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A Radicalidade da Coerência


 
Ser Radical já foi um dia algo negativo, mas hoje é moda e é sinonimo de fazer coisas ousadas e mesmo perigosas como desportos radicais ou outras coisas que colocam a vida em risco. Mas quando falo de radical não me refiro a manobras de carros em alta velocidade ou desportos que exigem muita adrenalina, mas de uma vida coerente. Vai sendo cada vez mais radical viver de forma coerente neste mundo. Deixem-me dar alguns exemplos:

Hoje se fala muito em liberdade. É mesmo um dos conceitos mais valorizados no mundo. Ser livre é essencial. Mas o que a cultura ocidental entende por liberdade? Será realmente liberdade no sentido verdadeiro da palavra? A liberdade moderna é no fundo uma falta de restrições. Ser livre significa fazer o que quero, como quero, quando quero e com quem eu quiser. Isso não é liberdade. É falta de princípios e moral; é viver como os animais, liderado por instintos e prazeres. A liberdade que se exige é a que vem com respeito e valorização do outro. Sem isso a vida fica insustentável.

Outro conceito muito valorizado é o da Tolerância. Provavelmente a maior crítica actual ao Cristianismo Evangélico é que é intolerante. Para o mundo, tolerância é a aceitação de toda e qualquer prática, escolha ou forma de vida. Ser tolerante é aceitar o homossexual, a lésbica, a prostituição, o aborto, a eutanásia activa, o uso de drogas leves, a mudança de sexo e outras coisas mais, consideradas modernas e próprias de quem tem a mente aberta. Quem não aceita isso é considerado retrógrado, ignorante, talvez mesmo estúpido e quem sabe até digno de ser eliminado (muito tolerante essa posição…)

É nesse contexto que somos chamados a ser coerentes e com isso, radicais. “Eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia” dizia Paulo ao escrever 2 Timóteo 1:12. Ele nos lembrava que “não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” Romanos 1:16. E nós queremos fazer coro com Paulo. Num mundo em que defender convicções é ser considerado teimoso, onde lutar por princípios de fé e ética é chamado de intolerante, onde defender a Fé Cristã e a Divindade de Jesus é dito loucura, nós somos radicais. Radicais como o próprio Jesus foi. E felizes em o ser.

Coerência é saber o que cremos e viver pela nossa fé e princípios. É não ser levado por cada correnteza ou vento novo que a moda dita mas estar firme em nossas convicções. É estar seguro do que se crê em vez de ser deixar dominar pelas opiniões que são impostas por supostas celebridades. É Conhecer o Deus que professo, saber porque creio nele e viver de acordo com isso cada dia e a cada decisão. Isso é coerência. Isso é radical. No mundo em que tudo é cada vez mais relativo, essa é a radicalidade da Coerência.

Infeção Hospitalar/ Eclesiástica


             A história é comum a qualquer consultório médico. O doente se queixa de ter apanhado uma infeção grave justamente onde deveria tratar de sua saúde. “Doutor” dizem com voz grave e ar acusador “fui lá com uma simples dor de garganta e saí com uma pneumonia bilateral” e em seguida conta o rol de tratamentos complicados e procedimentos dolorosos a que se teve de submeter para se livrar de algo que apanhou no ambiente hospitalar.
            Do ponto de vista da lógica, o ocorrido nem é tão estranho assim. Todos sabemos que o ambiente hospitalar é o mais infetado que existe. Afinal, praticamente todos que para li se dirigem levam algum tipo de problema físico e boa parte carrega germes, bactérias e vírus deixando depois o agente infecioso no ambiente. A probabilidade de um doente, já com as defesas baixas, adquirir algo nesse contexto é alta. Por isso mesmo os médicos procuram tratar os doentes ambulatoriamente e uma vez internados procuram diminuir o mais possível o tempo de permanência no hospital.
            Por outro lado, não deixa de ser um pouco estranho e até contraditório, que o local onde se vai buscar o tratamento seja a origem de tantas mazelas e por vezes mesmo de problemas que se tornam fatais. Se não posso confiar no hospital para me tratar e tenho que temer seu ambiente, fica difícil saber o que fazer quando estou doente. Isso se torna ainda mais evidente quando leio e descubro que boa parte dessas infeções hospitalares só se adquirem exatamente nesse ambiente e não as apanhamos em nenhum outro lugar.
            Ora, o que isso tem a ver com a igreja? Muito! Não é de hoje que se compara a igreja a hospitais. Assim como os hospitais existem para tratar os doentes, a igreja existe para ajudar a resolver a maior de todas as doenças, a do espirito. Assim como os hospitais tem gente preparada para lidar com os doentes a igreja deveria ser formada por ex-doentes prontos a compartilhar a cura com os que a procuram. Assim como no hospital se efetuam os tratamentos que restaurarão a saúde, na igreja se administram as bênçãos que restauram a alma e o espirito para a comunhão com Deus. Mas infelizmente as comparações não ficam por aqui. Se nos hospitais se corre o risco de adquirir infeções únicas e graves, também na igreja há riscos de se cair em pecados que fora dela seriam risco bem menor.
            São pecados próprios da realidade eclesiástica, que as pessoas de fora da igreja não experimentam mas que grassam no seu meio. Exatamente no lugar onde deveríamos lidar com nossos pecados e descobrir como nos livrar deles e de suas consequências, corremos o sério risco de adquirir pecados bem específicos e graves para nossa saúde espiritual. Pensemos em alguns dos mais comuns:
            Hipocrisia: talvez a mais comum das infeções eclesiásticas. E se é verdade que fora da igreja também vemos hipocrisia, a realidade é que a hipocrisia que vemos nela tem características únicas e é provocada exatamente pelo ambiente eclesiástico. Estamos falando daquele fingimento que ataca os crentes de modo particular. A vida dupla que se desenvolve naqueles que no domingo vestem uma roupa diferente (domingueira), falam uma língua própria (evangeliques), olham de um modo especial (altivez de santo) e se comportam como se fossem melhores que a maioria dos mundanos sem Jesus. Esse mesmo personagem gravemente infetado vive de segunda a sábado exatamente como o mundano que condena no domingo. Vê as mesmas novelas e filmes, surfa os mesmos sites pornográficos na net, usa a mesma linguagem pesada, conta as mesmas mentiras, engana igualmente nos impostos, mostra total descontrole do temperamento, reage e pensa como se Deus não existisse na prática. Mas no domingo o infetado parece sofrer de uma amnésia parcial e seletiva. Esquece de como viveu durante a semana e condena viva e brutalmente aqueles que fazem exatamente o que ele fez.
Ora essa hipocrisia é adquirida no ambiente eclesial. Trata-se de um conjunto de pressões que levam o individuo a sentir que precisa fingir para ser aceito. Talvez o primeiro caso registrado dessa infeção seja o de Ananias e Safira em Atos 6. O doente não percebe a gravidade de sua doença. Não entende que ela nega a graça de Deus e a comunhão dos santos. Desconhece que em sua progressão essa patologia leva à esterilidade espiritual e a falta total de comunhão com o Senhor.
Orgulho “Santo”: infeção próxima da anterior mas com sintomas um pouco diferentes. Trata-se da autojustificação de quem se esforça nas “coisas” de Deus, que se aplica na “obra” de modo por vezes sacrificial e que ocupa posições e cargos considerados importantes ou híper valorizados pelo próprio infetado. Esse orgulho leva o doente a achar que vale mais que todos, que a vida da igreja depende dele, que ninguém é capaz de se comparar a ele em importância e valor, que seu trabalho é insubstituível e que seu galardão será o maior de todos. Essa espécie de mania de grandeza espiritual afeta muitos crentes e é grave. Provoca ilusões e alucinações, leva por vezes mesmo a formação de seitas e outros grupos onde a infeção do portador inicial se torna uma verdadeira “peste negra” da igreja. São os donos da verdade. Os detentores da ortodoxia original ou então os descobridores da verdade final.
Essa infeção leva o doente a esquecer que tudo vem de Deus, que a graça é sempre soberana, que nada temos que não tenhamos recebido, que o corpo de Cristo é composto por muitos membros e todos são valiosos e necessários. Essa infeção cega o doente para o valor de seu irmão, torna-o surdo para a verdade proclamada pelo outro, e fecha o raciocínio para tudo que não seja de origem própria. Nas fases finais costuma levar a afastamento da igreja e eventual morte espiritual.
Exclusão: Esta outra infeção é também comum em meio eclesiástico e muito triste porque nega a verdade bíblica e a própria razão de ser da igreja. Trata-se de uma forma de depressão gravíssima que atinge aqueles que uma vez na igreja se vem cercados por orgulho, vaidade e que são excluídos de certos grupos “superiores”. Tendo vindo do mundo onde não percebiam o amor de Deus, esses doentes encontraram na igreja a fonte da graça Divina. Mas depois, com o tempo de convivência, perceberam o pecado na igreja, a hipocrisia dos crentes, a falta de amor da maioria, o egocentrismo de boa parte dos “irmãos” e entraram em confusão. Se no lugar onde se diz conhecer a Deus e receber os ensinos de Jesus se vive assim então não deve haver saída. O doente entra em desânimo profundo, afasta-se desiludido e acaba por ser um caso muito difícil de recuperar porque já experimentou todos os tratamentos e se tornou imune a eles.
Neste caso há falta de clareza de pensamento. Por vezes expectativas altas demais. É comum julgar-se o todo por um ou dois indivíduos e as generalizações, sempre perigosas, tomam conta do raciocínio levando ao desespero e a falta de esperança numa solução. Por fim a cegueira impede que o doente veja qualquer sinal da graça por mais evidente que seja e a anemia espiritual atinge a gravidade máxima.
Conclusão: talvez alguém me ache exagerado nessas descrições. Gostaria muito que tivesse sido só isso. Infelizmente infeção hospitalar e a sua congénere eclesiástica, são coisas muito sérias e precisam de ser tratadas como tal. Como em quase todos os casos o reconhecimento é o primeiro passo. Precisamos identificar as situações de pecados próprios da igreja e combatê-los de modo proactivo.
Para a hipocrisia o tratamento é a humildade;
para o orgulho é a imersão na realidade do corpo de Cristo;
para a exclusão é a realização da graça extraordinária mesmo no meio das falhas e fraquezas.
Humildade se ganha servindo; a realidade do corpo se adquire percebendo a diversidade de dons e apreciando os talentos de todos; a verificação da graça se percebe não deixando que o maligno nos encha com as mazelas dos outros mas ouvindo e louvando pelas bênçãos em tantas vidas transformadas.
Infeção eclesiástica esta aí. Esteja atento e combata já!

Graça Barata


Creio que foi o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer que tornou esta expressão conhecida em sua obra “Discipulado”. Dizia ele já em 1937 que “a graça barata é a inimiga mortal de nossa igreja”. Como toda voz profética, suas palavras continuam sendo atuais hoje. O evangelho facilitado e a graça banalizada têm dado forma a um cristianismo sem força, mercantilista e sem relevância para o mundo que nos cerca. Temos que denunciar essa corrupção e lutar pela verdade da Graça Divina revelada nas escrituras.

Pregadores, bispos e apóstolos auto-instituídos proclamam uma graça sem valor com o nome de evangelho. Uma graça em que nada resta ao homem a não ser contribuir com certas quantias para alimentar esses ministérios e tudo o mais será perdoado. Trata-se do reavivar das indulgências medievais que levaram à Reforma de Lutero. A salvação e o céu estão em saldo e cabe aos cristãos bíblicos, conhecedores da Palavra, gritar bem alto o quanto nos custou a redenção.

Graça barata é perdão sem arrependimento. Uma mensagem supostamente evangélica, mas que foge da palavra “pecado” porque não é moderna ou porque incomoda. Oferecem perdão sem exigir reconhecimento do erro e mudança de mente. Mas a forma original do evangelho de Jesus em seus primórdios foi exatamente “arrependei-vos e crede” (Marcos 1:15). Não pode haver perdão verdadeiro enquanto o pecador não enxerga seu pecado em toda sua malignidade e não cai em si diante da sua própria culpa, vergonha e necessidade de condenação. Sem arrependimento não há confissão; sem confissão não há perdão.

Graça barata é salvação sem transformação. Pessoas famosas e menos famosas afirmam ter se convertido mantendo seu estilo de vida cheio de luxúria, mentira e ganância. Continuam pecando descaradamente, desonrando o nome de Jesus, mas declaram confiadamente que estão salvos. Profetas falsos anunciam que isso é normal, que a graça nos alcança sempre independente da vida que vivamos. Mas na Bíblia a salvação anda de mãos dadas com uma mudança radical de vida. O Salvador salvou a mulher pecadora, mas também lhe disse: “vai e não peques mais” (João 8:11) e o apóstolo entendia a vida em Cristo como nova já que “quem está em Cristo nova criatura é, as coisas velhas já passaram eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17). Salvação sem mudança de vida é farsa e enganação.

Graça barata é bênção sem soberania. Anunciadores de um deus menor fazem promessas que a Bíblia nunca fez, apregoam prosperidade que a Bíblia não garantiu e dão ordens a seus espíritos, anjos e potestades para que abençoem com ou sem obediência numa subversão da ordem que a Palavra claramente mostra. Mas na Bíblia soberano é o Senhor. Dele é a terra e a sua plenitude, Salmo 24:1. Ele anuncia as bênçãos mas deixa claro que há que escolher bem entre bênção e maldição e que a obediência é requisito “sine qua non” para a bênção (Deuteronomio 28:1 e 2). O Senhor que promete sarar a terra também lembra que só o fará “se seu povo se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se afastar de seus maus caminhos” (II Crónicas 7:14). O Deus da Bíblia não recebe ordens, não deve nada a ninguém e não se submete a barganhas de mercado.

Graça barata é vida cristã sem discipulado. Há gente pensando que pode viver a vida cristã a seu bel-prazer, do seu próprio jeito, sem qualquer diferença das vidas dos que os rodeiam e andam sem Jesus. Mas o Cristo do Novo Testamento deixou claro que se alguém quiser segui-lo, tem que “negar-se a si mesmo, tomar cada dia a sua cruz e segui-lo” (Marcos 8:34). Ele nos chamou a ser discípulos e servos o que implica dependência, obediência e auto-negação. Paulo se dizia morto para tudo que não fosse Jesus, “para mim o viver é Cristo” (Filipenses 1:21). Ser Cristão é ser discípulo de Jesus. Receber dEle a instrução para cada aspecto da Vida. Dirigir cada passo de acordo com os padrões e os princípios que Ele nos deu. Vida Cristã sem isso é mera religião sem vantagem ou benefício.

Graça barata é libertação sem responsabilidade. Gente que proclama estar liberta sem ter assumido um compromisso sério com Deus. Trocando apenas a dependência do maligno pela de um líder carismático ou um ministério supostamente poderoso. Há libertação em Jesus e só nele, mas que implica conhecer a verdade e se comprometer com ela. O liberto aprende a viver com Deus e só assim mantém a casa limpa e arrumada e cheia do Espírito Santo de Deus. De outro modo as libertações alardeadas são apenas show para dar ao maligno mais tempo de antena enquanto as almas continuam escravizadas.

Jesus recebeu a coroa de Glória, mas antes veio a cruz. Não houve coroa sem cruz. Graça barata é pular essa etapa, é querer a ressurreição sem a sexta-feira, é querer a Glória do monte sem a dor do calvário. Como dizia Bonhoeffer, “não pode ser barato para nós aquilo que custou tão caro para Deus”. Louvemos a maravilhosa Graça que nos salvou, mas entendamos que biblicamente ela vem com responsabilidade, discipulado, obediência e dedicação de vida.

Crime e castigo?


A notícia chocou o país. Trouxe inquietude e ansiedade a cidade e ao bairro onde trabalho. Um homem foi baleado junto ao caixa multibanco de um posto de gasolina em frente da esposa que tentava proteger. O assassino que o matou a sangre frio afastou-se tranquilamente e sem medo. Isso talvez nem fosse notícia de primeira página no Rio de Janeiro, em Joanesburgo ou em New York, mas na Reboleira é. Todos ficam indignados e prontos a condenar. O crime é evidente. E o castigo? O que diz a filosofia moderna que vai dominando os meios de comunicação e a vida citadina?
A filosofia vigente atualmente é dominada pelo evolucionismo, relativismo, pluralismo e pragmatismo. Tudo isso nos é imposto como a verdade do homem moderno. Diante desses princípios como julgar o assassino? Na verdade, segundo essas filosofias ele nem deveria ser julgado. Vejamos porque:
Primeiro porque o crime foi cometido em certo contexto social. A psicologia nos explicaria que o assassino é na verdade produto da sociedade em que vivemos e do meio em que foi criado. Culpados talvez sejam seus pais, seus avos, sua escola, seu bairro, ou o próprio governo que não lhe proporcionou condições melhores. Ele precisaria de uma boa medicação e psicoterapia e não prisão. (É claro que neste caso a psicologia dirá que há também responsabilidade pessoal... mas na verdade não se pode defender posições diferentes só quando nos parece mais interessante. A posição oficial da psicologia é a que citamos.)
Segundo, ele não merece condenação porque é fruto da evolução. Segundo esta, os mais fortes sobrevivem. Os mais capazes seguem adiante. Se o criminoso se saiu tão bem é porque está mais bem adaptado a nova realidade. A vítima é que falhou porque não desenvolveu capacidades para reagir as novas necessidades e desafios. O assassino que escapa impune é produto de uma evolução requintada que o preparou para isso. (É claro que os evolucionistas nos dirão que a teoria não serve para isto. Mas a teoria não é ética ou social, fala de algo puramente físico, químico e biológico e as conclusões não levam em conta a moral ou a psique do homem. Logo, a explicação que demos é plenamente válida na evolução e fala do progresso do homem na sociedade urbana moderna.)
Terceiro, o castigo não tem cabimento porque vivemos num mundo de relativos. Somos chamados a não estabelecer dogmas ou verdades. Tudo é relativo. Num mundo assim não há moral, ou melhor, há muitas morais e a de cada um é tão válida quanto a do outro. Não se deve classificar de bom ou mal porque isso também é relativo. Esse mundo que aceita o aborto e a eutanásia como naturais, não pode condenar o homicídio. Simplesmente não é coerente. Segundo o relativismo não se pode classificar o assassino de mal. A verdade dele é essa. (É claro que o relativista nos dirá que aqui isso não se aplica e que na verdade há coisas que são más em absoluto e essa é uma delas... o que só prova a incoerência da posição. O relativista não quer ouvir do cristão porque o julga pernicioso e dogmático, mas quer ver punido quem lhe faz mal e elogiados seus esforços. Incoerência máxima. Devemos viver pelo que defendemos ou então reconhecer que não é realmente válido.)
Quarto, o assassino não deveria ser condenado porque na visão pragmática moderna, ele só comete o crime porque o crime compensa. O ato praticado, de acordo com as filosofias modernas do pragmatismo, funcionou, trouxe vantagem a quem o praticou, logo foi inteligente e superior. Como condenar então o crime? (É claro que o defensor do pragmatismo dirá que a filosofia só serve para coisas boas e não para fazer o mal. Mas novamente se nota a incoerência. Se dá certo, se funciona, se traz vantagem, como pode ser mal? isso exige uma moral, um princípio definido de certo e errado, e isso é contrário ao próprio conceito do pragmatismo.)
Que não fique nenhuma dúvida. CREIO QUE O ATO PRATICADO FOI UM CRIME HEDIONDO E DEVE SER PUNIDO. Essa é a minha posição. Mas eu a tenho porque sou cristão assumido e não advogo as filosofias modernas. Creio na necessidade da punição porque:
Primeiro, o homem é criação de um Deus de amor e bondade. Foi feito a imagem e semelhança de Deus e tem todas as condições de viver em paz com Deus e seu próximo, e se não o faz, a isso se chama pecado, e biblicamente o salário do pecado é a morte.
Segundo, o homem foi criado e é livre para escolher. Independentemente de sua criação, pais, meio ambiente, escolas, etc., ele tem condições de optar pelo bem e não pelo mal. Tem as condições e o dever de o fazer. Se opta pelo mal deve também estar preparado para lidar com as consequências disso. Há multidões de exemplos de pessoas criadas em condições muito difíceis e que se tornaram pessoas de bem. A sociedade e a criação podem explicar mas não desculpar o crime.
Terceiro, há regras, leis e princípios morais universais e que não podem ser mudados ou trocados conforme meus desejos ou vontades. Matar é errado, seja no caso em foco, seja um bebé por nascer, seja um idoso com doença terminal ou um doente mental. Creio que essas leis são universais e que há distinção clara entre bem e mal que serve para guiar nossas vidas.
Quarto, as coisas não se tornam certas só porque funcionam ou me trazem vantagem, mas se são moral e espiritualmente certas, se agradam ao meu Criador e servem de bênção para o meu próximo. Esse é um princípio cristão e vai contra o pragmatismo frio da modernidade, mas condena o assassino por seu ato criminoso.
Uma filosofia ou forma de vida deveria ser avaliada pela sociedade que cria. As filosofias modernas com ênfase na evolução, relativismo, pluralismo e pragmatismo têm criado uma sociedade em que o homem é egoísta e egocêntrico, vive para seu bem e seu prazer e onde a criminalidade cresce a medida que a solidariedade diminui. Seria bom olharmos para isso antes de fazer decisões e optar pela nossa forma de viver. Não é coerente aceitar as filosofias modernas para depois pular para princípios cristãos quando nos der mais jeito.
Jesus é o caminho, a verdade e a vida, para ontem, para hoje e para amanhã. Conhecê-lo como salvador e Senhor da vida é a melhor maneira de viver e, na verdade, a única que realmente fará sentido nesta vida e na próxima.

Cristianismo sem Cicatrizes


Quando a segunda guerra mundial se aproximava do fim e as bombas aliadas castigavam as cidades alemãs, Stuttgart foi uma das mais danificadas. Era ali que vivia e ministrava Helmut Thielicke. E foi aí, no meio dos destroços do templo de sua congregação que ele liderou os crentes em adoração e pregou uma dês suas mais famosas series de sermões. Aquele era uma igreja que conhecia a realidade de louvar nas ruínas. Um conceito desconhecido da igreja ocidental moderna.
 O evangelicalismo atual cedeu à tentação da promoção rápida e do marketing feroz com sua promessa de crescimento imediato. É comum ouvirmos hoje os pregadores da palavra usarem a linguagem da propaganda de modo descarado anunciando o evangelho como se fosse mais um produto e o cristianismo como outra tendência de mercado. Há uma valorização máxima do desconforto e da insatisfação para então se anunciar a cura rápida, a prosperidade instantânea e a salvação barata de um evangelho que perdeu acutilância e verdade. Talvez o maior problema da propaganda nem seja tanto que cria necessidades artificiais mas que atua nos desejos naturais dos seres humanos explorando essas carências e levando a expectativas imediatistas e exageradas.

E logo temos um cristianismo sem medula, sem fibra. Crentes que desconhecem a Bíblia ou qualquer ideia de disciplina espiritual mas que estão prontos a citar textos desconexos e fora de contexto para justificar suas expectativas exageradas. São crentes que reclamam da qualidade do serviço divino quando qualquer dificuldade surge e voltam as costas à Igreja assim que seus desejos deixam de ser cumpridos.

Um Cristo sem cruz, uma salvação sem expiação, uma fé sem prova, uma vida sem teste, para um mundo sem pecado pode nos dar uma filosofia de auto-ajuda mas não Cristianismo. Esse cristianismo sem cicatrizes não conhece a angústia de Job, o silêncio expectante de Abraão, as lamentações de Jeremias e as marcas no corpo de Paulo. Desconhece que “no mundo tereis aflições” (João 16:33) e que “todos quantos querem viver piedosamente sem Cristo Jesus serão perseguidos” (II Timóteo 3:2).

Os propagandistas da fé "marketeira" são rápidos em nos lembrar que somos filhos do rei, mas esquecem de acrescentar que o reino não é deste mundo (João 18:36). Eles gostam de citar as promessas divinas mas esquecem de dizer que a maioria delas é condicional. Citam repetidas vezes que Jesus tomou nossas dores e enfermidades mas ainda assim morremos de câncer. Simplesmente não há como evitar todo o dano colateral do pecado neste mundo.

O mundo no qual vivemos jaz no maligno. É um mundo caído no pecado cujo salário é a morte. A criação geme sob esse peso e a sua libertação é algo futuro. Não podemos fugir dos efeitos do pecado particular e nem do pecado geral da nossa raça. Prometer o contrário é falácia. A salvação que nos liberta da condenação não nos transporta instantaneamente para o paraíso. Ainda temos que guerrear com o inimigo, o mundo e a carne.

A intimidade com Deus que se anuncia em cânticos espirituais que tomaram nossas igrejas falam de tocar no Senhor e sentir a sua presença, mas temos que lembrar que esse relacionamento é único e diferente de tudo que temos neste mundo. A verdade é que nem sempre “sentimos” o Senhor, que não podemos tocar em suas vestes, e que na maioria das vezes que oramos a sensação clara é de que se trata de um monólogo. Isso não é desvalorizar todas as maravilhosas respostas de oração que temos mas tirar o crente das expectativas que prometem faze-lo andar nas nuvens com o Pai quando isso não vai acontecer.

 A transcendência de Deus é bíblica e parte importante da sã doutrina. Ele não é nosso coleguinha e não está a espera de que peçamos algo para sair correndo a cumprir nossos desejos. Lidamos com um Deus Santo, Poderoso, Transcendente e Majestoso a quem devemos honra e reverencia, temor e tremor. Os servos do Senhor que tiveram um vislumbre de sua Glória, não correram para abraça-lo, antes caíram com o rosto em terra como mortos. O Temor do Senhor ainda é hoje o princípio da sabedoria.

 Não queremos com isso tirar a alegria da fé cristã mas torná-la realista. Não desprezamos a intimidade, mas apelamos à sua verdadeira expressão. Não retiramos da vida em Cristo sua excelência antes recordamos que traz também suas cicatrizes, dores e lutas. Negá-las ou deixar de as entender é fugir da essência da fé. O Cristão verdadeiro não é o que se vangloria da prosperidade mas o que pode dizer como Paulo que sabia viver em qualquer circunstância porque era capacitado por Deus. O verdadeiro crente não é o que sempre obtém o que quer mas aquele que pode afirmar como Habacuque que “ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide... todavia eu me alegrarei no Senhor e exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17 e 18).

Os Efeitos do Cristianismo na História (Porque Sou Cristão - capítulo III)

Sou cristão por causa do efeito extraordinário do Cristianismo na História.

Os inimigos da fé deleitam-se em enumerar os crimes da Igreja. Dizem que tudo o que foi feito em nome de Deus deve ser atribuído àIgreja e a Cristo, independentemente de ter sido feito no espírito da fé e ética Cristã ou não. Falam das cruzadas como crime em nome de Deus, esquecendo que foi muito mais um movimento político e que foi iniciado pela agressão das tropas muçulmanas que destruíram toda a civilização cristã do médio oriente e norte de África e que ameaçavam a Europa. Falam da inquisição e da caça às bruxas como um crime indizível e concordamos com eles, pois muitos abusos foram cometidos. Mas, quando lhes falamos dos crimes do ateísmo cometidos por regimes como o de Stalin ou Mao Tse Tung, já se descartam dizendo que esses ditadores não estavam agindo de acordo com a filosofia ateísta.

O suposto "jogo" não pode ser assim. Se os crimes da Igreja têm que ser contados, e são certamente dramáticos, os do ateísmo também. Calcula-se que cerca de 100 mil mulheres e homens foram mortos na caça as bruxas e os registros falam de cerca de 4 mil execuções pela inquisição. São números lamentáveis e revelam grandes injustiças. Mas, então, o que dizer dos 43 milhões de mortos no regime ateísta de Stalin, dos 77 milhões eliminados por Mao Tse Tung e dos 2 milhões assassinados por Pol Pot? Parece que os regimes que baniram Deus se tornaram muito mais criminosos que qualquer coisa atribuída à Igreja.

Mas deixemos de lado os crimes por um pouco de tempo. Pensemos no bem que o cristianismo tem feito? É engraçado notar que os inimigos da fé preferem esquecer ou negar esse bem, mas os mesmos gozam da liberdade que o Cristianismo trouxe para a sociedade ocidental. Se na batalha de Tours, Carlos Martel não tivesse derrotado os muçulmanos talvez a Europa fosse islâmica e aí onde estariam esses pensadores? Nunca teriam nascido, ou nunca teriam liberdade para falar. Eu sou Cristão porque a fé trouxe avanços colossais para a humanidade.

O Cristianismo defendeu o casamento e a família de um modo único. Numa era em que a família caía cada vez mais em descrédito no mundo romano a fé cristã elevou o casamento e a família. A união entre o homem e a mulher foi colocada ao nível do amor de Cristo pela Igreja dando base entre outras coisas para o nascimento de todo um movimento romântico e de valorização da mulher. A mulher que era desprezada e desvalorizada em todos os regimes de então e que até hoje sofre sob religiões como o islamismo e o hinduísmo foi levada a posição de igualdade com o homem e de destaque pela igreja de Jesus.

As crianças foram amadas por Jesus num mundo onde o infanticídio era comum e banal, onde os pais podiam rejeitar e mandar matar as filhas pelo simples fato de serem meninas já que as crianças eram mera propriedade. Na Igreja de Cristo os pais foram instruídos a educar seus filhos com amor e lhes dar valor. Sempre que uma cultura deixou de valorizar a família acabou por ruir. A restauração da família foi a base da sociedade europeia até hoje e só será diferente no futuro porque a Europa e o ocidente, rejeitando o cristianismo, estão levando a destruição da família e renovando o infanticídio em milhões de abortos anuais.

O Cristianismo desde a origem defendeu uma responsabilidade civil estrita. Os cristãos foram sempre orientados a serem cidadãos exemplares e obedientes. Jesus instituiu a liderança serva, um conceito revolucionário que levou entre outras coisas a instituição de ministros (palavra que significa servo) como pessoas de liderança. Pena que nossos ministros de hoje não entendam a base cristã de sua posição que é o serviço ao povo.

O Cristianismo defendeu e instituiu a compaixão em todas as áreas da vida. Em vez de ódio e vingança aos adversários Cristo anunciou o amor mesmo ao inimigo. No intuito desse mandamento surgiram hospitais, casas de repouso, orfanatos e outras instituições de caridade. Na origem da maioria delas está a misericórdia cristã. Até hoje, se virmos as listas de doações dos países do mundo ainda veremos que os que têm base cristã são mais generosos que os demais. Podem nem perceber, mas suas raízes cristãs os levam a ver a necessidade de ajudar o próximo algo que não existe em outras crenças. Foi um famoso ateu como Nietzsche que reconheceu que " a vida e os valores do ocidente estavam baseados no Cristianismo". Retire a base cristã e os valores irão com ela. É isso que temos visto acontecer na Europa pós-cristã. Afinal, o Cristianismo elevou a humanidade dando-lhe valores únicos.

Foi a fé cristã mais que qualquer outra que lutou pela igualdade dos homens (um conceito que Nietzsche chamava de insano). Documentos de importância capital para a história moderna como a Declaração de Independência dos Estados Unidos ou a Declaração dos Direitos do Homem aprovada nas nações Unidas em 1948 tiveram como base princípios cristãos. A Igreja é acusada de tolerar a escravidão mas a verdade é que o movimento abolicionista foi liderado por Willian Wilberforce, um cristão convicto e dirigido por cristãos de vários quadrantes e é no mundo cristão que essa instituição foi banida enquanto ainda hoje persiste em outras partes do mundo onde a existência de escravos é considerada normal e mesmo uma lei. Foi Martin Luther King, um pastor batista, que liderou o movimento que culminou com a queda do segregacionismo nos EUA. A Fé tem ajudado a melhorar o mundo.

Foi o Cristianismo que insistiu em colocar o homem e a mulher em pé de igualdade em relação ao divórcio. Foi a Igreja que trabalhou para a liberdade de expressão. Se houve momentos na história em que certos líderes da igreja procuraram calar certas vozes, essa não foi a prática corrente e nem a visão cristã bíblica. Aqueles que hoje de modo tão aberto ofendem os cristãos e caluniam a fé, só o fazem porque vivem em países onde o Cristianismo tornou isso possível. Seria interessante vê-los ter a mesma atitude num país islâmico ou ditatorial.

A Igreja é acusada de impedir o avanço da ciência, mas a verdade é que foi a igreja a estabelecer o domínio do ensino. Os princípios da ciência foram determinados por cristãos. O método científico foi divisado por Francis Bacon, um cristão devoto e a grande maioria das escolas foi estabelecida pela Igreja. Robert Grosseteste, bispo franciscano foi o primeiro chanceler da Universidade de Oxford e a maioria das universidades iniciais da Europa estavam ligadas à igreja como em Paris e Bolonha. Universidades famosas nos EUA como Harvard, Yale, Princeton, Darthmouth e Brown começaram como instituições cristãs para o treinamento de pregadores. Os maiores nomes da ciência ao longo da História como Copérnico, Kepler, Galileu, Descartes, Boyle, Newton, Gassendi, Faraday, Lavoisier, Ampére, Pasteur, Planck e Mendel, foram cristãos praticantes e dedicaram suas obras a Igreja e a Deus. O diretor atual do projeto Genoma, um dos maiores programas científicos mundiais, Francis Collins, escreveu um livro intitulado "A linguagem de Deus" para defender sua fé cristã. A verdade é que o Cristianismo fez a ciência possível.

Se quisermos pensar em Filosofia também o Cristianismo estará a frente. Mentes brilhantes como as de Agostinho de Hipona, Tomas de Aquino ou Pascal foram cristãos devotos. A Igreja estimulou o pensamento e a reforma protestante incentivou a liberdade de pensamento e critica individual. Devemos notar que o hinduísmo e o budismo não têm teólogos e o islamismo tem teólogos que são na verdade juristas. A fé cristã nunca abdicou da razão mas a viu como dádiva de Deus a ser usada para sua glória também.

Se pensarmos em arte também teremos que reconhecer que muitas das mais extraordinárias obras de arte foram inspiradas pelo Cristianismo. Pensemos em pintura e logo vem a mente a Capela Sistina, a última ceia de Da Vinci, pensamos em escultura e visualizamos a Pietá de Michelangelo, pensamos em música e lembramos do Aleluia de Handel ou Jesus é a Alegria dos Homens, de Bach, pensamos em arquitetura e nos vem a mente catedrais magníficas espalhadas pelo mundo, pensemos em literatura e lembramos O Peregrino de Bunyan, as alegorias de C S Lewis ou a obra tremenda de Tolkien. A Fé Cristã tem inspirado artistas ao longo de séculos e tem dado trabalho a génios que de outro modo talvez nunca fossem descobertos.
Sou então Cristão porque além de Jesus me dar razão de viver e me garantir uma esperança na vida futura, sua Igreja tem lutado para tornar este mundo melhor e graças a ela o mundo é bem melhor do que seria se não existisse a fé e o cristianismo não fosse real. Se alguém desejar ler livros que ajudam a refletir de forma séria sobre o valor da fé cristã recomendo: "A Verdade sobre o Cristianismo" de Dinesh D’Souza e "Verdade Absoluta" de Nancy Pearcey.
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