A FORÇA DO CRENTE


"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para a Salvação de todo aquele que crê".Romanos 1:16


 Irrelevante! É a acusação que ouvimos hoje proferida ao Cristianismo. Num mundo de ciência e tecnologia, de desenvolvimento rápido e explicações crescentes, a fé tem sido encurralada e empurrada para as igrejas cada vez mais vazias. A vida cristã é ridicularizada, a prática cristã considerada coisa do passado e o cristão é visto como um retrógrado que se recusa a aceitar o progresso da humanidade. Nesse contexto como ainda acreditar na força do evangelho? Teremos ainda alguma capacidade de mudar o mundo a nossa volta?
Nos tempos que correm não devemos e não podemos nos encolher e deixar que a vida passe. Não fomos chamados em Cristo para uma fé envergonhada e uma vida de segunda. O Espírito que recebemos não é de covardia, mas de ousadia para a transformação do mundo. Há dois mil anos um grupo de 12 homens rudes recebeu um mandato numa província remota de um império dominante. Que poderiam eles diante da força de Roma? Pois passadas 3 décadas se dizia deles que “tinham transtornado o mundo”. Que força tinham? Teremos a mesma força conosco? Pensemos na força que o cristão ainda tem hoje para mudar o mundo. A força que o Senhor colocou na sua mão. Não é económico, política ou física, mas é enorme. Notemos:
1.     A Força da Oração
 A palavra do Senhor nos mostra que a oração pode muito em seus efeitos (Tiago 5:16). Não subestimemos o que a oração pode fazer. Por meio dela a igreja e os crentes tem mudado governos e derrubado impérios. Vimos em nossos dias a queda do comunismo no leste e de outros ditadores e a oração teve papel preponderante. Não podemos ver como a oração move os lugares celestiais mas devemos crer e insistir na presença do Senhor.
2.     O Poder da Verdade
Mesmo os que não são cristãos reconhecem a força da verdade. Alexander Solzhenitsyn, o famoso dissidente soviético ao receber o prémio Nobel declarou “ os escritores não têm bombas nem poder militar... mas uma palavra de verdade vale mais que o mundo todo!” Ninguém deveria acreditar mais nisso que os cristãos. Verdade na Vida, verdade nas atitudes e palavras. A verdade dita, defendida e proclamada vale muito em seu poder.
3.     O Poder do Exemplo
Os cristãos são pessoas marcadas, os olhos do mundo estão sobre nós. Nosso exemplo de vida marca nosso meio. A honestidade no trabalho, a excelência no comportamento, a harmonia familiar, a estabilidade no casamento. Tudo isso e muito mais em nosso exemplo tem a força de mover corações, alterar conceitos, confirmar a verdade e ajudar na mudança. A força do exemplo pode levar alguém ao mal e muitas vezes o faz. Então, porque não valorizar a força do bom exemplo?
Todas essas forças são simples e maravilhosas. Criadas por Deus em seu mundo, estão à disposição de todos. Os mais fracos fisicamente ou pobres financeiramente podem mostrar essas forças e ajudar a mudar o mundo.
Não baixemos a cabeça em resignação. Temos o Espírito do Senhor sobre nós e a força para em Cristo mudar o mundo!

Cristianismo sem Cicatrizes


Quando a segunda guerra mundial se aproximava do fim e as bombas aliadas castigavam as cidades alemãs, Stuttgart foi uma das mais danificadas. Era ali que vivia e ministrava Helmut Thielicke. E foi aí, no meio dos destroços do templo de sua congregação que ele liderou os crentes em adoração e pregou uma dês suas mais famosas series de sermões. Aquele era uma igreja que conhecia a realidade de louvar nas ruínas. Um conceito desconhecido da igreja ocidental moderna.
 O evangelicalismo atual cedeu à tentação da promoção rápida e do marketing feroz com sua promessa de crescimento imediato. É comum ouvirmos hoje os pregadores da palavra usarem a linguagem da propaganda de modo descarado anunciando o evangelho como se fosse mais um produto e o cristianismo como outra tendência de mercado. Há uma valorização máxima do desconforto e da insatisfação para então se anunciar a cura rápida, a prosperidade instantânea e a salvação barata de um evangelho que perdeu acutilância e verdade. Talvez o maior problema da propaganda nem seja tanto que cria necessidades artificiais mas que atua nos desejos naturais dos seres humanos explorando essas carências e levando a expectativas imediatistas e exageradas.

E logo temos um cristianismo sem medula, sem fibra. Crentes que desconhecem a Bíblia ou qualquer ideia de disciplina espiritual mas que estão prontos a citar textos desconexos e fora de contexto para justificar suas expectativas exageradas. São crentes que reclamam da qualidade do serviço divino quando qualquer dificuldade surge e voltam as costas à Igreja assim que seus desejos deixam de ser cumpridos.

Um Cristo sem cruz, uma salvação sem expiação, uma fé sem prova, uma vida sem teste, para um mundo sem pecado pode nos dar uma filosofia de auto-ajuda mas não Cristianismo. Esse cristianismo sem cicatrizes não conhece a angústia de Job, o silêncio expectante de Abraão, as lamentações de Jeremias e as marcas no corpo de Paulo. Desconhece que “no mundo tereis aflições” (João 16:33) e que “todos quantos querem viver piedosamente sem Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:2).

Os propagandistas da fé "marketeira" são rápidos em nos lembrar que somos filhos do rei, mas esquecem de acrescentar que o reino não é deste mundo (João 18:36). Eles gostam de citar as promessas divinas mas esquecem de dizer que a maioria delas é condicional. Citam repetidas vezes que Jesus tomou nossas dores e enfermidades mas ainda assim morremos de câncer. Simplesmente não há como evitar todo o dano colateral do pecado neste mundo.

O mundo no qual vivemos jaz no maligno. É um mundo caído no pecado cujo salário é a morte. A criação geme sob esse peso e a sua libertação é algo futuro. Não podemos fugir dos efeitos do pecado particular e nem do pecado geral da nossa raça. Prometer o contrário é falácia. A salvação que nos liberta da condenação não nos transporta instantaneamente para o paraíso. Ainda temos que guerrear com o inimigo, o mundo e a carne.

A intimidade com Deus que se anuncia em cânticos espirituais que tomaram nossas igrejas falam de tocar no Senhor e sentir a sua presença, mas temos que lembrar que esse relacionamento é único e diferente de tudo que temos neste mundo. A verdade é que nem sempre “sentimos” o Senhor, que não podemos tocar em suas vestes, e que na maioria das vezes que oramos a sensação clara é de que se trata de um monólogo. Isso não é desvalorizar todas as maravilhosas respostas de oração que temos mas tirar o crente das expectativas que prometem faze-lo andar nas nuvens com o Pai quando isso não vai acontecer.

 A transcendência de Deus é bíblica e parte importante da sã doutrina. Ele não é nosso coleguinha e não está a espera de que peçamos algo para sair correndo a cumprir nossos desejos. Lidamos com um Deus Santo, Poderoso, Transcendente e Majestoso a quem devemos honra e reverencia, temor e tremor. Os servos do Senhor que tiveram um vislumbre de sua Glória, não correram para abraça-lo, antes caíram com o rosto em terra como mortos. O Temor do Senhor ainda é hoje o princípio da sabedoria.

 Não queremos com isso tirar a alegria da fé cristã mas torná-la realista. Não desprezamos a intimidade, mas apelamos à sua verdadeira expressão. Não retiramos da vida em Cristo sua excelência antes recordamos que traz também suas cicatrizes, dores e lutas. Negá-las ou deixar de as entender é fugir da essência da fé. O Cristão verdadeiro não é o que se vangloria da prosperidade mas o que pode dizer como Paulo que sabia viver em qualquer circunstância porque era capacitado por Deus. O verdadeiro crente não é o que sempre obtém o que quer mas aquele que pode afirmar como Habacuque que “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide... todavia eu me alegrarei no Senhor e exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17 e 18).

O que dura para sempre!

O que você tem ganho ultimamente? Salário, juros de seu investimento, saldo de sua conta? O que tem ganho? Prémios, promoções, amigos ou decepções? Aquilo que tem ganho vai durar? Quanto tempo? Seu investimento é duradouro? Aquilo que tem ganho fará diferença na eternidade? Fará diferença na sua eternidade? Vai levar quando deixar esta vida que sabemos ser passageira? ´

Eugene Peterson escreveu que “se não sabemos para onde estamos indo, qualquer caminho serve”. Se você não tem destino certo então tanto faz virar a direita ou a esquerda. Mas se pretende chegar a certo destino pré estabelecido então é melhor estar seguro de que pegou a estrada certa. Se sua vida não tem propósito, tanto faz como a vive, como usa seu tempo e gasta seu dinheiro e tanto faz aquilo que ganha. Mas se tem um propósito definido então tudo isso muda. A forma como vive, o modo como usa seu tempo e seu dinheiro deverão estar de acordo com aquilo que definiu como seu propósito.
Há milhões de pessoas neste mundo que não sabem para onde vão e não tem qualquer propósito no dia-a-dia. Nesse caso nem faz muito sentido criticar seu estilo de vida, seus gastos e ganhos. Se não tem rumo então tanto faz. Mas aquele que assumiu a vida cristã, que diz ser seguidor de Cristo, que quer viver para a glória de Deus, não pode simplesmente viver como alguém sem direção. E aqui voltamos a pergunta inicial: o que tem ganho ultimamente?
Há muitas coisas que ganhamos nesta vida. Desde o salário essencial para a sobrevivência da família ao brinde do cereal de meu filho, há muitos ganhos a cada dia. Mas que duração terão? O salário deveria durar até ao mês que vem, o que nem sempre é fácil. E o resto? A verdade é que praticamente tudo que ganhamos, acumulamos e lutamos para obter tem vida curta e duração bem limitada. Por isso Jesus dizia: “Não ajuntei tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu...” Mateus 6:19 e 20. Ora, ajuntar tesouros no céu significa ganhar aquilo que dura para sempre. E o que dura para sempre?
Há pelo menos três coisas que a Palavra diz que não acabam e que deveriam ser nosso investimento: A Palavra de Deus, o Amor e as Almas. Vejamos como ganha-los:
“A Palavra do Senhor permanece para sempre” diz I Pedro 1:25. Sabemos que Jesus nos garantiu que “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão-de passar”. Eis aqui algo digno de investimento. Tudo aquilo que investimos na palavra dura para sempre. Nosso tempo de leitura, de meditação, de estudo, de proclamação, de distribuição da palavra, são atos de valor eterno. Não posso levar comigo minha casa e minhas roupas, mas levarei aquilo que tiver semeado da palavra e aquilo que tiver desenvolvido de seu conhecimento. Isso deveria nos fazer mudar de atitude para com a palavra e seu valor. Tanto tempo gastamos com coisas perfeitamente fúteis e perecíveis. Pois a palavra não perece e nela podemos investir.
Mas lemos também que “o amor jamais acaba” I Coríntios 13:8. Podemos valorizar muitos as profecias mas elas cessarão pois um dia já não serão necessárias. Podemos aprender línguas e será útil, mas um dia elas deixarão de existir e não mais as usaremos. Podemos crescer em ciência e terá seu valor, mas um dia toda ciência desaparecerá. Mas o amor permanece e aquilo que investirmos nele será eterno. Quer saber como crescer em amor? Só há um modo e bem simples. Ame! Quanto mais gastá-lo, mais ele crescerá. Faça atos de amor, fale palavras de amor, pense com amor e planeje com amor e seus atos e palavras refletirão a essência do próprio Deus e isso é de valor eterno.
Há ainda algo eterno para nosso investimento: as almas. Jesus disse que ganhar a alma era o mais importante. Ele alertou de que de nada serviria ganhar o mundo inteiro se perdêssemos a alma (Mateus 16:26) porque o mundo será aniquilado, mas a alma uma vez terminada a vida aqui volta para o Senhor (Eclesiastes 12:7). Logo concluímos que um investimento de valor maior é em nossa alma primeiramente e no ganhar outras almas. Se sou salvo minha alma está segura nas mãos de Deus. Que posso então fazer? Ganhar almas para Cristo. A palavra diz que o que ganha almas é sábio (Provérbios 11:30). Cada alma que ganhas para o Senhor é uma riqueza eterna. É tesouro no céu. E quantas almas têm ganho? Quanto tempo e esforço têm gasto nesse investimento que vale para sempre?
Gaste algum tempo meditando nisso. Há investimentos com valor eterno. Vamos usar melhor nosso tempo; vamos gastar melhor nossos recursos; vamos investir mais sabiamente. Deposite no céu... lá não há crise que chegue e nem recessão que atrapalhe.

FLORES OU JARDINS?

O homem foi inicialmente criado para viver num jardim, ou pelo menos é assim que nos conta o Gênesis. Creio que essa descrição da forma como fomos criados ajuda bastante a entender a razão pela qual o homem gosta tanto de flores. Fomos feitos para viver num jardim e nosso primeiro trabalho foi jardinagem, e o cuidado das flores. Amamos vê-las, sentir seu perfume. Fazemos arranjos florais, capturamos seus cheiros em aerossóis para o bem-estar da casa, pintamos e esculpimos flores por todo lado e até nomeamos nossas filhas com nomes florais: Rosa, Margarida, Violeta...
Para desfrutar do prazer especial das flores temos dois métodos básicos: colher flores ou comprá-las numa loja ou então plantar um jardim. Colher flores ou comprá-las é rápido, fácil, na maioria dos casos barato e seguro. Entramos na loja ou no campo, escolhemos o que nos agrada e pegamos. Levamos para casa e escolhemos um jarro e um canto para ornamentar a sala, o quarto ou o hall de entrada. Tudo sem grande esforço e já está! Ali estão elas, as flores, trazendo a alegria, o perfume e a beleza que queríamos. Há evidentemente um senão nessa história. Flores fora do chão murcham. Podem durar 1 ou mais dias, mas por mais resistentes que sejam não passarão de uma semana. Murchas, serão lançadas no lixo e teremos que substituí-las por outras e começamos o processo novamente. Procura, pega, paga, arranja e já está.

A outra forma de ter flores é bem mais trabalhosa. Para isso temos que plantar um jardim. É preciso escolher a terra, comprar adubo, separar as sementes, regar, tirar ervas daninhas, podar, regar novamente e isso em base diária. O custo é bem maior, e exige muito mais tempo. Há risco de nos cortamos com os materiais de jardinagem, há o perigo de nos constiparmos ao pegar uma chuvada ou um vento mais forte ou ainda uma insolação. Mas aqueles que pagam o preço têm outro tipo de flores e de prazer com elas. Têm flores sempre, desfrutam de sua presença e aroma o ano inteiro. A qualquer momento um ou outro canteiro floresce com vida, enquanto o outro amadurece a semente. No jardim a profusão de vida é muito mais exuberante e eventualmente quando algumas flores morrerem, servirão de adubo as próximas e logo o ciclo se reinicia.

Na vida espiritual temos também esse tipo de atitudes. Há os que colhem flores e há os que plantam jardins. Os colhedores investem pouco, querem resultados imediatos, de curto prazo, prezam o momento, amam o evento, vivem na superficialidade da emoção rápida e passageira. Pulam de igreja em igreja, correm atrás de oradores famosos, lêem o livro da moda, escutam o CD da banda ou do cantor da hora, tudo para terem a alegria veloz e a satisfação imediata de seus desejos. Vivem tendo que jogar fora os restos mortais de seus esforços momentâneos e passam a vida procurando uma nova florista onde reacender a chama que dura pouco.

Os plantadores pagam o preço de investir na comunhão. Passam tempo com Deus, valorizam as disciplinas. Adubam seu coração com a palavra e o regam com a oração. Plantam sementes selecionadas e estão atentos às ervas daninhas. É um trabalho por vezes lento. Há sementes que demoram para brotar. Há plantas que exigem muita atenção e cuidado. Mas, ó que glorioso jardim suas vidas é. Florescem e perfumam tudo ao redor. Permanecem e persistem, mesmo nos dias maus. Vicejam com abundância na estação certa. Abençoam tudo que está em sua volta.

Que tipo de apreciadores de flores somos nós? Que tipo de florescimento espiritual queremos? Flores exuberantes por certa quantia de dinheiro ou jardins regados com valor infinito? Vamos plantar jardins espirituais. Vamos arregaçar as mangas, dobrar os joelhos e mergulhar as mãos na terra. Os resultados serão muito mais compensadores.
Related Posts with Thumbnails

Manual do Corão - Como se formou a Religião Islâmica

Como entender o livro sagrado do Islão?  Origem dos costumes e tradições islâmicas. O que o Corão fala sobre os Cristãos?  Quais são os nomes de Deus? Estudo comparativo entre textos da bíblia e do Corão.  Este manual tem servido de apoio e inspiração para muitos que desejam compreender melhor o Islão e entender a cosmovisão muçulmana. LER MAIS

SONHO DE DEMBA (VERSÃO REVISADA)

Agora podes fazer o download do Conto Africano, com versão revisada pelo autor.
Edição com Letra Gigante para facilitar a leitura do E-Book. http://www.scribd.com/joed_venturini