"MELHOR QUE NADA..."

Numa recente reunião de pais e mestres na escola do meu filho impressionou-me a falta de ambição dos alunos. A diretora de turma discutia com os pais qual era a menor nota para passarem de ano, quantas cadeiras podiam chumbar e mesmo assim passar, que média seria suficiente para transitarem de nível. Isso levou-me a concluir que, vivemos hoje, uma cultura de mediocridade. Nossa sociedade rendeu-se a uma subcultura de "mais ou menos". Nada de busca pela excelência, nada de esforço ou disciplina, apenas um mero encolher de ombros perante o razoável.

Essa cultura se revela em expressões onipresentes como "antes tarde que nunca", ou "melhor isso que nada". Expressões assim revelam o desencanto, a aceitação tácita do mal menor, a resignação com o mediano na falta de perspectiva do que seja realmente bom ou ótimo.

O mais triste de tudo é que essa cultura vem contaminando a igreja de Jesus. Crentes vivem achando que para Deus qualquer coisa serve. Desde que façam o mínimo, batam o ponto, façam sentir sua presença, mostrem algum interesse, será suficiente. Mas uma visão mesmo que rápida das escrituras nos mostra exatamente o contrário. Para Deus não serve o antes tarde que nunca ou alguma coisa é melhor que nada.

Nenhum louvor é melhor que louvor hipócrita!
"Visto que este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim...continuarei a fazer obra maravilhosa no meio deles" Isaías 29:13 e 14. E a obra maravilhosa de que o texto fala não seria nada agradavel ao povo. O Senhor abominava um louvor hipócrita e sem razão de ser. Louvor é elogio e se for feito de modo mecênico e sem real motivo se torna numa bajulação barata e depreciativa. Se nós não aceitamos esse tipo de louvor porque o Senhor dos Senhores o aceitaria.

Nenhuma oferta é melhor que oferta de restos, forçada e amargurada!
"cada um contribua segundo propôs no seu coração, não com trsieza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria" II Corintios 9:7. "Porque todos estes deram como ferta daquilo que lhes sobrava; esta porém, da sua pobrezxa deu tudo o que possuía." Lucas 21:4. O Senhor abominou as ofertas do povo nos tempos de Malaquias (ver capitulo 1) porque traziam animais cegos e coxos, os restos, o que já não queriam. Para Deus é melhor não levar nada que dar sobras, dar de mal humor, por obrigação ou em espirito de barganha. A oferta e o dizimo são forma de louvor, são gesto de gratidão, são privilégiuo do crente.

Nenhuma oração é melhor que discurso auto afirmativo ou exibicionista!
Em Lucas 18: 9 a 14 o Senhor contou a história de duas orações. Uma, de um fariseu, bela e majestosa, porém orgulhosa, vã e até mesquinha. Foi rejeitada por Deus. A outra, de um publicano, desajeitada, pobre em palavras, mas sentida, verdadeira, humilde e sincera. Foi aceita "porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado". A oração é o respirar da vida cristã. Tem que ser natural, contínuo. Precisa ser sincero, humilde, autêntico. Oração bonita, para o auditório nada vale perante o Senhor. Discursos não o impressionam. Aqule que crioi o mundo com sua palavra porventura se deixaria impressionar por palavras que possamos pronunciar? Se não podemos falar do coração, se não temos o que falar com ELE é melhor ficar em silêncio e esperar o toque do Espirito.

Nenhum culto é melhor que um culto vazio e sem sentido!
" Estou farto dos vossos holocaustos... não continueis a trazer ofertas vãs... não posso suportar os vossos ajuntamentos... as vossas festas a minha alma as aborrece..." Isaías 1: 10 a 14. Seria de esperar que o Senhor tivesse alegria no culto prestado por seu povo. Mas chegou a abomina-lo. Porque? Porque se tornara mecânico, vazio, ritual sem sentido. Porque o povo vinha adorar mas vivia como se Deus não existisse. Porque mesmo durante o culto suas mentes estavam em mil atividades e coisas vãs e mesmo em pecados a cometer após o cerimonial. E nós? Não temos caído em ritualismo? Fazendo do culto uma mera cerimônia a que devemos comparecer uma vez por semana? Porque nos reunimos? Com que objetivo? Para que propósito? Não nos enganemos, o Senhor não acha que qualquer culto é melhor que nada. Para ELE só o melhor serve!

O Senhor chegou a dizer à igreja de Laodicéia "... porque és morno e nem és frio nem quente, estou a ponte de vomitar-te da minha boca" Apocalipse 3 :16. Isso deixa claro que, para o nosso Deus, morno não serve!

Que o Senhor desperte a sua Igreja e a cada um de nós. Deixemos de lado a cultura do mais ou menos
e vivamos intensamente, pois nosso tempo aqui é curto
e há que fazer a obra enquanto é dia!

Eu, Fariseu...

Se eu vivesse nos tempos de Jesus, primeiro século, na Judeia, provavelmente seria fariseu. Digo isso com plena consciência de que a palavra fariseu hoje é conotada com hipocrisia e fingimento. Mas nem sempre foi assim. Nos tempos de Cristo era um movimento altamente respeitado e seus integrantes eram considerados os homens mais espirituais da sua época. Analisando os confrontos de Jesus com eles, vejo as suas características aparecerem, e entendo então o porquê de me identificar com o movimento:

1) ERAM PURITANOS. O movimento nasceu de uma reação contra o mundanismo da ocasião caracterizado pela helenização da cultura judaica. Os fariseus se levantavam contra isso incitando a uma volta as escrituras, a fidelidade a Deus, a separação do pecado (pecado = gentio). Eram assim os puros, os separados, Diante da tristeza que é a conduta moral de nossos tempos eu me idêntico com eles. Seria fariseu.
2) ERAM LEGALISTAS. E com isso quero dizer que gostavam de fórmulas e regras. As leis trazem limites e os limites podem trazer segurança. Além disso são uma forma prática e visual de quantificar o que não se vê, de quantificar o espiritual. Deus é Espírito, logo invisível. O valor espiritual também. Como saber se alguém é ou não cumpridor? Como avaliar um crente? Pelo legalismo é possível. Cumpriu? É bom! Falhou? Não presta. Eu me sinto bem com fórmulas. Elas me dão um senso de controle e me ajudam a saber onde estou. Seria fariseu.

3)LIDAVAM COM AS APARÊNCIAS. Se preocupavam com o que se podia ver. Para eles contava o vestuário, as cerimónias, o estar nos lugares certos, o ser bem avaliado pela multidão. Se formos sinceros creio que todos ligamos ao visual. Por isso compramos tanta roupa, por isso gastamos tempo no espelho. Se for sincero terei que reconhecer que também me preocupo com isso. Seria fariseu.

4) MANIPULAVAM AS ESCRITURAS. Os fariseus estudavam a escritura a minúcia. Com isso descortinavam os textos que serviam para seus interesses. Eram mestres em torcer a interpretação e manipular a Palavra conforme seus desejos e formas de ver e agir. Se for sincero terei que reconhecer que também gosto mais dos textos que me favorecem. Também aprecio os textos que falam de bênção, prosperidade, saúde, galardão. Procuro não manipular a palavra, mas dou ênfase no que me agrada. Prefiro ler o que é favorável. Seria fariseu.

Tendo reconhecido minhas tendências não posso deixar de me sentir acompanhado por boa parte do mundo evangélico actual. Mas, mais importante que isso, tendo reconhecido minhas tendências preciso ver o que Jesus dizia sobre tudo isso.

1) VERDADEIRA ESPIRITUALIDADE. Jesus não era contra o puritanismo ou a procura de santidade, mas ensinou-nos que a verdadeira espiritualidade se nota é na convivência com outros, no serviço amoroso e altruísta. Um puritanismo que incentiva a retracção, o isolamento, o êxtase solitário não interessava a Jesus. O verdadeiro santo só se conhece é no meio dos pecadores.

2) DEPENDÊNCIA DO PAI.  O legalismo e as fórmulas colocam o controle nas mãos vacilantes e tortuosas dos homens. Jesus nos chama a uma dependência completa do Pai. A vida do Espírito não se faz por meio da força da carne. As obras do Espírito não se produzem por esforço pessoal. Tenho que aprender a entregar, a depender por mais que isso me custe.

3) PARA DEUS, O QUE CONTA É O INTERIOR. Uma das maiores batalhas de Jesus foi contra as aparências. ELE sabia que para Deus o exterior conta quase nada. Deus vê e avalia o coração, a intenção, o desejo. Para Deus de nada serve uma aparência de espiritualidade maculada por intenções vãs e egoístas ou orgulho profano. Preciso aprender a trabalhar meu coração mais que meu exterior porque é o coração que aparece quando Deus olha.

4) A PALAVRA DO SENHOR NÃO PODE SER MANIPULADA A SEU BEL-PRAZER.. Tem que ser seguida de acordo com a orientação do próprio Pai. Não posso seleccionar o que me agrada e descartar o que não me facilita a vida. Tenho que amar e aceitar e seguir a Bíblia como um todo e isso implicará em aprender a viver conceitos e princípios que muitas vezes serão difíceis e contraditórios para mim. Afinal o SENHOR é ELE não eu.

Reconheci no começo desta meditação que, se vivesse nos tempos de Jesus, teria forte tendência para ser fariseu. Mas vivo em 2010 e conheço a Palavra. Amo ao Senhor Jesus e a sua mensagem, por isso desejo de coração renegar os conceitos fariseus e ser um digno discípulo de Cristo, um verdadeiro Cristão.

Copa das Desilusões

Eu gosto de futebol. Tento não ligar, mas acabo ligando. E Copa do Mundo é especial...E lá vou eu de novo, sofrendo, o coração disparado, a alegria do gol, a revolta da falta, a tremenda desilusão da derrota. Mais uma vez torci, gastei meu tempo em frente a TV e no fim fiquei só com o amargo na garganta e o grito embolado no peito. Porque?

Terça-feira e a desilusão assola Portugal. Jogam bem, criam mais perigo, mas no fim vence a Espanha com Ronaldo jogando muito pouco e é claro, o treinador sendo xingado. Sexta- Feira é a vez do Brasil. Joga bem a primeira parte, dá esperança, depois entrega o jogo com direito a expulsão e tudo, mas é claro, o treinador é o culpado. Já parece o mordomo de história policial, é sempre o culpado.

Mas esta copa já fora desilusão para os times africanos que caíram cedo como Camarões, Costa do Marfim, Argélia e a própria África do Sul. E que falar da desilusão da França com um time que trouxe vergonha nacional, ou da Itália, campeã em título que não venceu nenhuma vez, ou da Inglaterra grande candidata a vitória que se foi nas oitavas?

Sei que minha reflexão cheira a ressaca de jogo perdido e que corro o risco de parecer meio hipócrita, mas gastei um tempo pensando nisto tudo. Será que dá para respeitar essa copa? Pense um pouco comigo e verá que fica difícil:

1) Como respeitar uma copa que gasta 10 bilhões de dólares em estádios no continente mais pobre do mundo? Essa verba daria escola a todas as crianças do África mas em vez disso foi gasta em estádios que nem sequer vão ter boa utilização após um simples mês de copa. Bilhões para meia dúzia de jogos que poderiam ter mudado vidas para sempre. Como respeitar uma copa em que a média das entradas é de 140 USD e a mais cara de 900 USD num país onde grande parte da população vive em favelas? A FIFA foi boazinha e distribuiu 120 mil bilhetes para os jogos com menos atrativo. Sabe porque? Para que os estádios não ficassem vazios na TV...

2) Como respeitar uma copa onde erros grosseiros de arbitragem marcaram quase cada partida? Como respeitar uma instituição que se recusa a aceitar a tecnologia que em segundos resolveria lances decisivos quando o mesmo já é feito em tantos outros esportes há tanto tempo? Parece mesmo que há interesses significativos ditando as regras... fica no ar um cheiro de coisa arranjada como já aconteceu em tantas outras copas... e nós ainda acreditando...

3) Como respeitar um esporte em que os jogadores ganham fortunas inimagináveis para os demais mortais, só para chutar uma bola? São malabaristas? Deviam estar num circo! Mas o mundo os idolatra e venera e eles não estão nem ligando porque, ganhem ou percam, vão continuar suas vidas magníficas regadas a ouro e champanhe. Se eles parassem de trabalhar o que isso mudaria na sua vida? E se o lixeiro de sua rua parasse de trabalhar? Afinal quem é mais importante?

O que ganhamos com esta copa? Muita coisa! Dor de cabeça, crises de azia, rouquidão e possível faringite de tanto gritar, indisposição com os vizinhos, noites mal dormidas com sonhos confusos, angústia e depressão, antipatia com outras pessoas por pertencerem a esta ou aquela nacionalidade (e não por aquilo que são ou fazem), brigas com familiares por conta da má disposição após uma derrota. Já houve gente que perdeu a vida nesta copa. Por um jogo absurdo?

Não vou fazer promessas e nem garantir mudanças radicais de postura quanto ao futebol. Seria, no entanto, útil e necessário que, como cristãos, tivéssemos uma atitude diferente. Futebol é esporte, como tal é passatempo, diversão, entretenimento. Essas coisas são para trazer boa disposição, descontração e alegria. Se não o fazem é porque algo está muito errado. O futebol há muito que anda errado e espelha a corrupção e a maldade de nosso mundo.

Oremos por discernimento e a capacidade de colocar as coisas nos seus devidos lugares. Gastemos nosso tempo, que é precioso, em coisas que edificam e promovem o bem. Deixemos de lado sentimentos tolos causados por coisas tolas e que precisam de ser tratadas como tal. Meu apelo não é contra o futebol, mas contra a futilidade, o descontrole sem sentido e a perda de tempo. Apreciemos o jogo mas deixemos as demais coisas com eles lá no campo. Já ganham bastante para isso.

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