Escola Batista de Bafatá - RECRIANDO SONHOS!

REFERÊNCIA  NACIONAL DE EXCELÊNCIA!



A turma se espremia numa pequena sala de aula, em carteiras toscas de madeira. O ar quente e seco enchia o ar, enquanto a professora tentava manter a atenção das crianças.
- O que você quer ser quando crescer? perguntou a mestra aos alunos de olhos arregalados.
- Eu quero ter um quarto só meu (disse um menino na ponta)
- Eu quero não morrer ao ter meu primeiro filho (disse uma menina tristemente)
- Quero casar e ter muitos filhos (sorriu uma garota bem na frente)
- Quero ser motorista de candonga (van)! Falou o mais ousado da turma.

E as mãos iam se levantando e enquanto as crianças falavam revelavam uma quase completa falta de ambição. Afinal, o que aquelas crianças no interior de um dos países mais pobres do mundo poderiam aspirar? No seu bairro, a única escola até então era um velho container de alumínio onde se tinham aberto janelas e uma peuqena porta.

A professora era Edna Ferreira Dias, missionária dos batistas brasileiros. O ano era 1997. A Escola era uma iniciativa humilde transformando uma casa nativa em escola e clinica médica. Numa sala contígua, outras missionárias, as irmãs Ida Helena e Analita dos Santos davam aulas às outras turmas. Noutra sala ainda, doutor.Joed Venturini atendia os doentes. Assim começou a Missão Batista em Bafatá, no interior da Guiné-Bissau.

O fim do primeiro ano letivo foi dramático, com uma guerra civil estourando na capital e ameaçando toda a leve estabilidade do país. A equipe missionária tinha recebido o acréscimo de Edna Ferreira Dias, mas a certa altura tornou-se impossível continuar. Os obreiros deixaram a escola e o país com o coração apertado. Mas voltaram no ano seguinte e a escola não fechou. Logo as instalações ficaram pequenas demais e outra casa nativa foi usada até que em 2002 passaram para suas próprias instalações construídas com a oferta de um crente fiel no Brasil.

Os anos se passaram. Analita nos deixou porque o Senhor a chamou em 2007 e já goza da glória na presença do Pai. Pr. Joed e Ida Helena tiveram que sair em finais de 2007 para dar seguimento aos estudos dos filhos. Só Edna ficou da equipe inicial.  No entanto, a Igreja fundada em 2000 cresceu e hoje tem 150 membros. Os obreiros da terra, treinados pelos missionários, foram assumindo suas responsabilidades e a escola chegou a 700 alunos com classes de jardim de infância a fim de segundo grau.


O ano de 2009 trouxe a festa de formatura da primeira turma que fez toda a escolaridade no Colégio Batista. Eram aqueles alunos que em 97 não tinham grandes ambições. A formatura mobilizou a cidade. Alguns pais ofereceram até vacas para a festa e a comida foi tanta que tiveram que voltar no dia seguinte à festa para terminar de comer tudo. Durante um mês não se falava de outra coisa na cidade. Nunca haviam presenciado uma cerimônia tão bela!

Aquelas crianças que em 97 tinham perspectivas tão limitadas agora eram jovens com novos sonhos. Na capital submeteram-se às provas para a entrada nas faculdades (equivalente ao vestibular no Brasil). E os resultados surpreenderam! Dos 20 formandos da Escola Batista de Bafatá, 98% ingressou na faculdade, sendo metade do sexo feminino (o que é muito raro acontecer na Guiné-Bissau).
 

A primeira aluna aprovada passou com louvor para Medicina! No total 8 alunos passaram para Medicina, 2 para Economia, 2 para Enfermagem, 1 para Farmácia e 1 para Pedagogia, 1 para informática, 1 para jornalismo, 1 para administração, 1 para Sociologia. Apenas dois alunos não tiveram condições financeiras de estudar na capital, pois só há faculdades em Bissau.    Antes da Escola Batista, primando a  excelência no ensino, estes alunos do interior simplesmente não teriam condições de competir por essas vagas, pois só os da capital entravam nas faculdades.

Por dois anos seguidos a Associação Islâmica de Bafatá reconheceu o trabalho da Escola Batista entregando-lhe um prêmio de excelência pela sua contribuição para o desenvolvimento da região, mas o melhor ainda estava por vir.

Nesse momento estão sendo desenvolvidos vários projetos empreendedores na Escola Batista, que conta com 692 alunos do jardim ao 11º ano, entre os quais a implantação de Pepes nas aldeias, apoio às escolas filiadas, campeonatos desportivos e sonha-se até mesmo com uma Faculdade Batista!

A Escola Batista recriou os sonhos, abriu as fronteiras das possibilidades, deu vida a uma região empobrecida e esperança para inúmeras famílias que não encontravam perspectivas para o futuro de seus filhos. Afinal, o evangelho é isso! Possibilitar nova vida, nova dignidade para o homem, nova visão do futuro.

A Escola da Missão Batista é hoje referência nacional sob a direção do Professor Demba Canté e da missionária Edna Dias. E continuará crescendo mais ainda com o apoio da missionária pedagoga Adriana Justino, que se juntou à equipe em setembro de 2009.


A Obra de Missões é também isso!


Soli Deo Glória.

(artigo baseado em depoimento de nossa amiga e colega Edna Ferreira Dias)

6 comentários:

Misia disse...

Fiquei sem palavras ao ler este artigo... até agora, enquanto escrevo, não consigo conter as lágrimas. Sou grata a Deus pelo privilégio de ter sido testemunha ocular de todo este relato. A Missão Batista em todos os seus projetos (Escola, Clínica, Rádio) sempre fez a diferença e serviu de modelo para muitos projetos desenvolvidos por outros colegas missionários (dentre os quais estamos nós). Foi emocionante ver a foto da equipe, uma equipe que... Deus sabe... sempre considerei ser a minha família. Sinto muita saudade de vocês. Foi a Analita, foram vocês e agora foi a Edna. Incrível... vocês todos foram, mas conseguiram FICAR, ficar mesmo, em todos nós. Talvez este não fosse o espaço ideal para extravazar tantas emoções... mas, não pude evitar em fazê-lo. O que eu queria dizer é que amei o Artigo, ele foi muito pertinente, afinal, precisamos fazer notórias as obras do Senhor nosso Deus. Que Ele mesmo vos abençoe!

Joed Venturini disse...

Querida Mísia,
sabemos bem o que sente e também sentimos a nostalgia de realmente fazer a diferença na Guiné. Sabemos que nosso trabalho não foi em vão e nunca nos esqueceremos de vocês. Rogamos a Deus que nos dê, novamente um ministério onde possamos fazer a diferença e sabemos que o Senhor está dirigindo todasas coisas e Ele sabe onde atuaremos melhor! Teu extravasar foi bênção, mais uma vez, para nós. Obrigado e que Deus vos abençoe ricamente!

Leonardo Martins disse...

Amados,

Jesus sempre se interessou pelo coração do homem, embora não negasse tudo mais que o envolve. A família, os relacionamentos, a saúde, as dores, as alegrias, a fome e os medos. Jesus era também social, mas principalmente espiritual.
Entendia que a mudança do coração era a que levava a verdadeira mudança de comportamento e não o contrário.
Quando vejo as muitas estratégias de evangelismo imaginadas nos escritórios longe das realidades dos povos que se deseja alcançar, fico pensando em Jesus.
Ele se misturou ao povo, procurou atender suas necessidades reais da vida e com isso mostrava que seu amor. Um amor que não tem explicação racional; é só amor e pronto. E esse amor contagiava as pessoas e as transformava.
Quando vejo os frutos de um trabalho como esse fica claro: o amor foi grande motivador. Fico pensando também, em tantos outros campos não se tem o mesmo resultado.
Mais que vontade de fazer algo pelos povos precisamos amá-los e, só fazer aquilo que o Senhor nos disser, na medida de nossas forças pela graça Dele. Porque se não, obteremos, nós, o sucesso ou a derrota e não Ele. Porque se é Ele quem faz a obra então, esta será vitoriosa. Vitória mesmo na adversidade e então o Seu nome será glorificado.
Um trabalho como este só foi possível porque Deus usou as pessoas certas no lugar certo. Como sempre ele conduz a história.

Benditos sejam àqueles que colocam suas vidas nas mãos do Senhor.

Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos. (Salmo 126:6)

Joed Venturini disse...

Caro Leo:
Quando lembramos de como tudo começou só podemos reconhecer que foi o Senhor e não nós e só a Ele pertence a Glória e o Louvor. No entanto, é maravilhoso ver como Ele nos molda e usa, como nos dá a capacidade e a sabedoria de levar o trabalho adiante. Viver para abençoar outras vidas é uma meta bem Cristã. Que seja essa a nossa meta e o nosso mote e Soli Deo Glori.

Herizete Staneck disse...

Caro Joed! Li este artigo tentando me lembrar de sua voz quando nos falava aqui em Campo Grande. Vcs fazem muita falta. Acho que sempre ouvirão isso por onde quer que passem.
Como professora aqui no Brasil, numa realidade bem diferente, porém não muito distante em termos de aspirações pessoais por parte dos alunos, fiquei emocionada em saber dos resultados daquela pergunta tão inocente feita em 1997: "O que vc quer ser quando crescer?"
Deus, realmente, tem um plano para todos, mas fazer parte deste plano na vida de pessoas sem perspectivas, sem sonhos (ambiciosos)é algo extraordinário.
Soli Deo Glori! Soli Deo Glori!

Joed Venturini disse...

Irmã Herizete, ministrar em Campo Grande foi uma experiência única para nós. O Senhor sabia que teríamos muitas oportunidades de crescimento e seríamos extremamente abençoados. Os planos do Senhor são muito melhores do que pensamos ou sonhamos, foi assim na Guiné, em Campo Grande e tem sido aqui em Portugal. Nunca nos esqueceremos dos irmãos!

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