A caminho de Moriá

Abraão já ouvira Deus falar antes. Uma vez o Senhor falara e ele ficara confuso com a necessidade de deixar sua terra, mas expectante com a nova terra que encontraria. Outra vez Deus falara e ele ficara contente com a bênção prometida para sua geração nessa terra de Canaã. Uma vez Deus falara e o deixara perplexo com a profecia de tribulação para seus descendentes. Outra vez Deus falara e ele rira da possibilidade de ainda ser pai aos 100 anos. Mas o riso se tornara gargalhada e se materializara numa criança chamada Riso (Isaque).

Agora porém, Deus falara e Abraão não rira. Desta vez não havia esperança nem expectativa, nem bênção ou futuro. Havia apenas escuridão e um caminho terrível a percorrer. O caminho para Moriá.

O caminho para Moriá era escuro e denso. Nada fazia sentido para Abraão. A ordem de sacrificar Isaque não deixara margem para esperança e não fizera sentido nenhum. Até onde Abraão podia ver era incongruente e incompatível com tudo o que o Senhor fora no passado. Não havia lógica, nem sentido, nem lição. Havia apenas um caminho escuro e longo com muito sofrimento no fim.

O caminho para Moriá era solitário. Os servos que acompanhavam Abraão teriam que ficar no sopé do monte e o filho que com ele andava ficaria no escuro quanto aos objetivos da viagem e a finalidade de tanto silêncio. E Abraão prosseguia. O que pensaria ele? Que sentimentos encheriam seu coração cansado nessa caminhada atroz rumo ao sacrifício de seu único filho? Que alegria poderia lhe restar? Que esperança de velhice para um pai idoso ao mesmo tempo sacrificado e sacrificador?

Mas, Abraão prosseguia como sempre. Já antes saíra do conhecido para uma terra que não sabia onde ficava e prosseguira. Já antes percorrera o deserto a procura de uma terra onde ter o que comer e prosseguira. Já antes perseguira tropas com um número pequeno de servos sem experiência militar e prosseguira. Já antes se rira da gravidez de Sara com 90 anos, mas prosseguira e terminara carregando um bebé. Agora não via solução para seu dilema, não entendia as razões de Deus, nem sabia como seria capaz de obedecer até o fim terrível ordem, mas prosseguia.

Todos nós nos vemos vez por outra no caminho de Moriá. É aquela terra de ninguém, onde a fé parece absurda, o céu fica silencioso e até a Palavra se mostra árida e sem respostas. Já todos vivemos o amargo de sentir que fomos esquecidos, que a esperança deve existir mas não a vemos, que a vida perdeu a maior parte de sua razão. É um filho que morre, um emprego que desaparece, um acidente que nos rouba a saúde, um diagnóstico que nos deixa perplexos, um amigo ou parente que nos deixa... são momentos escuros, um caminho difícil.

O importante nessa hora é, como Abraão, prosseguir.

O que o inimigo mais odeia é um crente que persevera na tribulação.

Em sua alegoria Cartas do Inferno, C S Lewis coloca na pena do demónio instrutor as seguintes palavras: "Nossa causa nunca estará mais ameaçada do que nas vezes que um ser humano, mesmo não desejando pessoalmente alguma coisa, estiver fazendo a vontade do Inimigo, ainda mais quando ele estiver observando o universo em seu redor, sem conseguir ver o menor traço do Inimigo se perguntando porque Ele o teria abandonado assim, e mesmo assim OBEDECENDO."

Precisamos nessas horas lembrar que nosso mestre e salvador conhece bem esse caminho. Ele também palmilhou a estrada para Moriá e a sua terminou no Gólgota. Para ele não houve palavra salvadora de um anjo na hora decisiva. Ninguém parou o martelo que pregava os cravos, ninguém parou a lança que furava o peito, ninguém respondeu ao clamor no meio do sofrimento esquecido. E ele sofreu por nós.

Mas a história de Abraão não termina na dor. Ele teve o riso restaurado nos lábios e no filho devolvido. E a história da cruz é seguida em 3 dias pela da ressurreição. O caminho para Moriá é duro, mas o Senhor não nos deixou, o sol não sumiu de vez e o domingo da vitória está a caminho mesmo que nos pareça impossível. Sigamos com perseverança o caminho da nossa fé e o Senhor nos recompensará.

Já aconteceu uma vez...

Era uma vez um idoso de 80 anos. Ele foi convocado por Deus para enfrentar o maior rei de seu tempo e o mais forte estado de sua época. Munido de apenas um cajado e sua fé no poder de Deus derrubou um império e libertou seu povo da escravatura. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um homem de 85 anos que vivera já muito e podia almejar descanso e sossego. Foi no entanto desafiado a escolher sua herança. Podia ficar com as terras que desejasse. Podia escolher terras tranquilas e bem regadas e sobretudo livres de problemas. Mas ele escolheu as terras altas, cheias de inimigos. Uma terra habitada por gigantes. E essa terra foi conquistada por ele e pelos seus. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um jovenzinho que guardava as ovelhas de seu pai e que nos tempos vagos compunha salmos para louvar a Deus. Foi levar comida a seus irmãos que serviam o exército e se deparou com um gigante blasfemo. O mercenário era monstruoso, homem de guerra, bem armado, mas o garoto o enfrentou apenas com uma funda e algumas pedrinhas e o matou. Enfrentou o gigante por seu zelo pelo Senhor e venceu. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez um profeta desconhecido mas que conhecia bem seu Deus e confiava no poder da oração. Ele orou e durante 3 anos não choveu. Depois orou e choveu fogo do céu e seu ministério preservou o culto verdadeiro em sua terra contra uma multidão de falsos profetas. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma menina órfã criada pelo seu tio. De orfãzinha ela veio a ser rainha do maior império do seu mundo. Nessa posição ela desafiou leis ancestrais e confiando em seu deus salvou seu povo de uma destruição certa. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Jerusalém que vivia em harmonia e comunhão. Seus membros se amavam mutuamente e providenciavam para as necessidades uns dos outros. Essa igreja era respeitada pelo povo, era marcada pelo poder de Deus em curas e sinais e crescia diariamente conforme o Senhor desejava. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

Era uma vez uma igreja em Antioquia que entendeu o chamado de Deus. No meio de uma época difícil, uma cultura pagã corrupta e um governo autoritário ela ousou crer na evangelização mundial e separou seus dois principais líderes para essa tarefa. Seus pastores saíram pelo mundo pregando e plantando igreja e algumas décadas depois o cristianismo tinha se espalhado por todo o mundo. Já aconteceu uma vez... pode acontecer de novo!

A palavra nos diz que nosso Deus não muda, ELE é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Ele também não faz acepção de pessoas, ou seja, não gosta mais de uns que de outros e não vai deixar de abençoar uns para enriquecer outros. Se Ele fez isso no passado então esta pronto a abençoar no presente. Os exemplos que nos foram deixados servem exatamente para que possamos saber como agir, para que possamos confiar, para que nos sintamos estimulados porque isso tudo já aconteceu uma vez... e pode acontecer de novo!

Queridas Mães!

Todos que me conhecem sabem que tive a melhor mãe do mundo... fico feliz se concordar comigo. Mas também ficarei feliz se não concordar por achar que a sua mãe era melhor. É assim que deve ser! E meus próprios filhos têm boas razões para achar que a deles é melhor. Mas nestes dias o importante é lembrar nossas mães, honrá-las e amá-las como só elas merecem.

Creio que não é possível descrever a 100% o que uma mãe de verdade faz e nem elas sabem. O mais perto que consigo chegar é dizer que ser mãe é criar lar. A minha era especialista nisso. Não posso esquecer a sensação gostosa de segurança e carinho que sentia quando chegava em casa vindo da faculdade. Por outro lado, quando as férias acabavam e saía porta fora, chegava ao comboio e sentia um frio no estômago. Estava de novo sozinho no mundo e tudo era contra mim. Em casa havia um descanso, uma paz, uma segurança, um amor, um calor que tornava tudo especial. Por isso nunca mais comemos nada que se pareça com a comida da nossa mãe.

Mães, vocês são extraordinárias! Que me desculpem os pais (e eu incluído) mas a figura mais próxima que temos de Deus é a mãe. O amor sacrificial, o aconchego, a proteção. Tudo na mãe de verdade nos lembra o cuidado e o amor do Senhor. Que privilégio delas por nos darem a luz. Que responsabilidade por terem que refletir o criador.

Mas hoje queria deixar duas dicas simples para as amadas mães. Toda mãe quer ser a melhor. Toda mãe aspira a ser lembrada como a melhor e quer criar os seus rebentos da melhor maneira. Vou deixar então duas dicas da minha mãe. Duas coisas tão simples que ela fazia e que qualquer mãe pode fazer e que fizeram toda a diferença para mim e farão para todos os filhos.

Mamãe ouvia. Eu amava sentar na cozinha e ficar contando casos da escola, da faculdade, dos jogos de futebol, dos colegas, da namorada. E mamãe ouvia. Ela ouvia com interesse e me fazia sentir o centro do universo. Ao falar com ela tinha a noção do quanto eu era importante para ela. Acho que muitas vezes ela não entendia o que eu falava. Por vezes não gostava das músicas que lhe mostrava ou dos livros que referia, mas ouvia com interesse e comentava quanto podia e eu me sentia amado, respeitado e querido.

Mamãe orava. Já referi várias vezes o quanto era importante para mim encontrar mamãe orando na sala de madrugada e ouvir meu nome em seus lábios. Mamãe orava balbuciando para não adormecer. Acordava de madrugada porque a diabetes a levantava com suas hipoglicémias e depois de comer algo na cozinha ela parava na sala e orava. Orava por mim e por Lilia, minha irmã e eu sabia e como isso me valia e me vale até hoje. Estou certo de que fui muito abençoado pelas orações de minha mãe.

Amada mãe quer ser bênção? Quer ser recordada de modo especial? Não precisa ser rica, nem extraordinariamente sábia, não precisa ser a melhor cozinheira. Há muita coisa que pode não ter e não conseguir fazer, mas estou certo de que essas duas coisas estão ao seu alcance. Pode ouvir e pode orar e saiba que assim será uma bênção. Obrigado por seu amor. Que o Senhor a preserve!

Conferência "Família Cristã no Século XXI"

A ABA( Associação Baptista Açoriana) organizou uma conferência sobre a Família Cristã no Século XXI, a qual se realizou nos dias 18 a 21 de Abril de 2011, na Igreja Baptista da Horta, Faial, e nos dias 22 e 23 de Abril do mesmo ano, nas Igrejas Baptista da Praia da Vitória e de Angra. O Orador foi o Pr. Joed Venturini.

PROGRAMAS GRAVADOS
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