O ESPÍRITO DO NATAL!


Quando se aproxima o fim do ano e as luzes começam a ser instaladas, as noites se prolongam e o frio vai chegando, pensamos em noites junto à lareira (ou aquecedor), reuniões familiares, ceias especiais. O Espírito do Natal está no ar. Mesmo quem não é religioso e não liga ao Natal como celebração cristã, não consegue deixar de evitar essa sensação quase palpável de que esta é uma quadra diferente. Há um clima especial no ar. Mas qual é o verdadeiro espírito de natal?

Há muitas respostas para essa questão. O conto mais tradicional de Natal é exactamente “Um Conto de Natal” de Charles Dickens, mas nele o espírito de Natal é um fantasma pelo que será melhor descartá-lo. Para alguns o espírito de natal é sobretudo um espírito de festa que lembra comida, bebida, sabores especiais, chocolate, bacalhau… mas será esse o espírito certo?

Para outros o espírito de Natal será um de consumismo. As pessoas são literalmente atacadas com propagandas e descontos. As lojas trabalham em frenesim e o subsídio de natal (quando existe) alimenta essa noção: compre, gaste, aproveite os descontos, é natal. E Natal passou a ser conotado com comércio. Basta lembrar que hoje parece assente que o vermelho é cor natalina. Mas essa noção é recente, tem poucas décadas. Foi produto de uma campanha da Coca Cola que vestiu o Pai Natal de vermelho (anteriormente vestia-se de castanho) e com isso deu uma nova cor ao Natal. Mas será esse o espírito certo?

Para alguns, natal é um tempo triste de recordar os que se foram. A lembrança de natais mais cheios e abundantes ou com mais família pode trazer tristeza. A recordação de um filho que não pode presentear pode levar a melancolia. A falta de recursos para dar a um filho uma prenda desejada pode trazer angustia. Mas será esse o espírito de natal?

Provavelmente a maioria prefere entender que Natal é um tempo alegre e caracterizado por prendas e defenderia que o espírito de Natal é de altruísmo, de dádiva. E estarão certos em muitos sentidos. O que marca o Natal afinal de contas, são as prendas que damos aos nossos amados. O tempo que gastamos a pensar no que vamos dar, o cuidado em esconder o que vamos dar, o secretismo, o esforço para um, a prenda de maior valor… tudo indica uma dedicação ao outro que dá ao natal um clima especial. Dar faz bem a alma, alegra o coração, estreita ligações, fortalece amizades e proporciona momentos de intensa satisfação. Seria este o espírito de natal?

O que aconteceu no 1º natal? O que caracterizou o 1º natal e fez dele algo especial? O que podemos dizer biblicamente que é sua marca, seu espírito?

“Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho. E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor. E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam” Lucas 2:8-18

O Espírito de natal, segundo as escrituras, é um espírito de adoração, de louvor. Note bem que os céus descem a terra em adoração. Os anjos vêm para louvar, para cantar, para adorar. Eles louvam a Deus com alegria e magnificência e no fim do texto os pastores também irão fazê-lo. Mas todo o natal será marcado por isso. Quando Isabel recebe a visita de sua prima Maria grávida ela louva a Deus. Quando Maria percebe o louvor de Isabel ela irrompe num salmo de adoração conhecido como o Magnificat que adora a Deus de modo maravilhoso. Quando o menino é levado ao templo os idosos Ana e Simeão louvam com alegria enorme. Quando os magos chegam do oriente eles se prostram diante do menino e o adoram. Louvor e Louvor é o que acontece centro – o espírito do natal. E Porque se louva no natal:

Louvor pela Presença de Deus
No Natal Deus está presente. Emanuel – Deus connosco. O Senhor Criador não ficou de longe indiferente a nossa dificuldade no mundo. Ele veio para estar entre nós, viver nossa vida, passar por nossa dor. Natal é a admissão extraordinária que o Deus Criador entrou em nossa realidade espaço temporal para habitar com a humanidade.

Louvor pela Salvação de Deus
E Deus veio para nos Salvar. Ele sabia que o homem não tinha como resolver seu maior problema – a separação do Senhor. Longe de Deus por conta de nosso pecado, não tínhamos como encontrar sentido na vida, razão de ser e propósito de viver. Só com Deus podemos redescobrir nossa vida em sentido real e caminhar para um futuro melhor. Só Deus poderia resolver esse dilema vindo para nos salvar e o fez em Jesus. Ele nasceu para morrer na cruz levando nossa culpa, nossa vergonha, nosso pecado e nos devolvendo a possibilidade de andar com Deus.

Louvor pela Graça de Deus

E Natal é Graça – Dádiva imerecida. O Senhor veio habitar entre nós (algo que certamente não merecíamos) para morrer por nós e assim nos dar a salvação (graça pura). Natal é presente de Deus, a salvação de graça; não porque não teve custo, porque o seu custo foi o maior possível, mas porque Deus a oferece a quem nunca poderia obtê-la. E este é o Espírito do Natal. Adoração pela prenda maior de Deus para cada homem e mulher do mundo. Já recebeu? Já recebeu a prenda de Deus? Não passe mais um Natal sem ela.

Família Segundo o Coração de Deus


 
 
A família está em crise! Frase batida, desagastada e que já nos cansa ouvir. Sabemos que a crise está aí. Os divórcios são muitos, os filhos não se dão com os pais (choque de gerações?), os idosos morrem sozinhos em casa ou ficam abandonados em lares, as crianças não obedecem ninguém… a crise está patente, mas não começou agora. Provavelmente o primeiro que disse isso (a família está em crise) foi Adão, no dia em que Caim matou Abel. A crise não é nova e a razão dela é a mais antiga possível – o pecado.

A primeira crise conjugal aconteceu assim que o pecado entrou no mundo. Adão culpou Eva (desporto favorito dos homens desde então) e Eva culpou a serpente. E continuamos a culpar os outros. É o governo que não melhora as leis e aumenta os impostos, o patrão que paga mal e fora de horas, os professores que não educam os filhos, a mídia que polui as mentes de nossos jovens e crianças, a falta de segurança nas ruas que nos fecha em casa, a igreja que não converte nossos queridos… há sempre alguém culpado, que não nós. E a cultura moderna nos diz que essa é a solução. Culpe alguém, arranje um bode expiatório e vai se sentir melhor. Mas culpamos toda a gente e a crise continua e nosso coração não tem paz porque o problema maior não está lá fora, está em nossos corações.
A solução não está num bode, mas no cordeiro. Não vamos achar paz culpando outros mas reconhecendo nosso mal, nos arrependendo de nosso pecado, pedindo perdão a Deus e aceitando sua oferta de salvação pelo sangue do Cordeiro que levou a nossa culpa. Só assim voltamos a paz com Deus. Só assim teremos famílias segundo o plano original e sairemos da crise. E como serão essas famílias? Como é uma família segundo o coração de Deus?
Efésios 5: 22 a 6:4

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor;
Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja,

sendo ele próprio o salvador do corpo.
De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo,

 assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos.

 Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja,

e a si mesmo se entregou por ela,
Para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra,
Para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga,

 nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.
 Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos.

Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo.

 Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta,

como também o Senhor à igreja;
Porque somos membros do seu corpo, da sua carne, e dos seus ossos.
Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher;

 e serão dois numa carne.
Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja.
Assim também vós, cada um em particular, ame a sua própria mulher como a si mesmo,

e a mulher reverencie o marido.
Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo.
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa;
Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.
E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos,
mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.
Eis um quadro digno de ser pintado. Eis uma família equilibrada no amor de Deus e em paz consigo mesma. Eis um testemunho do que o Senhor queria. A família segundo o coração de Deus é aquela onde cada elemento sabe seu lugar e cumpre sua função e o texto nos auxilia nisso:
Marido
O homem foi criado por Deus para liderar, ele foi feito para ser o cabeça da família, o sacerdote do lar. Mas, biblicamente, isso não significa mandão, autoritário ou despótico. Quando falamos da liderança masculina logo há quem nos chame de chauvinistas e machões, mas não é isso que lemos no texto. Liderança na Bíblia equivale a serviço, serviço sacrificial e responsabilidade. Longe de ser um senhor feudal que é servido no lar o que vemos é que marido deve amar como Cristo amou, sacrificialmente, em serviço, em dedicação, em plenitude.
Vivemos um tempo em que os homens fogem de suas responsabilidades, abandonam as esposas ao lar e a criação dos filhos e buscam seu próprio prazer em 1º lugar. São homens inconstantes, inseguros e cobardes. Que vivem para o trabalho e alguma possível conquista extra conjugal, que se animam com pouco mais que o futebol, que vem o lar como local de seu conforto e os membros da família como seus servidores. Não admira que não consigam manter os casamentos e os filhos não os respeitem.
O marido segundo o coração de Deus ama sua esposa com dedicação e fidelidade. Preserva suas forças para sua esposa e amada. Supre a casa e a sustenta. Protege e lidera com carinho e firmeza. Assume as responsabilidades e as decisões, não sem consultar ou ouvir, mas entendendo sua função e assumindo seus riscos. É um homem que dedica seu tempo a casa, a esposa e aos filhos. Que ajuda em casa e na criação dos herdeiros. Que ocupa a posição de sacerdote do lar em oração e ensino da palavra. Que leva sua família a devoção e a igreja. Que entende que em seu amor a família florescerá e terá vida. A esposa sentirá seu amor e os filhos receberão direção. Será Homem com H grande e ninguém em casa terá dificuldade em aceitar sua liderança.
Esposa
A mulher foi criada como companheira, complemento e ajuda ao homem. Feita em igualdade com ele no que toca a dignidade, valor, importância e qualidade. Mas feita para funções diferentes. Ela foi criada para a maternidade, com uma suavidade diferente, uma capacidade de sacrifício própria, uma sensibilidade especial.
Em nossa sociedade porém, a mulher resolveu reivindicar uma igualdade que a empobrece. Basta olharmos e fica evidente que há diferenças. A igualdade que faz da mulher um homem de saias é contrária a natureza. A mulher que quer ser moderna, mas que vê nisso uma liberdade para a promiscuidade sem compromisso, uma maternidade sem sacrifício, relacionamentos sem responsabilidade e dedicação à carreira como alvo maior está longe do que Deus preparou, não traz a satisfação prometida e nos lega uma realidade triste de abortos sem sentido, casamentos sem amor, filhos sem educação ou amor.
A mulher segundo o coração de Deus entende sua função de ajudadora. Isso não a relega a segundo plano mas a ajuda a perceber suas características. Ela é a mulher virtuosa que ajuda o marido, enriquece a casa, se satisfaz profissionalmente mas se mantém mãe presente e educadora, dona de casa cuidadosa que cria a atmosfera de segurança e carinho, a amante que completa seu marido em cada aspecto da vida, a companheira e amiga com quem ele partilha cada passo e cada curva da estrada. Mulher assim encontra a satisfação de ser o que Deus idealizou para ela e de ser amada e apreciada por cada um em casa.
Filhos
Os filhos são bênção de Deus, a certeza da continuidade, o milagre da vida, a possibilidade de melhoria em cada geração. Foram feitos para o ambiente do lar, com pai e mãe, com segurança, amor, carinho mas também firmeza e direção. Foram feitos para enriquecer a família e dar seguimento a linhagem de Deus de modo a preservar em cada geração o testemunho do Senhor.
Infelizmente, em nosso contexto atual, os filhos se tornaram os senhores do lar. Por falta de tempo para dedicar a eles, os pais os entregam a terceiros para sua criação e com a consciência culpada de não lhes dar a educação que deviam, os pais erram segunda vez deixando as crianças ocuparem uma posição para a qual não foram criadas. Cada vez mais temos lares em que os filhos mandam e decidem. Fazem chantagem com os pais desde cedo. Manipulam os sentimentos, expressam seus medos e ansiedades da pior maneira possível e subjugam os elementos da família a seus caprichos e os pais assim permitem para não os “traumatizar” para não os “castrar”. A consequência é uma geração mimada, sem responsabilidade, que acha que o mundo lhes deve alguma coisa, prontos para embirrar ao primeiro sinal de problema e a tomar anti depressivos na adolescência.
Filhos segundo o coração de Deus entendem que são filhos e não senhores. Aprendem que os pais são dignos de respeito e gratidão. São filhos que obedecem por entender que isso é o melhor e o que agrada a Deus. Filhos que ocupam seu lugar na hierarquia do lar, que honram os pais na presença e na ausência, que devolvem o amor recebido com gratidão sincera e honesta, que recebem a bênção dos pais e florescem no mundo aproveitando toda a direção daqueles que o Senhor colocou para os guiar na vida.
Pais
O lar foi feito para abençoar. Quando Deus chamou Abraão ele prometeu uma família e que em Abraão todas as famílias da terra seriam abençoadas. Pais foram feitos para liderar esse lar, essa família, para dar sustento físico, emocional e espiritual, para levar seus filhos a um patamar superior ao seu próprio.
No entanto, os pais modernos têm mostrado profunda ambiguidade em seu comportamento. Por um lado parece que querem ainda viver como se fossem solteiros. Não querem abrir mão de nenhum programa, nenhuma atividade social, nenhum investimento seu. Parece que os filhos são apenas um embaraço para satisfazer os avós ou garantir continuidade. Por outro lado, no assumir da paternidade, vemos os pais modernos a dar aos filhos as rédeas da casa. Abrem mão da sua responsabilidade de comandar e deixam as crianças dirigir o lar como se tivessem capacidade para isso.
Pais segundo o coração de Deus assumem sua responsabilidade de ensinar e dirigir. Amam incondicionalmente e sacrificialmente mas corrigem com carinho e firmeza. Sabem que filhos precisam de liderança clara e providenciam a mesma com base na Palavra de Deus e com a oração como alicerce sabendo que sem Deus não temos a capacidade necessária para liderar com a sabedoria precisa.
O casamento e a família segundo o coração de Deus não são utopia para discurso de domingo de manhã. Tampouco são uma família perfeita no sentido de sem faltas. Nesta vida lutamos com o pecado sempre, mas temos vitória em Cristo. Amor incondicional implica também em pedido de perdão e em perdão, em paciência e tolerância, compreensão e apoio. Tudo isso faz parte do que o ES produz em nós.

Cristãos com a vida centrada em Deus podem criar famílias centradas em Deus para bênção de seus elementos e para bênção da igreja e da comunidade. Podemos ser famílias assim. Sejamos famílias assim.

 

Missões, profissão e Oportunidade


O dia amanheceu frio e chuvoso. No caminho do trabalho faço a oração habitual para que o Senhor me auxilie a dar bom testemunho, a ser um bom profissional e dar louvor ao seu nome revelar sua Glória e que Ele me dê boas oportunidades para mostrar e falar de sua Graça.

Antes de iniciar as consultas uma profissional de informação médica pede uma palavrinha. Repara na pulseira que uso dos 4 pontos (método evangelístico com um pulseira com os símbolos de coração, X de erro, Cruz de Cristo e ? para decisão) e me pergunta o que é. Serão 15 minutos de oportunidade para falar de Jesus. Ela está em meio a um problema conjugal e familiar e o testemunho a comove. O dia começou bem.
Começo as consultas. Os problemas vão se alternando entre gripes próprias do outono europeu, crises de Hipertensão, controle de diabetes, os tradicionais exames de rotina e uma eventual patologia nova. A 3ª paciente está em depressão profunda. Precisa muito mais de ouvir da esperança em Jesus que de anti depressivos ou ansiolíticos. Aproveito para lhe falar da esperança que há em nós. O 7º paciente viu sua empresa falir e está com a tensão descontrolada e nos nervos muito alterados. Necessita de uma palavra de ânimo e de uma vida nova que só Cristo pode dar. Uma colega de trabalho pede apoio numa situação difícil que esta a viver em casa. Paro para orar com ela e lhe falar da paz que encontramos ao depositar nossos fardos nas mãos de Deus. A 12ª utente descobre que tem uma doença cancerosa que lhe traz uma nova luta pela vida. Sua esperança precisa ser renovada para a luta e para a eternidade e isso só no evangelho. Os doentes finais são um casal de idosos que precisam de uma consulta calma e de quem os ouça. Agradecem minha atenção e aproveito para explicar que sou um servo de Jesus e por isso os atendo desse modo.
Meu horário acaba mas surge uma doente que já é na verdade uma amiga. Uma fibromialgia com crises dolorosas terríveis que venho acompanhando há 3 anos. Atendo fora de horas e fico 40 minutos além do meu serviço para a ouvir e apoiar. No fim as lágrimas em seus olhos me garantem que o testemunho vai penetrando em seu coração. Ela me garante que vai assistir um culto em nossa igreja.
Saio atrasado para um almoço tardio. Há ainda tanto que fazer. Há trabalho missionário de apoio aos colegas no leste europeu. Cartas para ler, relatórios para acompanhar, orientações a passar, agendas a controlar. Há trabalho pastoral a fazer. Mensagens e estudos bíblicos a preparar, agenda da sessão a elaborar, visitas a doentes a fazer. O dia promete. E a pergunta vem: O que você é? Médico, Missionário, ou Pastor.
Minha resposta é simples: Sou discípulo de Jesus. Procuro no meu cotidiano mostrar os princípios e conceitos coerentes com minha fé: valorização do trabalho, honestidade e profissionalismo na profissão, respeito pelos colegas e clientes, amor ao próximo revelado em serviço alegre, testemunho oportuno da verdade de Jesus para mim, uma busca constante de revelar a Glória de Deus em meu viver, pela sua Graça. Estes são os valores de um seguidor de Jesus em qualquer lugar ou posição. O Senhor precisa de pedreiros, pintores, domésticas, cozinheiras, professoras, médicos, advogados, executivos, engenheiros, estudantes e tantos outros a viverem assim. Mostrando na vida e nas palavras o amor de Deus e a graça de Jesus.
É claro que o Senhor vai chamar alguns para um trabalho específico em missões fora de sua terra com um perfil transcultural e a necessidade de adaptação a outras línguas e gentes. Mas isso não significa que a missão de Deus se cumpra só com esses. O Senhor escolheu todo um povo, uma nação santa, um sacerdócio real, que somos nós a igreja de Jesus. É preciso fé em Cristo e novo nascimento, consciência da missão de Deus em nossas vidas e abertura para as oportunidades que ELE certamente vai providenciar. Missão, profissão e oportunidade. E brilhamos como luz e salgamos como bom sal e cumprimos o desejo do Senhor – alcançar os povos até os confins da terra.

Dia da Bíblia - Regra de Fé e Prática



Todo nós precisamos de alguma orientação na vida em relação as questões básicas sobre: o que crer e o que fazer. O que cremos define o conjunto de verdades que aceitamos como nosso guia para a vida, o conjunto de conceitos, princípios e valores que nos servem de orientação. Esse conjunto forma uma maneira de pensar e estabelece um padrão para nossas decisões e acções. O que fazer em cada momento da vida vai depender em boa parte do que cremos mas faz parte também do nosso padrão mental.

Vivemos uma batalha por nossas mentes, pelo que cremos e fazemos. A TV, a rádio, os jornais e revistas, a media em geral, a internet, todos se juntam para nos dizer o que fazer e o que crer. Programas de TV tentam ditar as regras para nossas vidas nos dizendo o que é verdade (logo o que devemos crer) e como devemos viver (logo o que devemos fazer). 

Há lições tão elaboradas como as que procuram nos indicar uma filosofia de vida até as mais simples que procuram nos mostrar o que comer, como nos exercitar, o que ler e como pensar. Há desde reportagens de fundo e editoriais de jornais, entrevistas a doutores e autoridades famosas até as dicas de psicologia barata ou o horóscopo do dia. Parece que todos querem nos dar direcção e a competição é grande. Mas onde está a verdade? Onde temos a certeza? Onde basear nossa fé e nossa ética?

Devemos perceber que essa luta não é recente. Ela começou há muito tempo num belo jardim quando Deus deu ao homem a sua Palavra para que fosse sua direcção e garantisse a vida plena que o Criador desejava para a criatura. A Palavra de Deus então, era dada directamente ao homem a cada dia, em perfeita comunhão. Surgiu porém outro ser, maligno e manhoso, que sugeriu outras verdades, outra forma de vida, uma alternativa aliciante e aparentemente mais animada e divertida. E o homem, o pai da humanidade, aceitou as propostas e assim se separou de Deus para desgraça sua, da humanidade e da criação. O pecado do homem foi de desobediência da ordem de Deus, mas teve a ver com o rejeitar da palavra de Deus como base última para a vida humana.

Mas o Senhor não deixou o homem sem direcção. Sua palavra não foi perdida de modo irremediável. Ele a fez chegar ao homem por meio de escritores que a compilaram e por fim por meio da encarnação da palavra em Jesus que foi a Palavra entre nós, a palavra viva e trazendo vida, a palavra em forma de gente vivendo e mostrando como viver, morrendo mas ressuscitando para nos garantir a volta a vida com Deus. A conclusão daquele que conhece o Senhor e a sua Palavra é a do salmista:

 " A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos.
O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.
Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos." Salmos 19:7-11

 Logo, temos a palavra de Deus em confronto com o mundo e temos que fazer a escolha: qual delas seguiremos? Não podemos seguir a ambas. Ou seguimos a palavra de Deus como base para a vida, como nossa verdade, ou seguimos as mensagens sempre em mudança que o mundo oferece.

E onde temos a palavra de Deus? Esta questão pode parecer sem sentido para crentes numa igreja evangélica, mas há pelo menos três grupos significativos que não aceitarão essa noção facilmente. Um segmento faz parte mesmo do que se designa por cristandade, os outros serão avessos a Cristo. Por um lado, temos os católicos, que vêem como Palavra de Deus a Bíblia, mas também a tradição e as palavras infalíveis dos Papas. Por outro lado, todas as religiões que alegam ter outra revelação que julgam ser palavra de Deus como o Corão muçulmano, por exemplo. E ainda outro grupo de ateus e agnósticos que negarão valor a Bíblia que classificarão como apenas um livro antigo repleto de mitos e lendas e histórias inaceitáveis para a mente moderna, cheio de falhas e que não é digno de confiança. O que responderemos?

Comecemos pelos ateus e outras religiões. Apesar de dizerem coisas diferentes podem receber uma mesma resposta que servirá para combater as suas alegações em conjunto.
A Bíblia suporta os mais rigorosos testes que lhe façam. Mostra assim sua veracidade (em relação aos cépticos) e sua superioridade (em relação a outras religiões). Nenhum livro foi tão atacado como a Bíblia. Nenhum livro foi tão combatido e acusado, desprezado e desrespeitado, agredido e vasculhado e, no entanto, permaneceu o mais valioso de todos. Durante séculos tentaram acabar com a Bíblia queimando-a em praça pública, fazendo com que fosse crime tê-la ou lê-la e ainda hoje é proibida em dezenas de países. Mas a Bíblia resistiu!

A Palavra de Deus é um conjunto de 66 livros únicos. E Apesar de muitos “doutores” a combaterem vai se revelando cada vez mais correta. Quanto mais o tempo passa e mais estudos e achados são feitos, mais a Bíblia se mostra a verdade total. Muito do que foi dito para a combater e ridicularizar foi aceito por falta de provas contrárias mas que com o tempo acabaram por ser encontradas. A arqueologia, o estudo de textos antigos, a história, tudo tem contribuído para nos mostrar um material único. 

Alguns tentam em desespero negar o seu valor, criticar suas traduções, culpar seus copistas, inventar contradições ou apresentar textos concorrentes (evangelhos apócrifos por exemplo). Tentativas vãs. Nenhum texto antigo tem tantas cópias e tão próximas do original como os livros da Bíblia tanto do AT como do NT e as provas só escapam aos desinteressados e mal-intencionados. Os cépticos continuarão a desconfiar e injuriar, mas para sua própria condenação, porque se apresentando como mentes científicas, na verdade não querem admitir as evidências que lhes são contrárias, o que é uma forma muito pouco científica de pensar.

Um conjunto de 40 homens, vivendo em terras tão distantes, pertencendo a classes sociais distintas e extremas (pescadores e agricultores, Reis e mestres), escrevendo em línguas diferentes, vivendo com até mil anos de distância entre si, produz uma obra completa, coerente, com uma linha única, com começo e fim, com alvos e finalidades claros. 

Como seria isso possível? Só se houvesse um autor comum e é isso que acontece com a Bíblia. O autor é Deus e isso se evidencia pelas páginas de toda a Escritura. Essa é sua superioridade clara sobre toda outra obra religiosa que não tem qualquer semelhança ou proximidade. Nenhum outro livro religioso se aproxima da clareza e da maravilha da Bíblia em seu conjunto. Uma avaliação séria e imparcial sempre o mostrará.

Em relação à Igreja Romana, somos devedores à Reforma protestante que nos trouxe o princípio de Sola Scriptura (Só a Escritura). Foi uma das pedras de toque de Lutero. Rejeitando as tradições humanas, os escritos valiosos, mas de claro carácter falível e as afirmações papais sujeitas à politica e lutas regionais, e certamente sujeitas a falhas, Lutero se cingiu a escritura e determinou que a Igreja usasse apenas a Bíblia para seu padrão.

Como herdeiros da reforma defendemos e a Bíblia é nossa única regra de fé e prática.
Isso significa que A Palavra de Deus, a Bíblia é nossa única bússola na vida. Nela encontramos os artigos que regem nossa fé e as grandes respostas para a vida como:
·         Quem Somos?
·         De onde viemos?
·         O que fazemos neste mundo?
·         O que levou o mundo a se deteriorar tanto?
·         Como solucionar essa questão?
·         Quem é Deus?
·         Como podemos conhece-lo?
·         Como podemos andar com Deus?
·         Como devemos viver nossa vida?
·         Como podemos nos relacionar com os outros?

E a Palavra continua a mostrar como deve ser a vida de trabalho, de negócios, de vizinhança, de casamento, de família e tudo Mais ela é um manancial inesgotável de sabedoria para a Vida dado pelo próprio Criador para nossa orientação e guia e para nos levar a uma Vida mais próxima daquela para a qual fomos criados. Tendo isso em mente e tendo a Bíblia em nossas mãos e em nossa língua de forma livre e quase gratuita devemos:
·         Ler a Palavra (devocional diário)
·         Ouvir a Palavra (CD’s de áudio, mensagens gravadas, cultos)
·         Meditar na Palavra (a partir do que lemos e ouvimos)
·         Estudar a Palavra (para melhor a conhecer)
·         Decorar a Palavra (para tê-la disponível na mente para as ocasiões diversas)
·         Usar a Palavra (Na prática e na conversação)


Um testemunho que me tocou foi o de um colega missionário presbiteriano Ronaldo Lidório, que trabalhou no Gana.  Ele traduziu a Bíblia para um dos dialectos do povo Konkomba. Antes porém, do trabalho pronto, havia apenas alguns textos traduzidos e os líderes das igrejas nas aldeias vinham periodicamente para a aldeia onde vivia o missionário. Ali recebiam ensino para levar às aldeias e assim aprendiam 13 versos de cor para levar a seu povo. 

Certa feita, uma senhora idosa estava entre os discipulados. Ela viera de uma aldeia que ficava há vários dias de viagem a pé. Após o treinamento ela seguiu em direcção à sua casa. Na segunda manhã, depois de acordar percebeu que esquecera um dos versículos. Sem hesitar, ela voltou dois dias a pé para a aldeia do obreiro. Ali a receberam com surpresa: “O que aconteceu irmã?” Sua resposta tranquila, apesar de cansada foi: “A palavra de Deus é preciosa demais para ficar perdida no caminho”. Sola Scriptura!


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SONHO DE DEMBA (VERSÃO REVISADA)

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Edição com Letra Gigante para facilitar a leitura do E-Book. http://www.scribd.com/joed_venturini