Thank God it's Friday!

MALDITO TRABALHO!!?
O individuo parecia transtornado. Os músculos da face tensos e contraidos enquanto por entre os lábios saía o impropério: "se um dia encontrar quem inventou o trabalho dou-lhe um tiro nos miolos!"  Assisti a cenas parecidas com esta por mais de uma vez. Era um desabafo contra uma atividade penosa que servia apenas para sustentar a familia.

Outras expressões menos dramáticas, mas igualmente contrárias ao trabalho são as que vemos nas tiras de banda desenhada do gato Garfield onde ele confessa: "I hate mondays" (Detesto segunda-feira) ou "Thank God it´s friday" (Graças a Deus é sexta).  Todas essas expressões servem para transmitir a mesma mensagem: o trabalho é algo detestável do qual todos nos queremos ver livres!  Será essa a visão biblica e cristã do assunto?

Devemos começar por reiterar que o cristão deve ter uma cosmovisão guiada pela Biblia em todas as coisas. A vida cristã não pode ser apenas a que se vive em algumas horas no domingo ou em dias sagrados, mas deve ser a vida diária que engloba todas as atividades que desenvolvemos.  Uma fé que não diga respeito ao meu trabalho será de pouco valor. Se gasto a maior parte do meu tempo trabalhando então minha fé deve ter algo a dizer sobre isso ou não será uma fé relevante! 

Encurralar meu cristianismo aos domingos é destituí-lo de toda influência prática e
real na minha vida! 

Logo, minha fé tem que me falar de meu trabalho.   E o que aprendemos na Bíblia sobre o trabalho?

1) O Trabalho precedeu o pecado na História Humana

Biblicamente, o trabalho aparece antes do pecado.  Deus criou o homem e o colocou no jardim para que cuidasse dele e dos animais. O primeiro homem foi jardineiro, agricultor e criador de animais. Essa atividade era plena, ocupava os dias de Adão e Eva e representava uma boa utilização das capacidades com que o Criador os dotou.   Logo, sendo algo original ao homem, estava inicialmente em estado puro. O trabalho não veio como castigo por causa do pecado como pensam alguns, mas o precedeu com o intuito de dar ao homem propósito e realização.

2) O Trabalho foi instituído por Deus
Segundo Genesis 1 e 2,  foi Deus o inventor do trabalho.  O Criador conhecia a criatura como ninguém.  Deus trabalhou e ainda hoje trabalha, criou o homem à sua imagem, logo, criou um ser trabalhador.  Deus deu ao homem trabalho especiífico e esse mandato precedeu todos os outros inclusive os da era da Igreja.  Aqueles que se insurgem contra o trabalho em si, se rebelam contra Deus.   Aqui não discutimos a existência de trabalho escravo, de trabalho injusto, de trabalho infantil ou mal remunerado(fruto do pecado e da ganância dos homens).  Falamos do trabalho como instituição!  Do trabalho honesto, que serve para sustento próprio e para prover outros.  O trabalho como tal, foi criação de Deus para valorizar e honrar o homem e por isso mesmo nenhuma cultura do mundo até hoje honrou o preguiçoso.

3) O Trabalho foi valorizado nos 10 mandamentos
Sabemos que o decálogo tem as bases de toda a lei.  Nesses 10 mandamentos encontramos o resumo daquilo que seria o guia prático para o povo de Israel.  No oitavo e no décimo mandamentos há uma clausula de proteção a propriedade privada que nos mostra o valor do trabalho. Na lei estipulada pelo Senhor há regras especificas para salvaguardar aquilo que é fruto do trabalho do homem.

4) O Trabalho era muito valorizado pelo povo de Deus
Na cultura judaica resultante da orientação divina o trabalho sempre foi valorizado. Todo menino judeu deveria aprender uma profissão mesmo que depois se dedicasse a outras atividades mais intelectuais. Isso demonstra a importância do trabalho para o povo de Deus.

5) Jesus e os lideres Cristãos foram trabalhadores
Todos sabemos que Jesus foi carpinteiro.  Até os 30 anos ele exerceu essa profissão que aprendeu de seu pai terreno dando assim uma visão elevada do trabalho humano. O Criador feito criatura não rejeitou a vida de trabalho.  Os apóstolos de modo geral eram homens simples de trabalho que o Senhor chamou para a missão.  Paulo manteve sua profissão como fazedor de tendas e em boa parte de seu tempo, mesmo como missionário, ele se sustentava com sua atividade profissional.

Ainda a propósito da vida de trabalho de Jesus será interessante lembrar o episódio de seu batismo.  Deus o Pai falou do céu "Este é meu filho amado, em quem me comprazo!"para referir seu contentamento com Deus o Filho.  Fica a questão: Por qual milagre o Pai exaltou o Filho?  De que sermão falava Deus ao elogiar Jesus?  Na verdade, o seu ministério público ainda estava por começar, logo,  o contentamento do Pai não se referia a nenhum milagre, maravilha ou mensagem.  O Pai estava feliz com Jesus, que até então vivera como um simples carpinteiro, honesto, trabalhador, sustentando a familia e vivendo um testemunho de profunda comunhão com o Pai.  Seria bom meditarmos nisso.

6) O Ensino bíblico incentiva o trabalho
Muitas das parábolas de Jesus acontecem no ambiente do trabalho.  A famosa parábola dos talentos diz respeito ao galardão de trabalhadores esforçados.  As epístolas seguem nessa linha e Paulo incentiva mesmo os escravos a serem bons trabalhadores e darem exemplo como servos dedicados.  O trabalho recebe nas escrituras uma posição destacada como parte fundamental da vida.  Na verdade, o trabalho é um dos modos mais importantes de expressarmos nosso caráter e personalidade.  Um mal trabalhador dificilmente convencerá as pessoas de que é uma boa pessoa.  Minha forma de encarar e viver minha vida de trabalho certamente revela muito de quem eu sou. por isso a Biblia incentiva o crente a ser um bom trabalhador.

_ Se o trabalho é assim tão valioso e de origem divina, então por que é que hoje temos uma visão tão negativa do trabalho?

- Os gregos faziam uma dicotomia marcante entre o material e o espiritual.  Uma das correntes mais fortes da filosofia grega apresentava tudo o que é matértia como negativo e mal.  Nessa visão, o trabalho físico perdia valor em relação ao espiritual.  O Cristianismo bebeu nessa fonte, passando a considerar o trabalho do espírito (pregação, ensino, serviço religioso) como mais valioso que o do corpo.  Isso contribuiu bastante para uma visão negativa do trabalho no mundo de cultura judaico-cristã.

- O pecado contaminou tudo, inclusive o trabalho. Quando pecou, o homem perdeu a comunhão com Deus e nessa perda se foi o propósito para a vida, que incluía o trabalho.  O homem sem Deus não tem razão para viver e se vê como fruto do acaso.  Nessa perspectiva o trabalho é verdadeira prisão que nos impede de aproveitar a vida.  Surge uma visão negativa do trabalho.

- A mentalidade de consumo e lazer que impera hoje incentiva o entretenimento em detrimento do trabalho.  O homem moderno vê o trabalho como aquilo que tem que fazer para poder ter dinheiro para gastar em coisas e em serviços que lhe tragam prazer e bem estar.   Nessa perspectiva o trabalho é novamente o vilão que nos rouba a melhor parte da vida.  A aposentadoria se torna a terra prometida, um período em que não precisaremos fazer nada que não queiramos e vamos gozar a vida.  Muitos, senão mesmo a maioria, descobre tempos depois que era mais feliz quando trabalhava e não sabia...

_Qual deve ser a posição do cristão sincero diante do trabalho?


Propósito: Deus nos criou com um propósito e para tal nos dotou de talentos e virtudes. Devo entender como fui criado, desenvolver minhas habilidades e usa-las para experimentar toda a razão da minha existência. Dou glória a deus como Criador quando cumpro minha missão na terra trabalhando de acordo com as caracteristicas que deus me deu. Uns serão bons para certas coisas, outros para outras. Podemos e devemos todos encontrar alegria e realização no que fazemos.

Honra: O trabalho honesto deve ser valorizado e honrado no meio cristão e no seio da igreja. Não devemos cair na mentalidade errada de desacreditar certos tipos de trabalho. Precisamos de todos para viver melhor e a igreja deveria estar na linha da frente na preservação da dignidade do trabalho.

Bênção: Se estou a trabalhar naquilo em que sou bom, porque Deus me criou assim, então vivo para a glória de Deus e posso ser bênção para os demais!  Por exemplo: um pintor de parede:  num mundo escuro, sujo e sem graça por causa do pecado, o pintor pode se ver como aquele que traz vida, cor e alegria.  Depois de terminar seu trabalho, um lugar que antes era feio e sem vigor pode ter graça, beleza e animar os espíritos. O pintor pode se ver como sócio de Deus no propósito de recuperar as cores que o pecado manchou.

Eu sou médico. Entendo que a doença não fazia parte do plano de Deus para o homem e surgiu como consequência do pecado. Quando luto contra a enfermidade e trabalho para a saúde entendo que estou engajado na tarefa Divina de recuperar o homem por inteiro.

Cada profissão pode entender sua atividade como uma sociedade com o Criador na restauração da Criação e desse modo cada profissional passa a ser um agente de salvação na terra.  Essa visão madura e abençoada do trabalho deveria encher o coração de cada cristão. Como seria diferente um trabalho feito assim!  Deixe-se contagiar e contagie outros com essa visão e estaremos trabalhando por um mundo melhor para a glória de Deus!

Joed Venturini

Meu avô, Pr. Reis Pereira

Dia 15 de outubro completará o 20o aniversário da morte do pr. José dos Reis Pereira, diretor do Jornal Batista por 24 anos, pastor, jornalista e professor. Um homem de uma inteligência extraordinária e de uma visão do Reino de Deus especial para o seu tempo.  Mas hoje, poucos lembram de suas palavras e do seu ensino, ou mesmo de seus editoriais que influenciaram milhares de crentes no Brasil e no mundo.  Hoje, quero lembrar-me apenas de meu avô, o vovô Reis.

Juntamente com minhas 5 irmãs, amava visitar vovô Reis, o que acontecia pelo menos 3 vezes por semana, dada a nossa proximidade.  Era delicioso sair da escola e passar as tardes na casa do vovô Reis, pois sempre havia novidades. 

Um missionário da JMM que passava pelo Brasil, um pastor, ou mesmo crentes de diversas partes do Brasil sempre o visitavam.  No natal as portas ficavam repletas dos cartões de natal recebidos de todas as partes do mundo.  Ele se correspondia com irmãos e amigos de tantos lugares que me espantava a forma como mantinha sempre os contatos e as amizades. Sim, ele era fiel aos seus amigos.

Gosto de lembrar e sonhar com nossas caminhadas...mesmo quando estava doente caminhávamos por duas horas, sempre a conversar.  Foi assim que ele me mentoriou e instruiu da melhor maneira, no dia-a-dia.  Iniciava uma conversa com uma pergunta:  Ida, o que você sabe sobre os grandes poetas portugueses?  Em cinco minutos despejava o que lembrava e nas duas horas seguintes absorvia todos os detalhes que o avô acrescentava. Ouvia poemas magníficos com suas críticas e impressões como se os tivesse conhecido pessoalmente.

Amava ouvir suas aulas de mestrado em História da Igreja.  Para ele Lutero e Zuinglio não eram apenas personagens num livro enfadonho, mas crentes especiais que transformaram sua época.  Quando ensinava, seus olhos brilhavam, sua voz se animava e conseguíamos reconhecer naqueles personagens seus melhores amigos.  Contava detalhes de suas vidas que tornavam toda a História num momento vivo e divertido!

Amava passear com vovô e principalmente estar à mesa, em família. Uma grande família, sempre com seminaristas e iberistas a participarem ativamente do colóquio.  Gostava de piadas inteligentes e era leitor assíduo de revistas, jornais, entre elas o Times e Readers Digest.  Todas as editoras enviavam-lhe seus livros de lançamento, ele lia e memorizava-os, numa técnica impressionante! Jamais esquecia-se de um nome!

Quando ficou doente o médico restringiu-lhe a alimentação, porém, quem conheceu vovô sabe que comer era o seu hobby predileto.  Quando eu e Joed namorávamos e almoçávamos com ele, sempre invejava o prato de Joed dizendo:
_ Darcília, o que é que o Joed está comendo? Eu quero o que Joed está comendo, pois parece bem melhor...
Vovó Darcília, morta de preocupação respondia: 
_Mas, Reis, você não pode comer desta comida...o médico já disse....
_Darcília, eu quero...vou pegar só um pedacinho.  E lá se ia o grande bife que Joed pretendia...
Amava a culinária portuguesa, mas também era fã dos queijos franceses!! Infelizmente, esse apetite agravou-lhe a saúde.

Surpreendia-me quando queria cozinhar um pão de ló com 12 ovos! Ou quando me ensinava a receita de um frappé de coco que levava sorvete de coco e um vidro inteiro de leite de coco...gordura para matar qualquer um...mas, que delícia! E depois, sobrava para mim o trabalho de limpar toda a sujeira na cozinha, antes que vovó descobrisse nossa estripulia!

Divertido era ver vovô assistindo a uma luta de boxe.  Como ele gostava de boxe! Eder Jofre e outros lutadores...vovô treinou boxe quando novo e gostava de "tentar" nos ensinar.  Podem imaginar vovô dando uma "gravata" nas netas, que em vão tentavam jogá-lo ao chão.  Um dia a cama do quarto da vovó foi abaixo porque as quatro netas pulavam tanto e lutavam com o avô que esta não resistiu.  E vovó Darcília ficou uma fúria! Hoje a compreendo bem, que trabalhão e que gangue nós fazíamos!

Vovô gostava de uma boa argumentação, gostava de uma discussão intelectual.  Não lhe agradava aqueles que em nada podiam contribuir, ou que simplesmente concordavam e abaixavam a cabeça.  Mesmo sendo muito nova, sempre gostei de perguntar e instigar e com isso vovô se abria e ensinava ainda mais. Foram as lições mais preciosas, que não se aprendem numa cadeira de seminário ou faculdade. Foram anos maravilhosos!

Vovô deu-me meu primeiro emprego: secretária particular.  Deveria organizar sua biblioteca e seus milhares de pequenos cartões com anotações.  Seus sermões eram guardados nestes cartões e muitas vezes havia apenas o texto bíblico e 4 palavras.  Achava incrível como conseguia lembrar-se de uma mensagem completa com apenas estas anotações. Ajudava-o a elaborar o boletim da igreja e organizar sua correspondência.  Foi confidente de tantos missionários,  pastores e esposas de pastores, mas sempre manteve total sigilo e antes de falecer lembro-me que queimou a maior parte de seu arquivo de cartas, não fossem cair em mãos erradas.  Através destas cartas orientou e guiou o meio batista no Brasil.  Hoje sua firmeza doutrinária, suas convições profundas e seu amor pela Palavra fazem falta.  Sua amizade era genuína, sem preconceitos, sem interesse nem acepção de pessoas.  Os doutores e os mais iletrados eram ouvidos da mesma maneira e todos eram recebidos à volta de sua mesa.

Pr. Reis não era um homem fechado e não o considero um batista fundamentalista, era um batista sincero e convicto, pois sua crença vinha do muito estudo e meditação. Muitos que o conheceram apenas de púlpito podiam considerá-lo reservado, mas conosco era alegre, descontraído e muito, muito espirituoso.

Hoje, após  vinte anos de sua morte ainda sonho com seus conselhos, ainda recordo-me de seus exemplos, histórias e anedotas.  Suas marcas permanecem em minha vida e na vida de meus filhos, que mesmo não o conhecendo ouvem suas histórias e aprendem sua maneira de ver a vida.

Sua última oração foi no dia 12 de outubro de 1991, o dia de meu casamento.  Vovô não assistiu, já estava de cama.  Saímos da igreja do Rocha diretamente para a casa do vovô.  Vovó Darcília surpreendeu-se, pois ele sentou-se, apoiado pelo pr. Tiago Lima e nos ajoelhamos junto à cama.  Ele uniu nossas mãos, apertando-as com força entre as suas mãos e durante longos minutos orou abençoando nosso ministério e nossa vida de casados. Depois disto nunca mais falou.

Era o dia mais feliz de minha vida, mas também o mais triste, pois sabia que vovô estava indo e não podia segurá-lo mais.  Esperou até o meu casamento e nos abençoou. Vovô faleceu três dias depois, e as mesmas flores do meu casamento estavam no funeral na igreja do Rocha. 

Obrigada, vovô, pela sua vida, pelas bênçãos que eu e meus filhos desfrutamos até hoje, pela proteção no campo missionário e pelo exemplo que nos deixou.  Não nos esqueceremos jamais, pois sempre será para mim o vovô Reis.

Uma neta saudosa
Ida Venturini de Souza



Cronologia José dos Reis Pereira - Jornal Batista 29.12.1991
 


Homenagem ao Pr. Reis. Jornal Batista de 29.12.1991
 

Vencendo a Depressão – Vida e Obra de Adoniran Judson


Ele estava deprimido! Mas não era uma simples depressão. Era uma depressão profunda, num momento em que não havia antidepressivos e ninguém sequer sabia o que eram depressões. Sua tristeza era tão profunda que ele cavou uma cova para si no interior da floresta infestada de animais selvagens, entre os quais Tigres, e sentou-se a beira dela dias a fio olhando o vazio à espera de morrer. Essa pessoa de quem falamos é, no entanto, um dos missionários mais reverenciados da história. Como é possível? Como foi possível ele vencer uma tão profunda depressão?

A depressão deixou de ser um assunto tabu do qual não se falava. Hoje a OMS a reconhece como a doença do século XXI e os números falam de até 340 milhões de pessoas sofrendo no mundo. A população portuguesa teria até 20% de afetados por depressão. Os medicamentos antidepressivos sãos dos mais vendidos no mundo, e a pesquisa procura novas drogas para mitigarem essa dor. Alguns sintomas são:
  • ·         Desânimo persistente
  • ·         Falta de energia e cansaço crônico
  • ·         Desinteresse pelas coisas
  • ·         Incapacidade de experimentar prazer
  • ·         Tristeza profunda por vezes inexplicável
  • ·         Falta de capacidade para trabalhar
  • ·         Limitação da função mental
  • ·         Alteração do apetite e sono
  • ·         Baixa auto estima
  • ·         Pessimismo intenso
  • ·         Retraimento social
  • ·         Choro fácil

Muitos doentes deprimidos não sabem o que tem. Muitos chegam a se fazer mal por não entenderem que precisam de tratamento e a depressão tem a tendência de se alimentar de si mesma, ou seja, o deprimido acaba por “gostar” de se sentir miserável e alimenta este estado resistindo a tentativas de ajuda. Mas não se trata de algo novo. A Bíblia nos fala de muitos exemplos de depressão como o de Moisés diante da maldade do povo ou de Elias quando Jezabel tenta matá-lo. Vejamos um desses em I Samuel 30:

“Sucedeu, pois, que, chegando Davi e os seus homens ao terceiro dia a Ziclague, já os amalequitas tinham invadido o sul, e Ziclague, e tinham ferido a Ziclague e a tinham queimado a fogo. E tinham levado cativas as mulheres, e todos os que estavam nela, tanto pequenos como grandes; a ninguém, porém, mataram, tão-somente os levaram consigo, e foram o seu caminho. E Davi e os seus homens chegaram à cidade e eis que estava queimada a fogo, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas tinham sido levados cativos. Então Davi e o povo que se achava com ele alçaram a sua voz, e choraram, até que neles não houve mais forças para chorar. Também as duas mulheres de Davi foram levadas cativas; Ainoã, a jizreelita, e Abigail, a mulher de Nabal, o carmelita. E Davi muito se angustiou, porque o povo falava de apedrejá-lo, porque a alma de todo o povo estava em amargura, cada um por causa dos seus filhos e das suas filhas; todavia Davi se fortaleceu no SENHOR seu Deus.” 1 Samuel 30:1-6

Davi já andava a tentar viver longe do perigo de Saul há anos. Finalmente as coisas pareciam estar a melhorar. Um dos príncipes filisteus lhe dera uma cidade, Ziclague, e ali Davi e seus homens podiam criar suas famílias em paz e pensar num futuro mais calmo. E eis que quando tudo parecia se acertar, o pior acontece. Enquanto Davi servia ao rei filisteu os amalequitas deram sobre a cidade e destruíram os sonhos de paz e prosperidade levando as esposas e filhos como escravos. Davi chorou mas ainda mais quando ouviu o povo o culpando e seus próprios homens colocando a responsabilidade sobre ele. A vida pareceu parar. Nada mais fazia sentido. Sua angústia foi profunda, total, ele quase se entregou.

A depressão é assim. Pinta o quadro mais negro possível, esconde qualquer chance de futuro, Rouba toda a alegria e satisfação, seca toda fonte de prazer, faz de todos os demais inimigos, torna todas as palavras em acusações, faz de todos os esforços tolices e se compraz em nos dizer que não há nada a fazer. Mas Davi saíu da depressão. Como ? Vejamos o texto:

“…Todavia Davi se fortaleceu no SENHOR seu Deus.E disse Davi a Abiatar, o sacerdote, filho de Aimeleque: Traze-me, peço-te, aqui o éfode. E Abiatar trouxe o éfode a Davi. Então consultou Davi ao SENHOR, dizendo: Perseguirei eu a esta tropa? Alcançá-la-ei? E lhe disse: Persegue-a, porque decerto a alcançarás e tudo libertarás. Partiu, pois, Davi, ele e os seiscentos homens que com ele se achavam, e chegaram ao ribeiro de Besor, onde pararam os que ficaram atrás. E perseguiu-os Davi, ele e os quatrocentos homens, pois que duzentos homens ficaram, por não poderem, de cansados que estavam, passar o ribeiro de Besor. E acharam no campo um homem egípcio, e o trouxeram a Davi; deram-lhe pão, e comeu, e deram-lhe a beber água. Deram-lhe também um pedaço de massa de figos secos e dois cachos de passas, e comeu, e voltou-lhe o seu espírito, porque havia três dias e três noites que não tinha comido pão nem bebido água. Então Davi lhe disse: De quem és tu, e de onde és? E disse o moço egípcio: Sou servo de um homem amalequita, e meu senhor me deixou, porque adoeci há três dias. Nós invadimos o lado do sul dos queretitas, e o lado de Judá, e o lado do sul de Calebe, e pusemos fogo a Ziclague.E disse-lhe Davi: Poderias, descendo, guiar-me a essa tropa? E disse-lhe: Por Deus jura-me que não me matarás, nem me entregarás na mão de meu senhor, e, descendo, te guiarei a essa tropa. E, descendo, o guiou e eis que estavam espalhados sobre a face de toda a terra, comendo, e bebendo, e dançando, por todo aquele grande despojo que tomaram da terra dos filisteus e da terra de Judá. E feriu-os Davi, desde o crepúsculo até à tarde do dia seguinte; nenhum deles escapou, senão só quatrocentos moços que, montados sobre camelos, fugiram. Assim salvou Davi tudo quanto tomaram os amalequitas; também às suas duas mulheres salvou Davi. E ninguém lhes faltou, desde o menor até ao maior, e até os filhos e as filhas; e também desde o despojo até tudo quanto lhes tinham tomado, tudo Davi tornou a trazer. Também tomou Davi todas as ovelhas e vacas, e levavam-nas adiante do outro gado, e diziam: Este é o despojo de Davi.” 1 Samuel 30:6-20

Há alguns passos que Davi deu que nos levam a perceber o caminho da vitória:

Buscou o Senhor. Por isso ele será lembrado como o homem segundo o coração de Deus. O único que pode nos dar força para vencer algo que nós não conseguimos é o nosso Deus.
·   Consultou a palavra de Deus por meio de seu servo. Nós temos vantagem em relação a Davi na medida em que temos a revelação escrita ao nosso alcance e podemos fazer uso dela quando quisermos
·  Agiu de acordo com a orientação. Davi não ficou sentado a chorar suas mágoas. Chorar nunca resolveu o problema de ninguém. Sem ação não há depressão que se vença. Sem iniciativa na força de Deus ninguém sai do buraco.
·  Fez o que estava ao seu alcance que era correr atrás do prejuízo. No seu caso era perseguir os amalequitas mesmo sem saber bem para onde iam (lembre-se que eram nómades habitantes do deserto). Não seria fácil acha-los mas era o que tinha que fazer. Ele saiu para tentar. 
   Pegou a primeira oportunidade que surgiu. Aquele moribundo não parecia grande coisa mas era o que havia no caminho para usar e acabou sendo a solução do problema dele e a orientação
· Enfrentou o inimigo de cara e lhe tirou o que era seu, sua família, sua fonte de alegria e prazer no mundo e sua satisfação.


A depressão pode nos rondar e mesmo nos pegar, mas temos algo que os demais não têm que é nosso acesso a Deus e sua força. Adoniran Judson é um bom exemplo disso. Ele nasceu Malden, Masschussets nos EUA em 1788 filho de um pastor congregacional. Aluno brilhante entrou na faculdade aos 16 anos e completou em 3 anos um curso de 4 sendo o melhor aluno da turma. Depois de algumas tentativas inglórias de ser escritor foi realmente tomado pelo evangelho e pelo fervor missionário. Fez parte do primeiro grupo de 5 missionários americanos ao estrangeiro numa época em que a Inglaterra detinha a liderança no envio de obreiros.

Adoniran, já casado com Ana, seguiram para a Índia mas não permaneceram ali por razões políticas e d pois de 1 ano estavam na Birmânia, país budista, fechado ao evangelho onde se viram os únicos missionários ocidentais. Estudar a língua era muito difícil. Perderam seu primeiro filhinho para a malária e eles mesmos ficavam doentes com frequência. Então veio a guerra entre a Inglaterra e a Birmânia. Adoniran apesar de ser americano foi preso e assi permaneceu por 21 meses. Nesse período as condições eram terríveis. A prisão não tinha quaisquer condições e as visitas de Ana eram esporádicas e complicadas até porque ela estava grávida de Maria sua 2ª filha. Quando depois de muito sofrimento e dor Adoniran foi libertado perdeu a esposa e a filha em poucos meses. Tentou se afogar no trabalho mas acabou em depressão profunda e sem aparente saída.

Os relatos que temos da depressão de Judson são impressionantes. Ele fechou o mundo fora de sua vida e esteve perto do suicídio. Foi a lembrança da língua birmanesa e o desejo de terminar a tradução da Bíblia que o levaram a sair do buraco. Num ritmo de 30 versos por dia ele traduzia direto do hebraico para o birmanês. Passou a participar do ministério de outros missionários e a viajar bastante. A Igreja que fundou nunca chegou a prosperar. O máximo que chegou a ter foi 18 membros. Ele ainda casou-se  e enviuvou, casando uma 3ª vez e viveu até 1850, quando passou à Glória numa viagem pelo golfo de Bengala. O evangelho entre a tribo Karen a quem ele se dedicou representa hoje mais de 50% da população.



Homem que é Homem!

O que caracteriza um homem de sucesso hoje? Todos queremos ser homens com H grande. Por vezes nos vemos comparando nossos sucesso ou percurso com o de outros homens, talvez colegas de infância, ou de escola, ou de trabalho e muitas vezes nos sentimos diminuídos. Se olharmos para o mundo pode ser que a situação se agrave mais ainda. O mundo avalia os homens pela riqueza (se for bilionário tudo o mais é relevado), pela força (sobretudo para se vingar ou retribuir o mal que recebe), pela coragem (em geral vista diante de riscos e perigos), pela liderança (seja em que área for), Pela capacidade de visão (os visionários de hoje serão os ricos de amanhã), pela capacidade de enfrentar as crises da vida e derrubar os gigantes que aparecem. Mas o que a Palavra de Deus tem a dizer sobre isso? Quem é Homem no conceito de Deus? Aos olhos do Senhor o que serão estas características que tanto se apreciam nos homens? Olhemos então para essas características que parecem definir os homens e vejamos o que a Bíblia diz:

Riqueza: No mundo a regra do “quanto mais rico melhor” é geral. Até no meio evangélico essa linha de pensamento tomou forma sobretudo na chamada teologia da prosperidade. Crente fiel tem que andar de Mercedes e viver em mansão… Provavelmente Paulo no calabouço, Elias vestido de peles, João Batista comendo gafanhotos, João exilado em Patmos e Jeremias no fundo de um poço não serão bons exemplos dessa linha. Mas as igrejas que pregam essa mensagem estão cheias. Amamos ouvir essa ideia e principalmente que é de Deus e para todos. Mas não parece ser essa a verdade que Jesus ensinou.

Jesus contou a história de um rico e lázaro e o rico não terminou bem. Quando abordado sobre a questão das heranças respondeu com a parábola do rico insensato em Lucas 12: 13 a 21. Aquele que não guarda a sua alma é o verdadeiro louco e sua riqueza de nada servirá. Daí que Jesus ensinou que não são muitos os ricos que entrarão no reino dos céus (Lucas 18:24 e 25). Na verdade de nada serve ganhar o mundo e perder a alma (Mateus 16:26). Logo, a riqueza aos olhos de Jesus não se vê na conta bancária nas olhando a alma do homem.

Entendemos por alma o centro da personalidade humana. Onde encontramos os 3 elementos que o distinguem e definem como Homem: pensamento (razão), sentimento (emoção) e vontade. A riqueza diante de Deus vem da preservação e salvação da nossa alma, ou seja, da nossa vida mental, das nossas emoções e da nossa vontade.

Como está sua vida mental? Controlada? Costuma dominar seus pensamentos ou se deixa levar por eles? Temos aprendido a vencer a batalha pela nossa mente e preservar nossa razão dos dardos inflamados do maligno ou somos alvo fácil? Quanto costumamos avaliar nossa vida mental? Na verdade perdemos tempo precioso com coisas sem valor. Gastamos nossos pensamentos e raciocínios com coisas que não valem nada em relação com a eternidade. Raramente olhamos para nossa mente ou questionamos nossos pensamentos. No que estamos a pensar? Vale a pena? Vai nos levar a algo produtivo? A qualidade de nossos pensamentos vai definir mais que o resto a qualidade de nossa vida. De que serve uma mansão se a mente vive deprimida? De que serve um carro do ano se vivo com raciocínios maus, cinzentos ou nublados e sem alegria ou energia para a vida? Uma vida mental descontrolada é o que vemos com mais facilidade a nossa volta. A verdadeira riqueza vem de tê-la dominado.

Para isso, Homens crentes, sabem que precisam controlam os sentidos, fonte de seus pensamentos. Avaliar e cuidar onde colocamos nossos olhos, ao que damos tempo em relação aos ouvidos, o que permitimos que alimente nossa mente. No mundo é normal que o homem seja controlado pela malícia, pela sensualidade carnal. Para o mundo homem que é homem vive pensando nisso. Mas o cristão deve aprender que é preciso Dominar a luxúria que leva a mente a só pensar em apetites carnais. Meus pensamentos devem ser levados submissos a Cristo (II Coríntios 10: 4 e 5). Devo exercer minha vontade para controlar o que penso e não me deixar levar pelo que o mundo deseja (Romanos 12: 1 e 2). Homem que é homem pela Bíblia olha e vê de acordo com a vontade de Deus.
E minhas emoções? Os homens se orgulham de serem mais racionais que as mulheres e provavelmente são. Mas isso não significa que não fiquem sob o domínio das suas emoções. Ser Homem parece sinonimo de braveza, mas isso é na verdade bravata e só espelha um falso conceito que é na prática falta de controlo das emoções. 

Um dos aspectos do fruto do Espírito Santo é a temperança (Gálatas 5: 22) Ser capaz de dominar meus sentimentos de inferioridade, superioridade, ira e cobiça. Sentimentos que podem nos levar ao pecado. O mundo pode chamar a ira de força mas não é. O mundo pode chamar a cobiça e a inveja de ambição, mas é pecado desde o início do mundo.
Minha vontade está submissa ao Senhor? Rico para Deus é o Homem cuja vontade não se dobra. Não se dobra a maioria, não rasteja perante a pressão de grupo mas mantém-se firme e submissa a Deus. Gostamos muito de falar da liberdade. Valorizamos muito o livre arbítrio, mas segundo a Palavra a vontade que Deus me deu foi contaminada pelo pecado e por isso se tornou escrava do mesmo. Pode ser renascida na cruz e com a presença do E.S. Com o Senhor fico capaz de levar minhas decisões a Cristo e não ser dominado por aquilo que vem do mundo e deseja escravizar-me. Ganhar o mundo mas perder a alma (viver mentalmente dominado pelo mal, ter as emoções fora de controle e deixar a vontade ser escrava do pecado) não é riqueza aos olhos de Deus.

Coragem: O Homem padrão do mundo tem a “coragem” de andar em altas velocidades, roubar sem ser apanhado, encarar os durões sem pestanejar. O Homem do mundo ideal é um musculoso bruto que enfrenta todos com olhar meio desvairado de armado em Clint Eastwood. Uma mistura de Rambo, Indiana Jones e Exterminador do Futuro. É duro de matar, valente diante de tudo e todos. Mas essa não é a coragem bíblica. E não é a coragem de verdade. Difícil é ser corajoso de verdade para ser contra a maré, contra a cultura vigente e sem medo das consequências.

Um dos muitos exemplos de coragem que temos na Bíblia é o de um homem que foi grande em 2 impérios sucessivos. Até onde sei seu feito é único. Conseguiu chegar ao 2º lugar da hierarquia em 2 impérios mundiais que eram inimigos e em sucessão. Não o fez pela força ou pela política mas pela coragem de ficar fiel a Deus mesmo em tempos muito difíceis. Estou a pensar em Daniel. Lidou com 2 dos maiores líderes da antiguidade (Nabucodonosor e Dario). Enfrentou-os no contexto de cortes orientais em que o imperador detinha o poder de vida e morte na ponta dos dedos. Um simples gesto de sua mão podia significar a morte.

Daniel foi corajoso sempre na defesa de sua fé e na capacidade de testemunhar. Sua coragem se manifestou na capacidade de ficar de pé em nome do seu Deus e falar com segurança sobre aquilo que só o seu Deus podia fazer. Quando foi pressionado a aceitar o status quo e a comida real sacrificada a ídolos teve a ousadia de enfrentar a morte para ficar fiel (Daniel 1). Diante de um Nabucodonosor irado (Daniel 2) ele teve a coragem de se manter calmo e falar da sua fé e da soberania de seu Deus. E era apenas um jovenzinho nessa altura. Diante de um sonho assustador que falava da queda do Rei e que podia trazer risco de vida (Daniel 4) o profeta, já homem mais maduro, teve a ousadia de dar testemunho e chamar ao arrependimento. Já idoso, sua coragem se manteve quando Dario decretou a lei que o impedia de orar (Daniel 6). Manteve sua firmeza mesmo no caminho da cova dos leões. Coragem na Bíblia é a que tiveram os seus amigos diante da estátua do rei ou Pedro e João perante o Sinédrio.

E onde tem estado nosso testemunho? Homem que é Homem segundo Deus não teme dizer que crê em Deus e ama Jesus. Não teme defender a Bíblia e a fé. Não deixa que seus colegas blasfemem em vão e façam troça da igreja. Não permite que histórias de teor inferior sejam usadas por puro humor maligno. Coragem de homem de Deus se mostra na ousadia de dizer que pecado é pecado, homossexualismo é perverso e o mundo vai a caminho da perdição. Isso dito sem ira, mas com firmeza. Essa é a coragem da Bíblia.

Liderança: Homem que é homem lidera. O mundo aprecia a capacidade dos que governam e admira homens que tomam as rédeas do comando. E a Bíblia diz que o homem foi ciado para liderar. Não é superior a mulher em capacidade ou dignidade apenas em função e a sua função é de liderança. O inimigo vem tentando (e conseguindo) subverter essa liderança desde o jardim. Não foi por acaso que a serpente tentou Eva e não Adão. Subverteu a ordem de Deus. Trocou as posições e Adão foi o 1º a falhar por não assumir a liderança, não resistir a mulher e depois fugir covardemente de sua responsabilidade. O padrão estabelecido por ele então vem sendo seguido há milénios…

Liderança bíblica, no entanto, não é o direito de ser mandão. Liderar na palavra não é mandar ou dominar mas servir. Paulo escreveu sobre isso de modo claro em Efésios 5: 23 a 33. Liderança nessa visão é serviço e sacrifício. Os homens são chamados a liderar em casa o que significa assumir o serviço, o trabalho, o sustento. Ser os provedores e para isso, se necessário, se sacrificar. Homem que é homem não se contenta a deixar que a mulher sustente a casa. Lidera em amor sendo servo e ajudando a cada elemento da família. O sacrifício pode significar muitas coisas mas implica protecção, cuidado, apoio, direcção.

Essa liderança não exclui ouvir os demais, mas implica em assumir o ónus das decisões e consequências. Implica ser o sacerdote do lar levando a família ao Senhor em oração, guiando no culto doméstico, dirigindo a igreja local, envolvendo nas actividades que levem a família a servir ao Senhor.

Visão: Um homem que agrade a Deus e queira cumprir sua função de liderança bem deve ter uma visão. Ela pode ser algo grande caso seja líder de uma igreja ou organização, ou algo mais simples ligado a família. Mas caminhar nesta vida exige alguma visão. Se não sei para onde vou como vou chegar lá? SE não sei para onde vou qualquer destino serve e o homem de Deus não está sem destino, não vive sem alvo ou direcção. E de onde vem a visão?

Um dos homens mais extraordinários da Bíblia, também como líder, nos ajuda a entender a visão que vem de Deus. Estou a falar de Neemias. Ele se viu diante de um desafio enorme (Neemias 1:3). Sua cidade, Jerusalém, estava destruída e o povo na miséria e Neemias podia ter virado as costas e dito: sou ministro da corte do imperador mais poderoso da terra, porque me preocupar com isso? Mas ele não viu assim. Chorou e se entristeceu e clamou a Deus e de sua oração veio uma das visões mais extraordinárias da Bíblia e uma história de sucesso tremendo. E como teve ele sua visão:
·         -Orou e jejuou (1: 4)
·       -  Falou com as pessoas certas (cap.2)
·       -  Fez providência do necessário (2:7 e 8)
·       -  Avaliou a situação (2: 11 a 16)
·         -Cercou-se de ajuda (2:17)

Neemias tinha um desafio enorme mas recebeu de Deus visão clara e direcção distinta. E olhando para a Bíblia vemos homens com visões bem definidas e no plano físico, não somente espiritual. Davi entendeu a centralidade de Jerusalém e planeou o templo; Paulo tinha uma estratégia global de evangelização e outra para cada cidade em que chegava. Homem de Deus é aquele que recebe direcção do Senhor e caminha seguro na orientação do E.S.

Vencendo Crises: Mas para liderar e mostrar visão o homem terá que enfrentar as crises da vida e serão muitas. Muito se tem falado de crises em nosso tempo. Parece tema recorrente e constante. E no entanto a Bíblia é um livro sobre crises. Desde a crise maior de todas no Éden até a final em Apocalipse, a palavra nos fala e ensina sobre crises. E como o homem que é homem de Deus vence as crises? Entre as muitas passagens citaríamos Isaías 6:1 a 8.

O Rei Uzias tinha sido um dos mais ricos da história de Judá e reinara por 55 anos. Seu reinado foi uma época de prosperidade como Judá não conhecera desde Salomão. Havia abundância, segurança e paz. O povo vivia bem, as cidades eram fortificadas, a tropa era profissional e forte, as colheitas abundantes, a administração bem-feita. Durante décadas o povo desfrutou de boa vida e era feliz até que Uzias deixou o orgulho subir a sua cabeça e pecou gravemente usurpando a posição de sacerdote (II Crónicas 26:16 a 23) e sendo punido com lepra. Foi o início da crise. A administração falhou e a terra começou a sofrer e quando Uzias morreu havia medo em relação ao futuro. Como será agora? E Como Isaías se tornou a grande profeta nesse tempo capaz de enfrentar depois Acaz e mesmo Manassés?
·       -  Buscou ao Senhor
·       - Recorreu ao templo
·         -Viu a Glória
·       -  Cresceu em Santidade
·        - Dispôs-se a trabalhar
Crises vem e vão mas há que enfrenta-las e não se faz isso sem o Senhor. O primeiro passo para vencer a crise é a aproximação de Deus, e a busca de santidade sem a qual ninguém verá a Deus. Antes de planos, estratégias ou visões, é em Deus e na comunhão que recebemos o necessário. O homem de Deus sabe que é na proximidade do Senhor que está a possibilidade de vitória o que nos leva ao tema seguinte:

Derruba Gigantes: Homem que é homem derruba gigantes e logo pensamos em jovens com capacidade em artes marciais derrotando adversários bem mais corpulentos. Mas não é assim que a Bíblia nos fala sobre vencer gigantes. E eles aparecem sobre várias formas. Pode ser alguém físico, um patrão, um colega de trabalho, um familiar. Pode ser um despedimento, a reforma, uma doença. Gigantes são por definição assustadores mas há um padrão bíblico para os derrotar com o exemplo de Davi. Ele era jovem mas venceu da maneira que Deus aprova estabelecendo um bom padrão de como encarar gigantes segundo I Samuel 17. 
·         -Encarou o desafio da perspectiva de Deus
·        - Sentiu com o coração de Deus
·       -  Rejeitou usar as armas de outros
·        - Confiou no que dá vitória (14:6)

Força: Queremos terminar com aquela que se calhar é a maior marca do homem. Homem que é homem é forte. Mas o que é força? No mundo é a capacidade de não levar desaforo para casa. Não sofrer sem retaliar. Não deixar por menos. A maioria das estórias que o mundo admira é de vingança. São sempre iguais. Tudo estava bem até que um mal terrível vem e destrói a paz. E como vencer o mal? Matando, destruindo, arrasando, sendo mais forte. E o ciclo de vingança permanece e segue seu curso. Esse é o padrão de todos os chamados super heróis. Ficam cheios de força de um momento para o outro (nada de perseverança) e saem por aí esborrachando os maus. Mas força é isso mesmo. Bater mais forte, retribuir logo. Até as nações pensam assim (atentados de NY e a guerra no Iraque).
Mas na Bíblia a força não é vista desse modo. Forte não é o que mantém a roda da vingança a rodar porque na verdade para fazer girar uma roda que já gira é muito fácil e exige muito pouca força. Parar essa roda é que é bem complicado. Foi essa a força extraordinária que Jesus nos pediu (Mateus 5: 21 a 22 e 38 a 48). A força mais incrível que existe é a do amor que se manifesta no perdão. E Jesus não apenas a ensinou mas e viveu na forma mais extrema ao perdoar seus torturadores na cruz e a nos ensinar a viver o mesmo.

Temos confundido perdão com sentimento e por isso não nos sentimos capazes de perdoar, assim como confundimos amor com paixão. Mas amor não é paixão. Paixão é sentir, é desejar profundo, fora de minha vontade. É avassalador, tremendo e forte e não apela a vontade. Não é difícil porque o que se faz em paixão não custa muito, mas é egoísta e centrada no meu prazer. Amor é vontade, é decisão, é fazer o melhor para o outro sem olhar a meios mas me sacrificando sem receio. E perdão é vontade. É entender a vontade de Deus e viver a sua palavra. É abrir mão da chamada justiça humana que nada mais é que vingança e dar lugar a justiça real que vem de Deus e é perfeita. Perdão é abrir a porta da cela em que guardamos o outro mas que nos prende também. É cancelar a dívida e assumir a perda sem remorso e sem tristeza porque Deus recompensa muito mais.

O mundo precisa de homens fortes que sejam capazes de perdoar, de não guardar rancor, mas abrir mão do mal e retribuir com o bem. Isso é das coisas mais difíceis e mais duras. Exige força verdadeira, força tremenda e faz do homem um gigante aos olhos de Deus. 



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