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A BANALIZAÇÃO DOS MILAGRES

Culto dos Milagres!
 Dia dos milagres! 
Receba hoje a cura que estava procurando!
 Curandeiro à toda prova!
Seu amor de volta em 3 dias...
Quanto mais a ciência tenta negar a existência de milagres mais estes se tornam um produto desejado e oferecido, numa dinâmica semelhante à de mercado.  O meio evangélico não fica atrás. Os curandeiros e médiuns que oferecem milagres por certo preço são coisa já antiga. Igrejas oferecendo milagres em troca do dízimo é mais recente, mas igualmente preocupante. Em que ficamos nessa banalização dos milagres?

A filosofia moderna procura ridicularizar a noção de milagre. O homem sempre desejou poder para realizar seus sonhos e desejos e muitas vezes é essa atitude egoísta que o leva à procura de milagres. O cinema tem feito sua parte nessa ridicularização, através de filmes como aquele em que Jim Carey recebe de deus o poder supremo e o utiliza para coisas ridículas, como abrir a sopa de seu prato (como o mar vermelho) ou levantar a saia de uma jovem na rua.  Desse modo, a mente moderna procura rejeitar a possibilidade real de milagres.

O outro lado da moeda é a oferta publicitária de milagres fáceis que se vê hoje no meio do evangelicalismo. Os milagres têm dia e hora marcados e são apresentados como infalíveis.  Há muita ênfase dos nomes de poder. Certos pastores e lideres se pavoneiam, apresentando curas e outras maravilhas como a prova de sua superioridade espiritual. Essa banalização prejudica em muito a Igreja e o Reino de Deus. Incentiva a busca egoísta de Deus, engana o povo com pseudocuras que regridem no dia seguinte e servem para desacreditar o evangelho e a Igreja de Jesus.

Instintivamente, o homem acredita no sobrenatural. Essa crença pode ser usada de muitas maneiras. Infelizmente, muitos usam-na para lucrar, e é aqui que mais se vê a ganância do coração humano, naqueles que lucram da miséria alheia e não têm pudor de se aproveitar do sofrimento do próximo numa completa negação do princípio bíblico e da verdadeira natureza dos milagres.

Biblicamente, os milagres existem, mas como sua própria definição o mostra, são excepcionais! Há períodos bíblicos de muita ação milagrosa como no tempo de Moisés e do êxodo, na época de Elias e Eliseu e no ministério de Jesus e dos apóstolos. Entre esses períodos há, por vezes, séculos sem referências a milagres. Isso, só por si, deveria nos fazer refletir sobre sua frequência e relevância. O Senhor não faz milagres quando o homem quer, não tem nenhuma obrigação para com a criatura e não pode ser julgado pela existência ou ausência de milagres.

Guardemos então, alguns pontos importantes sobre essa questão que acaba nos tocando a todos mais cedo ou mais tarde:

1) Milagres são a exceção e não a regra!
Mesmo no tempo de Jesus houve milhares que não foram curados e o Senhor repreendeu aqueles que o procuravam apenas para ver maravilhas ou delas aproveitavam. Os profetas que fizeram maravilhas muitas vezes foram até martirizados e não foram necessariamente salvos milagrosamente. João Batista que Jesus considerou o maior dos profetas não fez milagres e foi decapitado por Herodes e não salvo como Pedro. Paulo curou a muitos, mas não pode se livrar do famoso espinho na carne, não curou a Timoteo a quem receitou vinho para o estomago e tampouco pode curar a Epafrodito a quem o Senhor livrou por misericordia após doença prolongada. Logo, não podemos e não devemos achar que milagres são obrigação de Deus e muito menos exigir que aconteçam. Podemos pedi-los, esperá-los e crer neles mas sempre na noção clara que estão no reino da soberania e sabedoria Divina.

2) A falta de milagre no meu caso não torna irreal a sua existência.
Temos a tendencia de julgar tudo pelo que se passa conosco. Se o Senhor não me livrou, não me curou , não me dirigiu então é porque talvez não livre, não cure e não dirija. É evidente que em primeiro lugar deveria me arguir sobre minha situação com Deus. É comum ver gente que não liga a mínima para o Senhor ou a Igreja e na hora da necessidade corre para Deus e depois reclama que não foi logo atendida. Por outro lado, há bilhões de pessoas no mundo. Você pode imaginar quantos milhares foram libertos hoje? Quantos foram curados ou dirigidos neste dia? Então só porque comigo não aconteceu devo negar a benção nas vidas de tantos outros? É para isso tambem que existe a igreja. É nela que o testemunho dos muitos pode me ajudar nas lutas e dificuldades e me lembrar que mesmo quando não vejo pessoalmente o Senhor continua ativo e abençoador.

3) Há uma economia Divina na questão dos milagres também.
 Se o Senhor colocou à nossa disposição meios para lidar com certas situações e capacidade de raciocinio para tratar de nossas vidas não devemos ficar esperando atuações milagrosas a cada esquina. Muita gente se mete em problemas por falta de prudencia e de discernimento e depois clama por milagres. Outros desprezam os recursos disponiveis e depois querem milagres.

Conheci um jovem que foi para o campo missionário na Africa Ocidental, uma região de malária endemica. Ele era epiletico e tomava medicação diariamente. Ao viajar para o campo deixou de fazer os antiepiléticos e não fez profilaxia para a malária. Segundo ele o Senhor tinha que tomar conta de seus servos que eram chamados para missões. O resultado foi apanhar malária em cima de crises epiléticas diárias que tornaram sua permanencia no campo impossivel. É claro que ele queria um milagre. Mas nesse caso, como em tantos outros, o Senhor já colocara a disposição meios para tratar dos problemas. Devemos lembrar que o Senhor não fará por nós aquilo que nós podemos fazer.

4) Milagres são para a Glória de DEUS, não dos homens.
 Quando vemos cartazes com nomes de lideres em letras garrafais e um versiculo bem pequenininho em baixo já devemos desconfiar do que ali se passa. Quanto mais próximo do Senhor maior a humildade do servo. Aqueles que realmente se aproximam do Senhor entendem sua grandeza e se humilham naturalmente. É, e será sempre uma contradição profunda, um suposto servo de DEus que é cheio de poder e se orgulha disso publicamente. Vai contra tudo o que a Palavra, a história da igreja e a experiência dizem. Os milagres existem para que o Senhor seja exaltado, o homem dê graças e conheça mais de seu amor. Tudo que passar disso para exaltação humana é espúrio e deve ser rejeitado.

5) O inimigo também faz milagres.
 Moisés teve que enfrentar magos egipcios que eram peritos em artes mágicas. Pedro lidou com Simão em Samaria e Paulo com Elimas em Chipre. Homens e mulheres dotados pelo inimigo da capacidade de fazer maravilhas reais existem e estão por aí para se ver e confirmar. Logo, milagre não é garantia de coisa de Deus e nem de espiritualidade santa. Jesus foi muito claro em Mateus 7:22. Gente que profetizou, fez milagres e exorcismos em nome de Jesus serão rejeitados no dia do julgamento. Precisamos desenvolver o dom de discernimento e avaliar a vida e obra daqueles que se apresentam como homens de Deus.

6) Conversão por meio de milagres não é garantia de firmeza cristã.
Os defensores dos milagres em larga escala normalmente usam o argumento do milagre para a fé. Segundo essa ideía é preciso que haja muitas maravilhas para que o povo se converta em massa. Essa argumentação cai diante do registro biblico e da experiência milenar da igreja. Que povo viu mais milagres e mais grandiosos que o povo de Israel que saiu do Egito? No entanto só Josué e Caleb entraram em Canaã. Elias derrotou os profetas de baal com ação poderosa, mas o culto pagão continuou a florescer. Jesus fez maravilhas como ninguém mas o povo gritou: crucifica-o. Conversão baseada em milagres é em geral superficial, egoista e requer uma dose continua de maravilhas para crescer.

Não negamos que alguns sejam salvos após a intervenção do Senhor de um modo especial, mas biblicamente não é assim que a fé funciona. A fé vem pelo ouvir a palavra. Jesus chamou de bem aventurado os que não viram e creram. Oremos por milagres sim , mas não criemos dependência deles porque o justo vive pela fé e não pela vista.

7) Orar pela vontade de Deus é o princípio bíblico.
Há muitos que se irritam quando oramos por uma cura ou maravilha e acrescentamos "se for da tua vontade". Dizem que isso anula o milagre porque é falta de fé. Ora, orar segundo a vontade de DEus é uma das principais lições de Jesus. Foi sua oração no momento supremo do getsemani ( Mateus 26:39). Tiago, pastor da igreja de Jerusalém orientou os crentes a não pressumir sobre o futuro (Tiago 4:15). Como pode uma oração feita segundo a orientação biblica ser errada ou faltosa?

Segundo o Dr. Dallas Willard, quando oro para que seja feita a vontade de Deus não estou mostrando falta de fé e sim de conhecimento. Não é falta de fé em Deus (estou falando com Ele), não é falta de fé na oração (estou orando), não é falta de fé no poder de Deus (estou pedindo o milagre), é falta de conhecimnto porque não posso ter a certeza de que aquilo é o melhor, mas creio que o Deus que tudo pode também é o Deus que ama e conhece todas as coisas. Oremos pois dentro da orientação biblica sem medo de errar.

Conclusão: Que os milagres existem o crente sabe. A graça de Deus, por vezes, ultrapassa mesmo as leis da natureza em providenciar para os seus aquilo que precisam. Orar por milagres, pedi-los ao Senhor e esperar por eles é biblico e devemos fazê-lo. Mas sempre na busca da vontade de Deus. Confiemos no amor de Deus que supre nossas necessidades. Desenvolvamos o discernimento espiritual necessário para não sermos levados por enganadores.

Trabalhemos para a Glória do Senhor e alegremo-nos, porque o nosso Deus é o Deus dos impossiveis e dos milagres também.

Os Efeitos do Cristianismo na História (Porque Sou Cristão - capítulo III)

Sou cristão por causa do efeito extraordinário do Cristianismo na História.

Os inimigos da fé deleitam-se em enumerar os crimes da Igreja. Dizem que tudo o que foi feito em nome de Deus deve ser atribuído àIgreja e a Cristo, independentemente de ter sido feito no espírito da fé e ética Cristã ou não. Falam das cruzadas como crime em nome de Deus, esquecendo que foi muito mais um movimento político e que foi iniciado pela agressão das tropas muçulmanas que destruíram toda a civilização cristã do médio oriente e norte de África e que ameaçavam a Europa. Falam da inquisição e da caça às bruxas como um crime indizível e concordamos com eles, pois muitos abusos foram cometidos. Mas, quando lhes falamos dos crimes do ateísmo cometidos por regimes como o de Stalin ou Mao Tse Tung, já se descartam dizendo que esses ditadores não estavam agindo de acordo com a filosofia ateísta.

O suposto "jogo" não pode ser assim. Se os crimes da Igreja têm que ser contados, e são certamente dramáticos, os do ateísmo também. Calcula-se que cerca de 100 mil mulheres e homens foram mortos na caça as bruxas e os registros falam de cerca de 4 mil execuções pela inquisição. São números lamentáveis e revelam grandes injustiças. Mas, então, o que dizer dos 43 milhões de mortos no regime ateísta de Stalin, dos 77 milhões eliminados por Mao Tse Tung e dos 2 milhões assassinados por Pol Pot? Parece que os regimes que baniram Deus se tornaram muito mais criminosos que qualquer coisa atribuída à Igreja.

Mas deixemos de lado os crimes por um pouco de tempo. Pensemos no bem que o cristianismo tem feito? É engraçado notar que os inimigos da fé preferem esquecer ou negar esse bem, mas os mesmos gozam da liberdade que o Cristianismo trouxe para a sociedade ocidental. Se na batalha de Tours, Carlos Martel não tivesse derrotado os muçulmanos talvez a Europa fosse islâmica e aí onde estariam esses pensadores? Nunca teriam nascido, ou nunca teriam liberdade para falar. Eu sou Cristão porque a fé trouxe avanços colossais para a humanidade.

O Cristianismo defendeu o casamento e a família de um modo único. Numa era em que a família caía cada vez mais em descrédito no mundo romano a fé cristã elevou o casamento e a família. A união entre o homem e a mulher foi colocada ao nível do amor de Cristo pela Igreja dando base entre outras coisas para o nascimento de todo um movimento romântico e de valorização da mulher. A mulher que era desprezada e desvalorizada em todos os regimes de então e que até hoje sofre sob religiões como o islamismo e o hinduísmo foi levada a posição de igualdade com o homem e de destaque pela igreja de Jesus.

As crianças foram amadas por Jesus num mundo onde o infanticídio era comum e banal, onde os pais podiam rejeitar e mandar matar as filhas pelo simples fato de serem meninas já que as crianças eram mera propriedade. Na Igreja de Cristo os pais foram instruídos a educar seus filhos com amor e lhes dar valor. Sempre que uma cultura deixou de valorizar a família acabou por ruir. A restauração da família foi a base da sociedade europeia até hoje e só será diferente no futuro porque a Europa e o ocidente, rejeitando o cristianismo, estão levando a destruição da família e renovando o infanticídio em milhões de abortos anuais.

O Cristianismo desde a origem defendeu uma responsabilidade civil estrita. Os cristãos foram sempre orientados a serem cidadãos exemplares e obedientes. Jesus instituiu a liderança serva, um conceito revolucionário que levou entre outras coisas a instituição de ministros (palavra que significa servo) como pessoas de liderança. Pena que nossos ministros de hoje não entendam a base cristã de sua posição que é o serviço ao povo.

O Cristianismo defendeu e instituiu a compaixão em todas as áreas da vida. Em vez de ódio e vingança aos adversários Cristo anunciou o amor mesmo ao inimigo. No intuito desse mandamento surgiram hospitais, casas de repouso, orfanatos e outras instituições de caridade. Na origem da maioria delas está a misericórdia cristã. Até hoje, se virmos as listas de doações dos países do mundo ainda veremos que os que têm base cristã são mais generosos que os demais. Podem nem perceber, mas suas raízes cristãs os levam a ver a necessidade de ajudar o próximo algo que não existe em outras crenças. Foi um famoso ateu como Nietzsche que reconheceu que " a vida e os valores do ocidente estavam baseados no Cristianismo". Retire a base cristã e os valores irão com ela. É isso que temos visto acontecer na Europa pós-cristã. Afinal, o Cristianismo elevou a humanidade dando-lhe valores únicos.

Foi a fé cristã mais que qualquer outra que lutou pela igualdade dos homens (um conceito que Nietzsche chamava de insano). Documentos de importância capital para a história moderna como a Declaração de Independência dos Estados Unidos ou a Declaração dos Direitos do Homem aprovada nas nações Unidas em 1948 tiveram como base princípios cristãos. A Igreja é acusada de tolerar a escravidão mas a verdade é que o movimento abolicionista foi liderado por Willian Wilberforce, um cristão convicto e dirigido por cristãos de vários quadrantes e é no mundo cristão que essa instituição foi banida enquanto ainda hoje persiste em outras partes do mundo onde a existência de escravos é considerada normal e mesmo uma lei. Foi Martin Luther King, um pastor batista, que liderou o movimento que culminou com a queda do segregacionismo nos EUA. A Fé tem ajudado a melhorar o mundo.

Foi o Cristianismo que insistiu em colocar o homem e a mulher em pé de igualdade em relação ao divórcio. Foi a Igreja que trabalhou para a liberdade de expressão. Se houve momentos na história em que certos líderes da igreja procuraram calar certas vozes, essa não foi a prática corrente e nem a visão cristã bíblica. Aqueles que hoje de modo tão aberto ofendem os cristãos e caluniam a fé, só o fazem porque vivem em países onde o Cristianismo tornou isso possível. Seria interessante vê-los ter a mesma atitude num país islâmico ou ditatorial.

A Igreja é acusada de impedir o avanço da ciência, mas a verdade é que foi a igreja a estabelecer o domínio do ensino. Os princípios da ciência foram determinados por cristãos. O método científico foi divisado por Francis Bacon, um cristão devoto e a grande maioria das escolas foi estabelecida pela Igreja. Robert Grosseteste, bispo franciscano foi o primeiro chanceler da Universidade de Oxford e a maioria das universidades iniciais da Europa estavam ligadas à igreja como em Paris e Bolonha. Universidades famosas nos EUA como Harvard, Yale, Princeton, Darthmouth e Brown começaram como instituições cristãs para o treinamento de pregadores. Os maiores nomes da ciência ao longo da História como Copérnico, Kepler, Galileu, Descartes, Boyle, Newton, Gassendi, Faraday, Lavoisier, Ampére, Pasteur, Planck e Mendel, foram cristãos praticantes e dedicaram suas obras a Igreja e a Deus. O diretor atual do projeto Genoma, um dos maiores programas científicos mundiais, Francis Collins, escreveu um livro intitulado "A linguagem de Deus" para defender sua fé cristã. A verdade é que o Cristianismo fez a ciência possível.

Se quisermos pensar em Filosofia também o Cristianismo estará a frente. Mentes brilhantes como as de Agostinho de Hipona, Tomas de Aquino ou Pascal foram cristãos devotos. A Igreja estimulou o pensamento e a reforma protestante incentivou a liberdade de pensamento e critica individual. Devemos notar que o hinduísmo e o budismo não têm teólogos e o islamismo tem teólogos que são na verdade juristas. A fé cristã nunca abdicou da razão mas a viu como dádiva de Deus a ser usada para sua glória também.

Se pensarmos em arte também teremos que reconhecer que muitas das mais extraordinárias obras de arte foram inspiradas pelo Cristianismo. Pensemos em pintura e logo vem a mente a Capela Sistina, a última ceia de Da Vinci, pensamos em escultura e visualizamos a Pietá de Michelangelo, pensamos em música e lembramos do Aleluia de Handel ou Jesus é a Alegria dos Homens, de Bach, pensamos em arquitetura e nos vem a mente catedrais magníficas espalhadas pelo mundo, pensemos em literatura e lembramos O Peregrino de Bunyan, as alegorias de C S Lewis ou a obra tremenda de Tolkien. A Fé Cristã tem inspirado artistas ao longo de séculos e tem dado trabalho a génios que de outro modo talvez nunca fossem descobertos.
Sou então Cristão porque além de Jesus me dar razão de viver e me garantir uma esperança na vida futura, sua Igreja tem lutado para tornar este mundo melhor e graças a ela o mundo é bem melhor do que seria se não existisse a fé e o cristianismo não fosse real. Se alguém desejar ler livros que ajudam a refletir de forma séria sobre o valor da fé cristã recomendo: "A Verdade sobre o Cristianismo" de Dinesh D’Souza e "Verdade Absoluta" de Nancy Pearcey.

Porque Sou Cristão - capítulo II

Há milhões de cristãos convictos no mundo, que sabem o que crêem e porque crêem, que têm uma boa formação superior e pertencem a classes sociais elevadas. Eu tenho estudado a vida toda detendo cursos superiores de elevado grau de dificuldade e sou cristão convicto.
Minha convicção não se baseia apenas na experiência pessoal (muito valiosa, mas subjectiva) mas nos dados reais disponíveis a respeito de Jesus e do Cristianismo.

Passo então a dissertar sobre a segunda razão que me faz ser um cristão convicto.

Em segundo lugar sou Cristão por causa da Bíblia.

O cristão é uma pessoa da Bíblia e defende que ela é a revelação escrita vinda de Deus. Que o Criador, Ser espiritual, que tem todo poder e preside sobre o universo, quis comunicar com o Homem e deixar sua revelação de modo escrito. Para tal compartilhou com cerca de 40 escritores ao longo de mais de 1500 anos e usando suas próprias experiências e estilos inspirou a escrita de 66 livros que temos por sagrados, ou separados dos demais por seu caráter especial.

A coerência da Bíblia é extraordinária. Um conjunto de livros escrito por 40 homens diferentes, vivendo com séculos de diferença entre si, em contextos totalmente diversos, usando línguas diferentes e pertencendo a extractos sociais totalmente dispares, revela um sentido comum, não se contradiz e acaba se complementando. É fabuloso. Estadistas como Moisés e Daniel se juntam a pescadores como João e boiadeiros como Amós. Homens de grande cultura como Salomão e Paulo ou Lucas ao lado de gente simples como Marcos ou Pedro. Textos poéticos como os salmos, jurídicos como o pentateuco ou proféticos como o Apocalipse se misturam e completam numa harmonia estonteante. Não há nada nem próximo na história da literatura mundial.

Ao longo dos séculos, em especial nos últimos 100 anos, muitos tem tentado desacreditar a Bíblia. Por vezes pareciam ter dado um golpe duro ou até fatal ao texto sagrado, mas a Bíblia sempre recupera mostrando sua superioridade. Notemos apenas alguns desses episódios:

- Durante muito tempo se fez troça do texto de Gênesis sobre a criação, porque falava do surgimento da luz no primeiro dia quando o sol e as estrelas só aparecem no quarto dia (sendo dia aqui não 24 horas mas medida indefinida de tempo). A Bíblia parecia incoerente. De onde vinha a luz se não havia sol? Então o homem descobriu o big bang, a teoria bastante aceita e abalizada cientificamente, de como surgiu o universo. Tudo teria começado com uma tremenda explosão... de luz! E só milhões de anos depois surgiriam as estrelas e o nosso sol. A Bíblia tinha razão!

- Muitos duvidavam da existência dos patriarcas como Abraão e dos costumes de seu tempo descritos em Gênesis. Até que pesquisas arqueológicas confirmaram a existência dos lugares, das rotas e do tipo de comércio citado na Bíblia e até tábuas cuneiformes com o nome de Abraão e a descrição de costumes de sua época que desapareceram séculos depois. Alguns desses lugares desapareceram pouco depois dos patriarcas. Alguns desses costumes deixaram de se usar. Como o autor de Gênesis sabia? A Bíblia estava certa.

- Autores ridicularizavam a ideia de Moisés ser o escritor do pentateuco aludindo que não havia escrita em seu tempo até descobrirem que a escrita existia muito antes de Moisés e que no próprio Egito já havia bibliotecas. Moisés sendo criado na corte de faraó teve acesso a tudo isso e usou seu conhecimento para escrever os livros da lei.

- Muitos críticos atribuíam o salmo 22 ao tempo dos macabeus (100 anos antes de Cristo) em que havia convívio com os romanos porque Davi (800 anos antes) não poderia ter escrito esse salmo descrevendo uma crucificação, algo que não era praticado em sua região e em seu tempo. As descobertas do mar morto encontraram rolos com o salmo 22 datados de séculos antes dos macabeus. A profecia de Davi foi uma visão pormenorizada de uma crucificação séculos antes de ela começar a ser usada na Judéia.

- Arqueólogos descobriram que Jericó foi destruída de modo pouco usual com as muralhas caindo para fora e rente ao chão como descrito em Josué. Acharam textos falando da casa de Davi provando que ele não era ficção. Encontraram a explicação para Belsazar ser chamado de rei em Daniel já que ele era o 2º no reino atrás de Nabonido e podia ser assim chamado em sua ausência resolvendo desse modo o dilema de não haver nas listas oficiais um rei com esse nome.

Livros têm sido escritos para mostrar a quantidade impressionante de material bíblico comprovado pela história e arqueologia. A Bíblia é a revelação de Deus ao homem e responsável pela transformação de mais vidas na história que qualquer outro texto sagrado ou não. É também por sua causa que sou Cristão.

Porque Sou Cristão - capítulo I

Criou-se uma imagem bastante negativa do cristão em nossos dias. Sobretudo do cristão evangélico tradicional. Ele é visto como um simplório, com baixo nível de formação intelectual, baixo rendimento salarial, facilmente manipulável por líderes religiosos e de mente fechada e tacanha. Trata-se de uma generalização e como tal peca por preconceito e falta de verificação. Há milhões de cristãos convictos no mundo, que sabem o que crêem e porque crêem, que tem uma boa formação superior e pertencem a classes sociais elevadas. Eu tenho estudado a vida toda detendo cursos superiores de elevado grau de dificuldade e sou cristão convicto. Minha convicção não se baseia apenas na experiência pessoal (muito valiosa, mas subjectiva) mas nos dados reais disponíveis a respeito de Jesus e do Cristianismo. Passo então a explicar, o mais sucintamente possível sem ser obtuso, as minhas razões para crer.
           Em primeiro lugar sou cristão por causa de Jesus Cristo. Jesus, apesar de todas as inúmeras tentativas em contrário, é um personagem histórico incontornável. O registro de sua vida e obra não tem igual na história. São relatos feitos por testemunhas oculares que viram e ouviram Jesus enquanto as biografias de Mohamed (para citar um exemplo apenas) foram feitas por pessoas que ouviram um relato de 3ª mão na melhor das hipóteses. As cópias dos evangelhos que temos foram produzidas poucas décadas depois do original garantindo sua validade. As melhores cópias que temos dos escritos de César são de mil anos após sua escrita e os melhores textos de Aristóteles datam de 400 anos após sua escrita, só para ter uma base de comparação.

          A vida e obra de Jesus foram descritas por seus discípulos, mas também reconhecida por historiadores da época como Suetônio, Plinio o Novo, Tácito e Flávio Josefo dando confirmação da veracidade dos relatos bíblicos. Jesus viveu no primeiro século de nossa era (seu nascimento marca o nosso calendário) fez e operou milagres a vista de multidões, morreu numa cruz romana devidamente comprovado pelos presentes e ressuscitou sem sombra de dúvida no terceiro dia. Sua ressurreição não pôde ser rebatida pelos líderes judeus de seu tempo quanto mais agora. Seria a coisa mais fácil para eles, provar que era tudo ficção e acabar com o Cristianismo. Mas não puderam fazê-lo simplesmente porque ele ressuscitou mesmo.

          Os ensinos de Jesus foram os mais marcantes da História tornando um simples carpinteiro da galileia na figura mais influente de todos os tempos. Jesus não foi um filósofo influente com muitos alunos ricos, não foi um general ou politico vitorioso, não foi um escritor de textos poéticos ou em prosa maravilhosa, não ocupou cargos públicos e nem sequer viveu em uma cidade digna de nota em seu tempo. Foi um camponês de uma província insignificante com um punhado de discípulos que eram pescadores da galileia. Como tal homem pode ter marcado a história se não fosse o salvador? Podemos repudiá-lo, podemos rejeitá-lo e até odiá-lo, mas não é possível ignorá-lo.

          Sou Cristão porque nos ensinos de Jesus encontro a raiz do verdadeiro problema do homem - o pecado. Jesus não se ficou pela superficialidade que as teorias e psicologias modernas nos querem vender. Ele foi ao coração do problema humano, a moralidade. Nosso problema é moral. Por isso vemos jovens bem-criados e com recursos em casa se tornarem bandidos e gente sem escrúpulos. A maldade do homem vem de dentro, não é apenas produto de criação ou ambiente. E só trabalhando de dentro teremos uma solução e Jesus nos deu a solução. O problema era humano, e ele veio como humano, mas era pecado contra um ser infinito e Ele era Divino. Tinha as condições para resolver nosso problema e o fez sofrendo nossa dor, morrendo nossa morte e vencendo nosso inimigo. Só ELE o fez, por isso sou seu seguidor.

          Multidões reconhecem o ensino de Jesus como superior. Mesmo aqueles que não o aceitam têm que reconhecer a superioridade de suas palavras. Tornou-se relativamente pacífico aceitar Jesus como um dos grandes Mestres do passado ao lado de Sócrates, Platão, Buda e Confúcio. Mas essa posição aparentemente respeitosa não é defensável. Por mais que queiramos não é possível aceitar Cristo como apenas um bom filósofo. Não se trata de intransigência ou de intolerância mas de coerência com o que Ele disse. Diante das afirmações de Jesus como "Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida" ou "Eu sou a Ressurreição e a Vida. Quem crê em mim ainda que esteja morto viverá" não há meio-termo. Ele não podia ser só um bom professor. Ou era um louco que dizia coisas acertadas misturadas com devaneios de megalomania ou era quem dizia ser, Deus o Filho e o Filho de Deus. Não há meio-termo. Eu creio que Ele era quem dizia ser.

          Sou Cristão porque Jesus não somente nos diz que temos que viver uma vida boa (muita gente disse isso), mas nos dá as condições de vivê-la, Ele nos capacita para isso. Não só seu exemplo nos orienta e anima, mas sua presença real dá ao homem sentido para esta vida, força para as lutas diárias e esperança viva para a vida futura na garantia da vitória final sobre a morte. Em nenhum outro encontramos isso e por isso a humanidade que rejeita Jesus vive sem direção, abusando de recursos passageiros e impróprios, se auto anestesiando com entretenimento barato em vez de tomar a salvação oferecida de e pela graça.

Conhecer Quem Conhece!

Vivemos escravizados pela razão, obcecados por explicações, dominados pela mente pseudo científica. Multiplicam-se os cursos, as faculdades, os MBA e o homem sabe cada vez menos e vive cada vez pior. No tempo em que meu pai era jovem, fazer faculdade era um luxo, no meu tempo de juventude (recente) tirar um curso universitário já era relativamente comum e considerado bom, hoje o jovem tem que pensar em fazer no mínimo um mestrado. Porque será então que os jovens de hoje parecem mais perdidos que os de há 100 anos?

Hoje temos canais de TV a cabo que explicam muitas coisas. Efeitos especiais e cientistas com nomes complicados e ar doutoral expõem a matéria de modo a convencer os espectadores que sabem muito bem do que estão falando. Testes são feitos e todo tipo de coisas e experiências científicas são produzidas para explicar desde o funcionamento de máquinas a presença sentida de fantasmas. Mas, diante de tantas explicações o homem moderno parece saber menos sobre si mesmo do que seus bisavôs, que viveram num tempo em que não haviam recursos tecnológicos.

Temos que concluir com Lewis Thomas:"Em nenhum outro século de nossa breve existência os seres humanos aprenderam de forma tão profunda e dolorosa a extensão e a profundidade de sua ignorância".

 Parece que nossa geração não chega a vencer a idade dos porquês. Há uma idade certa para se perguntar porque a tudo. Não estamos com isso negando o uso da razão e nem declarando que devemos simplesmente parar de tentar entender. O que questionamos é nossa dependência de explicações. Uma verdade clara da vida é esta: nunca chegaremos a entender muitas das coisas que acontecem conosco e com os que estão a nossa volta. Quanto mais cedo aceitarmos isso melhor.

Abraão foi louvado na Palavra por ser o pai da fé. Ele seguiu a voz de Deus e deixou sua terra sem saber para onde ia. Moisés foi desafiado por deus para libertar o povo de Israel do Egito e ele seguiu para a corte e faraó sem saber como isso aconteceria. Davi se dispôs a lutar com Golias e acreditou que o venceria, mas não sabia como seria. A lista poderia continuar com todos os heróis da fé. O Senhor raramente deu explicações claras e especificas a seus servos. Afinal Senhores não precisam se explicar...

Em meio a nossa angústia existencial as palavras de Jesus sempre trazem alento e esperança. Ele afirmou em sua oração sacerdotal por nós: "A vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste" João 17:3. Afinal a vida está mesmo em conhecer. Mas não tanto em conhecer as coisas, os fenómenos e os porquês, mas em conhecer quem conhece.

Posso crescer no meu entendimento de tudo o que me cerca e pode até ser bastante útil, mas não preencherá o vazio de minha alma. Posso me desenvolver no conhecimento humano e até dominar muitas áreas. Isso não será mal em si, mas não me trará paz. O conhecimento não tem fim e a máxima filosófica é verdadeira: quanto mais soubermos, mais entenderemos o quão pouco sabemos.

"O Temor do Senhor é o princípio da Sabedoria" Provérbios 1:7 disse aquele que foi considerado o mais entendido. O mais importante de tudo é conhecer quem conhece. A mensagem bíblica é essa e o evangelho (boa nova) é exatamente que ELE se pode conhecer e se deixa conhecer de quem o busca com vontade.

Mais do que tentar explicar o inexplicável meu tempo deveria ser usado para conhecer o Senhor, meditar nEle e sem sua Palavra, conversar com Ele e viver em companheirismo. Muita alegria, bênção e paz, muita doce comunhão e vigor há em conhecer... conhecer aquele que conhece!

Vida Real

O culto fora bom. O coro cantara muito bem, o louvor fora contagiante, as orações abençoadoras e a mensagem bem bíblica e prática. No fim da reunião os crentes cumprimentavam o pastor agradecendo a palavra ou pedindo oração para algum problema. Um irmão extrovertido, dono de aperto de mão forte e voz poderosa, empresário do ramo da construção cumprimentou o pastor alegremente: “Belo culto pastor, e boa mensagem... agora... voltemos então à vida real” e tudo o que o pastor pode fazer foi devolver um sorriso amarelo sem saber como responder a semelhante colocação. 
Independentemente de concordarmos com o irmão empresário, a verdade é que todos já tivemos de algum modo essa mesma sensação. A noção de que o culto é bom, a mensagem animadora, o ambiente acolhedor e a membresia amiga, mas que logo deveremos deixar aquilo tudo e mergulhar de cabeça no mundo real, na vida dura e cruel como ela realmente é. Será mesmo? O que queremos dizer quando deixamos a igreja e suspirando admitimos: de volta a vida real?
Para alguns voltar a vida real pode querer dizer voltar ao mundo onde a ciência dita os fatos. Os que assim pensam veem a igreja e o mundo religioso como território da fé, algo muito subjectivo e não explicado e que na verdade tem a ver com a individualidade. Lá fora; fora da igreja, está o mundo real dirigido pela ciência, fatos devidamente comprovados, especialistas certificados, leis bem estabelecidas e indubitáveis. Mas será mesmo assim? Será a ciência tão confiável assim?
Eu sou médico e tenho lidado com o mundo científico toda minha vida e descoberto que a ciência falha bem mais do que admite. Medicamentos que eram cura garantida até há pouco tempo hoje estão fora do mercado por causa de efeitos secundários letais. Cientistas famosos e galardoados falsificam resultados, eliminam os dados que não lhes agradam. Os grandes laboratórios pagam para ter suas drogas aprovadas, enquanto pesquisas valiosas, mas que dão pouco lucro são engavetadas. Mas, na televisão, o cientista aparece com o título de Doutor e as pessoas o ouvem falar como se fosse o dono da verdade! Não, senhores! A ciência ainda tem muito que crescer para ser a vida real.
Para outros voltar à vida real é voltar ao mundo controlado pelo dinheiro. A visão religiosa é bonita e generosa, mas o mundo real é movido pelo dinheiro e pelos poderosos. É assim que muitos pensam. São eles que ditam as regras, que controlam nossas vidas. Mas será mesmo? Houve um tempo em que Madoff era um nome de poder nos bastidores financeiros. Era sinônimo de poder, influência, luxo. Ele era a coisa real! O Senhor investimento! Hoje perdeu tudo... Há poucas semanas Dominic Straus-Kahn era patrão do FMI. Ele determinava não somente as vidas de pessoas mas de países inteiros. Uma vida de opulência e hotéis de 5 estrelas. Hoje ele está preso, esperando julgamento, envergonhado mundialmente.
O dinheiro pode ser poderoso, mas não dita as regras no coração e não controla as mentes mais seguras. Ele acaba depressa, perde seu valor, erra em seus cálculos. Não, senhor! O dinheiro não é a vida real! Há gente demais com dinheiro que não sabe o que é viver e gente demais sem dinheiro que vive bem para que eu aceite essa suposta verdade.

Haverá outros que dirão que a vida real é a vida do prazer, do divertimento, do gozo e da diversão. Verão a igreja como lugar opressivo e obscuro e o mundo do entretenimento como a vida real. Apresentarão as manchetes dos jornais cheias de artistas e as revistas de fofocas repletas de cantores como prova de que essa é a vida verdadeira: fama, reconhecimento, beleza e luxo. Mas temos demasiadas histórias de suicídio entre artistas e famosos para acreditar nessa versão da realidade. Muitos são os testemunhos de gente que viveu essa vida e que descobriu-se vazio para aceitarmos tal verdade. Não senhor, essa não é a vida real!

Haverá ainda os que dirão que na igreja há muito boa vontade mas a vida mesmo é um lugar cruel e duro onde reina a competição e o trabalho árduo sem valor. Essa será a visão pessimista de que a igreja é um refúgio para a realidade mordaz de um mundo devorador e sem piedade. E reconhecerei que vemos muita crueldade no mundo e muita coisa triste.

Mas falarei também dos milhões que honestamente sustentam suas famílias e que se orgulham disso. Dos milhões que não se curvam à injustiça mas, com pequenas ações, porém relevantes, combatem o mal com o bem e vão tornando a vida algo mais doce e se dedicam a minorar a dor nem que seja de um de seus próximos. Recusar-me-ei a aceitar que a vida real seja a maldade. Há suficiente bondade neste mundo de pecadores para que eu me curve ao mal como sendo a verdade última.

Um dia, há muito tempo atrás, um exército inteiro cercou a cidade onde dormia o profeta de Deus (II Reis 6: 15 a 17). O servo do profeta ouvia o homem de Deus falar da grandeza de seu criador e das maravilhas de seu poder, mas quando viu a cidade cercada desesperou: “Estamos perdidos, esta é a vida real. Estamos cercados por homens armados e poderosos na guerra. Essa é a realidade que nos cerca e não há como fugir. Estamos condenados!” E o profeta tranquilo e sereno fez uma oração simples: “Senhor abre os olhos deste moço por um instante para que conheça a verdade da qual fala mas da qual nada sabe”. E o Senhor concedeu ao jovem ver a REALIDADE que o cercava e nessa verdade inequívoca de Deus havia anjos dos exércitos celestiais cercando as tropas que se julgavam dominadoras.
Não sirvo a um Deus menor.
Não vou à igreja por falta de opção ou por ter uma mente acanhada.
Não manifesto fé por falta de raciocínio ou para fugir à crueldade que me cerca.
Não declaro Jesus por achá-lo bonitinho ou porque fui criado em certa tradição.
Sou Cristão porque Jesus é o Filho de Deus vivo, Rei e Senhor, nome sobre todo nome, Senhor da eternidade e a verdade é conhecê-lo.

Sou seu seguidor e discípulo porque um dia, com a autoridade de quem tinha poder sobre tudo inclusive a morte, declarou: “A vida eterna é esta: que te conheçam a ti o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem enviaste” João 17:3. Aquele que afirmou isso morreu, ressuscitou e voltou ao céu conforme profetizado centenas de anos antes. Essa é a verdade! Por ela viverei!

11 Dias em 40 anos...

Já teve a sensação que algo relativamente fácil demorou a acontecer? Já percebeu que, em nossas vidas, há coisas que sabemos que devemos fazer mas acabamos levando "séculos" para fazê-las? Determinamos que algo é necessário, sabemos que será o melhor para nós, mas simplesmente não fazemos e o tempo vai passando... Podem ser coisas simples como uma dieta ou o início de um programa de exercícios físicos. Pode ser algo mais sério como a resolução de um problema, um conflito ou o acertar de nossas vidas com Deus por meio de devoção e disciplina. Simplesmente vamos ficando onde estamos e o tempo vai passando.

Em Deuteronómio 1:2 e 3 lemos que o povo de Israel levou 40 anos para fazer uma viagem que demoraria 11 dias. Pense bem! Em vez de 11 dias eles levaram 40 anos de caminhada. E o Senhor finalmente lhes diz no verso 6: "Já ficaram tempo demais aqui, tratem de andar...". Chega de esperar, chega de protelar... saiam do marasmo e tomem posse do que já vos preparei há tanto tempo. E porque é que demoraram tanto?

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque viviam no passado.
Repetidamente reclamavam de Moisés lembrando do que tinham no Egito. E o mais incrível é que no Egito eram escravos... levaram 400 anos chorando para que Deus os libertasse. Uma vez livres, choravam, porque já não tinham as mesmas coisas do Egito. É extraordinária a mente humana. Já tinham esquecido das jornadas de trabalho forçado, das torturas e espancamentos, do verdadeiro genocídio que tinham sofrido. Viviam chorando pelo passado, paralisados pela recordação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque não tinham capacidade para crer.
O Senhor lhes dera provas indiscutíveis de seu poder. Mas o povo não acreditava. O povo de Israel nesse período é a maior evidência de que milagres não são a solução do problema humano. Ninguém viu tantas maravilhas e no entanto, não criam no poder do Senhor para lhes dar a vitória na terra prometida. A falta de fé era debilitante a paralisante e não os deixou progredir.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque permitiam que uma mentalidade negativa e uma auto imagem degenerada os dominasse.
Olhavam para tudo com uma atitude de pobres miseráveis. Tinham sido libertos da escravatura física mas a carregavam no coração. Ainda se viam como povo fraco e dominado, sem direção e sem propósito. O Senhor os dirigia, dava-lhes alimento diário e líderes de qualidade mas ainda olhavam para si mesmos como presa fácil para qualquer adversário. Essa mente pequena impedia qualquer ação.

Levaram 40 anos em vez de 11 dias porque esperavam que as coisas aparecessem feitas.
Se ao menos alguém expulsasse os cananeus... se ao menos os gigantes fossem embora... se ao menos a terra estivesse vazia e as casas arrumadas e com comida pronta na mesa... eles então agiriam. Nem sequer queriam se dar ao trabalho de ouvir a Deus diretamente. Queriam que Moisés fosse ouvir e depois desse o relatório resumido. Não queriam se dar a nenhum trabalho e assim passaram décadas vivendo num deserto.

Por vezes passamos por desertos em nossas vidas. São inevitáveis e são difíceis de atravessar. Mas por vezes acampamos neles e aí ficamos por culpa própria, por incapacidade nossa, por falta de confiança no Senhor para caminhar para fora. Por vezes poderíamos vencer o deserto em 11 dias e ficamos por lá perambulando por 40 anos...

Deixamos de progredir quando paramos nossa visão no passado. Por melhor ou pior que tenha sido nosso passado ele não precisa determinar nosso presente e nem limitar nosso futuro. Se fomos vitoriosos louvemos ao Senhor e sonhemos com novas vitórias e mais altas. Se sofremos no passado vamos perdoar, agradecer pela sobrevivência e deixar as mágoas porque são fardo pesado demais para quem quer avançar. Já chega de carregar o passado. Vamos permitir que o Senhor nos carregue para o futuro.

Deixamos de progredir quando nos falta a coragem para crêr. Temos suficientes evidências em nossas próprias vidas e a nossa volta para sairmos do marasmo e crescermos. Mas é preciso um primeiro passo de fé. É preciso confiar. Sem fé é impossível agradar a Deus, e sem a graça de Deus não há como conquistar nada nesta vida.

Deixamos de progredir quando permitirmos que o inimigo nos mantenha com uma mentalidade de escravos. O adversário de nossas almas é especialista em depressão, complexo de inferioridade, ansiedade exacerbada, auto imagem negativa. Ele trabalha em nossas mentes mostrando constantemente nossa fraqueza, nossos defeitos, nossa incapacidade. Atenção: quando o Espírito Santo convence do pecado é para arrependimento, perdão e progressão. O maligno nos mostra o erro em nós apenas para derrubar e deprimir. Esta mais do que na hora de firmar a mente na Palavra do Senhor. ELE escreveu o livro e em sua versão da história (a versão verdadeira) somos filhos amados, perdoados, capacitados, enriquecidos e seremos vitoriosos! É a versão dEle que interessa.

Deixamos de progredir quando empurramos para outros a nossa responsabilidade. Queremos que outros façam por nós, que outros assumam nossos riscos, que outros lutem nossas lutas. Assim nunca avançaremos. O Senhor nunca falha na sua parte, mas nunca assume o que já nos delegou. Nossa parte é buscar a comunhão, submeter nossa mente, emoções e vontade ao seu controle e seguir sua orientação e comando. Só nós podemos fazer isso por nós. Façamos e a vitória virá.

Desertos virão e teremos que atravessá-los. Se vamos levar 11 dias ou 40 anos depende essencialmente de nós. O Senhor nos quer dar a terra prometida. Não acampemos na desolação. Os servos do Senhor herdarão a terra. Entenda de Deus qual a sua parte da herança e vamos possuí-la!

Já aconteceu uma vez...

Era uma vez um idoso de 80 anos. Ele foi convocado por Deus para enfrentar o maior rei de seu tempo e o mais forte estado de sua época. Munido de apenas um cajado e sua fé no poder de Deus derrubou um império e libertou seu povo da escravatura. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um homem de 85 anos que vivera já muito e podia almejar descanso e sossego. Foi no entanto desafiado a escolher sua herança. Podia ficar com as terras que desejasse. Podia escolher terras tranquilas e bem regadas e sobretudo livres de problemas. Mas ele escolheu as terras altas, cheias de inimigos. Uma terra habitada por gigantes. E essa terra foi conquistada por ele e pelos seus. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um jovenzinho que guardava as ovelhas de seu pai e que nos tempos vagos compunha salmos para louvar a Deus. Foi levar comida a seus irmãos que serviam o exército e se deparou com um gigante blasfemo. O mercenário era monstruoso, homem de guerra, bem armado, mas o garoto o enfrentou apenas com uma funda e algumas pedrinhas e o matou. Enfrentou o gigante por seu zelo pelo Senhor e venceu. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um profeta desconhecido mas que conhecia bem seu Deus e confiava no poder da oração. Ele orou e durante 3 anos não choveu. Depois orou e choveu fogo do céu e seu ministério preservou o culto verdadeiro em sua terra contra uma multidão de falsos profetas. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma menina órfã criada pelo seu tio. De orfãzinha ela veio a ser rainha do maior império do seu mundo. Nessa posição ela desafiou leis ancestrais e confiando em seu deus salvou seu povo de uma destruição certa. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Jerusalém que vivia em harmonia e comunhão. Seus membros se amavam mutuamente e providenciavam para as necessidades uns dos outros. Essa igreja era respeitada pelo povo, era marcada pelo poder de Deus em curas e sinais e crescia diariamente conforme o Senhor desejava. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Antioquia que entendeu o chamado de Deus. No meio de uma época difícil, uma cultura pagã corrupta e um governo autoritário ela ousou crer na evangelização mundial e separou seus dois principais líderes para essa tarefa. Seus pastores saíram pelo mundo pregando e plantando igreja e algumas décadas depois o cristianismo tinha se espalhado por todo o mundo. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

A palavra nos diz que nosso Deus não muda, ELE é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Ele também não faz acepção de pessoas, ou seja, não gosta mais de uns que de outros e não vai deixar de abençoar uns para enriquecer outros. Se Ele fez isso no passado então esta pronto a abençoar no presente. Os exemplos que nos foram deixados servem exatamente para que possamos saber como agir, para que possamos confiar, para que nos sintamos estimulados porque isso tudo já aconteceu uma vez... e pode acontecer de novo!

Uma nuvem do tamanho da mão de um homem!

Tinham se passado três anos sem chuva. A terra estava esturricada, os animais morriam o povo desesperava. Elias sabia que era a hora de se ver chuva novamente. Mas não havia sinais no céu de chuva iminente. Elias então orou e sucessivamente mandou seu moço olhar o céu para as bandas do mar. À sétima vez o moço voltou e disse: "Eis que se levanta do mar uma nuvem pequena como a palma da mão do homem" (I Reis 18:44). Isso foi suficiente para o profeta que logo mandou avisar o rei Acabe: A chuva está chegando!

Parece que a igreja e os crentes modernos só se movem com terremotos de poder e maravilhas fantásticas. Corremos atrás de grandes números, de estádios cheios, de ministérios milionários. Perdemos a habilidade de ver Deus nas pequenas coisas e como consequência raramente o vemos. E pior ainda, concluímos que ELE está ausente. Precisamos urgentemente de renovar nossa fé. Esta fé que consegue enxergar uma tempestade vendo apenas uma nuvem do tamanho da mão de um homem e saber que ali está a resposta da oração de três anos!

Não estou falando de crendice fácil ou de fé barata ou ainda de satisfação com insignificâncias. Estou pensando na habilidade demonstrada por muitos servos do Senhor e pelo Mestre de ver aquilo que os olhos humanos não entendem. De ver além do mero raciocínio. De crer nas pequenas demonstrações da ação de Deus. Se há algo que a Bíblia nos ensina é a não menosprezar a ação de Deus. Meditemos um pouco em alguns episódios bíblicos.

Imagine que você fosse o faraó do Egito. Vê chegando ao palácio um velhote de 80 anos andando apoiado num bordão, sujo do deserto, cheirando a ovelhas que lhe diz que vem da parte do Deus altíssimo. Acreditarias? Daria ouvidos a seu discurso? Era uma nuvem pequena demais... mas era o homem de Deus para o momento e pelo poder do Senhor o Egito se curvou diante daquele bordão de pastor( Êxodo 4:18-31).

Imagine que você fosse um habitante de Belém e visse duas mulheres chegando de Moabe. Uma delas, já idosa, e a outra com características claras de ser uma estrangeira. Daria algum valor? Tiraria alguma conclusão? Era uma nuvem pequena demais... mas da descendência daquela mulher estrangeira nasceria o maior rei da história de Israel, aquele que daria nome à sua capital e seria o antecedente do Messias( Rute 1:16-22).

Imagine que acompanhava Samuel à casa de Jessé e depois de ver passarem seus belos filhos mais velhos, Eliabe, Aminadabe e Samá via chegar o caçula, ruivo, de aspecto ainda um tanto pueril de olhar límpido e barba rala clarinha. Faria grande julgamento dele? Acreditaria em seu potencial? Era uma nuvem pequena demais... mas era ele o escolhido de Deus, o ungido do Senhor, o vencedor de Golias, o fundador da dinastia eterna, o grande Davi ( I Samuel 16:1-13).

Imagine que estava às portas de Babilônia e via chegando um bando de prisioneiros. Entre eles, alguns jovens de olhar assustado. Um deles com ar medidativo e abstraído do que se passava. Eram escravos, de um povo conquistado, numa terra estrangeira e cheia de novidades desconhecidas. Que se poderia dar por eles? Como acreditar em seu futuro? Logo estariam assimilados. Eram nuvens pequenas demais... mas ali estava um que seria primeiro ministro de Nabucodonosor e sobreviveria ao próprio império babilônico para ser ainda grande na dominação dos Persas ( Daniel 1:1-21; 2:47-49).
"Nosso Deus gosta de usar as coisas pequenas deste mundo para confundir as grandes! "

Jesus foi o Mestre das nuvens pequenas. Ele valorizou a oferta minúscula da viúva pobre, recebeu crianças pequenas sem valor, gastou tempo com a mulher samaritana (levaria ao ganho de toda a aldeia para o reino), viu Zaqueu escondido na árvore. Jesus não desprezava as nuvens pequenas porque sabia ver nelas a chuva da abundante graça de Deus.

Quero ver melhor. Quero olhar o céu e mesmo quando só puder ver uma nuvenzinha do tamanho da mão de um homem saber que é sinal de chuva grossa. Quero aprender a avaliar como o meu Senhor a ver o meu Deus nas pequenas coisas e não só nas grandes. E o convido a entrar nessa senda comigo. É um caminho estreito, mas abençoado. Pouco percorrido, mas feliz. De pouca divulgação, mas muita glória. É o caminho daqueles que crescem na capacidade de ver com os olhos da fé. Pela misericórdia do Deus que sejamos despertados para essa caminhada.

Assassino de Torres Vedras e Goleiro Bruno: o que têm em comum?


No Brasil e Portugal não se fala de outra coisa? Que tipo de castigo para os criminosos? No Brasil é a investigação que aponta para a provável morte de uma moça envolvida com o goleiro (guarda-redes) do Flamengo. Em Portugal é o assassino de Torres Vedras que terá matado 3 pessoas. Que tipo de punição para esse tipo de crimes? O que eles merecem?
Interessante seria pensar nisso tudo sob o prisma das filosofias que dominam os tempos modernos. Afinal, seriam eles culpados? A Psicologia moderna diz que o homem é fruto da sociedade, da criação, daquilo que o envolveu desde o crescimento. Logo, não são culpados, culpada é a sociedade que os criou. A Ciência diz que o homem tem se desenvolvido até hoje. Ele é aquilo que a evolução o fez. Se tornou-se um criminoso é porque evoluiu para isso, logo não é culpado!

A Moral moderna diz que tudo é relativo. Aquilo que é errado para você pode não ser para mim. Não há mais absolutos, não há mais regras definitivas. Ninguém pode ser classificado de bom ou mal. Pelo Relativismo moderno os suspeitos não culpados. E o pragmatismo também os absolve. Afinal, se seguiram uma vida errada, se escolheram o crime é porque compensou. Na verdade foram inteligentes ao escolherem fazer o que fizeram, porque pareceu ser o melhor na altura.

Evidentemente que diante dos crimes hediondos em causa ninguém vai se servir desse lado da psicologia, da evolução, do relativismo ou do pragmatismo. E aqui se nota novamente a incoerência de nosso mundo.

Os secularistas gostam de proclamar sua superioridade em relação a tradição judaico-cristã, mas quando a situação complica, quando se sentem tocados, os homens modernos reagem de modo diferente. De repente, há necessidade de justiça (e o relativismo cai por terra), há que preservar os mais fracos (e lá se vai o pragmatismo), é preciso que os criminosos assumam seus actos (e a psicologia e a evolução deixam de ter valor).

A visão moderna, que deseja tirar a responsabilidade do homem, erra pelo simples fato de que a vida não é possível sem responsabilidade. O homem não é um vegetal que cresce conforme a força do sol e o ritmo das chuvas. É um ser criado, racional, com livre arbítrio, e por isso com a necessidade de escolher e a obrigatoriedade de ser recompensado para o bem e para o mal.

Colocar a culpa dos crimes na questão social é falho, porque vemos muitos criminosos pertencentes a classes sociais mais altas. Colocar a culpa na criação é falho porque há muita gente com boa formação cometendo irregularidades. Culpar a raça é tolice porque há muita gente das supostas raças superiores fazendo barbaridades e muitos garotos de suposta raça inferior singrando na vida e se tornando bons cidadãos. A verdadeira questão é o pecado. Uma decisão deliberada (e por vezes bastante ponderada) de fazer aquilo que sabemos antecipadamente que é errado. Se não fosse pecado e se não houvesse culpa porque falaria a sociedade de mudanças necessárias?

Diante do que temos visto e ouvido nestes últimos tempos, o Cristão fica triste, mas não confuso, fica enlutado, mas não baralhado. O mundo tem caminhado para longe de Deus a passos largos e não poderia haver outro resultado.

A solução não está em melhores condições sociais, em melhores escolas, em melhores rendimentos ou oportunidades. Tudo isso pode ser muito bom, mas não muda o coração do homem. Esses dois criminosos em pauta dos dois lados do Atlântico não viviam com dificuldade. A solução está no interior do homem, em seu coração, e isso só quem muda é Deus. Só Cristo salva, dá nova vida, nova perspectiva e propósito, oferece razão de viver e união com Deus no seu trabalho redentor da humanidade. O que o mundo precisa mesmo é do Cristo VIVO e a responsabilidade de seus discípulos é mostrá-lo vivo em seu dia-a-dia.

CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO

Há já algum tempo o compositor evangélico João Alexandre lançou uma música que fez furor intitulada "É Proibido pensar". João Alexandre é um daqueles músicos que fazem sempre falta em nosso meio. Suas melodias são ricas e variadas usando múltiplos ritmos e sabores e as letras poéticas, inspiradas e muitas vezes doutrinárias. Na música "É Proibido pensar", João Alexandre se insurge contra um evangelicalismo moderno, onde as ações são artificiais e os crentes são convidados a aceitar sem questionar. Na verdade, há muitos meios onde, realmente, é proibido pensar!

O escritor Clyde Reid verificou o mesmo fenómeno nos Estados Unidos e chamou-o de "Conspiração do Silêncio" a essa atitude de passividade da esmagadora maioria dos crentes quanto a questões fundamentais da fé. Parece que os crentes não querem pensar e não ousam perguntar. O mundo tem, via de regra, uma visão bastante negativa sobre o nível intelectual dos crentes. Em muitos meios, crente é sinónimo de simplório, de ignorante. Uma cultura inibida numa conspiração de silêncio onde é proibido pensar só vai agravar esse quadro. Mas afinal, por que é que não pensamos? Por que é que não perguntamos?

Muitos não levantam questões e não indagam porque temem que os outros os julguem e não os considerem espirituais. Afinal, no coração de multidões, perguntar e crer parecem coisas que se excluem. Se pergunto é porque não tenho fé. Logo, é melhor ficar calado e mesmo que as dúvidas me assaltem ficarei silencioso para não passar por incrédulo.

Muitos não perguntam por medo de que não haja respostas ou de que as existentes os levem a perder a fé. Nesses casos até há vontade de perguntar, de reflectir, mas há também o medo: e se não houver resposta? E se a resposta ainda me deixar pior do que estava antes de perguntar? Prefiro ficar sem questionar a colocar minhas dúvidas e ver minha fé ruir como castelo de cartas.

Muitos não questionam porque não desejam embaraçar lideres que amam, mas que provavelmente não saberiam responder a suas indagações. Vivem duas realidades diferentes, a do mundo cheio de especialistas e mestres em várias áreas e a da igreja com um líder amado e respeitado, mas que na verdade não domina as questões mais recentes. Questionar esse líder, procurar respostas aos dilemas modernos parece impossível. Só traria embaraço e dor. Então é melhor calar e viver com as respostas do mundo.

Muitos não questionam simplesmente porque não gostam de reflectir, não gostam de gastar tempo pensando. Como o povo de Israel lá no deserto, preferem que outro pague o preço de subir o monte e trazer a lei porque isso de meditar, reflectir, pensar, gasta muito tempo e dá muito trabalho. Querem a comidinha feita e servida e se contentam com o que conseguirem.

A questão principal diante disso deve ser: O que o Senhor pensa disso? Será que nosso Deus tem medo de nossas perguntas? Será que ELE se satisfaz com uma prática desprovida de entendimento? Será que ELE se contenta com seguidores limitados numa conspiração de silêncio, temendo as questões e as respostas? Creio que, biblicamente, a resposta clara é NÃO!

De Génesis a Apocalipse o Senhor respeitou e valorizou a reflexão e o debate. Nunca vemos o Senhor repreendendo o homem por perguntar. Nem sempre ELE respondeu, até porque, muitas vezes, o homem não entenderia as respostas. O próprio Jesus reconheceu, em certa ocasião, que seus discípulos não estavam capacitados para suportar as respostas (João 16:12). Por vezes se dá o mesmo conosco. No caso de Jó, por exemplo, o Senhor colocou a ele a situação nesses termos. Jó não podia entender o que se passava na esfera espiritual sendo limitado até na terrena. Mas o Senhor veio a ele, lidou com suas questões, deu-lhe uma satisfação, e o deixou elucidado. O facto de não podermos entender tudo não pode nos fazer desistir de entender o máximo que pudermos.

Paulo elogiou os moradores de Bereia exatamente porque não se deixavam levar por oratória, mesmo a mais inspirada, como no caso do Apóstolo. Os de Bereia questionavam, procuravam, debatiam, reflectiam e conferiam antes de aceitar (Atos 17:11). Isso não foi visto como falta de fé, desconfiança ou incapacidade, mas como algo valoroso e a ser imitado.

Escrevendo aos Coríntios Paulo incita os crentes a fazerem exame de si mesmos, a se questionarem: "Examine-se o homem a si mesmo..." I Cor. 11:28; "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos." II Cor. 13:5. Não fomos chamados a uma fé cega, a uma prática sem raciocínio, a uma vida cristã sem reflexão. Somos convidados a pensar, a questionar, a crescer na graça mas também no conhecimento (II Pedro 3:18) porque o Senhor deseja que todos os homens "cheguem ao pleno conhecimento da verdade" (I Timóteo 2:4).

Na Igreja de Cristo não pode ser proibido pensar, não pode haver conspiração de silêncio. Precisamos crescer em maturidade, aprendendo a fazer as questões pertinentes, a reflectir em conjunto, a buscar na Palavra as respostas para a Vida. Não tenhamos medo de usar o raciocínio que Deus nos deu. ELE nos dotou dessa capacidade como parte de sua imagem e semelhança. Deseja filhos amados, devotos mas conscientes, dedicados mas inteligentes, espirituais, mas também sábios. Louvemos a esse DEUS maravilhoso e ao nosso fantástico Salvador, o homem mais inteligente que já viveu na terra e sejamos seus seguidores nisso também.
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