrem mão da sua responsabilidade de comandar e deixam as crianças dirigir o lar como se tivessem capacidade para isso.
Pais segundo o coração de Deus assumem sua responsabilidade de ensinar e dirigir. Amam incondicionalmente e sacrificialmente mas corrigem com carinho e firmeza. Sabem que filhos precisam de liderança clara e providenciam a mesma com base na Palavra de Deus e com a oração como alicerce sabendo que sem Deus não temos a capacidade necessária para liderar com a sabedoria precisa.
O casamento e a família segundo o coração de Deus não são utopia para discurso de domingo de manhã. Tampouco são uma família perfeita no sentido de sem faltas. Nesta vida lutamos com o pecado sempre, mas temos vitória em Cristo. Amor incondicional implica também em pedido de perdão e em perdão, em paciência e tolerância, compreensão e apoio. Tudo isso faz parte do que o ES produz em nós.

Cristãos com a vida centrada em Deus podem criar famílias centradas em Deus para bênção de seus elementos e para bênção da igreja e da comunidade. Podemos ser famílias assim. Sejamos famílias assim.

 

10 Mandamentos para Criar seus Filhos



Quando começa a educação de uma criança? Eis uma boa pergunta. A resposta vai variar. Há quem ache que começa quando vai para a escola. Outros que talvez só mais tarde quando compreende o mundo. Ou talvez cedo quando já fala. Há os mais radicais que diriam que começa no berço. Ou talvez comece mesmo quando escolhemos alguém com quem fazer o maior compromisso da vida – o casamento. Quando escolho meu casamento estou preparando a base para a criação de meus filhos porque sua educação deve começar antes de eles nascerem na preparação e depois logo que estão em nossos braços. O Senhor instava os pais de Israel a serem mestres da lei e a instruírem seus filhos desde muito cedo e em todo lado.
A Ordem de Deus era: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas.” Deuteronômio 6:4-9. Lembremos alguns bons princípios para a criação dos filhos.

1.    Atenda as Necessidades de seu Filho: esta é das regras mais simples e que mais facilmente temos a pretensão de cumprir. Estamos a falar de necessidades físicas como alimentação, abrigo e agasalho, bem como necessidades na área da saúde e educação. Mas o segredo deste mandamento está na palavra “Necessidade”. Por exemplo: precisamos atender a necessidade de alimentação, o que não é a mesma coisa que lhes dar de comer aquilo que querem ou pedem. Bons pais atendem ao que é necessário. O que seu filho precisa de comer? O que precisa de vestir? O que precisa de aprender? E há outras necessidades importantes como as de afecto, aprovação, carinho e encorajamento. (Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos… Mateus 7:11)

 
2.    Participe da vida de seu filho: para isso precisa compreender o que se passa em sua vida, e que muda ao longo dos anos e do crescimento. Precisa entender o melhor possível o mundo de seu filho e sua realidade para desse modo poder participar de seus planos. Talvez isso implique sentar no chão e brincar quando é criança, ir aos treinos quando é maior, acompanhar a viagens quando cresce. Não fique de fora só dando dinheiro.
 
3.    Não provoque a Ira: uma ordem específica de Paulo a todos os pais. Podemos despertar uma ira correta em nossos filhos com relativa facilidade e isso prejudica o relacionamento e a vida com Deus. Por exemplo: sendo incoerentes ou dizer algo e fazer diferente (diz que deve vir a igreja mas você mesmo não vem); quando somos irónicos (traz a igreja mas depois fala mal das pessoas); quando mentimos; quando mostramos favoritismos em casa; quando não cumprimos nós mesmos as regras que estabelecemos como fundamentais para a casa. (E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, Efésios 6:4)

4.    Ensine as coisas certas: por vezes achamos que as coisas certas entrarão na vida de nossos filhos como que por magia, mas não é assim. Eles não irão simplesmente saber as coisas. Temos que ser nós a falarmos delas e a explicarmos como é. Isso significa coisas diferentes em épocas diferentes da vida. Pode significar ensinar a comer quando tem 2 anos, a falar correctamente a língua quando tem 4 ou 5, a brincar com educação quando tem 6 ou7, a explicar o que é sexo e suas consequências quando tem 9 ou 10, como se faz um bom trabalho de escola quando se tem 12 ou13, como se prepara um orçamento familiar aos 15, etc. Mas não deixemos que eles aprendam na rua. Saibamos de algo que é universal: se nós não ensinarmos a nossos filhos em casa, irão aprender com outra pessoa. Quem você quer que ensine seu filho? (Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. Provérbios 22:6)
 
5.    Converse com seu filho: se quer cumprir o 2º mandamento, de fazer parte de sua vida, então tem que falar com eles. Tem que dialogar. Ouvir o que tem para dizer e contar e os nossos filhos sempre terão algo para contar. Pode não nos parecer coisa de maior importância mas é para eles e se os amamos deverá ser para nós. Quando abrimos tempo para isso damos a nossos filhos o senso de valor. Mostramos que podem contar connosco e que não precisam se fechar em mundos paralelos. Há casas em que vivem muitas pessoas e todas sozinhas. Não vamos permitir que seja assim em nossos lares. Podemos e devemos fazer de nossas casas locais de boa conversa e nossos filhos precisam saber que podem nos trazer qualquer problema ou situação que os ouviremos e estaremos lá para eles.
 
6.    Ensine a seus filhos a Palavra de Deus: Somos os primeiros professores de Bíblia que eles devem ter. Podemos e devemos traze-los a Igreja, mas devemos começar por ser nós a mostrar a eles o valor da Palavra. Vamos ler a palavra com eles (culto doméstico é um lugar ideal para isso) contar as histórias da Bíblia, explicar o que sabemos e ajuda-los a entender o valor que a Palavra tem para nós e deve ter em suas vidas. (E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Deuteronômio 6:6-7)
 
7.    Ore com e por seus filhos: Nada é mais poderoso que a oração. Sabe com quem nossos filhos aprendem isso? Connosco. Se não aprenderem em casa vai ficar bem mais difícil. É em casa que devem aprender a levar seus problemas a Deus. É no lar que vão começar a ter a alegria de perceber que podem ter suas orações atendidas. É com os pais que vão sentir que a presença de Deus se manifesta de muitas maneiras e em muitos lugares. Ensine-os a orar pela escola, pelos amigos, pelas crises da vida, pela família e pela igreja. E ore por eles. Peça protecção, sabedoria, força para não se deixarem levar, um futuro honesto, um casamento feliz. (Apelo para o movimento mães que oram)
 
8.    Discipline seu filho: A nossa sociedade vai perdendo seus valores e principia. As leis vão pervertendo a própria palavra de Deus. É a própria Bíblia que nos ensina a disciplinar nossos filhos. Hoje a lei já quer nos impedir de usar o correctivo que as crianças tanto precisam. Por causa de excessos cometidos por alguns a lei se aplica a todos. Na verdade não impede os infractores mas ajuda a criar uma geração de jovens sem medidas, sem limites, sem fronteiras, que acham que tudo é permitido e que sua liberdade vale mais que a do seu vizinho. Mas como pais cristãos que amam a Palavra de Deus devemos saber corrigir nossos filhos. Quando pequenos precisam de uma palmada de vez em quando. À medida que crescem podem aprender a arrazoar, mas precisam de disciplina, de limites e por vezes de castigos para aprender a viver num mundo que não se compadece como nós pais o fazemos. Deixar de disciplinar nossos filhos é receita certa par um futuro triste e que trará muitos dissabores e eles e a nós. (O que não faz uso da vara odeia seu filho, mas o que o ama, desde cedo o disciplina. Provérbios 13:24)
 
9.    Dirija palavras de Aprovação (publica e privada): Nossos filhos precisam tanto e palavras de aprovação como de pão. Eles se alimentam espiritual e psicologicamente de palavras de apreço e reconhecimento. Se as receberem em casa não precisarão mendigar essas palavras na rua e se encantar quando o inimigo as oferecer com segundas intenções. Quantos rapazes foram desviados para o mal porque não tinham uma palavra de apoio em casa até que o mal lhes disse que eram bons nisto ou naquilo? Quantas moças se perderam porque nunca ouviram em casa que eram bonitas até que um qualquer lhes falou de seus belos olhos? Devemos aprender a valorizar nossos filhos pelo que são e pelo que fazem. Isso é parte da educação de que precisam. Valorizados em casa sentiram tranquilidade na vida e em qualquer meio que estejam.

10.  Dê Independência: Nossos filhos precisam aprender a fazer as coisas sozinhos e a crescer. Inicialmente isso implicará em algumas quedas e dores, mas será para o bem deles. Quando pequenos, temos que deixa-los aprender a andar sozinhos e não podemos segurar suas mãos para sempre ou não aprenderão. Mais tarde poderá ser a bicicleta. Depois pode ser aprender a lidar com seu dinheiro, a ser responsável por alguma actividade na casa. Mais tarde ainda será a saber que horas chegar em casa. Não podemos estar com eles as 24 horas. Mas se os criarmos com amor e aprovação, se lhes dermos ensino e atenção, se os disciplinarmos e encaminharmos para o Senhor, um dia teremos que lhes dar a liberdade de escolher e teremos que descansar que farão a escolha certa. Nunca deixaremos de orar e de pedir. Nunca deixaremos de ter algum receio e medo. São nossos bebés, nossos filhotes. Mas dar-lhes liberdade faz parte do processo de ajudá-los a crescer.

Nossos filhos são tesouros preciosos que Deus nos deu por um pouco de tempo. Invistamos neles com carinho para a Glória do Senhor e será nosso melhor e maior investimento de todos.

 

Pai Herói

 

Neste mês em que nos concentramos na família, não nos parece correto falar de mães e deixar de lado os pais. Afinal, eles devem ser base da família e foram chamados por Deus para papéis importantes na formação de seus filhos. Filhos precisam de pais e não somente de mães. Não é a psicologia que diz, é a Palavra de Deus. Filhos precisam de pais e de pais que sejam heróis.
Dizer isso logo traz a mente super-heróis. Homens musculados, de força descomunal que saem por aí voando, prendendo os maus, ajudando os mais fracos e salvando a humanidade de mais um vilão. Como boa parte dos pais não é nem musculosa, nem forte, nem imponente e nem aprendeu a voar, pais heróis pode parecer um tanto complicado. Será que só atletas de ata competição podem ser pais heróis? Não! Definitivamente não!
Pai herói é aquele que ama e honra a mãe. Que não tem vergonha de mostrar aos que escolheu esta mulher por ela ser tão especial e única. Que acarinha, ajuda e ampara a esposa em todas as atividades inclusive domésticas, que não tem medo de ser visto com uma vassoura ou uma panela na mão.
Pai heróis é o que trabalha de forma honesta e dura para providenciar para o lar. Nem sempre no trabalho do qual gostaria, nem sempre no emprego que sonhou, mas mesmo que seja com sacrifício e dor, com luta e persistência, faz o que precisa para dar aos seus o necessário.
Pai herói é aquele que acompanha os filhos. Que senta no chão para brincar, que joga bola com os rapazes e de casinha com as meninas. Que conversa sobre a escola, avalia os amigos, se interessa pelos namoros. É aquele de que não é difícil se aproximar, que arranja tempo para os trabalhos de casa e para ver os programas favoritos de seus filhos. Que se interessa pelos seus interesses para aprender a falar a mesma língua.
Pai herói é aquele que ora pelos filhos e com eles. Que os apresenta sempre a Deus em intercessão, que se aproxima nas horas de dificuldade para compartilhar uma palavra de sabedoria, que chora com os filhos e se alegra com suas vitórias. Pai herói é aquele que leva seus filhos a conhecer o Senhor por meio de seu testemunho e exemplo e não apenas levando a igreja. É aquele que não fala mal da comunidade mas envolve os filhos em obras e apoio e ajuda social.
Pai Herói não precisa voar, mas deve saber orar; não precisa derrotar vilões, mas vence seus vícios; não precisa ter força sobrenatural mas conhece o Deus de Todo Poder. Esse pai, todos nós podemos ser na graça de Deus.

Amor de T-Shirt

 
Já há algum tempo que virou moda expressar amor por meio do uso de T-Shirts, as camisolas de manga curta e sem gola que os jovens tanto apreciam. Esse amor é, por regra, expresso numa expressão formada pelo eu em Inglês ou seja, "I", seguido de um coração que significa Love ou Amo e depois o nome de um lugar. Assim temos os dizeres: I Love Paris, I Love New York, I Love Rome e outros mais. Quase qualquer destino turístico que se preze tem que ter uma dessas T-shirts à venda e os turistas amam esse souvenir barato e sugestivo.

  Pensando nesse suposto amor podemos chegar a algumas conclusões rápidas. Primeiro de tudo é um amor impessoal. Raramente vemos camisas com o nome de pessoas, mas apenas de lugares. Não é que não se possa amar lugares mas é certamente um outro tipo de amor, um amor impessoal. Por ser impessoal esse amor é um amor sem compromisso, sem aliança, sem cobrança, sem avaliação. Roma não vai cobrar minha fidelidade, Paris não vai avaliar minha dedicação, Lisboa não me pedirá mais tempo e o Rio de janeiro não se preocupará se amanhã declarar meu amor à outra cidade. Esse tipo de amor sem compromisso tem lugar para tudo. Cabe sempre mais um. Mas também o retorno é mínimo, porque muito raramente uma cidade expressa seu amor por alguém.

O amor de T-Shirt é exibicionista. O interesse principal é mostrar aos outros que estive lá. Que tenho recursos e bom gosto para escolher este destino. É claro que posso até usar a camisa e não conhecer o local. Ninguém na verdade pergunta ou investiga. Esse amor é de fachada mesmo. Parece muito com as capas de revista de fofoca onde os atores e personalidades da moda aparecem "apaixonados" por pessoas diferentes a cada temporada para dar mais "valor" à sua figura.

 Amor de T-Shirt é egoísta. Afinal ele simboliza minha visita a um lugar. Em relação a lugares posso tirar o que quiser, desfrutar o que puder e quando puder e quiser. Não há limite a não ser minha capacidade de tirar e não há hora ou data marcada. É chegar e me servir. Aproveitar ao máximo, as praias do Rio, os museus de Londres, as antiguidades de Roma, o clima romântico de Paris. É um amor bastante egocêntrico, onde só conto eu e minhas vontades.

 Amor de T-Shirt é temporário como a própria camisa. Essas camisas baratas que se compram em loja de souvenir chinesa têm um tecido de baixa qualidade que depois de meia dúzia de lavagens já perdeu todo o valor e serve só para usar em casa em dias de preguiça. Esse amor declarado tão orgulhosamente só dura até o próximo destino e outra T-shirt mais nova, mais interessante ou talvez de um destino mais exótico.

 O triste disso tudo não são as camisas. São o que elas sinalizam. Falam de um tipo de amor moderno. Amor sem compromisso, sem entrega, sem avaliação, egoísta, exibicionista e temporário. Que o nosso amor seja eterno enquanto durar… como dizia o poeta. Este amor é o oposto do que a Bíblia anuncia.

 O amor bíblico é sacrificial, paciente, comprometido, amor que dura, que sofre, que persevera, que vence, que dá. O mundo precisa muito de amor. Precisa desesperadamente de amor. As pessoas à nossa volta o buscam e precisam dele, mas não de amor de T-Shirt. Vamos pensar nisso e olhar mais de perto para nossos amores declarados e a verdade dessas declarações.

Há Lepra na casa!


Issacar ficou chocado quando chegou em casa. Sua esposa o chamou para ver uma das paredes internas da habitação. A casa parecia nova. Na verdade, não a tinham construído. Como muitos outros israelitas eles simplesmente ocuparam uma casa deixada vaga pelos cananitas que fugiam à chegada das tropas de Josué. Mas, na parede interior havia uma enorme mancha esverdeada. Issacar e sua mulher tentaram limpar a mancha, mas ela estava de volta depois de 2 dias e com aspecto ainda pior. Eles não sabiam o que fazer! Tinham vivido em tendas toda sua vida! Essa era a primeira casa que habitavam. Mas lembravam-se da lei que ouviram de Moisés. Era preciso chamar o sacerdote. Era preciso cumprir a orientação de Deus e eles o fizeram (Levítico 14:33 a 53)

Esta era a linha de ação prevista pela lei para situações como esta. O Senhor sabia que iriam encontrar esse problema e já dera instruções claras sobre como agir.
1.       Primeiramente o chefe da casa deveria declarar a praga na casa. Era sua responsabilidade. Ele era o sacerdote do lar e estar atento a essas coisas era sua função. Deus o colocara como cabeça do lar para isso

2.       O sacerdote deveria então ser chamado para examinar a casa e verificar até que ponto a praga havia-se estendido. Ele era orientado por Deus para fazer o veredito

3.       Precedia-se a limpeza inicial e esta não podia ser ligeira. Não era só esfregar as paredes era retirar as próprias pedras que formavam a parede infestada. Tudo tinha que ser retirado. Com lepra não se brincava! Nada podia ficar. As paredes seriam raspadas e o pó levado para longe e novas pedras e reboco colocado. Era trabalho duro.

4.       Havia então que apertar a vigilância porque a praga poderia voltar. A lepra era reincidente. Podia perfeitamente colocar as garras de fora a qualquer momento.

5.       Caso a praga voltasse haveria que derrubar a casa porque seria declarada imunda e imprópria para habitação e contaminaria tudo e todos que estivessem em contato com ela

6.       Caso a praga tivesse sido vencida e a casa pudesse ser declarada limpa haveria que aplicar sangue de expiação sobre ela porque era Deus que a limpava e a limpeza equivalia a salvação que só existe com derramamento de sangue.

Talvez possamos pensar que este texto da lei nada tem a ver conosco. Afinal temos hoje materiais de limpeza mais sofisticados que os dos israelitas e não derrubamos casas só porque aparecem manchas de bolor nas paredes. Mas devemos lembrar que as palavras do Senhor têm sempre aplicação em nossas vidas e podemos associar este texto com as casas e famílias actuais. Vejamos então a aplicação:
(os links em destaque aprofundam o tema)
1.       Assim como era necessário avaliar o estado das casas à procura de sinais de praga, também nós somos responsáveis por notar o surgimento de sinais de lepra em nosso lar. Se um filho tem febre ou aparece com uma tosse persistente isso nos preocupa. Não damos de ombro e simplesmente à espera que passe. Se aparecer sinais de rachadura na estrutura da casa ou sinais de que o apartamento de cima está drenando água para o nosso teto não resmungamos apenas e voltamos às nossas vidas. Então, porque será que, quando aparecem sinais de lepra espiritual em nosso lar, nada fazemos? Há, por vezes, pragas evidentes na casa e os responsáveis (pai e mãe) parecem não notar ou preferem fazer de conta que não viram. Somos responsáveis por isso!

2.       O exame da praga deve ser detalhado e cuidadoso como a lei sugeria. Não pode ser superficial e rápido. É algo sério que devemos ter cuidado em acompanhar. Eis alguns sinais de lepra na casa:






·         Dependência de substâncias (medicação, químicos)

·         Objetos consagrados ao maligno


3.       Há que tirar as pedras que estão contaminadas de modo radical. Medidas superficiais não levarão a limpeza. Uma simples passagem de paninho húmido não dá. Coisas que ameaçam a vida espiritual do lar podem levar a sua declaração como imunda. Queremos perder nossos filhos? Desejamos vê-los nos caminhos do mal? O que é mal é mal e não podemos confraternizar com o maligno. Devemos abandonar e cortar tudo que está alimentando a praga em casa. Toda a família deve estar envolvida. As coisas devem ser entendidas e explicadas de modo a que façam sentido.

4.       Atenção ao ressurgimento da praga. O mal tem uma capacidade de reincidência impressionante. Depois de o reconhecer e tirar não podemos baixar a guarda. A eterna vigilância é o preço da liberdade. A maldade do inimigo é tremenda e nossas famílias são o seu alvo preferido. Ele sempre espera que baixemos a guarda para atacar.

5.       A aplicação do sangue expiatório é fundamental. Não vamos sacrificar animais porque vivemos na era da igreja onde o sacrifício já foi feito de uma vez por todas. Mas temos que aprender a aplicar o sangue de Jesus em nossas famílias. Isso se faz de muitas maneiras, por exemplo mantendo as tradições familiares e costumes saudáveis em família.

6.       Não deixede trabalhar para a salvação de cada elemento da família. Isso é trabalho ativo. Não deixe que os anos passem até seus filhos crescerem. Há alguns pais modernos que não levam seus filhos à igreja ou ao estudo bíblico porque pensam que é errado “obriga-los” e quando crescerem escolherão o melhor, isto é temerário e perigoso. Você os leva ao médico? Leva-os para fazer vacinação? Inscreve-os na escola? Porque? Porque não esperar que cresçam para escolher se querem isso ou não? Porque quer o melhor para eles e sabe que isto é o melhor! Ora o que há de melhor que Jesus? O que há de melhor que sua igreja em termos de comunidade? Não deixe para mais tarde. Ganhe-os para Jesus quando são pequenos e tudo será bem mais fácil! Lembre-se que o inimigo tem muito trabalho para os conquistar desde pequenos.
Assim como fazemos a revisão do carro, a manutenção do computador ou a limpeza periódica da casa, também a família precisa de uma avaliação constante. Os sinais nem sequer são tão difíceis de ver, mas precisamos procurá-los. Não tenhamos medo de enfrentá-los. Temos um aliado fortíssimo em nossa luta contra o mal e na salvação de nossas famílias – o Criador da família. Ele é nosso Senhor e o Senhor de nossas famílias também.

Construindo Celeiros ou Vidas?

A parábola do Rico insensato
 (Lucas 12:13 a 21)
Ele tinha o que parecia ser uma vida de sonho! Era rico, famoso, conhecido. Família bonita, esposa maravilhosa, filhos inteligentes, negócio próspero. Investiu na bolsa de valores com esperteza e com a experiência de anos no mercado. Suas ações quadruplicaram num ano e ele ficou ainda mais rico e poderoso. Seu dia de trabalho era de 14 a 16 horas. Trabalhava até na hora de dormir. Não tinha tempo para mais nada! Havia que aproveitar a onda favorável. A bolsa podia mudar, os negócios podiam murchar. Teve alguns episódios de taquicardia e uma passagem na urgência hospitalar, mas tudo foi deixado para trás... Havia que usar toda essa nova riqueza para ganhar mais um pouco.
Ele avaliou bem o mercado, estudou as tendências, consultou os especialistas e decidiu onde devia investir. Sabia que a nova empresa seria um sucesso ainda maior. Sabia que teria algum trabalho extra por mais uns 4 ou 5 anos, mas depois poderia finalmente descansar, tirar um tempo, relaxar e ver o mundo e quem sabe até lembrar da família. Decidiu tudo e planejou seu novo empreendimento, seria um sucesso de arromba e o colocaria definitivamente no topo...
Nessa noite teve um enfarte agudo do miocárdio e morreu às 3 da madrugada... em seu funeral, tudo o que puderam dizer foi: foi um grande empresário...
Esta seria uma versão moderna da parábola de Jesus em Lucas 12. A história começa com um contexto próprio. Jesus é abordado por um homem no meio da multidão. Um homem pede justiça. Aparentemente essa oração tem tudo para dar certo. Mas Jesus a recusa? Porque? Não fora o mestre que ensinara a pedir? Não era seu propósito trazer justiça? Não era costume da época que os rabis, conhecedores da lei, servissem de juízes de causas menores e de repartição de heranças? Porque Jesus recusa?
Jesus não nega o pedido por justiça. O que ele nega é a ganância por trás do pedido. O que ele faz é usar de discernimento e notar que há ali muito mais do que parecia. Um pedido de justiça pode abrigar vingança ou cobiça. Uma oração piedosa pode abrigar orgulho ou malícia. Um discurso honrado pode esconder vaidade e interesses próprios. Jesus discerne o coração. E as palavras no original nos podem ajudar a entender. Ele pergunta: Quem me constituiu repartidor entre vós? Jesus não veio para ser repartidor mas reconciliador. Aquele homem queria a partilha para se separar definitivamente de seu irmão. Jesus queria que vencesse a cobiça e se reconciliasse com o irmão. Conta então a parábola.
É de notar que o homem da parábola já era rico. Ele não é apresentado como incorreto ou corrupto. Sua riqueza parece honesta e sua colheita pode até ser considerada bênção de Deus. A prosperidade do Senhor pode não ser usada de modo certo. Este homem será um exemplo. Ele é abençoado prodigamente, mais do que precisa (não será assim com todos nós, em certa medida?).
Todo seu discurso é voltado para si mesmo e para seus bens. Ele provavelmente, deveria ser casado, com família e conhecidos, mas não há o menor sinal de que os tenha em conta em sua vida. Ele não conversa com ninguém a não ser consigo mesmo. Não considera ninguém em seus planos a não ser ele mesmo e seus bens. A vida é concentrada em si mesmo e no que possui e no que vai possuir. Um discurso feito de meus frutos, meus bens, meus celeiros, minhas ideias e planos. Ele era um construtor de celeiros. Um armazenador numa cultura que valorizava a comunidade e a solidariedade vivia para si mesmo.
O trágico da história é que no fim não somente ele morre, mas não há o que fazer com seus bens. Ele não percebera que a vida era passageira e uma espécie de empréstimo. Terás que dar contas de ti mesmo. Terás que dar conta da tua alma, de devolver o que recebeste e como o farás? E tudo o que planejaste? Para quem será? Quem saberá dar continuidade? Que legado ficará para além do celeiro que fica como monumento da tua vida isolada e egoísta?
Na vida podemos ser construtores de celeiros ou de vidas, mas não dos dois. Celeiros são lugares para guardar bens. Nossas casas, cursos, trabalhos, até passatempos podem ser celeiros. Feitos para guardar bens, acumular riquezas que podem ser dinheiro, coisas, diplomas, promoções etc. Leva uma vida inteira para construir celeiros. Mas de que servem? Darão segurança? Darão futuro? Garantirão a eternidade? Darão realmente a vida (zoe e não bio) que devemos viver?
Construir vidas também demora. Temos a nossa vida para construir e as vidas de outros ao nosso redor. Trata-se de um investimento bem mais demorado e custoso. Leva tempo para construir uma vida, seja a nossa ou a de um amigo, irmão, parente, esposa, filhos. Mas, enquanto celeiros têm a tendência de ficar, vidas são eternas. Trata-se de um investimento que nos dá VIDA aqui e que terá valor eterno. Invista num banco que não vai falir de certeza. Construa vidas, não celeiros!

A Febre dos “Super-heróis”

Andava recentemente com a família em um centro comercial em hora de lazer e reparei nos cartazes de filmes em exposição. Haveria algo para se ver no cinema? Ali no painel, lado a lado estavam o “Lanterna verde” e o “Capitão América”. Não pude evitar um sorriso. Nos meus tempos de garoto esses personagens de banda desenhada eram coisa de criança. Nenhum adulto sério, que se prezasse, gastava tempo lendo essas histórias. Era algo fantasioso, juvenil, banal, ficção barata para juniores impressionáveis. Agora é um entretenimento mundial.

Vivemos uma verdadeira febre de super-heróis. Ressuscitaram o Super-homem, fizeram então uma série de filmes com Hulk, Homem de Ferro, O Flash, Batman, Homem Aranha, Thor, Conan e Demolidor (que me lembre agora). De repente eles passaram a ser a elite de Hollywood e já se fala num filme com todos eles juntos. E o que isso nos diz sobre o mundo em que vivemos? Pensemos brevemente neles.
Os super-heróis são uma forma mágica de escape da vida real e dura, do trabalho quotidiano e do esforço contínuo para vencer na vida. Os super são uma fuga. Eles são em geral fracotes que se tornam heróis, e todos gostamos dessas histórias. Sua transformação porém é milagrosa e instantânea. Seja um choque radioativo, uma experiência científica meio falhada, a visita de um alienígena ou a picada de uma aranha, tanto faz, o garoto é um derrotado num momento e no seguinte esta pronto a vencer o mundo inteiro de vilania.

Os super-heróis fazem tudo no superlativo. A força, agilidade, pontaria e visão são sempre extraordinárias ou então seus brinquedinhos são capazes de torná-los ultraespeciais. Nada de trabalho disciplinado, nada de perseverança para alcançar os alvos propostos. Tudo num estalar de dedos. A fantasia suprema! Tornar-se um semideus no proferir de uma fórmula mágica.
Mas é interessante notar também que os super têm seus problemas. Apesar de terem se tornado o padrão de todo homem e o sonho de cada mulher, eles vivem em crise. Identidades secretas, pontos fracos (que podem ser uma simples pedra verde) e uma enorme e constante dificuldade nos relacionamentos. Era como se o próprio mito se autodestruísse. Os super não sabem conviver. Eles chegam, resolvem os problemas dos outros de modo rápido e indolor e desaparecem para suas crises solitárias pessoais. Quando mais íntima a relação, mais os super se dão mal. É por isso que não casam. Onde já se viu um super casado, lavando a louça ou trocando fralda? Estragaria todo o charme, toda a publicidade.

A predileção pelos super-heróis atuais nos fala de um mundo deprimido e cansado do ordinário que sonha com uma vida melhor que venha por obra de algo mágico e que o torne super vencedor. Um mundo que deseja soluções rápidas, comprimidos de felicidade, pílulas de sabedoria, cápsulas de prazer que o faça fugir da disciplina necessária e dos relacionamentos difíceis. As pessoas querem ir ao cinema e esquecer a vida diária, a dívida da casa, a doença do filho, os testes da escola, a incapacidade de ser aquilo que desejavam ser.
O que a Bíblia diz sobre isso? Vaidade! Tudo isso é vaidade e engano! Parece que por trás disso tudo podemos ouvir a vozinha da serpente a segredar: “sereis como deus...” E a resposta Divina é Vida! Relacionamento! Convívio diário, disciplina que faz crescer, aceitação grata das bênçãos pontuais, um aprendizado de vida que nos leva a paz e comunhão com o Criador.

Os verdadeiros heróis nunca surgem instantaneamente. As verdadeiras soluções nunca brotam do chão. Os relacionamentos que duram e tornam a vida digna de ser vivida são feitos de pequenas palavras e gestos que tomam proporção especial com o tempo e a prática. Essa vida é real e pode ser maravilhosa. Não anda na velocidade da luz, não quebra rochas com os punhos, mas faz vibrar os corações e transforma destinos!

Conferência "Família Cristã no Século XXI"

A ABA( Associação Baptista Açoriana) organizou uma conferência sobre a Família Cristã no Século XXI, a qual se realizou nos dias 18 a 21 de Abril de 2011, na Igreja Baptista da Horta, Faial, e nos dias 22 e 23 de Abril do mesmo ano, nas Igrejas Baptista da Praia da Vitória e de Angra. O Orador foi o Pr. Joed Venturini.

PROGRAMAS GRAVADOS
Temas:


CASAMENTOS FELIZES: SORTE OU PROPÓSITO?

CRIAR FILHOS PARA DEUS E PARA A VIDA.

AMADURECER EM HARMONIA

FAMÍLIAS ALTERNATIVAS: RESGATE E INTEGRAÇÃO

ASSISTIR TODAS AS PALESTRAS

ELE DEVERIA...

O paciente chegou aparentemente estável ao hospital. Não parecia ser daquelas urgências prioritárias. Esperou sua vez de atendimento sem queixas maiores. Mas, quando o médico o examinou a suspeita ficou no ar. Era mais grave do que parecia.
O médico estava sobrecarregado, cheio de doentes para ver. Pensou em atuar de certo modo,  mas acabou por deixar o paciente ir embora com uma medicação simples. Algumas horas depois ele entrou novamente na urgência, mas desta vez já vinha morto numa maca...

Histórias assim levam-nos à indignação. "Negligência", grita um, "Mal exercício da função" diz outro. Ninguém perdoa. Ele deveria... Não fez nada de mal em teoria, não foi ele que provocou a morte, não foi ele que fez o paciente ficar doente, não foi sua prescrição que o matou. Foi a falta dela. Foi algo que sabia, que deveria ter feito e não fez. Foi pura e simples omissão. Mas foi fatal e nós clamamos ao céu por justiça.

Na verdade, de um modo geral, condenamos mais vivamente os pecados activos dos que os passivos. Mais facilmente nos horrorizamos com um adultério ou uma agressão do que com a passividade de assistir a uma maldade sem dizer nada ou a falta de gentileza e amor num casamento. Às vezes podemos ser levados a pensar que os pecados de omissão são coisa pessoal. Opção de cada um e ninguém tem nada a ver com isso. Mas num caso como o citado a situação muda de figura.

A Omissão pode ser fatal. E é! Mas não só em casos médicos.  É em tudo na vida. Tiago, que era claro e direto, foi perentório: "Aquele que sabe o bem que deve fazer e não o pratica comete pecado" (4:17). Num certo sentido bem prático somos todos culpados do erro do médico já referido. Pense comigo:

1) Omissão na Vida Física
Todos sabemos que é preciso ter cuidado com a alimentação, não abusar de doces, gorduras e sal, mas continuamos comendo de tudo sem restrição e prejudicando nosso organismo. Sabemos que é preciso algum tipo de exercício físico, nem que seja caminhar, mas levamos vidas de sedentarismo puro pegando o carro para ir à esquina. Sabemos que é necessário fazer exames médicos periódicos e controlar certos valores como o colesterol, a glicemia, a tensão arterial e fazer exames preventivos de cancro, mas passamos anos sem visitar o médico.

Infelizmente só quando já sofremos um enfarte, uma trombose, uma crise renal ou começamos a ter diabetes é que lembramos de tudo isso. Deveríamos ter tido cuidado. Sabíamos o que era preciso fazer, mas não o fizemos.

2) Omissão na Vida Material
Sabemos que os recursos são limitados e é preciso poupar, mas gastamos tudo que recebemos e quando surge uma urgência não sabemos o que fazer. Sabemos que um orçamento familiar cuidadoso é essencial à vida doméstica, mas gastamos sem fazer contas até o cartão de crédito ser rejeitado. Sabemos que não devemos nos endividar, mas entramos em prestações desastrosas para ter coisas que na verdade pouco acrescentam à nossa vida a não ser dor de cabeça. Sabemos tudo isso. Já vimos pessoas que o fazem e comprovamos que em suas vidas são mais tranquilos e equilibrados. Deveríamos ter esses cuidados, mas não temos. Por regra, somente quando a casa cai  é que mudamos. Quando as dividas já são excessivas, quando é preciso devolver a casa ou arranjar um terceiro emprego. Sabíamos o que era preciso fazer, mas não o  fizemos.

3) Omissão na Vida Social e Familiar
Sabemos que devemos trabalhar nossos relacionamentos. Ser mais amigos e compreensivos no trabalho e na escola, dedicar mais tempo a ouvir. Sabemos que devemos cultivar nossas amizades, fazer e manter nossos amigos mais preciosos, mas nunca há tempo para os outros e quando precisamos de alguém parece que não há ninguém a quem possamos chamar.

Sabemos que precisamos dar mais tempo à família, ao casamento, aos filhos. Que é urgente separar tempo para namorar, conversar intimamente com nosso cônjuge e orar juntos. Sabemos que é preciso criar momentos que alimentem nosso amor, demonstrar carinho e apreço no dia-a-dia, usar de palavras que animem e incentivem, dar lugar ao romance com periodicidade mas os dias passam e as tensões aumentam e um dia descobrimos que precisamos de conselheiro matrimonial, porque nosso amor passou à história.

Sabemos que é preciso ouvir os filhos, saber de suas atividades, conhecer seus interesses, participar de seus passatempos, ajudar em seus estudos, conhecer seus amigos, controlar seu lazer e sua internet. Mas nunca há tempo disponível e muitas vezes só acordamos quando há sinais evidentes de falha escolar, abuso de substâncias químicas ou o relacionamento familiar desmorona-se. Sabíamos o que era preciso fazer, mas não o fizemos.

4) Omissão na Vida Espiritual
Sabemos que é fundamental ler a Bíblia e orar diariamente, passar tempo com o Pai. Sabemos que é útil ler bons livros evangélicos, ouvir boas mensagens, ter tempo pessoal de meditação e louvor. Sabemos que o domingo é dia do Senhor e deveríamos passa-lo na igreja na comunhão dos crentes. Sabemos que temos dons e deveríamos usa-los em ministérios para a Glória de Deus. Mas os dias e anos passam e nunca há tempo para orar a não ser rapidamente nas refeições ou desesperadamente nas crises, nunca há tempo para ler a Bíblia a não ser em cultos esporádicos, os domingos servem para tudo (arrumar a casa, fazer o trabalho em atraso, estudar para as provas) menos para a igreja e os dons ficam enterrados. Então, um triste dia as lutas chegam, o vento é contrário, o casamento desmorona, os filhos se afastam, o emprego se perde e descobrimos que não temos bases para enfrentar nada disso. Sabíamos o que era preciso fazer, mas não fizemos.

Conclusão:
Na história de abertura falei de um médico que deveria ter agido, mas não o fez e o paciente morreu. Sabemos de muitas coisas que devemos fazer e priorizar. Não fazê-lo coloca em risco fatal nossa saúde, nosso orçamento e conta bancária, nossas amizades e relacionamentos, nosso casamento e filhos e, sobretudo, nossa vida com Deus.

Então, em nome de Jesus e pela graça de Deus vamos parar de falar do que devemos fazer e começar a fazê-lo. E que o Senhor nos dê a força para perseverar.
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